Morfeu

8 Dia na diretoria


Notas iniciais
Chegamos ao último capítulo do ano pessoal, depois disso a fic vai entrar em um hiatus que explicarei nas notas finais o porque.

Meia hora depois do ocorrido a mãe de Enry, Vivian, chegou. Estávamos os três na sala de espera aguardando a minha mãe, Vera, que chegou alguns minutos depois. Ninguém disse uma palavra com ninguém, apenas o reinado do silêncio, que foi cortado pela voz da diretora McPhee.

— Boa tarde, senhoras.

Mas o que era aquilo? Que voz mais adocicada e cheia de carinho era aquela? Essa mulher era mais falsa do que nota de três.

— Por favor, entrem, estou logo atrás de vocês.

As duas mães se levantaram e passaram pela porta a frente, sendo seguidas por McPhee, que não entrou antes de nos dar um grande olhar de superioridade e reprovação. Ah, aquela mulher, eu queria matá-la com meus próprios dedos. Não conseguimos ouvir muito bem o que elas conversavam lá dentro, e não podíamos nos aproximar da porta por causa de Linda, que estava sempre de olho em nós. Linda era uma McPhee na casa dos 25, quem olhasse dizia até que eram mãe e filha.

Alguns minutos depois, uma figura aparece pela porta de entrada. Era mais ou menos da minha altura, talvez um pouco maior do que eu, com os olhos claros e o cabelo em um castanho claro quase loiro. claro, Eu conhecia aquele cara.

— Senhor Daniel, por favor, sente-se. A senhora McPhee está ocupada no momento, mas logo poderá te atender. — disse Linda ao vê-lo.

Era ele, o garoto que tanto amava Nana, Daniel. Ele parecia bem diferente agora, aquele rosto de moleque havia sumido, ele tinha uma expressão mais madura, e esperava que não fosse somente a expressão. Ele olhou pro lado e me viu, triste desgraça, acenou pra mim e veio na minha direção. E claro, com tantos lugares, ele tinha que se sentar entre eu e Enry.

— Thomas, oi!

— Daniel. Como vai?

— Vou bem. Quer dizer, enrascado. — um sorriso brotou no seu rosto. — e você também, imagino. Cara, você e a última pessoa que pensaria em encontrar aqui.

— É, andei aprontando também.

— E esse? Novo amigo? — ele agora se virava pra Enry.

— Esse é Enry. Meu namorado.

Olhando pra mim novamente, Daniel arregalou os olhos. Pude perceber seu punho de cerrando por cima da sua coxa. Um homofóbico, ótimo. Agora só falta ele me socar aqui mesmo. Ele podia ser mais forte do que eu, mas Enry estava comigo e contra dois ele não era nada. Pelo menos já estávamos na sala da diretora.

— Ah. — sua mão se afrouxara, pelo menos não daria briga ali — Você é gay, mal me lembrava disso.

— Pois é. Piroca, uhules!

Enry riu, mas logo parou ao ver que Linda me fitava como se estivesse me atirando raios.

— Então, Enry. — Daniel falando com o Enry, como se a situação não já estivesse estranha — A quanto tempo você namora o Thomas?

— Não muito. — curto e grosso, esse era meu garoto.

Enry pediu a Linda para usar o banheiro e ela se levantou para mostrá-lo o caminho, deixando eu e Daniel a sós. O silêncio reinou por um tempo, mas fio quebrado por Daniel.

— Ele parece legal.

— Sim, ele é.

— Tem um óculos bacana.

Mais uma vez ficávamos calados. Daniel abriu a boca para dizer algo, mas foi interrompido pelo som da porta na nossa frente se abrindo, graças a Deus. Provavelmente ele iria perguntar sobre Nana, algo que demorou muito pra fazer. McPhee estava em pé segurando a maçaneta e fez sinal para que eu e Enry, que acabara de chegar do banheiro, para entrássemos. Obedecemos e deixamos Daniel na sala de espera junto com Linda.

Haviam quatro cadeiras dispostas na frente da mesa de McPhee, e a primeira e a quarta estavam ocupadas por minha mãe e pela mãe de Enry. Nos sentamos e em ordem estavam: Minha mãe, eu, Vivian e Enry. McPhee se sentou na nossa frente e começou a falar sobre códigos de moral e ética da escola e sobre o que nós fizemos, que era inadmissível.

— Rapazes, vocês tem que compreender que o que fizeram foi errado. — sua voz agora voltava a ser áspera, como sempre — Fugir das aulas para namorar? Isso é a coisa mais imoral que já encontrei nessa escola.

Olhei pra minha mãe, ela estava cabisbaixa, de olhar vazio, Vivian demonstrava a mesma expressão.

— Eu perguntei pra mãe de vocês se elas estavam cientes de tamanha sem vergonhice.

— Começamos hoje, como estariam cientes? — retruquei.

— Silêncio! Não me interrompa quando eu estiver falando, tenha modos melhores do que esse!

Ela me olhou fortemente, suas veias verdes já apareciam no seu pescoço. Apenas fiquei em silencio e me aconcheguei na cadeira.

— Eu não me referia ao namoro de vocês. Me refiro a essa sem vergonhice chamada homossexualidade!

Não era possível, minhas linhas demonstravam uma expressão indignada, Enry tinha a mesma reação. Aquela mulher, homofóbica! Claro que seria.

— Nunca vi coisa mais repugnante do que dois homens se agarrando dessa maneira. Isso não é coisa de gente! Não é coisa de gente certa! Isso é uma doença! E suas mães, pobres coitadas, nem sabiam disso!

— O que?! — o grito de indignação era duplo, meu e o Enry.

— Minha mãe sempre soube! E ela me apoia, como mãe nenhuma faria! — eu me exaltava, indignado.

— Sim! E a minha também! Mãe, por que você disse pra ela que não sabia de nada??

Vivian apenas ficava de cabeça baixa, sem dizer nada. Totalmente sem graça, ela se levanta e Enry tenta segui-la, mas é impedido por McPhee.

— Nem pense nisso, garoto! Sente-se! Ainda não terminei com vocês dois!

Enry apenas olhava pra McPhee a para a mãe saindo pela porta com um olhar de indignação, ele não entendia em nada o que estava acontecendo ali.

— Estão suspensos. Os dois. Por dez dias. Agora sumam daqui logo, não quero mais ver vocês.

Me levantei com raiva, não queria nem sequer olhar pra aquela mulher, peguei Enry pelo braço e o puxei pra fora com minha mãe logo atrás. Passava pela recepção com passos decididos e pude ouvir a voz de Daniel.

— Thom, tá tudo bem?

— Agora não!

Saí da sala, mas fui empalado por Vivian, que nos esperava do lado de fora. Ela me abraçou forte.

— Ah, meu genro!

Mas o que? Ela me soltou e abraçou Enry.

— Me desculpe! Meu filho! Mas a gente precisou mentir, para o bem de vocês.

— Pera, o que? — perguntei confuso — Vocês combinaram isso?

— Thomas, eu e sua mãe fomos alunos da McPhee, aqui nessa escola. Claro, na época ela era apenas uma professora, mas nós a conhecemos bem. Se mostrássemos a ela qualquer tipo de apoio no relacionamento de vocês, ela faria de tudo para separá-los, até providenciaria uma transferência para um de vocês.

— Ao receber a ligação da secretária, logo percebi o que devia fazer, e pelo visto Vivian também teve essa esperteza.

— Nós não nos importamos com aquela mulher, o que importa é que vocês, nossos filhos, estão felizes.

Enry e eu nos olhamos e sorrimos. Aquelas sim eram as mães que conhecemos a amamos. Cada um abraçou a própria mãe, e depois a própria sogra.

— Ah, e vocês estão de castigo.

— O que?? — a indignação veio em coro.

— O momento pode ser uma gracinha, mas os dois aí faltaram aula pra namorar! — minha mãe quem dizia — E isso não é certo! Ainda vou pensar no que fazer com vocês dois. Mas por enquanto, pro carro.

Soltei alguns murmúrios, pelo menos poderia ter sido pior. Descemos todos as escada, nossas mochilas já haviam sido retiradas da sala por Linda. Pegamos elas na portaria e saímos pelo portão da frente. Minha mãe entrou no nosso carro e Vivian entrou no carro dela, deixando eu e Enry a sós na rua. O sinal já havia tocado e a praça na frente também já estava deserta.

— Então... — comecei, desconcertado.

— É...

— Te vejo amanhã?

— Não podemos mais vir pra escola, lembra disso?

— Eu não disse que seria na escola.

— Você não sabe onde eu moro.

— Você vai me passar seu endereço.

— Vou é?

Um sorriso um tanto quanto safado brotou no rosto dele quando ele disse essa última frase. Ele olhou pra cima rindo e pegou um papel e uma caneta na mochila e anotou seu endereço.

— E também tem o telefone fixo lá de casa. Ainda não sei se vou recuperar meu telefone lá no circo.

— Sim, é verdade, eu tinha me esquecido disso.

Minha mãe buzinou do carro dela.

— É, tenho que ir, vai por mim, agora é a buzina, daqui a pouco ela vem e me arrasta.

— Até logo.

— Até logo.

Nos olhamos por um pouco, ambos estávamos meio desconcertados, não sabíamos o porque. Deixamos a cerimônias de lado e nos beijamos. Algo leve, de despedida. Nos olhamos e ambos estávamos vermelhos. Nos viramos juntos e cada um entrou em um carro, era hora de ir pra casa.

Notas finais
Beeeeem, foi isso pessoal, sei que foi um capítulo meio perrengue, sem muita coisa, mas é que hoje foi um dia muuuito ocupado e não tive tempo de inventar muito (olha a hora que to postando, já vai dar 1h da manhã). Bem, a verdade é que estou me mudando amanhã (ou hoje, der) pra capital mineira (Belo Horizonte me aguarde, estou chegando), e por esse motivo eu vou ficar um tempo sem postar aqui, pq lá não terei internet e não sei quando eu terei acesso à rede novamente. Então deixo aqui o último capítulo do ano. Mas não se preocupem, eu vou continuar escrevendo em of, e vez ou outra encontrarei uma internet pra postar pra vocês, mas não na mesma frequencia. Não se preocupem, isso é temporário. Well, é isso, that's all Folks