Morrer de Amor
20 Capítulo 20
Notas iniciais
—Você está bem? Está se sentindo bem? —Thayer perguntou, conferindo meu corpo com o olhar e afagando meus ombros com o polegar.
—Eu estou ótima. Eu que devia estar preocupada com você.
—Deus, Cat. Eu não te vi e vinha recebendo notícias pela Ivy. Você pode imaginar como isso soou estranho para mim. —suas mãos, que ainda acariciavam minha pele, deslizaram até minha bochecha para segurar minhas bochechas. —Ter você bem era o que eu buscava desde o início. Não pense que é a única que pode ficar preocupada.
—Acho que senti sua dor quando acordei. Alguma coisa aconteceu?
—Muitas coisas aconteceram. Mas parte delas você já sabe, desde que se tornou uma pequena bisbilhoteira. —ele tinha o tom de voz de acusação, mas seus olhos cor de mel eram tão doces que transformavam suas palavras em provocação. —Ser sorrateira e espionar fazem parte da profissão de Ceifadora, ou eu apenas venho conhecendo as funcionárias erradas?
—Pode dizer tudo o que quiser sobre o meu temperamento. Não faz ideia de como eu fico aliviada em ver você bem. —as palavras saíram sem qualquer aviso prévio e eu nem tive tempo de me sentir estranha. Pareceu natural expressar meus sentimentos daquela forma. Talvez essa liberdade fosse um espelho da facilidade de Thayer em expressar tão profundamente suas próprias emoções. —Não vai me convidar para entrar?
O sorriso deslumbrante de Thayer o transformou no melhor guia que eu tive desde que acordei hoje – ou o melhor que eu tive na vida. Ele me levou para dentro de casa. A temperatura de sua sala já não era a mesma desde a primeira vez que eu vim, agora era mais apropriada para mim. Provavelmente quente demais para Thayer, e mesmo que isso o incomodasse, ele não havia mudado até hoje.
—O que aconteceu naquele galpão? —questionei logo que passamos pela porta.
—Claire já estava lá quando eu cheguei. Ela parecia diferente. Muito nervosa. Eu continuava perguntando se ela havia feito algo a você, e ela me ignorava, sorrindo e citando os momentos que vivemos desde que nos conhecemos. —Thayer respirou fundo, com pesar. —Ela tentou algo comigo. Mesmo depois de que a morte me ajudou a sair de lá, eu não tive explicação alguma sobre o que aconteceu. Mas a dor que eu senti quando aquela corrente agarrou na minha pele… Não é como nada que eu tenha sentido antes.
Envolvi um braço em seus ombros e coloquei minha testa em seu pescoço. —Eu sinto muito. Você não deveria ter passado por isso.
—Sim. Deveria. Claire disse que eu estava destinado. Não é culpa sua.
—Você estava destinado para algo bom, não para mim.
—Você é o algo bom da minha vida, Cat! Será que não entende? —ele me afastou, para que pudesse olhar dentro dos meus olhos com aquela intensidade que me fazia perder a voz. —Foi a vida que nos separou. Tudo de ruim que ela promoveu para você por um simples capricho… Foi muito cruel e egoísta. Você é aquela que sofreu, não eu. A dor que eu senti ontem não é nada comparada aquela que você sentiu. E Deus sabe o tudo que eu daria para que todo o seu sofrimento fosse desviado para mim.
—Não fale assim. — fechei os olhos. —Você nunca mereceu sofrimento algum.
—Muito menos você.
Abri meus olhos, pensando que estaria preparada para aquilo que veria.
Eu estava errada.
Ninguém nunca havia olhado para mim da maneira que Thayer olhava agora. Seus olhos quentes me olhavam como se eu fosse um milagre, e não uma perdição. Eu conseguia imaginar Thayer vivendo na década de 60. Conseguia – e gostava – de imaginá-lo me cortejando quando eu ainda era viva. Eu sabia que não haveriam ressalvas. Sabia que me entregaria facilmente a ele, pois tudo o que eu queria naquela época era ser amada. E amar.
—Eu também daria muito para ter vivido com você. —confidenciei, sorrindo com a ideia. —Estaríamos grisalhos agora. Você, com sua paciência infinita, e eu, rabugenta, mas provavelmente ainda amaria o Inverno. E sairia em um entardecer da estação para visitar os meus pais no cemitério, como eu fazia quando era jovem. Não sentiria repulsa da neve. Não teria me conformado com aquele que estragaria a minha vida. Teria sido como um sonho.
—Agora que nós dois sabemos que você não poderá se livrar de mim, e que nosso laço foi forte o suficiente para resistir a própria vida, eu gostaria de uma chance de lhe mostrar que nós podemos funcionar. Mesmo com toda a bagunça que Claire promoveu. Ou qualquer outra bagunça que possa surgir.
Sentindo-me muito receptiva ao bom humor, eu ergui uma sobrancelha.
—Parece que você encontrou uma desculpa para sua insistência.
—Eu não sabia que precisava de desculpas para perseguir meu destino.
Meu sorriso se ampliou antes que eu pudesse detê-lo. —Perseguidor.
Ele também sorriu. —Isso não é um “não”.
—Inocentemente, eu pensei que já estivéssemos juntos. —encolhi os ombros.
—E nós estamos. —ele respondeu, com mais daquele sorriso que lhe fazia parecer um anjo. —Me culpe por adorar reafirmações suas.
—Hm... —deixei meus lábios encurvarem em divertimento. —Eu posso até reafirmar isso algumas vezes, mas, minha imaginação pode me limitar um pouco.
—Nada restringe a garota das melhores ideias. —ele olhou meus lábios.
—Você é aquele que está tendo ideias.
Seus olhos brilharam. —Bem, eu posso ter algumas sugestões.
Ri. —No plural? Acho que nossa conexão pode economizar um tempo.
Levei minha mão até sua nuca, sentindo a suavidade de seus cabelos loiros enquanto erguia meu queixo para que eu pudesse beijar seus lábios.
Por um momento, Thayer ficou parado. Era como se ele não pudesse acreditar no que estava acontecendo. Mas logo que pressionei mais as nossas bocas, ele soltou um gemido, me beijando de volta e levando uma mão para a parte baixa das minhas costas, me puxando para mais perto.
Sua outra mão segurou minha coxa logo após realojar um pouco da decoração para abrir espaço para mim em cima de uma mesa. Circulei sua cintura com as minhas pernas, incentivando-o.
Os lábios macios dele trilharam um caminho de beijos pela minha garganta. Deixei minha cabeça cair para trás e fechei os olhos, lhe dando acesso a minha pele, e a qualquer outra parte de mim que ele quisesse tocar.
Puxei sua camisa, esperando que ele entendesse meu pedido silencioso.
Reduzidos a respirações pesadas e gemidos baixos, nós não falamos nada. Thayer retirou sua camisa e ficou com a respiração mais difícil quando deslizei a ponta dos dedos pelo seu peito gloriosamente nu. Músculos duros cobertos por pele macia. Era impossível esquecer sua beleza.
Ambos ofegamos quando um arquear de quadris pressionou sua excitação contra mim.
Fechei meus lábios no lóbulo de sua orelha, sorrindo com a maneira como ele se afetou. Suas mãos foram até meus quadris, me segurando enquanto ele voltava sua boca contra a minha novamente. Ele correu a língua ao longo dos meus lábios antes de tocá-la na minha, retirando-se em seguida, provocantemente. Ele ditava o ritmo dos movimentos de nossos quadris. Era algo novo. Era excitante.
Levei minhas mãos até o cós de sua calça jeans, conseguindo desabotoá-la.
Um fogo começou a arder pelas minhas veias, e isso apenas se ampliou quando Thayer chupou levemente meu lábio inferior e se afastou para observar sua mão quando ele a levou para o meu seio, acariciando-o por sobre a minha blusa. Em um movimento, eu retirei minha blusa e a joguei longe, apreciando quando Thayer desabotoou meu sutiã.
Ele segurou um seio com a mão em concha, baixando sua boca para o outro mamilo e sugando-o. Quando eu gemi, ele pressionou o outro mamilo entre seus dedos.
Uma parte minúscula minha ficou surpresa, mas todo o restante só podia arquear as costas e pensar em como a sensação de sua boca em mim se sentia bem.
—Eu quero fazer isso bom para você. —Thayer sussurrou ofegante quando largou meu seio, me assistindo com intensidade ao retirar minhas calças com facilidade e abrir o zíper de sua própria calça. —Me diga o que você precisa.
—Eu preciso de você, Thayer. Só de você. —gemi.
Seus olhos deslizaram por mim. —Cat… Você é tão linda…
O seu olhar prendeu o meu quando ele deslizou a mão dentro de minha calcinha, circulando minha pele sensível antes de pressionar em mim. O fogo que eu sentia em minhas veias estava estampado nos olhos dele enquanto me observava perder o fôlego. Thayer estava lendo minhas reações, encontrando minhas áreas mais sensíveis, e ele continuou fazendo isso até arrancar um alto gemido de mim quando fechei os olhos e joguei minha cabeça para trás.
Mordi meu lábio inferior, atraindo seu corpo para mim com minhas pernas.
—Thayer… —eu clamei, exalando irregularmente. —Por favor…
Para fazer meu pedido mais claro, deslizei minha mão dentro de sua cueca, envolvendo com meus dedos o máximo que eu pudesse dele.
Com um gemido profundo, Thayer me levantou, me apoiando na parede. Ele terminou de me despir enquanto me acariciava e me beijava, sua língua suave arrastando ao redor do meu mamilo, e continuou me testando, movendo seus dedos em mim, esbarrando continuamente no ponto mais sensível, me fazendo contorcer para empurrar o restante de suas roupas para baixo o máximo que pude.
Quando minha mão apertou ao longo de seu comprimento, ele grunhiu.
Fui depositada no sofá e vi Thayer procurar algo na gaveta mais próxima. Ele retirou um preservativo de lá, tirando sua roupa e embainhando-se no látex enquanto meus olhos traçavam cada centímetro dele, todos os músculos perfeitamente definidos, toda sua energia crepitante.
Ele empurrou suavemente em mim, nos fazendo ofegar com o prazer.
Thayer se afastou e depois entrou devagar, empurrando até que ficasse todo dentro de novo, me levando a arquear o corpo sob o dele.
A ascensão e queda de sensações era enlouquecedora. Estávamos fazendo algo único. Aquela era a primeira vez que eu fazia amor. E nossa conexão deixava tudo mais intenso. Era como se eu pudesse sentir seu prazer mesclar com o meu.
Envolvi meus braços ao redor do seu pescoço, apreciando sua respiração quente no meu pescoço e os ruídos de prazer vindos dele, que se espelhavam nos meus. Meus sons o excitavam e seus quadris se arqueavam cada vez com mais fluidez, ele me acariciava, me beijava, me preenchia. Preenchia mais que fisicamente. Aquecia meu coração.
Um de seus braços veio até minhas costas e me puxou para mais perto enquanto o outro passou por baixo de meu joelho para segurar minha perna.
Agora ele se movia com mais facilidade, empurrando até que eu me engasgasse com o comprimento. Fechei meus olhos e comecei a mover meus quadris com os seus.
—Cat. —a voz de Thayer estava muito rouca. —Preciso olhar nos seus olhos.
Abri meus olhos para ver que ele me encarava fixamente. Havia paixão em seu olhar, e também havia… ternura. Sua mandíbula estava apertada, mas ele não desviou o olhar de mim. E foi olhando em seus olhos que eu percebi que não importava a quanto tempo nós nos conhecíamos, eu confiava nele para estar ao meu lado.
Eu sabia que ele nunca me machucaria como meu noivo havia feito.
—Eu confio em você. —sussurrei.
Não foram necessárias mais palavras. Thayer ofegou ao me entender, e começou a se mover mais rápido em resposta. Ele abriu a boca, seu rosto se contorcendo em êxtase. Era como se minhas palavras tivessem quebrado seu controle. Isso não podia parecer melhor.
Ofegando seu nome, tentei me aproximar o máximo que podia do seu corpo quando cheguei ao momento final. Foi como se tudo ao nosso redor ficasse turvo. Logo Thayer me acompanhou, chamando meu nome. Ele arfava com o esforço e era uma sensação boa senti-lo sólido sobre mim.
Apertei meus lábios contra o seu ombro, saboreando nossa conexão.
Da melhor forma que pôde, ele retirou a camisinha e inverteu nossas posições, me deixando por cima e curvando seus braços de forma protetora em torno do meu corpo, ajeitando minha cabeça para que eu descansasse em seu ombro. Eu podia sentir seus batimentos cardíacos, e tentava sintonizar nossas respirações.
Coloquei minha mão sobre seu peito, deliciando-me no calor e suor brilhando sobre sua carne dura, tanto quanto sua energia que aquecia meu corpo.
—Você está bem? —ele perguntou.
—Melhor do que bem. —suspirei, me aconchegando em seu corpo. Eu ainda me sentia lânguida, mas consegui me elevar um pouco e beijar seu queixo e provocando um sorriso em Thayer. —Ainda te restam dúvidas?
—Quanto a você? Nenhuma. —ele segurou meu queixo, me atraindo para um beijo.
No instante em que nossos lábios se encontraram, uma placidez se apoderou de mim. Nós estávamos sorrindo e nos beijando ao mesmo tempo, até que notei o que eu estava irracionalmente fazendo. O que se assemelhava a fumaça dourada estava fluindo de Thayer até mim por meio de nossos lábios separados. E desta vez, aquele fiapo se sentia tão magnífico quanto aparentava.
Meus olhos se ampliaram e segurei seus ombros, nos afastando.
No instante que o fluxo parou, as pálpebras de Thayer caíram.
—Thayer! —eu gritei, sacudindo seus ombros. Mais uma vez o destino me pregava uma peça, me fazendo partir do paraíso para o inferno em alguns segundos. E mais uma vez eu era testemunha da fragilidade humana. Da fragilidade de Thayer. E um segundo de desespero depois, eu me dei conta que sua energia não havia sido interrompida, ou mesmo sua respiração.
Levei uma mão até seu pescoço, testando o pulso. Seu coração estava um pouco acelerado, mas isso era natural dado o que estávamos fazendo agora a pouco.
Com um suspiro, apoiei minha testa em seu ombro.
—Santo De-… Você me assustou. —murmurei, sem esperar que ele ouvisse.
—Desculpe. —haviam sinais de sorriso no seu tom de voz ofegante. —Isso foi maravilhoso. Você sabia que essa coisa de alimentação era tão prazerosa assim?
—Não fiz de propósito. E não, não sabia. —eu não tinha o bom humor dele.
Uma mão sua começou a acariciar os meus cabelos. —Bem, eu não esperava que você tivesse feito de propósito, mas eu estou feliz. Muito feliz. E não estou morto, então, não há motivos para mau humor, não é?
Houve um instante de silêncio antes que minha voz baixa soasse em resposta. —Não pude controlar.
—Já disse que estou bem. Não foi ruim. Nem perto disso.
—Isso sequer é possível? É a segunda vez que eu me alimento parcialmente de você sem arrancar sua vida. —o que havia sido ótimo. Eu não sabia se seria capaz de conviver com o peso da morte de Thayer sobre meus ombros. Porém esta vez pode não ter me alimentado de fato, como a anterior. —Mas agora foi diferente. Diferente de todas as vezes que eu tive.
—Isso é algo bom. —ele ponderou.
Respirei fundo. —Acredito nisso. Mas vou precisar falar com Murtie.
Pelo aperto de seus braços em torno de mim eu sabia que ele estava tentando me tranquilizar, e meu corpo estava reagindo da forma que ele desejava, se arrepiando quando seu dedo traçava a minha coluna, ou me tornando completamente ciente que ainda estávamos nus sobre o sofá da sala dele.
—Não deveríamos nos vestir? —perguntei baixinho.
—Quem precisa de roupas? Nós estamos sozinhos, esta é a minha casa, e você continua se movendo em cima de mim. —Thayer levou as mãos para meus quadris, parando o movimento involuntário que o animou novamente. —Eu te disse que eu tinha algumas sugestões, lembra? Não tenho culpa de ser jovem e querer testar cada uma delas.
—Você é o jovem ingênuo, e eu a velha aproveitadora? —semicerrei os olhos.
Meu comentário fez Thayer sorrir e ele flexionou os quadris sobre os meus, atingindo pontos que logo tirariam minha capacidade de argumentação.
—Posso me esforçar para ser o que você quiser. —ele disse.
—Sorte sua que não vai precisar se esforçar tanto assim. —comentei, voltando a pressionar meus lábios contra o dele. Eu havia descoberto a sensação de fazer amor, e se Thayer estava disposto a continuar perseguindo este prazer, não seria eu que iria lhe pôr freios. Se ele pensava que era aquele com muitas sugestões, espere até estas estarem somadas com as minhas.
Eu iria seguir o conselho de Ivy. Meu dia seria mais que divertido.
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