Notas iniciais
Me desculpem por esse capítulo ter atrasado tanto. Podem me crucificar! Ele vai ser mais leve que os outros, focado mais no desenvolvimento da relação entre os protagonistas, e quanto mais eu tentava terminar ele, mais ele ficava imenso, então, ao invés de postar ontem, eu decidi dividir ele (pra não assustar vocês). Espero que gostem!

Thayer resmungava para si mesmo que não entendia mais nada.

Eu havia mantido a mesma expressão desde que deixamos a porta da Senhora Piot, meus olhos semicerrados e minha cabeça funcionando a mil. Nós havíamos levado Claire até sua casa. Eu sabia disso, pois recebi seu sorriso pelo espelho do carro, senti sua energia arrepiantemente pacífica, assisti o selinho enervante que ela deu em Thayer e a vi entrar na casa branca.

Me esqueci de dizer que a vi entrar na maldita casa branca?

Jeb não estava errado. Alguém havia passado pela porta de madrugada. Mas este alguém provavelmente não era sua neta.

—Cat? —Thayer perguntou, sua mão vindo do volante de seu carro para alcançar o meu joelho. Ele estava nervoso e confuso, mas acima de tudo, seus olhos cor de mel transpassavam a emoção que eu já sentia através de nossa ligação: ele estava preocupado com minha quietude.

Respirei fundo e lhe sorri. —Está tudo bem. Você poderia me levar à praia?

—Claro. —ele assentiu, começando a dirigir, sem mais perguntas.

Quando completamos o percurso, Thayer estacionou o carro em uma área comum e eu deslizei para fora. A praia que ele escolheu não era tão popular, e mesmo assim havia muita gente. Não podia ser diferente em Miami. Dei alguns passos sozinha, e as garotas me olharam como se eu fosse uma alienígena – compreensível, já que eu estava completamente coberta na praia. Mas seus olhares mudaram quando Thayer chegou ao meu lado.

Ele se manteve em silêncio, mas eu sabia que ele notava como elas o olhavam.

Sentei na areia, um pouco próxima de onde a água do mar ainda alcançava, e ergui meus olhos para assistir as ondas calmas que pareciam querer alcançar meus pés, um pouco mais próximas de mim a cada tentativa.

—A energia aqui… É a mesma que senti em Claire. —confidenciei.

—Você quer dizer, a energia da praia? —Thayer questionou, confuso.

—Ela não é mais a Claire que você conheceu. —eu falei para ele, jogando para longe do meu rosto as mechas que se soltavam do coque graças ao vento.

Sem se importar em sujar sua calça de areia, Thayer se sentou ao meu lado.

—Você esteve muito quieta no carro. —ele disse.

—Apenas pensando. —dei os ombros, mantendo minha voz baixa. —Acho que o corpo da Claire foi possuído. Ouvi falar sobre possessão durante a iniciação, e não é algo que qualquer um pode fazer. Seja lá quem o fez, é forte.

—Como um espírito? —ele perguntou normalmente.

—Thayer, você pode lidar bem com todas essas coisas estranhas, mas eu duvido que o pessoal da praia vá achar normal um casal sentado na areia falando sobre espíritos e possessão. —ergui minhas sobrancelhas, indicando as garotas que o observavam e que, por sorte, ainda não haviam nos ouvido.

Ele olhou por sobre o ombro e enxergou através delas, sem se importar.

Suspirei, com um leve sorriso. —Não como um espírito. Algo mais como os meus chefes. Alguém que ocupa cargos superiores do submundo.

—Quando eu ia imaginar que havia tanto por trás da morte? —ele riu.

Puxei minhas pernas, até que meus joelhos estavam sob meu queixo.

—Eu gostaria de entender o que aconteceu com a Claire. —Suspirei. —Se ela realmente morreu naquele porão e foi possuída em seguida ou se nunca sofreu nada. Eu sinto como se tudo isso fosse uma pegadinha especificamente para mim. O que o alguém que a possuiu poderia ganhar ao me atingir assim?

Uma mão de Thayer veio por sobre meu ombro.

—Não vai fazer bem ficar no sol assim. Já deve ser meio-dia. —ele disse. —Se iremos continuar, é melhor eu comprar protetor solar.

—Doutor Hasting, quantas vezes eu terei que afirmar que não sou normal?

—E quanto você vai levar para entender que eu sou persistente?

Revirei os olhos. —Compre protetor para você. Eu estou bem.

Thayer puxou uma fina carteira de seu bolso quando ele se levantou. Pude ver um flash de notas de dinheiro saindo dela e, em seu rosto, uma expressão de quem tramava algo antes que ele fugisse de minha visão periférica. E eu me recuso a agir como as outras garotas da praia, o seguindo com os olhos sem se preocupar com torções de pescoço.

Me assustei alguns minutos depois, quando uma faixa de tecido roxo caiu no meu colo.

—O achei muito bonito. Tenho certeza que é o seu tamanho. —Thayer informou.

—E o que você quer que eu faça com isso? —ergui uma sobrancelha.

—Bem, geralmente as pessoas o vestem. Você sabe, colocar sobre a pele. É meio complicado de explicar e eu infelizmente não poderei lhe ajudar neste tópico, os banheiros tem uma regra de não deixar pessoas de sexos diferentes-…

—Entendi. Você quer que eu vista esse pedaço de pano. —ergui o biquíni.

Segurando ele com as pontas dos dedos, eu notei que ele era realmente pequeno. Eu nunca havia usado algo daquele jeito em público.

—Tem um banheiro bem ali. —Thayer apontou para meu lado esquerdo.

—Acho que você não lembra, mas eu sou da década de 60. Peças como isso aqui eram consideradas mais do que indecentes. —eu expliquei. —Thayer, você me trouxe uma parte de cima que mal vai cobrir meus seios, e essa parte de baixo é constituída por tiras de pano. Eu não vou usar isso.

—Não faça isso soar assim. —Thayer parecia estar se divertindo. —Estas tiras que você diz são para amarrar a parte da frente e a de trás, que tem pano, está vendo? E seus seios são grandes, mas estes triângulos aqui são justamente para cobri-los.

—Você está falando sério?

—Claro que estou. Vá se vestir. Eu vou para o banheiro masculino colocar meu calção de banho e te encontro daqui a pouco, okay? Não fuja. —ele riu.

—Ei, por que o seu se parece um short e o meu tem quatro dedos de largura?

Tive que elevar minha voz para me fazer ouvir e ele apenas riu, seguindo pela praia até o banheiro. Cruzei meus braços e coloquei o biquíni de lado, de jeito nenhum eu ia vestir aquilo. Tinha até uma cor bonita, mas… Não. De jeito nenhum.

Olhei para trás e encontrei Thayer. Ele estava de costas para mim – e para as outras vinte garotas secando a bunda dele. Ele ficaria decepcionado se eu não vestisse o biquíni?

Mordi meu lábio inferior e olhei para a roupa de banho pelo canto do olho.

Inferno!

Segurei o pedaço de pano e segui para o banheiro, entrando em um dos reservados e fazendo um trabalho rápido ao tirar minha roupa.

Analisei o resultado no espelho. Sim, o biquíni era bonito e valorizava bem o inchaço dos meus seios, mas ainda assim eu achava a parte posterior um pouco ousada demais. Metade de minha bunda estava coberta, e a outra metade… beijava o vento. E minha pele era vergonhosamente pálida.

Respirei fundo, acompanhando meu movimento no espelho.

Você enfrenta assassinos e outros tipos de humanos ruins e está intimidada por um biquíni? Eu não posso ser tão ridícula.

Soltei o ar e segurei minhas roupas de qualquer jeito, amontoando tudo sobre o meu braço e segurando as botas com as mãos. Eu não havia mudado mesmo. Ainda era em grande parte aquela garota da década de 60, que acha biquínis escandalosos, mesmo que agora eu vivesse em Miami.

Thayer estava sentado na areia, aproveitando a sombra de um guarda-sol, apenas um olhar de suas costas me fez ampliar os olhos. Os músculos se moviam de uma forma bonita enquanto ele organizava suas coisas sobre uma cadeira ao seu lado, e conferia o rótulo do protetor solar.

Algumas garotas estavam ao seu redor, como formiguinhas, cercando ele e falando coisas que eu não conseguia ouvir.

Mantive um ritmo lento até ele, observando a forma educada como ele sorria e respondia os avanços das quatro garotas, tentando mostrar seu desinteresse. Mas, não importava o quanto ele tentasse, eu sabia que elas continuariam ali por um bom tempo. Todas eram jovens e com biquínis que não cobriam nem mesmo seus traseiros.

Quando eu estava ao seu lado, ele ergueu a cabeça e me encarou.

E me encarou. E me encarou. E… —Tudo bem, aí embaixo?

—Acabo de perceber que nunca tive a chance de conferir o seu corpo da maneira que estou fazendo agora. —ele disse, deslizando os olhos por mim e me fazendo querer me esconder, e ao mesmo tempo me mostrar.

Quis dizer que ele não era nada mal, mas o sarcasmo foi embora quando eu tive uma visão de seu abdômen definido.

—Hm. —foi a minha resposta. Coloquei minhas roupas ao lado das suas e peguei o protetor de suas mãos, sentando ao seu lado, e erguendo meu rosto para olhar as garotas. Elas tinham as bochechas ainda mais coradas do que antes, todas parecendo decepcionadas depois da reação de Thayer a mim, mas apenas a garota com seios impressionantes, ainda maiores que os meus, parecia estar com raiva. Olhei para elas. —Olá?

—Ah, desculpe. Nós não sabíamos que ele estava com a namorada. —uma delas disse, parecendo com vergonha de me olhar nos olhos.

—É divertido abraçar uma magrela? —a garota com grandes seios perguntou para Thayer, mas mantendo um olhar quase de nojo sobre mim, indiscreta. —Aposto que os seios dela só são inchados assim por causa de um belo silicone. Deve ser pra proteger outros corpos de suas costelas.

Uma outra garota agarrou o cotovelo dela, tentando detê-la com alguma palavras sussurradas.

Me aproximei de Thayer, apoiando meu peito contra o seu braço. —Silicone ou não, acho que não importa. Eles funcionam para coisas melhores do que amortecer minhas costelas, se era isso que queria ouvir.

Uma outra garota se uniu a primeira para puxar a de seios grandes para longe, dizendo que ela não devia ter bebido tanto enquanto era tão cedo. A bêbada rebateu algo sobre ter visto Thayer descer sozinho do carro antes que se afastassem demais para que eu pudesse ouvir. A garota que sobrou, apenas se desculpou e me disse que eu tinha um belo namorado, antes de ir com suas amigas.

—Fator 80? —sorri para Thayer.

—Sua pele é clara. Precisa de um fator alto. —ele disse.

—Já falei que não precisa se preocupar com a minha pele.

—Preocupação não tem botão de liga e desliga, Cat. —ele respondeu, se elevando até ficar de joelhos ao meu lado e me dando uma deslumbrante visão do seu conjunto de músculos definidos. —Olha, eu gostei muito do que você disse agora a pouco. Era um convite para mim ou apenas uma forma de afugentar aquela garota bêbada?

—O que você acha, Dr. Hasting?

—Acho que eu já cuidei de passar protetor em mim mesmo, e parece que tenho uma tarefa mais agradável para cumprir.

—Que seria? —provoquei.

Recuperando o protetor de minhas mãos, ele sorriu. —Passar protetor pelo seu corpo.

Ergui minhas sobrancelhas. —É mesmo? E se eu disser que não?

—Neste caso… —Thayer deu um bote em mim, usando seu corpo que provavelmente media 1,81m contra o meu. Quatro centímetros a mais não foram o fator que me manteve presa, mas sim aqueles esplêndidos músculos sob a pele clara.

—Ótima tática, garotão. Me encha de areia, assim eu serei o melhor empanado ao protetor solar.

—Na verdade, a minha tática envolve muito mais contato entre nós do que o protetor solar em si. —seu sorriso radiante se ampliou.

Dizer que eu não dava a mínima para as pessoas que nos observavam agora seria até pouco. Era árduo desgrudar os meus olhos de Thayer quando ele estava tão próximo, tomando quase toda a minha visão, e com sua pele quente contra a minha em tantos lugares diferentes. Suas mãos seguravam meus pulsos, me mantendo imobilizada, e eu comecei a perceber que ele gostava densamente de me ter assim.

Antes que eu pudesse demonstrar que eu também gostava, incentivando-o a continuar com sua demonstração quente de como me transformar em um empanado, ele mesmo me soltou e espanou a areia de mim o melhor que pôde.

—Você prefere se manter aí ou ir para a cadeira enquanto eu trabalho? —ele questionou.

Sacudi a cabeça, como se tentasse clarear minha mente e deitei na cadeira, de bruços.

Ouvi Thayer abrir o protetor solar e senti o creme ser espalhado pelas minhas costas. O aprazível toque de suas mãos sobre mim era bom e me recordava da pouca roupa que eu mantinha. Ele trabalhou toda a parte superior do meu corpo lentamente. Eu podia sentir a suavidade e o calor de sua pele contra o meu quadril.

Quando suas mãos deslizaram mais para o sul, subindo pela minha panturrilha e chegando até o topo de minhas coxas, meu coração acelerou.

—Eu quero ser um cara respeitoso, então, minhas mãos não irão além disso. —Thayer disse, mantendo seu toque sobre minha pele por mais alguns instantes.

—Sério? —olhei para ele por sobre o ombro.

—Estamos em público. Não era você que estava me lembrando do crime de atentado ao pudor?

Enruguei o nariz. —Isso é atentado ao pudor, mas um biquíni fio dental não é?

—Seu biquíni não é fio-dental. Aquele é. —ele apontou com o polegar para alguém próximo de nós. Quando segui sua indicação, encontrei um corpo cheio de curvas e dourado do sol pertencente uma garota loira, que olhava diretamente para Thayer.

Subitamente desejando fazê-lo, eu me ergui, sentando na cadeira e deslizando a mão pelas costas de Thayer, onde o olhar da garota estava preso. Os olhos dela vieram até mim e eu lhe sorri.

—Cada mulher desta praia parece pronta para pular no seu pescoço. —meu sorriso se tornou menos ácido quando analisei sua expressão. Suas bochechas estavam avermelhadas, talvez pelo sol, seus olhos brilhantes como mel líquido e seus sentimentos lhe rotulavam excitado. —Faço bem afastando elas ou você gostaria de um show particular de biquíni obsceno?

—Um show de alguém em particular é uma forma melhor de colocar as palavras.

—Que sugestivo. Sugestivo demais para um "cara respeitoso", eu diria.

—E eu diria que esta gatinha está precisando de um banho de mar. —Thayer me segurou em seus braços como se eu não pesasse nada, me lembrando que aqueles músculos não eram apenas decorativos. Arquejei de surpresa, o que o fez rir. —Quem sabe a água salgada lave todo este seu sarcasmo.

Notas finais
Foi uma explicação bem breve, mas lá no comecinho eu esclareci um pouco o que aconteceu com a Claire. Mas, e então, o que vocês acham que possuiu ela? E o que este alguém poderia querer com a Cat? Até o próximo capítulo! ;D