Notas iniciais
1. O capítulo ficou meio blá porquê eu estou com um bloqueio horrível — ignorem também minha escrita horrível, estou péssima. 2. Algumas coisas se basseará em um dos meus livros favoritos O lado mais sombrio.❤ 3. Me desculpem por qualquer erro, e pelo capítulo. Eu prometo que vou melhorar!

“Eu quero um momento para ser real, quero tocar as coisas que não sinto. Quero segurar e sentir que pertenço.”

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OS OLHOS AZUIS de Adhara percorriam pela janela do carro do tio, ela observava a pequena cidade chuvosa com curiosidade. Ela tinha sete anos quando visitou Forks pela ultima vez, agora as coisas pareciam... Diferentes.

Ela não poderia negar que preferia visitar o tio em outras circunstâncias que não fosse pelo o fato dele ser seu único parente vivo com condição e estrutura para ficar com ela após o acidente que matou seu pai.

Após ela ter matado seu pai.

Não foi sua culpa.”

As palavras da enfermeira soava em sua cabeça vinte quatro horas por dia depois do acidente. Ela não entendia, se pelo menos ela soubesse o que havia acontecido, se pelo menos ela estivesse lá saberia que ela era a verdadeira culpada. Era portadora de algo que nem ela mesmo conseguia controlar, que machucava todos ao seu redor.

Foi por um minuto, ela perdeu o controle sem perceber, o que resultou em uma tragedia que a marcaria pelo resto da vida.

Adhara apertou as mãos uma nas outras, sentindo o olhar nada discreto de Charlie sobre elas. Ela sabia que ele estava se perguntando o porquê dela ainda usar as luvas. Charlie como os demais achava que ela usava luvas após o acidente que aconteceu na escola, onde ela caiu e machucou as mãos gravemente nos vidros da janela quebrada sobre o chão.

Não era totalmente uma mentira, ela tinha cicatrizes nas mãos, mas não conseguiu exatamente do jeito que todos pensavam.

Ela lembrava-se como se fosse ontem do dia que as conseguiu.

Era manhã de sábado e ela era atraída até a porta de tela por uma borboleta, grande e negra, parecia quase uma mariposa. O perfume de uma tempestade de primavera atravessa a rede, o que a atrai para o lado de fora para brincar com a nova amiga.

Sua mãe sempre lhe disse que não era seguro ir lá fora no meio de uma tempestade, mas a borboleta pairava, linda, zombeteira, como se prometesse que não haveria problema.

Ela empilhou alguns livros para alcançar a tranca da porta e foi correndo dançar com o inseto no canteiro de flores, com a lama escorrendo pelos dedos dos pés.

O vestido azul de babados já estava todo ensopado e ela sabia que iria se encrencar por causa disso depois, mas ela não se importou no momento, nem quando a fita soltou de seu cabelos e caiu sobre a lama, deixando as madeixas escuras cair sobre os olhos.

A borboleta se enroscou no meio das roseiras, arranhando as lindas asas negras dela. Ela suspirou penosamente, sabendo que não conseguiria tirar ela do meio dos espinhos sem machuca-lá. Olhando furtivamente para os lados, Adhara fechou os olhos e colocou as mãos sobre a borboleta, e sem explicação, a aura negra começa a fluir das pontas de seus dedos, fazendo a borboleta se desenroscar das flores ilesa.

Os gritos de sua mãe a fez olhar para trás rapidamente. Quase como um raio, ela vinha em sua direção com a tesoura de podar longas e afiadas sobre as mãos.

Vou cortar sua cabeça! — gritava ela, podando todas as flores onde a borboleta pousava, cortando as pétalas de seus talos.

Horrorizada, ela via as pétalas se esfrangalharem perante as laminas, ela não queria que sua mãe estragasse as asas da linda borboleta, então levantou as mãos para deter a tesoura. Não era culpa da borboleta, ela só queria ajuda-lá...

Com sucesso, ela consegue livrar a borboleta da fúria de sua mãe, mas na tentativa ela tropeça e cai no chão segurando as pétalas brancas e cheia de sangue.

Seu pai que estava na cozinha fazendo panquecas vem logo correndo na direção delas. Adhara estende as mãos e diz que precisa de curativos para as rosas e ao lhe ver, ele solta um gemido.

Ela era jovem demais para entender que flores não sangram.

Saindo de seus pensamentos, ela aperta as mãos doloridas uma nas outras. As cicatrizes pulsam como se fossem recentes.

Só de pensar naquele dia novamente ela sentia como se suas forças fossem sugadas de seu corpo. Suspirou baixinho, sua mãe fora a primeira pessoa a fazer ela se sentir uma anomalia, uma aberração.

Fora a ultima vez que ela viu sua mãe antes dela se internada em uma clinica psiquiatra, ela não compreendia que não era culpa dos animais ou até dela. Ela não aceitava o fato dela ser diferente das outras crianças e isso pareceu pertubar o psicológico dela, fazendo com que ela tomasse decisões drásticas e quase fatal para conseguir conserta-lá.

Seu pai era diferente, ele sabia que não era culpa dela e ele compreendia mais do que ninguém, ele a protegia e não deixava nada acontecer com ela. Engraçado como ele estava errado, já que ela era capaz de machucar até as pessoas que amava.

— Você está bem querida? — a voz de Charlie a tirou de dentro de sua bolha imaginaria.

Ela o encarou, tentando afastar os pensamentos que rondava a sua cabeça e assentiu.

— Estou. — sua língua fez força para formar a palavra, artificial e dura, como tentar torcer a haste de uma cereja e dar-lhe um nó. — Eu estou bem.

Foi a vez dele assentir, era isso que diferenciava ele de seu pai. Charlie era tímido, muito fechado e mal expressava seus sentimentos, parecia sem jeito até para dizer algumas simples palavras.

Ela quase sorriu quando lembrou-se do embaraço de minutos atrás quando ele chegou no aeroporto e lhe abraçou todo sem jeito, era como se ele estivesse segurando uma boneca de percelana sobre as mãos.

Ela voltou sua atenção para a janela, observando as árvores e os troncos cobertos de musgo, os galhos pendurados formando uma cobertura, o chão coberto com plantas.

Estava chovendo muito e estava frio, ela agradeceu mentalmente por ter muita roupas de inverno, já que sua cidade anterior fazia frio frequentemente. Adhara ignorou o formigamento ao pensar que deveria ser um mal presságio, por está chovendo desde que ela saiu do avião. Mas Forks era uma cidadezinha coberta por uma constante nuvens de chuva e era o lugar que mais chovia em todo o país.

Ela e Charlie trocaram poucas palavras, eles não tinham muito assunto e pareciam não querer compartilhar as dores do luto um com outro. Então tudo que ela pode fazer foi encostar a cabeça no vidro da janela e observar a chuva bater fortemente do lado de fora, fazendo um barulho insuportável no teto do carro.

Charlie estacionou na frente da casa de fachada branca, não mudará nada desde da ultima vez que ela veio até aqui. Ele ainda vivia na casa pequena de dois quartos, que ele comprou após de casar com Renée.

Um desconforto se instalou dentro de seu peito quando o pensamento de que estava invadindo a casa que só deveria morar Charlie e Bella.

Adhara ajudou Charlie a levar algumas coisas que ela trouxe para dentro da casa, ele depositou suas malas e uma caixa cheia de suas bugigangas no chão da sala e a olhou sem jeito.

— Você pode ficar no meu quarto até eu conseguir construir um terceiro para você. — ele murmurou coçando o pescoço.

— E onde você vai ficar? — ela fraziu as sombrancelhas.

— Eu ficarei no sótão, comprei uma cama e outros móveis duas semanas antes de você chegar.

— Eu fico com o sótão tio Charlie, eu sempre quis um quarto no sótão. — ela sorriu amarelo, tentando convence-ló.

Ia ser muito mais fácil para si, já que ela não queria que seu tio ou sua prima entrassem em seu quarto sem aviso e a visse levitando enquanto dorme.

Quanto mais longe melhor.

Charlie ergueu as duas sombrancelhas mas não a contrariou.

— Tudo bem...

Ele sempre soube que Adhara era um pouco... Peculiar, e não ficou tão surpreso quando ela quis por pura espontânea vontade ficar no sótão.

Enquanto subiam as escadas em direção ao sótão ela não pode deixar de se perguntar onde estava a prima, já que ela não estava em casa quando ela chegou. Um fato bem estranho já que Charlie lhe falará por telefone que ela estava muito animada com sua chegada.

Aquilo pareceu levantar um pouco seu astral e poderia afastar o luto. Ela e e Bella sempre foram muito apegadas quando eram mais novas, mas isso foi a muito tempo atrás, não sabia se ia ser exatamente a mesma coisa depois de tantos anos.

Ela vagou o olhar pelo sótão sentindo-se muito sastifeita ao ver o lugar limpo e espaçoso.

O ambiente era amplo, continha uma cama com uma colcha azul — ela sorriu minimamente, sua cor favorita — no canto do sótão, um guarda roupa vazio e uma escrivaninha. Estava mais que sastifeita, seu tio havia pensado em tudo e ela não pode deixar de agradecer, já que não era obrigação dele ficar com ela.

Ele podia ter mandado ela para sua sua avô, que era a mãe de sua mãe. Mas não, ele abriu as portas de sua casa e acolherá de braços abertos.

— Você pode decorar aqui, para ficar do seu jeito. — ele começou, olhando ao redor do seu novo quarto. — Você não vai precisar ficar aqui em cima por muito tempo, está bem? Eu prometo.

— Não se preocupe comigo tio Charlie, isso é perfeito, obrigado. — ela puxou os cantos dos lábios para cima, tentando sorrir, mas falhou miseralmente.

— Certo, certo. Eu vou deixar você descansar, foi uma viagem longa e você deve estar cansada.

— Só um pouco...- ela respondeu com uma careta.

— Eu imagino querida. — ele respondeu por fim, indo em direção a porta.

— Tio Charlie... — a voz da menina o fez virar-se — Onde está Bella?

Ela não conseguiu conter a curiosidade.

Um suspiro escapou dos lábios de Charlie e um vinco formou-se em sua testa que sempre aparecia quando ele estava preocupado ou incomodado com algo. Ela apertou os lábios se arrependendo imediatamente da pergunta.

— Ela está com o namorado. — ele disse simplesmente, as palavras pareciam ácido em sua boca.

— Entendo... — ela mordeu a parte de dentro da bochecha.

— Antes que eu me esqueça, você começa amanhã na escola. Mas a semana já está acabando, você pode ir semana que vem se preferir.

Ela negou com a cabeça rapidamente.

— Já perdi aulas demais.

Escola, era tudo que ela precisava para se distrair um pouco da bolha em que ela estava entrando mesmo sem perceber e de seus pensamentos meticulosos. Depois do acidente ela passará quase uma semana sem sair do quarto, evitando contato com o mundo lá fora. Os dias passavam como um piscar de olhos, e quando ela menos percebia, já havia passado mais um dia.

Ficar em casa só faria as coisas piorarem.

— Tudo bem, desça para o jantar, eu vou pedir uma pizza hoje.

— Eu estou sem fome, eu comi no aeroporto...- ela mentiu descaradamente — Eu vou seguir seu conselho e descansar um pouco.

Assim que Charlie saiu do quarto Adhara soltou um longo suspiro que nem ela sabia que estava segurando e sentou-se na cama. Incrível como sua vida mudou de uma hora para o outro, semana retrasada ela estava tomando milk-shake na lanchonete da esquina enquanto ela e seu pai discutiam sobre seu dia animadamente.

Agora ela estava aqui, a km de distancia longe de sua casa onde ela se sentia segura e seu pai, a única pessoa que a compreendia, estava morto. Ela não sabia exatamente como se sentir sobre isso, não queria chorar, não mais, não queria ser fraca, mas naquelas situações se tornava algo quase impossível.

Ela engoliu o bolo que se formou em sua garganta e começou a desempacotar a caixa, sabia que se começasse a chorar não conseguiria parar, então fez a única capaz no momento, decorou o cômodo para deixa-ló um pouco a sua cara.

Quando ela terminou, não pode deixar de sorrir ao ver que ficou melhor do que ela esperava. O pequeno varal de lampas se estendia na parede de onde sua cama de encontrava junto com algumas de suas bugigangas e fotos.

Colocou o filtro dos sonhos perto da janela e deu um peteleco com o dedo, esperando que ele funcionasse e lhe mantivesse longe dos pesadelos.

Após sua pequena organização ela tomou uma ducha demorada deixando os músculos relaxarem sobre a água quente e voltou para o quarto, se enfiando em baixo das cobertas tentando ao maximo se aquecer.

Antes de fechar os olhos aquela noite, Adhara teve a leve sensação de que sua vida ali mudaria completamente.

Ela não poderia estar mais certa sobre isso.

───── ͜͡ ཻུ۪۪⸙͎Continua ͜͡ ཻུ۪۪⸙͎─────