Notas iniciais
Já vou pedindo desculpas adiantadas por qualquer erro que o capítulo possa ter. Mesmo que seja um erro bobo, eu agradeceria muito se vocês me avisassem por mensagem privada. Aproveitei esse meu "tempinho" livre pra poder atualizar a fanfic e não revisei com muito cuidado. Espero que gostem desse capítulo. Boa leitura!

—Você está acordada? —Thayer perguntou embaixo de mim.

—Hm… Que horas são? —murmurei, sabendo que o peso de meu corpo poderia ter se tornado um desconforto para Thayer. Tentei me desvencilhar de seus braços que envolviam minha cintura, mas ele me segurou firme.

—Não sei. O sol começou a se pôr faz pouco tempo. —ele informou, agitando os ombros como se testasse seus movimentos. —Agora eu entendo por que as pessoas colocam aquecedores no piso. O chão além de desconfortável, é muito frio.

—Você ficou por baixo por muito tempo. Deixa eu me levantar.

—É culpa minha se não chegamos na cama. —foi sua resposta, mas ele não parecia se sentir arrependido enquanto sorria para mim.

Havíamos percorrido um curto trajeto da casa durante as últimas horas. Sala, corredor, porta do quarto e não passamos dali. Thayer ainda me manteve colada ao seu corpo por um tempo antes de deslizar seus braços para a parte baixa das minhas costas e mais embaixo, na curva do meu traseiro, mas ele não fez nada para me impedir quando continuei com minha tentativa e me levantei.

—Você planeja ficar fazendo isso até morrer de fome? —questionei.

—Fazendo isso o quê? —ele sorriu ainda mais, colocando os braços atrás da cabeça.

Balancei uma mão pelo seu glorioso corpo nu. —Isso.

—Não é má ideia. —ele falou, deslizando seus olhos por mim da exata maneira que eu imaginava ter feito logo agora, como se não houvéssemos passado tanto tempo sentindo o corpo do outro.

—Você ao menos almoçou antes de eu chegar aqui?

—Veja quem está preocupado com a alimentação de quem, agora. —brincou.

—Posso garantir que você não vai querer que eu te prepare uma refeição. —cruzei meus braços. —E temos uma bagunça para organizar. Acho que você quebrou um vaso lá na sala quando nos descemos do sofá para o chão, e eu derrubei aquele quadro quando fui me segurar na parede. Sem falar nas coisas que-…

—Seu plano é mesmo parar com “isso”? —soou como um alerta.

Pressionei meus lábios em uma linha, notando que eu estava o incentivando.

Em um só movimento, ele levantou para beijar a minha testa e seguiu na frente até a sala, pegando no chão a calça jeans que vestia quando cheguei e colocando-a rapidamente antes de continuar seu caminho até a cozinha.

—Eu vou preparar nosso jantar. —ele avisou. —Você quer algo especial?

—Me surpreenda. —eu sorri. Sozinha na sala, ponderando sobre o que eu devia vestir, escolhi colocar apenas a minha calcinha e a camisa dele, que cobria o topo de minhas coxas e já era o suficiente se íamos ficar sozinhos aqui. Mesmo que eu permanecesse nua não haveria nada que ele já não tivesse visto e tocado.

A sala estava a bagunça que eu imaginava, e destruir a decoração dela seria algo até pesaroso se não houvesse sido tão divertido.

O vaso perto do sofá não estava quebrado, mas havia tombado. A mesa por trás do sofá, onde havíamos começado, estava totalmente desarrumada, o quadro que eu havia derrubado ainda estava no chão, roupas espalhadas pelo chão e muito mais.

Ver aqueles sinais era como reviver o que havíamos feito. Eu entendia que Thayer não tivesse pressa para arrumar tudo aquilo. Lembro-me de estar no chão com seu corpo sobre o meu e de ter apoiado meu pé na base da mesa de canto, ao lado do sofá, onde ficam o telefone e o porta-retratos com a foto de Diana, a mãe de Thayer.

Ajustei o porta-retratos e notei uma singela luz piscando no telefone. Ele estava um pouco fora do gancho. Logo que reajustei, ele começou a tocar.

Em um impulso, eu atendi. —Alô?

—Espero que tenham finalmente terminado. Eu não sabia que a resistência do Thayer era tanta… Ele está no auge da vitalidade, afinal. Meus parabéns, Cat, querida. —eu sabia que era Ivy, mesmo que ela não houvesse anunciado.

—O que você quer?

—Saber se ambos estão vivos.

—Você quer saber? —instiguei.

—Murtie quer saber. Mas eu também quero, já que o meu plano é testar um pouco da disposição do seu garanhão num futuro nada remoto.

—Diga a Murtie que estamos muito bem. Já para você: não sonhe tão alto, Ivy.

Ela riu. —Todos sabemos que Thayer é quase um santo, mas eu gostaria de saber o quanto eu posso empurrar seus limites até que ele não seja tão exclusivo quanto você pensa… Eu aprendi coisas com o tempo, coisas que nenhum homem pode resistir. Seria um crime não atentar alguém como ele. E, caso não tenha se perguntado, a torta era um estimulante. Um afrodisíaco, melhor dizendo.

Tomei uma respiração funda. —Terminou? Por que eu tenho mais o que fazer.

—Vá em frente. Aproveita enquanto ele ainda gosta-…

Desliguei antes que ela concluísse, colocando o telefone de volta no gancho.

Conhecendo os hábitos manipuladores de Ivy como eu já fazia, eu sabia que ela procuraria uma forma de me tirar do sério cedo ou tarde, e logo me prender em alguma ínfima informação que ela estivesse disposta a me dar.

Somente não valia a pena.

—Quem era? —ouvi Thayer perguntar da cozinha.

—Ivy. Nada novo. —respondi, não podendo deixar de analisar mais uma vez o retrato da mãe dele. Ela não era apenas deslumbrante, ela tinha uma luz em seus olhos, algo que me dava a impressão de que ela fora tão pura quando seu filho. E, nossa, como eles eram parecidos. —Thayer, como você disse que sua mãe morreu?

—Acidente de carro. Por quê?

Deixando o retrato para trás, andei um pouco para poder me encostar no arco que separava a sala da cozinha. Fiquei hipnotizada pela maneira como os músculos das costas de Thayer se flexionavam e logo relaxavam, e como aquele jeans desprendido parecia atraente nele, mas lutei para manter o foco.

O que eu estava me tornando? Uma viciada em sexo?

—Foi um acidente comum? —indaguei, querendo me bater pela pergunta.

Ele pareceu não ligar, oferecendo um pedaço de fruta para mim. —Um problema nos freios do carro. Aparentemente meus pais atrasaram a revisão do carro.

—Foi em uma semana de eclipse? —perguntei antes de abocanhar a fruta.

—Do que exatamente você está suspeitando?

—Bem, eu achava que Murtie era mais seletiva na hora de contratar funcionários, mas de uns dias para cá eu venho recebendo surpresas desagradáveis… Não que ver sua mãe viesse a ser uma surpresa desagradável, é que… A ideia me veio na cabeça. Deixa pra lá. Eu estou começando a me sentir estúpida.

Quando olhei para ele, vi diversão estampada em seu rosto.

—Pra quê tanto nervosismo? Eu não estou julgando você. —ele informou.

Levei minha mão até a testa, fechando os olhos. —Eu sei que não está.

—Tem certeza que não era nada no telefone? —ele se preocupou.

—Não era nada. —sorri, despreocupada, ainda sob vigilância de seus preocupados olhos cor de mel. —Quer dizer, você sabe como a Ivy é. Ela me disse umas coisas sobre uma torta que Murtie pediu que eu comesse, mas eu não vou acreditar nela enquanto não falar com a nossa chefa e ouvir suas palavras sobre o assunto. Vamos falar de algo melhor. O que é isso que você está fazendo?

—É uma massa para pizza. Não conheço muito da cozinha Italiana.

Me inclinei no balcão ao lado de Thayer, sorrindo como uma boba ao não me surpreender por ele ter escolhido a minha comida predileta, e não a dele.

—O que você gosta de comer? —questionei.

Houve um momento de silêncio e, quando ergui meus olhos, ele estava olhando para mim. Arqueei minhas sobrancelhas, instigando-o a responder minha pergunta, mas ao invés, ele continuou com seu olhar intenso e assisti o canto de seu lábio se erguer quando a barra de sua camisa que já não cobria tanto quanto devia entrou em sua visão periférica.

Meu queixo caiu quando notei que aquela era sua resposta.

—Menos de uma semana comigo e você já está assim. Quanto tempo levará para você estar completamente corrompido? —fingi assombro.

—Eu nem dei a minha resposta. —Thayer ergueu as mãos apologeticamente.

Dei um tapa de leve em seu ombro, usando meus dedos indicador e médio para indicar que eu estava de olho nele, o que o fez dar seu sorriso extasiante.

Desde o preparo da massa – onde eu não ajudei muito – até sentarmos-nos à mesa para saborear a pizza, conversamos sobre todo tipo de coisa. Faziam décadas que eu não tinha alguém ao meu lado daquela forma. Sem palavras sujas e más intenções. Apenas nós dois, e nossa conexão. E uma blusa cobrindo Thayer.

O vinho que Thayer escolhera era tão bom que eu sabia que tinha abusado um pouco, mas eu ainda me sentia completamente sóbria e com um pé no paraíso.

Sorri, me espreguiçando. —Me sinto incrível!

—É bom ver você assim, com esse sorriso no rosto.

Brinquei com a bela taça que eu havia esvaziado. —Quando se passa tanto tempo sozinha como eu passei, você se acostuma com o vazio. Se esquece de como é bom ter alguém ao seu lado para um jantar, ou uma conversa. O tempo apagou da minha memória o que era ser Cathleen, a garota viva. Mas você está devolvendo a minha vida, e eu queria agradecer por isso, Thayer.

A expressão do rosto de Thayer foi gradativamente tomada pelo seu sorriso angelical. Ele estendeu a mão para segurar a minha.

—Qualquer um poderia ver que foi você que deu um sentido para a minha vida sem graça. —ele realmente parecia acreditar naquilo.

—Vida sem graça? —eu repeti, incrédula.

—É. A vida é mais do que um plano de metas. E é uma pena que muitas pessoas não encontrem um significado para ela. —seu polegar acariciou a minha mão em uma massagem calmante. —O mais próximo deste significado é o amor, que, mesmo com a capacidade de estar presente em várias formas, insiste em fugir de todos.

A vida. Mesmo que ela insita em ser confusa, eu entendo que esta é sua beleza.

O som da campainha interrompeu meus pensamentos.

—Você está esperando alguém? —perguntei.

—Não. —Thayer respondeu, se levantando.

Impulsivamente, eu me levantei também, seguindo pela sala com a intenção de proteger Thayer se fosse necessário. Quem quer que estivesse do lado de fora da casa estava com raiva, mas aqueles que representavam maior perigo para mim não tocariam a campainha antes de entrar.

Assim que estávamos atravessando o jardim eu reconheci aquela energia.

—Então é aqui que você estava? —Linda inquiriu assim que o portão principal foi aberto. Ela estava com os braços cruzados e seus traços infantis estavam torcidos em uma carranca. —Você pensou em me mandar um sinal de vida?

—Entra. —eu pedi, puxando-a pelo antebraço.

—Tudo bem, Linda? —Thayer sorriu amistosamente.

A resposta imediata de minha amiga foi deslizar seu olhar afiado alternadamente entre nós dois. —Vocês fizeram sexo?

—Antes, todos evitavam palavras promíscuas. Bons tempos. —soltei.

—Cat, você não vai reclamar da minha promiscuidade quando você está com a bunda descoberta, vai? —pelo seu tom, ela estava irritada, mas suas palavras não eram maldosas. Mesmo assim, eu puxei a barra da blusa um pouco para baixo. Isso apenas atraiu ainda mais o olhar dela para minhas pernas. —Falando nisso, é impressão minha ou você voltou ao seu peso normal?

Levei uma mão para meu estômago. Mudanças de peso em ceifadoras só ocorriam na semana de alimentação, mas, principalmente, apenas depois de uma alimentação adequada. E eu só havia feito isso com uma pessoa…

—Thayer, sua alma me alimentou. —eu murmurei, assombrada.

—Você se alimentou dele? —Linda ampliou os olhos —Como isso é possível?

—Quer dizer que você não precisa mais se alimentar? —Thayer sorriu.

Ouvi eles falarem comigo, mas não respondi. A culpa não era unicamente da avalanche de pensamentos que tive com a revelação. Eu estava ouvindo um leve gargarejo. Nenhum dos dois demorou um segundo sequer para notar minha mudança de postura, e Linda também notou que havia algo errado com aquele som.

—Está vindo de lá de fora. —Linda constatou, seu tom de voz baixo.

—Existe alguma saída lateral? —perguntei para Thayer em um sussurro.

—Tem uma porta na garagem… —ele respondeu, parecendo confuso.

—Deixa comigo. —Linda moveu-se sorrateiramente até a saída alternativa.

—Você não ficaria aqui se eu pedisse, ficaria? —sussurrei para Thayer.

Seu olhar foi resposta o suficiente. Ele iria me seguir.

Eu sabia que Linda seguiria o barulho pelo lado de fora. Mais do que um treinamento, nós convivemos e chegamos a caçar juntas no início. Seja lá qual fosse a origem do barulho, eu sabia que agiríamos como duas peças de um todo.

Mas e Thayer? Ele não tinha treinamento algum. Ele não podia fazer nada.

—Apenas mantenha-se silencioso, okay? —pedi, mantendo minha voz baixa.

Um aceno dele e eu abri a porta novamente, desta vez encarando a rua vazia. O som parecia como se alguém estivesse se afogando e era claro o suficiente para qualquer um ouvir, mas a vizinhança de Thayer estava extremamente pacífica, como se ninguém estivesse em casa – ou se importasse.

Enquanto circulamos os muros altos de sua casa, Thayer agia como se já reconhecesse o barulho que vinha de algum lugar atrás da casa. Sua postura muito mais segura do que a minha. Tanto que ele colocou o braço na minha frente, esgueirando-se para a origem do barulho logo depois da esquina.

O cheiro de sangue era gritante e isso me deixou alerta.

Com o corpo apoiado na parede de trás da casa estava uma garota que cabelos curtíssimos e tingidos de um vermelho-alaranjado. Ela era a origem daqueles sons.

Sua energia tomava conta de muita coisa. Ela estava aterrorizada. Contudo, nem todo o seu medo pôde camuflar a energia sorrateira e sobrenatural que vinha do escuro. A iluminação pública não funcionava bem na parte da rua em que estávamos, nos deixando cercados pelo breu, e esta outra energia estava se escondendo nele.

Eu reconhecia uma emboscada quando via uma.

—Se não vier ajudá-la, ela irá morrer. —a voz transbordava diversão.

Consegui distinguir sua forma no escuro, que com passos lentos veio à luz.

Vestindo um terno elegante e escuro, com uma mão no bolso e outra jogando com uma tampa de garrafa, estava Phil. O sorriso frio típico dele combinava com seus olhos claríssimos e seus cabelos pareciam ainda mais platinados do que eu lembrava. Seu foco estava completamente em mim, como se ele não desse a mínima para a garota que agonizava bem ao nosso lado.

Quando a energia de Thayer se tornou mais hostil do que antes eu iniciei uma pequena prece mental onde eu implorava para que ele permanecesse quieto.

Phil continuava lançando a tampa de garrafa para o alto com o polegar, o barulho que aquilo produzia se mesclando com as respirações e tosses cheias de sangue da garota ruiva. —Não tive a oportunidade de conhecer seu bichinho de estimação. Thayer, certo? Já ouvi falar de você. Isso que você tem entre as pernas está atraindo uma legião de loucas obsessivas. Mas eu não espero que esteja preparado para isso.

Thayer se moveu como se fosse responder, mas eu o fiz primeiro.

—Você tem assuntos comigo, Phil. —procurei apresentar frieza.

—Ah, sim, é verdade. —os olhos dele deslizaram pelo meu corpo, me lembrando de que a blusa de Thayer não deixava muito espaço para imaginação. —Onde estão seus modos? Não vai me dar um abraço de boas-vindas?

Notas finais
Claro que Phil não planeja tomar chá com a Cat. Então, vocês acham que ela se livra dele, ou não?