Notas iniciais
Demorei, mas aqui está a continuação de Morrer de Amor. Esse capítulo vem com a evolução de um problema para a Cat, mas acho que vocês já esperavam que Phil desse o próximo passo, não é? Como já deu para perceber, eu perdi a minha pontualidade, mas lembrem-se que eu não desisti da fic. Na verdade, estou revisando o próximo capítulo agora mesmo, e posso adiantar que ele vai ter revelações! Mas, por enquanto, aproveitem a partir da Cat sendo pega no flagra, hahahaha.

Linda não parecia revoltada com a função dada por mim ao seu apartamento. Muito devagar e consciente de minha posição, eu escorreguei do corpo de Thayer, sentando no colchão e reunindo toda minha dignidade restante.

Linda tinha seus cabelos marrons presos em um elegante coque, e estava com as sobrancelhas pretas arqueadas, seus olhos marrons brilhando em diversão.

—Desde quando você traz homens para casa? —eu sabia que ela queria dizer presas ao invés de homens.

—Linda, este é Thayer, meu namorado. Thayer, esta é Linda, a dona deste apartamento e uma amiga de longa data. Eu já falei dela para você, lembra? —eu esperava fervorosamente que ele se lembrasse da parte em que eu havia dito que ela era uma ceifadora. Linda não era hostil na minha frente, mas eu sabia que ela odiava homens. Em geral.

—Que bom que falaram sobre mim, por que, eu não sabia sobre ele. —ela riu.

—Desculpe. As coisas têm estado uma bagunça total. Há tanto que eu devo te contar… —eu comecei, sentindo minhas orelhas quentes de vergonha.

—Namorado? —Thayer perguntou, deliciado.

Suspirei, contendo um sorriso. —Ele parece meio bobão, e presta atenção nas coisas erradas, mas com o tempo você se acostuma.

Linda morreu aos dezessete anos, por isso sua aparência sempre aparentava um pouco de infantilidade, mesmo que ela prendesse o cabelo e usasse roupas sóbrias. Agora, ela parecia mais fofa do que aborrecida, mas eu sabia que ela estava se esforçando para lidar bem com Thayer. Ela odiava homens graças ao seu assassino louco, que havia lhe perseguido durante muito tempo e se suicidado depois de matá-la. Ela odiava ainda mais homens seminus.

Joguei a camisa de Thayer de volta para ele, que logo a vestiu.

—Como vai? —ele perguntou, se levantando e caminhando na direção dela.

Segurei seu cotovelo no momento em que ele ergueu os braços, fazendo menção de abraçá-la. Linda tinha a mandíbula fortemente cerrada.

—Ele é puro. —apenas isso explicava tudo.

—Puro? —Linda indagou, aproximando as sobrancelhas. —Quer dizer, como nós éramos? Que raridade! Ainda mais em alguém do sexo masculino.

—Tão raro que eu achei que não fosse possível. Eu tenho que te explicar muitas coisas. Ahn… Você ainda gosta de café com mel?

***

—Você não só encontrou com um puro, mas também se conectou com ele… —Linda recapitulou, bebericando mais do café com mel que eu havia preparado. Eu sabia que a bebida a fazia mais calma, e sabia que ajudaria a distraí-la da presença de Thayer. Ouvi uma leve risada vinda dela. —Você é mesmo uma lenda!

Fiz uma careta. —Se enrolar em problemas não parece tão lendário pra mim.

Espere até você ouvir sobre o Phil.

—Cat, —Linda chamou, olhando para mim daquela maneira que ela fazia quando ia abordar uma tema que não seria bem-vindo. —Você sofreu bastante. Nós duas sofremos. Mas existe uma diferença entre nós. Enquanto nós duas estamos presas ao nosso passado, você tem uma chance e eu estou convicta do que faço em meu trabalho como ceifadora-…

—Eu também estou convicta do meu trabalho! —exclamei.

—Não é isso que eu estou dizendo. —ela sacudiu a cabeça. —Eu tenho minhas preferências, faço meu trabalho, e sei que sou corrompida. Mas você? Cat, você nunca deixou de ser uma boa pessoa.

Revirei meus olhos, abrindo minha boca para contestar.

—E nem ouse dizer que eu estou errada. —ela bateu o pé, apontando o dedo indicador para mim. —Você se envolve em problemas por que… Quem não se envolve? E aí está a nossa maior diferença: você merece algo mais. E é procurando por isso que você encontra esses obstáculos. Deus sabe que eu não gostaria de um homem ao meu lado, mas eu gostaria de alguém que te fizesse bem. Claro, eu ainda não conheço o rapaz, mas você parecia bem feliz ao lado dele quando eu cheguei. Ou melhor, em cima dele.

Minhas bochechas ficaram quentes de novo.

—Por favor, esqueça isso. —implorei, arrancando uma risada dela.

—Não resisti. —ela confessou, ainda rindo. —Nunca havia visto você corar.

Aliás, Thayer devia estar girando os polegares. Eu o havia deixado sozinho na sala, pensando em lidar primeiro com Linda…

—Acho que não preciso dizer isso, mas, eu não o odeio.

—Foi uma das primeiras coisas que eu notei. Você não deixaria um cara apertar sua bunda sem se tornar o jantar se não gostasse dele. —ela deu os ombros. —Não se preocupe com isso.

—Bem, não é exatamente com isso que eu estou preocupada. —continuei.

Vi seus olhos marrons se estreitarem. —Não precisa se preocupar com isso, também. Eu não atacaria o seu namorado. Se você se preocupa que eu vá quebrar os ossos dele como eu faço com as minhas presas, pode ficar tranquila. Enquanto ele estiver te tratando bem, ele está seguro ao meu redor.

Respirei aliviada. —Obrigado. Você é a melhor.

Seu gracioso e infantil corpo se esticou, enquanto ela se espreguiçava da forma mais fofa. —Eu vou deixar vocês a sós. Preciso de um longo banho de espuma. Ah, e aproveite o tempo para dizer para ele do que eu sou capaz. Não quero desavisados frequentando na minha casa e mexendo com a minha garota.

Sorri para a maneira como ela aproveitou para aumentar a voz, querendo ser ouvida por ele.

—Puro, lembra? Não faz mal a uma mosca. —eu indiquei.

—Nós duas sabemos que os puros podem ser maus. —ela piscou um dos olhos para mim e foi em direção a sua mala, recolhendo um enorme roupão felpudo e cantarolando até o banheiro.

Não notei que estava segurando minha respiração até que ouvi a porta do banheiro fechar e a água começar a encher a banheira.

Fui para a sala, apenas alguns passos de onde eu estava. Thayer estava sentado no meu sofá bege, parecendo deslocado naquela sala com poucos móveis e de decoração descombinada. Seu lugar era em salas como a sua, salões espaçosos e com decoração profissional. No entanto, quando ele olhou para mim, ele transpassava comodidade.

—O que foi isso? —ele sorriu.

—Não, não. Você não quer brincar com ela. —repreendi, me movendo para sentar ao seu lado. —Ela é uma Ceifadora. Você lembra que eu te disse isso?

—Honestamente, Cat, eu não estou com medo-…

—Oh, eu sei que você não está. —estreitei meus olhos. —Ainda não vi você utilizar seu mecanismo de autopreservação. Acho até que você não tem um. Mas eu espero que você comece a trabalhar nisso, por que a Linda é muito mais… Bruta do que eu jamais fui. Muito mais do que Ivy tem sido.

—Explique. Eu gosto de como sua voz soa quando você fica preocupada comigo. —Thayer fechou os olhos, como que para apreciar minha voz.

Bati em seu ombro, empurrando-o levemente. Ele apenas sorriu e esfregou o ombro, como se doesse. —Falo sério. Eu disse que ela trabalha em negócios financeiros. Bem, ela se envolve no tráfico de mulheres, atacando aqueles que a compram. Atacar é uma palavra leve para descrever. Ela… Se agrada com o som de seus ossos quebrando. Gosta de como o sabor de uma alma carregada de terror se sente. Além disso, ela odeia homens. Desde os bebês fofinhos até os mortos. Ou seja, ela automaticamente odeia você.

—Me deixa ver se entendi. Eu sou odiado pela amiga da minha namorada pelo simples fato de eu ter nascido homem?

—Pelo simples fato de homens muito ruins terem atravessado o caminho dela e causado uma péssima impressão. —reformulei.

A mão de Thayer veio para o meu queixo, se sentindo quente e muito confortável ali.

—Eu sempre posso mudar a opinião dela. —ele disse. —Afinal, eu consegui mudar a sua, não é mesmo, namorada?

Revirei meus olhos. —Parece que eu escolhi a palavra errada para me referir a você, huh?

—Não. Você escolheu a palavra mais apropriada. Eu adorei.

Depois de uma troca de olhares silenciosa eu respirei fundo, desistindo, e depositando minha mão sobre o seu pulso. —Só não teste demais sua sorte. Nós não sabemos até que ponto ela vai funcionar, e eu odiaria passar o resto da semana tentando unir seus pedacinhos.

—Eu irei fazer o meu melhor. —Thayer prometeu em tom de brincadeira.

Nos aconchegamos no sofá, Thayer me segurou para que minha cabeça estivesse apoiada contra seu pescoço, sempre deslizando sua mão pelos meus cabelos, ou por meus ombros. Eu podia ouvir sua respiração calma, podia sentir seu cheiro, e percebi que não estava prestando nem um pouco de atenção no filme que passava na televisão. E quando olhei discretamente para ele, seus olhos estavam em mim.

—Eu não estou realmente assistindo. —Thayer informou. —Você pode procurar algo melhor se quiser.

—Podemos procurar algo juntos. —sugeri, pegando o controle remoto. Comecei a passar pelos canais. —Você gosta de filmes como este?

—Você gosta? —ele rebateu a pergunta.

Sorri. —Não entraremos em consenso se você não me disser o que gostaria de ver.

—Você quer saber o que eu gostaria de ver? —ele ergueu uma sobrancelha, sugestivamente deslizando seu olhar pelo meu corpo. Depois que Linda nos interrompeu, eu havia vestido uma enorme blusa sobre o meu biquíni, e mesmo que ela cobrisse até as minhas coxas, Thayer a fazia parecer transparente.

—Ver na televisão. —esclareci, ignorando-o. —Que tal o jornal?

Thayer apenas concordou. Eu podia até reclamar sobre isso. Eu não ficaria feliz em ter um robô ao meu lado, capaz apenas de concordar. Mas ele parecia satisfeito em me ver satisfeita. E eu ainda amava jornais.

Porém, a próxima reportagem atraiu a atenção de nós dois.

Uma comitiva de repórteres de diversas emissoras estava em frente a um hospital. Pela reação de Thayer, eu sabia que não era qualquer hospital. Diante de tudo isso havia uma repórter que afastava compulsivamente seus cabelos do rosto por causa do vento.

Foi encontrada agora a pouco a jovem Eren Khor, filha do magnata Jaspen Khor. A garota de 25 anos teria sido sequestrada e abusada por volta das quatro horas da madrugada de hoje. A vítima tinha lesões nos braços e incomuns cortes nas bochechas que simulam bigodes de gato. O maior suspeito é o noivo da moça, que nega a participação no crime. Eren foi imediatamente transferida para o hospital Oswald Hasting, onde está internada na unidade privativa de tratamento intensivo.

Enquanto a repórter dava a notícia, uma foto havia surgido ao seu lado. Uma garota com os cabelos avermelhados sorria. Era um sorriso radiante.

—Bigodes de gato… —eu murmurei, sentando-me mais ereta. Eu tinha um péssimo pressentimento quanto àquilo. —Eu preciso ver esta garota, Thayer.

Thayer estava tenso quando segurou meus ombros e me voltou para encará-lo.

—Isso é muito suspeito, Cat. —ele começou, seus dentes cerrados. —Os Khor têm sido muito unidos à minha família por gerações, isso está estampado em jornais para quem quiser ver. Eu bem sei que uma agressão a eles é quase impossível. Jaspen é louco por segurança. Eren é uma boa garota e seu noivo também é. Ele não seria capaz de lhe fazer mal. E…

—É justamente por isso que eu devo vê-la. —persisti.

Suas mãos apertaram meu ombro mais forte, como se tentasse me manter presa ali. —Parece muito como uma armadilha pra mim. Eu irei em seu lugar. Analisarei tudo o que você precisa saber. Mas fique aqui. Com a Linda.

Arqueei minhas sobrancelhas. —Você pode sofrer mais danos que eu.

—Eu prefiro correr o risco.

—Eu que devia estar lhe dizendo para ficar aqui com Linda. —tentei soar o mais doce que eu podia. —Eu preciso ver esta garota. Você não entende? É como ver a mim no passado. Eu sei que é suspeito ter uma garota ruiva ligada à sua família e atacada desta forma, mas isso não importa.

—Você também não tem qualquer mecanismo de autopreservação? —ele resmungou.

—Eu não estou ficando aqui. Eu definitivamente vou lá. Você pode tentar me impedir ou pode ficar aqui como eu gostaria que você fizesse.

—Ou eu posso ir com você. —ele disse, ficando de pé. —Eu vou com você.

***

—Minha nossa! Isso parece um hotel cinco estrelas! —Linda sussurrou, admirada com o Hospital Oswald Hasting.

A imagem pela televisão era impressionante, mas não conseguia expressar toda a imponência da bela estrutura. Não era de se surpreender que a casa de Thayer fosse tão grande se ele era o herdeiro de tudo isso. E se eu estava espantada olhando apenas a fachada daquele enorme prédio curvo e branco com janelas espelhadas, com uma fonte ao redor da placa com o nome Oswald Hasting, meu queixo caiu quando atravessamos a entrada principal. Todo o conforto e beleza estavam condensados naquela recepção.

Thayer tomou a dianteira e perguntou o número do quarto em que Eren estava internada. A recepcionista parecia já esperá-lo para uma visita.

Estivemos silenciosos no elevador, apenas com Linda assobiando uma canção.

Quando finalmente estávamos em frente ao quarto de Eren, eu notei pela grande janela de vidro que ali dentro havia metade do espaço do meu apartamento. Mais do que isso, eu notei os profundos cortes em seu belo rosto fino. Três bigodes de cada lado.

—Cat, tem alguma coisa que você não está me contando? —Linda perguntou.

Lembrei-me do que Ivy disse sobre as formas de me atormentar. Existem diversas formas de levar alguém ao inferno. —Linda, eu preciso te contar sobre o Phil, alguém que eu acidentalmente tornei um ceifador.

Notas finais
Só para constar, não odeiem a Linda. Ela vai ser um pouco difícil com o Thayer no começo, mas ela é uma boa amiga. E então, alguma teoria para compartilhar comigo?