Morfeu

9 Em suspensão


Notas iniciais
OOOOOOOOOOOOI. Mil e uma desculpas, sério. Eu disse que ia ficar um tempo fora e olha só, PASSARAM SEIS MESES!! A verdade é que eu ia mesmo desistir da fic, mas aí comecei a receber comentários de vocês pedindo pra eu voltar e eu voltei

— EU NÃO AGUENTO MAIS!

— CLARO QUE AGUENTA!

— VAI DEVAGAR!

— TÔ DEVAGAR!

— ASSIM VOCÊ ACABA COMIGO!!

"Game Over" aparece na tela da televisão.

Enry me olha, com o controle do videogame nas mãos.

— Meu carro era muito mais devagar que o seu, qual é.

— Ah, não era nada! — eu rio, ele também. Coloco o controle de lado, o puxo pra perto. De repente aquele sofá parece pequeno pra nós dois. Parece pequeno para o nosso carinho, para nosso amor.

Enry, o garoto de dezesseis anos que conheci uma semana atrás e aprendi a amar. Estávamos na sua casa, — enorme por sinal — no seu quarto. Sentados em um pequeno sofá que fica entre sua cama e uma enorme TV fixa na parede. Enry era rico, devia ter imaginado somente pelo carro que sua mãe dirige.

Ele solta o controle e sobe direto pra cama, passando por cima do encosto do sofá, eu o sigo. Escoro na cabeceira e ele se deita no meu colo, olhando nos meus olhos.

— Por quando tempo isso vai durar? — ele pergunta.

— Pra sempre, eu espero.

— Não, seu bobo. — ele ri. — Tô falando dessa suspensão idiota. Olha, a gente foi suspenso na segunda, hoje é sábado e ela disse dez dias. Será que isso inclui final de semana? Se for a gente volta na sexta. Se não, ainda vai demorar mais.

— Você quer voltar pra escola?

— EU NÃO AGUENTO MAIS! É muito chato ficar sem fazer nada.

— Você se acostuma.

— Ah, sua mãe não disse que você estava de castigo? Como ela deixou você vir aqui?

— Castigo. — fiz sinal de aspas com os dedos — Ela só disse isso pra não parecer pra sua mãe que passa muito a mão na minha cabeça. Ela sabe que eu vou bem na escola, então nem se importou tanto.

Eu fico olhando nos seus olhos, eu simplesmente não me canso disso. como dois diamantes negros me encarando, quando olho pra eles é como mergulhar em uma escuridão de mistério, e eu gostava disso. Tiro os óculos de seu rosto e é como se seus olhos diminuíssem de tamanho. Coloco-os de lado e me debruço, beijando Enry, que se levanta e me beija também.

É a primeira vez que nos vemos desde o incidente na diretoria, mas não é nosso primeiro beijo desde então. Sua mãe não estava em casa, então aproveitamos. Nos beijamos quando bati na sua porta, entrei por ela enquanto nos beijávamos, subimos as escadas no beijando e aterrissamos na cama nos beijando. E agora nos beijamos de novo. E ele beijava tão bem, difícil acreditar que o primeiro beijo dele foi realmente naquele circo. Ele parecia tão forte, tão convicto. E aconteceu que dois dias depois descobri justamente o contrário. Enry é fraco, amante, precisa de amparo. E eu vou dar a ele todo amparo que ele quiser.

Afasto nossos lábios, mas ele continua de olhos fechados. Me escoro na cabeceira da cama novamente e pego seus óculos que deixei de lado. Coloco-os em mim, e logo sinto minha cabeça doer.

— Senhor, você é cegueta mesmo.

Ele ri e tira os óculos do meu rosto, colocando no seu.

— Desde criancinha. Não sou nada sem esse companheiro.

— Vamos supor que você esteja sem óculos e aí uma pessoa levemente parecida comigo se aproxima, você ia beijar essa pessoa?

— Se ela tiver sua voz, seu toque e seu beijo.

— Ah, então você beijaria de boa uma pessoa com minha aparência, minha voz e meu beijo?

— Você sabe que acabou de se descrever, né?

Abro a boca para dizer algo, mas depois a fecho. Garotinho esperto. Enry se levanta e pega o seu celular no criado mudo.

— Ah, você pegou seu celular? — pergunto.

— Sim, cheguei do circo pouco antes de você chegar aqui. O pessoal de lá guardou pra mim.

— Sorte sua que eles ainda estavam lá.

— A caravana ainda vai ficar por aqui algumas semanas.

Lembrei-me do mágico, que me ligou uma vez perguntando sobre meu relacionamento com o Enry, que me prendeu em uma bolha no espetáculo e pra quem vi Enry sussurrar a palavra 'obrigado'. Pensei em perguntar para ele se ele havia armado tudo aquilo. Se ele havia combinado com o mágico, ou até pago pra ele me escolher, mas achei que esse não era o momento. Ou talvez, lembrando do meu sonho, eu temia a resposta.

Ficamos mais algumas horas juntos, eu tinha combinado de sair com a Nana mais tarde. Tentei convencê-la a deixar Enry ir junto, mas ela achou que melhor não. Nos despedimos e eu segui o caminho de volta pra casa a pé, não morávamos tão longe afinal de contas, meia hora de caminhada. Cheguei em casa, tomei um banho, me vesti, e saí para encontrar Nana no shopping, eu ainda não podia dirigir e minha mãe não estava em casa, então tive que pegar um ônibus até o centro.

Meia hora depois eu já estava sentado com a Nana em uma mesa na praça de alimentação.

— Senta aí viadinho.

— Ha-ha.

— Como vai seu namorico?

— A gente tá bem, pena que tu não deixou ele vir né.

— É, mas isso é meio que um assunto mais pessoal, sabe? Só você e eu, a dupla dinâmica.

— Aconteceu alguma coisa? — subi a voz em um tom de preocupação.

— Bem... sim e não. Eu tô bem, relaxa.

— Menos mal. Mas fala, o que tá acontecendo?

— Enquanto você tava fora da escola, eu tava meio sozinha no intervalo, sabe. Eu ainda tenho as meninas, mas não é a mesma coisa sem você, você sabe.

— Eu sei, eu sou insubstituível.

— Para. — ela ri um pouco e bate no meu braço. — Mas continuando, sem você, uma certa pessoa veio falar comigo.

— E seria?

— O Daniel.

— O Daniel? O que esse palhaço queria?

— Sei lá, nada de mais. Ele ficava conversando a toa, coisas do dia a dia. Na verdade eu tava até mudando minha opinião sobre ele. Ele parecia ter mudado, parecia mais maduro, como se algo tivesse mesmo mudado dentro dele.

— Mas?

— Mas isso aconteceu. A gente tava conversando normal, até rindo um pouco inclusive, quando, não me lembro como, o assunto veio parar em você e o Enry. Naquele momento vi o Daniel se transformar. Ele cerrou o punho, sua pupila se dilatou e depois ele ficou com muita raiva. Muita mesmo. Thomas, eu tô com medo.

— Medo dele?

— Medo que ele vá fazer alguma coisa com vocês dois. Ele parece não aprovar de jeito nenhum esse tipo de coisa. Primeiro a diretora McPhee, e agora o Daniel. Ela deu sua punição suspendendo vocês dois, mas não sei o que o Daniel pode fazer.

Uma gota de suor escorre pela minha testa. Nana estava certo nesse ponto, não dá pra saber o que o Daniel pode fazer. Ele é inconsequente, até louco me arrisco a dizer, e eu não suportaria se algo acontecesse com Enry, principalmente pelas mãos de Daniel.

— Não fale disso com o Enry. Isso pode colocar uma certa pressão no relacionamento de vocês, pressão que agora no início não é tão boa assim.

Claro, Nana não queria chamar Enry porque não gostava dele, mas sim porque ela não queria que isso abalasse nosso relacionamento de alguma forma. Aquela era a Nana, a melhor amiga do universo.

— Tá tudo bem. — coloco minha mão sobre a dela enquanto falo — Nada vai me acontecer, tá? Se o Daniel quiser tentar alguma coisa, ele que se veja comigo. As coisas não são fáceis assim como ele pensa.

— Só se cuida, tá bem? E fica de olho aberto.

— Não se preocupe. Agora vamos comer, tô faminto.

— COMIDAAA!!

Louca, muito louca. Mas gosto assim.

Nana se levanta e segue rumo ao balcão e eu a sigo, mas ao sentir meu celular vibrar no meu bolso, eu paro e verifico. É uma mensagem da minha mãe.

Meu punho se fecha, cerro o maxilar e meus olhos parecem que irão verter em sangue. Aquela mensagem não poderia ter chegado em pior hora. Não, aquela pessoa não poderia ter chegado em pior hora. Leio novamente, para ter certeza, simplesmente não pode ser verdade.

"Seu pai está na cidade."

Notas finais
Beeem, é isso. Agora que já nos entorpecemos com o romance de entre Enry e Thomas, está na hora de adicionarmos um pouco de tensão na história, né? Ninguém vive de beijinho, hahaha. Beijo pra quem me ama e pra quem não me ama mando um beijo também pra poder me amar, e novamente peço desculpas por toda essa demora, espero que não tenham se esquecido dessa história D: Well, That's All, Folks!