Notas iniciais
Antes de mais nada, eu gostaria de agradecer às recomendações e aos leitores novos. Nestas últimas semanas, alguns tentaram me desestimular e me fazer desistir desta fic, por isso eu ando muito desregulada. Mas eu não vou desistir! Só vou ficar sem dia certo para postar, mas vou tentar não demorar muito. Bom, aí vai um pouco mais de calmaria, e alguns avanços na relação do casal principal.

—Thayer, me coloque no chão. —falei em tom de ameaça, segurando seu ombro e mantendo minha voz baixa para que nossa plateia não me ouvisse. —Já ouviu falar na palavra: "sutileza"?

—Não somos um par sutil em lugar nenhum. —ele riu, continuando a me carregar até o mar. —Aliás, o biquíni serviu perfeitamente, mas eu apreciaria mais se estivéssemos sozinhos. Todos os homens da praia estão encarando seu corpo.

Enquanto afirmava aquilo, Thayer levou suas mãos para os lados do meu quadril, me mantendo bem próxima ao seu corpo e me forçando a fechar mais as pernas ao redor de sua cintura.

—Bem, senhor-respeitoso, parece que você tem razão. Nós ceifadoras geralmente temos um pouco de magnetismo. E onde você pensa que está tocando?

Ao invés de responder, Thayer nos levou para dentro da água gelada, que roubou meu fôlego. Cravei ainda mais meus dedos em seus ombros, mas ele parecia gostar da proximidade, sorrindo enquanto eu estremecia e buscava o calor de sua pele.

—Thayer! —reclamei, me arrepiando.

Ele continuou nos levando até que as calmas ondas de água alcançavam os meus seios. —Você é tão linda, Cat.

Foi apenas neste momento que a ideia de como escapar me ocorreu. Usei minhas mãos em seus ombros para trazer seu rosto mais perto, beijando o canto de sua boca e recendo uma onda de calor por nossa ligação. No momento em que Thayer entreabriu os lábios, buscando aprofundar beijo, afastei nossos lábios.

Apesar de me segurar mais próximo, ele ficou mais distraído para o meu próximo movimento. Me deixei afundar na água.

Com um mergulho, escapei de perto dele, deixando Thayer paralisado e corado.

Brincando, eu segurei meu queixo entre meu polegar e meu indicador, como se o analisasse.—Que lugar engraçado para se deixar uma estátua.

—Você vai ver quem é a estátua! —ele tentou se aproximar de mim.

Admito que não sou a melhor nadadora de que se tem notícias. Eu não costumava nadar muito quando era viva, e muito menos agora. E enquanto eu parecia idiota e desengonçada dentro da água, Thayer nadava habilmente e agia como se fosse um modelo em um daqueles comerciais de perfume, fazendo as gotas de água que se mantinham em sua pele parecerem obscenas.

Não demorou muito para que ele me puxasse em seus braços, me abraçando pelas costas.

—Talvez seja o momento de provar que não sou uma estátua. —Thayer murmurou no meu ouvido, mantendo seus lábios sobre minha pele.

—Para alguém que não queria passar protetor pelo meu corpo, você está bem saidinho.

Thayer fechou os olhos. Por um momento, eu pensei que fosse por causa da água salgada, mas com o passar de alguns segundos daquela forma, sua respiração e pulso se abrandaram. Quando voltou a abrir os olhos, ele sorriu para mim, absolutamente radiante.

—Teve o bastante da praia? —ele me perguntou.

—Sim. —respondi com leveza, enquanto, por dentro, eu fervia. Era impossível me deter quando ele parecia tão quente.

Thayer segurou minha mão enquanto saímos da água, sacudindo os cabelos para longe de mim e arrancando suspiros de seus espectadores. Ele vestiu sua camisa e eu fiz o mesmo, tentando me cobrir um pouco. Andamos pela areia até o local onde o carro estava estacionado, sempre sob os olhares curiosos. Thayer carregava todas as nossas coisas apesar de toda a minha relutância.

Quando estávamos a poucos passos do grande Range Rover, notei uma mancha na imaculada tintura do capô, e logo uma ainda maior na porta lateral. Uma mistura com forte cheiro de álcool cobria o carro como se fosse tinta e a primeira imagem que me veio à cabeça foi a bêbada dos seios fartos.

—Não foi bem assim que eu o deixei. —Thayer correu os olhos pelo carro.

Suspirei. —Minha casa está mais próxima daqui. Precisamos limpar isso, seja lá o que for, antes que endureça.

Thayer apenas concordou. Sua felicidade nem um pouco abalada pela degradação de seu carro brilhante. Ao se aproximar do carro, ele franziu o nariz com o forte cheiro. Apenas sua expressão deixou claro que ele compartilhava a mesma suspeita que eu.

Procurei ao nosso redor e consegui enxergá-la, nos observando de longe e sem tentar disfarçar.

Não vale a pena perder a cabeça. Ela está bêbada, não eu.

Então por que eu tenho vontade de fazê-la de rodo e limpar o carro inteiro?

Há quanto tempo eu não era tão irracional? Provavelmente, desde o tempo em que eu podia ficar bêbada, ou seja, antes de me tornar uma ceifadora. Espelhei o movimento de Thayer, entrando no carro, batendo a porta e colocando o sinto de segurança.

— Não parece tão atraente se isso iria me tornar uma lunática, mas acho que nunca estive bêbada. —murmurei enquanto Thayer manobrava fora da área de estacionamento.

—Claro que esteve. —um franzido surgiu entre suas sobrancelhas. —Não se lembra do copo que você bebeu quando nos conhecemos? Ou melhor, os copos.

—Não estou dizendo que nunca bebi. É que, como ceifadora, eu não posso estar bêbada. E, quando eu ainda não era uma ceifadora, eu era… —parei a mim mesma. Eu estava prestes a dizer: como você.

Thayer olhou para mim pelo canto do olho. —Era o quê?

—Inocente.—falei, olhando pela janela do seu carro, enquanto ele começava a nos afastar da praia. — A ponto de ser uma boba.

—Duvido que algum dia você tenha sido menos do que extraordinária.

—Garotas da minha época que carregavam o nome da família, como eu fazia, eram ensinadas a serem abobalhadas. —rebati. —Se preocupar com roupas era o meu maior passatempo. Eu devia ser prendada. Uma moça de família. Para que um bom partido me aparecesse e um bom casamento prosperasse o nome Stanford. Babaquice! Veja onde o meu bom partido me trouxe.

—Você não tem culpa pelo o que lhe aconteceu. —os dedos de Thayer apertaram o volante até que suas juntas estavam brancas. —Me diga que ele sofreu antes de morrer. Que pagou pelo o que ele lhe fez.

—Ah, ele sofreu, sim. Pode apostar. Mas eu não quero falar dele com você.

Nem com ninguém.

—Como aconteceu? Digo, como você se tornou uma ceifadora?

—Depois que meu noivo me assassinou? Bem, uma luz tomou conta de tudo, e uma voz feminina me disse que eu havia sido boa o bastante para trabalhar para ela. Era a morte. Eu não a conheço. Nunca vi seu rosto ou tive nenhuma conversa depois daquela, mas eu… eu lhe devo muito. Além da chance de vingança, ela me deu uma chance de viver, apesar de eu não ter aproveitado muito bem. —ao lado de Thayer eu havia notado que minha vida como ceifadora havia sido totalmente devotada ao trabalho. Eu não havia realmente vivido. —Eu não queria que nenhuma garota passasse novamente pelo o que eu passei.

—Isso é muito nobre. —um canto de seus lábios se ergueu. —Mesmo depois de sofrer tanto, você ainda pensou nas outras pessoas.

—Não me julgue uma santa. Eu mato pessoas desde então.

—Monstros. Você mata monstros, Cat.

Soprei uma risada leve. —E isso me faz melhor?

—Te faz a pessoa mais admirável que eu conheço. —sua voz soou cheia de arrebatamento.

Toda aquela emoção quente que vinha de nossa conexão me atingiu novamente. Era algo muito bom de sentir, como uma manta quente em um dia frio. Fez o meu coração bater mais rápido, e eu sabia que aquele sentimento era o responsável por esta nova fase que eu experimentava novamente: a vida.

—Você precisa de melhores companhias, então. —brinquei, tentando usar o humor para disfarçar o quanto ele havia me atingido.

—Eu não acho que exista alguém melhor.

—Thayer. Não. —minha voz se tornou fria.

Ele respirou fundo, mantendo o silêncio por alguns segundos. Porém, nossa ligação me avisava que havia muito por vir. —Cat, isso é tão… Você não faz ideia de como se sente. Eu sinto algo por você. Algo grande. Eu sei que você sabe, e mesmo assim continua tentando me afastar. Eu sei que é repentino, okay? Mas eu não posso te deixar ir. Não quando você é a única que me faz sentir… vivo.

Eu nunca admitiria que ele me fizesse sentir viva também.

—Ótimo! Então vamos todos aproveitar esse momento. Vamos celebrar como você se guardou para uma garota que morreu há décadas atrás e como você está prestes a se vincular a uma assassina!

—Não comece! Não venha com esse papo de como você é má. Você espera que seu discurso mude o que eu sinto?

—Eu espero que você abra os olhos. Ainda não é tarde.

—Meus olhos sempre estiveram abertos, Cat. Eu te enxergo com todas as singularidades e com todo esse seu gênio. Talvez seja o momento de você abrir os seus olhos. Ou você apenas não quer enxergar?

Abri minha boca, mas as palavras de objeção não vinham.

—Achei que, de todas as pessoas, você entenderia que chances durante nossa vida não devem ser ignoradas. —ele voltou a argumentar, sua voz muito mais branda desta vez. —Você, Cat, é a minha maior chance. E eu não quero desperdiçar nenhum maldito momento que possa ter com você. Se não fizer por mim, faça por você. Apenas tente. Tente viver comigo, e eu prometo que vou tentar fazer valer a pena a cada sopro de energia que me restar.

Era a promessa mais doce que eu tinha em décadas.

O silêncio preencheu novamente o carro, sendo interrompido apenas pelas nossas singelas respirações. O que eu tinha a lhe dizer? Eu. Uma ceifadora. Que futuro eu podia oferecer? Não era certo.

Mas a maneira como eu me sentia. Aquilo era certo.

O que eu devo fazer?

Havíamos completado todo o trajeto. Estávamos em frente ao prédio simples onde eu vivia. Sem o barulho do motor do carro, tudo estava ainda mais silencioso.

—Cat, você pode me responder agora. —Thayer soltou uma risada nervosa.

Desafivelei o cinto para que pudesse levar meus lábios até os dele. Esse era um beijo diferente do que havíamos compartilhado na praia. Não era um beijo de distração. Era como selávamos o nosso acordo.

Thayer se desfez do cinto também e retribui o beijo com um gemido.

—Isso é um sim? —ele murmurou contra os meus lábios.

—Você não espera que eu cuspa na minha mão e prometa isso, não é?

Ele sorriu, sem afastar nossos lábios. —Isso implicaria em afastar sua boca da minha, então, não. Mas eu preciso das palavras. Um pouco de paz de espírito.

—Okay. Sim. Eu vou tentar estar com você. Satisfeito?

Seus olhos se fecharam, seus lábios se esticando ainda mais em um sorriso exultante. —Muito. Agora, podemos voltar a nos beijar?

Pressiono meus lábios nos dele, sua mão em concha contra minha bochecha, me segurando no mais afetuoso dos toques. Ele intensificou o beijo, acariciando sua língua contra a minha. Era engraçado como ele conseguia me beijar e ainda continuar sorrindo, mas eu não quebraria o beijo para dizer algo assim.

Havia pouco espaço ali e minhas pernas estavam dobradas e desconfortáveis.

Sua outra mão vai até minha cintura e me apoia mais confortavelmente, deixando que o peso de meu corpo se aconchegue sobre o seu.

E nos beijamos. Nos beijamos até que eu esqueci das coisas ruins.

Esqueci-me de Ivy. De Phil. De Claire. De todos esses problemas que apareceram. Deixar eles para trás era libertador e imprudente, mas eu havia decidido pelo agora há tanto tempo atrás, na noite da minha morte, e não seria agora que eu voltaria atrás.

—Vamos entrar. —suspirei. Minha voz parecendo diferente de alguma forma, não apenas pela falta de fôlego, mas eu não queria pensar nisso.

Thayer abriu a porta do carro e me ajudou a sair antes de fazer o mesmo e fechou a porta do carro, parecendo despreocupado ao fechar a porta atrás de si e ligar o alarme do carro, continuando a depositar beijos em meus lábios, testa, bochechas e qualquer parte minha que pudesse alcançar.

Inevitavelmente, eu sorri, sendo impedida de me afastar muito pelo seu braço ao redor de minha cintura. Ainda muito próximos, nós nos atrapalhamos para ir ao elevador, e ainda mais quando eu procurava a chave escondida para abrir a porta e a devolvia ao seu esconderijo.

Atravessamos o pequeno apartamento enquanto eu tirava sua camisa, deslizando meus dedos pelo seu peito. Eu estava o guiando para o meu quarto, esquecendo-me de fechar a porta e puxando-o para a cama.

Ele me segurou perto de si. —Cat, eu não quero que pense que eu quero apenas sexo de você. Não somos apenas isso.

—Eu sei. Eu quero apenas uma comprovação mais real de que estou certa em tentar. O ato será meramente pela comprovação. —falei, beijando seu queixo, provando sua pele ali. Sorri. —Você tem gosto de protetor solar.

Com um som do fundo de sua garganta, ele agarrou meu corpo, me jogando na cama. —Não me provoque.

—Não é a mais árdua das tarefas. —brinquei, ondulando sobre seu corpo.

Sua boca foi para uma parte sensível atrás da minha orelha, lambendo e beijando ali enquanto amontoava minha camisa larga para depois retirá-la de mim. Seus olhos deslizaram pelo meu corpo, como se ele não soubesse para onde olhar, ou por onde começar.

Foi quando eu me lembrei de que ele ainda era inexperiente. Era fácil esquecer quando ele parecia tão seguro.

Toquei seu rosto, analisando seu belo rosto. Seus lábios separados e avermelhados de nossos beijos, seus olhos cor de mel parecendo ainda mais intensos, todos aqueles traços proporcionais.

Rolei para que ficasse sobre seu corpo e ele imediatamente sorriu.

Meu sorriso veio, não tão lascivo quanto o dele, mas eu esperava que trouxesse o mesmo brilho que iluminava sua expressão agora. Baixei para que pudesse beijar seu peito, seu ombro, seu pescoço. Eu queria que minha mente pudesse estar sempre tão leve e tão ávida quanto agora.

Arquejei quando sua mão foi para meu seio e fiquei surpresa quando ele se elevou para levar os lábios até o outro. Surpresa e extremamente satisfeita.

—Thayer. —gemi.

Parecendo muito confortável, ele levou sua outra mão até o meu quadril, me puxando contra ele e me fazendo senti-lo no lugar certo.

—Querida, cheguei! —ouvi uma voz gritar ao irromper pela porta do quarto.

Olhei por sobre o ombro e encontrei uma muito divertida e apenas um pouco surpresa amiga – dona deste apartamento, aliás. Eu não pensei que poderia fazer isso novamente em minha existência, mas eu corei.

—Oi, Linda. —murmurei

Notas finais
Tinha que acontecer alguma coisa, né? Hahahaha. Bem, pelo menos Cat e Thayer estão ficando mais próximos. Vocês acham que essa promessa entre os dois vai pra frente? O Thayer vai aguentar quando a Cat precisar se alimentar?