More than the stars
4 Best Dessert Ever
Notas iniciais
O almoço foi claramente desagradável. Clarke pôde sentir o olhar de Bellamy nela enquanto ela comia, mas seus olhos se encontraram apenas uma vez após a refeição e ela não sabia se deveria ficar grata ou assustada com isso.
— Se vocês não se importam, eu vou ali fora por um minuto — diz Bellamy, enquanto se levanta da poltrona marrom escuro que fica ao lado do sofá.
— Eu preciso pegar uma coisa no carro – Clarke fala, apressadamente.
Clarke nem pega o casaco que pendurou ao lado da porta quando chegou, e se apressa para sair do sala, querendo um tempo fora do clima estranho e pesado. Mas, quando chega ao carro e a primeira frase sai daqui boca de Bellamy, ela sabe que lá fora não vai ser diferente.
— Vocês estão juntas.
— Isso é uma pergunta?
— Não – Bellamy faz uma pausa – Eu só — Outra pausa — Alguém podia ter me contado.
— Eu sei.
Clarke assiste ele passar as mãos pelos cabelos e quando ele fala novamente, ela move seus olhos para qualquer lugar, menos para ele.
— Você podia ter me contado.
— Eu sei, é só que...
— Só que?
— Eu não podia simplesmente ligar e dizer: “Olá, Bellamy! Eu estou namorando uma mulher agora”
— Você acha que o problema é que ela é mulher?
Antes que Clarke pudesse responder, Bellamy continua:
— Eu não dou a mínima pelo que ela tem entre as pernas, Clarke. Eu estou pouco me fodendo pra isso. Mas você não acha que eu merecia saber que você estava com alguém por você e não pela Raven fazendo piadas sobre as calcinhas da sua namorada?
— Eu sinto muito.
— Você sente muito?
— Sim.
— Pelo que?
— Você sabe pelo que.
— Não! Eu não sei – Bellamy passa as mãos pelos cabelos – Você tem que pedir desculpas por muitas coisas, Clarke. Então me diz. Pelo o quê você sente muito?
Ele espera uma resposta, mas Clarke apenas encara suas botas caras, incapaz de olhar pra Bellamy sem derramar as lágrimas que está segurando.
— Você sente muito por não ter me contado? Sente muito por ter ido embora? Ou por não ter ligado uma vez durante 3 anos pra que eu pelo menos soubesse que você estava viva? Pelo que você sente muito, Clarke? Por ter me deixado? Ou por aparecer 3 anos depois como se nada tivesse acontecido e ainda fazer piadas sobre a porra de um carro?
Clarke pode ouvir a dor em sua voz. E ela pode ver suas mãos tremendo caídas ao lado de seu corpo. Ela pode sentir a pressão subindo em seu peito.
— Diz alguma coisa, Clarke – Bellamy quase grita.
Algum tempo se passa e ela pode sentir seu rosto molhar com as lágrimas que escorrem de seus olhos. Seu corpo está tremendo, e Bellamy sabe que não é apenas pelo ar frio do outono.
— Olha pra mim – ele pede, parecendo mais calmo agora.
Clarke tira os olhos do chão e encontra os de Bellamy. Ela sempre foi capaz de dizer o que ele estava sentindo pelo seu olhar, mas agora, ela não faz ideia do que é o sentimento que toma conta dele. Clarke não sabe o que ele está pensando.
Um suspiro sai por sua boca. Enquanto as lágrimas continuam a cair dos olhos de Clarke.
Oh. A compreensão atinge-a com tanta força que a faz tremer. Raiva. Ele está com raiva.
Clarke não pode evitar a dor em seu peito ao perceber. Bellamy está com raiva dela.
Ela apenas olha pra Bellamy. E a única coisa que pode dizer é:
— Eu sinto muito.
— Eu também sinto muito.
E ele a deixa com essa frase pairando no ar.
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Depois do fiasco no almoço, todos se sentiram obrigados a ficar para a sobremesa, não porque a torta de banana de Abby é deliciosa, mas porque Kane chegou, e eles não poderiam simplesmente ir.
Após um pedaço de torta, todos foram embora rapidamente, e Octavia levou Clarke e Lexa até o flat. Elas se despedem com um simples aceno e agradecem, saindo do carro.
Clarke sabe o que vai acontecer agora. Ela sabe que vai ter que explicar. Ela também sabe que Lexa está muito quieta desde que saíram de lá. Mas Clarke não sabe exatamente o que isso significa.
— Você vai me explicar sobre o que a Raven estava falando? — Clarke escuta Lexa questionar, segundos após entrarem no apartamento.
Clarke fica em silêncio por um tempo, enquanto tira as botas e o casaco.
— Clarke?
— Lexa...Eu estou tão cansada do voo e do fuso-horário e eu só queria des...
— Você não parecia muito cansada quando saiu pra pegar uma coisa no carro e voltou sem nada na mão.
Merda. Que merda, que merda, que merda.
— Ok, Lexa. Só pergunta o que quiser.
— Vocês já..hã — Lexa se atrapalha com as palavras — Vocês já ficaram, sabe? Juntos?
— Você está me perguntando se já fizemos S-E-X-O? — Clarke soletra a palavra, com ironia.
— Zombaria não é produto de uma mente forte, Clarke.
— Sim, Lexa.
— Sim o quê?
Clarke não responde. E ela observa Lexa, enquanto o rosto da morena abandona a expressão confusa, e logo depois, vê ela levantando as sobrancelhas.
— Oh. Certo.
Clarke tira seus olhos de Lexa e abre sua mala para pegar um pijama.
— Eu achei que vocês eram como irmãos. Vocês cresceram juntos, certo?
— Sim.
— Sim vocês são como irmãos, ou sim vocês cresceram juntos?
— Nós crescemos juntos.
— Então vocês eram mais do que irmãos?
— Nós nunca fomos irmãos.
— Vocês cresceram na mesma casa e vocês foram criados pelos mesmos pais. Vocês parecem irmãos.
— Irmãos não fazem sexo, Lexa.
— Eu sei disso, Clarke. Mas você tinha uns 5 anos quando seus pais o adotaram, isso quer dizer que ele é a coisa mais próxima que você tem de um irmão mais velho.
— Ele não tem o meu sobrenome, ou o meu sangue. Então não. Ele não é como um irmão mais velho.
— Você não precisa disso pra ser irmão de alguém — Lexa responde, visivelmente irritada.
— Que seja.
Clarke está tirando a calça jeans, deixando-a com a calcinha simples de algodão branco e suas duas blusas. Ela já havia tirado um de seus pijamas da mala durante sua conversa com Lexa. Há um silêncio pairando no ar, e depois de alguns minutos, Clarke está tirando a blusa de cima quando ela escuta Lexa falar novamente:
— Esse é seu jeito de tentar explicar que não cometeu incesto?
— Meu Deus, Lexa!
— Era só sexo?
— Por um tempo, sim.
— Por quanto tempo?
— Eu não lembro.
— As pessoas sabiam?
— Eu não sei.
— Vocês namoraram?
— Porra, Lexa! Você também quer saber as posições que a gente mais gostava de foder?
— Eu só estou tentando entender, Clarke.
Lexa diz isso tão tranquilamente, que faz Clarke se sentir uma merda. Ela escondeu uma parte enorme da vida dela durante seu relacionamento inteiro e mesmo assim ela não está com raiva. Ela está apenas tentando entender porque Clarke não a contou. Então, por um bom tempo, ela apenas observa Lexa, admirando-a. E ela é linda. De várias formas. De todas as formas. E com isso, o coração de Clarke se aperta, ao pensar em perdê-la.
— Me desculpa — Uma lágrima solitária cai de seu olho quando ela fala.
— Tudo bem, Clarke. Nós duas sabemos como você se exalta em discussões.
— Não só por isso — Ela faz uma pausa, enquanto outras lágrimas caem e Clarke as enxuga rapidamente — Me desculpa por não ter te contado.
Clarke está de pé ao lado da cama, olhando pra Lexa, em suas calças de pijama.
– É pesado e intenso — Clarke para, respirando profundamente — Eu só nunca me senti pronta para falar sobre. E eu não quero fazer isso agora — Clarke suspira profundamente, enquanto senta na beira da cama, com a blusa na mão — Eu não consigo.
— Ok.
— Não fica brava.
— Eu não estou.
— Você tem certeza?
– Sim, Clarke — Lexa se aproxima e senta ao lado dela.
— Obrigada.
— Pelo quê?
— Por entender.
— Na verdade, eu não entendi. Mas, de nada, Clarke — Lexa brinca, sorrindo.
Clarke ri contra as lágrimas e coloca a blusa azul de flanela.
— Eu não acredito que colocou um pijama. São quase 3 da tarde, Clarke.
— Você não me julga por ter dormido com o meu quase irmão, mas sim por colocar um pijama de tarde?
— Há! Eu sabia que ele era seu quase irmão! — Lexa diz, presunçosa, enquanto Clarke revira os olhos.
Clarke deita na cama, e Lexa a segue.
— Lex?
— Hum? — Ela pergunta, com os olhos fechados.
— Eu amo você.
— Eu sei — Lexa responde, ainda com os olhos fechados e o sorriso de Clarke se torna mais amplo.
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Ao abrir os olhos, Clarke não se lembra de quando adormeceu. Ela se vira e vê o espaço que Lexa ocupa na cama, vazio.
Ela se senta, colocando algumas mechas loiras para trás da orelha. Clarke alcança seu celular no criado-mudo do seu lado e vê as horas. 11:30.
Esse é o terceiro dia de Clarke em Arkadia, desde que voltou. Abby passou todo o tempo livre que tinha com Clarke, o que não era muito, desde que ela se tornou chefe de cirurgia. Clarke não conversou com Lexa sobre Bellamy, e ela não a questionou mais sobre isso. Talvez ela só não queira saber.
Ela vai até a cozinha e acha Lexa em frente a pia cortando morangos. Clarke morde o lábio inferior e a observa. Cabelos presos em um coque bagunçado, cabeça levemente inclinada, pés descalços, pernas nuas e torneadas e uma camiseta larga que não cobre muito. Para alegria e tortura de Clarke.
— Ei — Clarke se inclina no batente da porta.
— Oi. Nem te vi acordando.
— Eu dormi demais, você podia ter me chamado — Ela se aproxima, envolvendo os braços em Lexa e aninhando o rosto no pescoço dela.
— Tudo bem. Você estava bem cansada de ontem à noite.
— Se você vai começar a falar de ontem à noite, você vai ter que deixar seus morangos de lado — Clarke diz, enquanto deposita um beijo solitário no pescoço de Lexa.
— Sua mãe ligou e nos convidou pra jantar hoje à noite. Ela disse que todo mundo vai estar lá.
— Ótimo! Vamos falar sobre a minha mãe — Clarke brinca, com a voz abafada pela pele quente e suave de Lexa.
— Clarke!
— Ok, Lexa — Ela suspira — O que você disse?
— Que sim, claro — Os braços de Lexa rodeiam a cintura de Clarke logo após virar para encará-la.
— Certo — Clarke diz, tirando seus braços de Lexa, que ainda mantém um aperto firme em volta dela — Que horas temos que estar lá?
— Ela disse que às 19:30...Ah, e pra levarmos vinho.
— Ela disse se vai cozinhar? — Clarke pega um morango e coloca na boca, fazendo uma careta ao mordê-lo.
— Não — Lexa ri, enquanto move uma de suas mãos da cintura de Clarke até seus lábios, limpando os vestígios de morango que ficaram lá, e trazendo-os até a própria — Mas ela disse que o Bellamy vai fazer torta de amora com...
— Baunilha.
— Isso. Ela comentou como se fosse algo importante. Você gosta?
— Você está brincando? É a melhor sobremesa da vida.
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9 anos atrás
— O quê vocês estão fazendo? — Clarke pergunta ao chegar na cozinha, olhando para seu pai e Bellamy.
— Cozinhando — Bellamy responde, sem olhar pra ela.
— Eu sei disso, idiota. Quero saber o quê estão cozinhando — Ela se debruça no balcão.
— É uma torta — Jake esclarece.
— Que sabor?
— Você vai saber quando comer — Bellamy diz.
— Pai! Você está vendo como ele está me tratando? Você vai deixar o namorado da sua filha falar assim com ela? — Clarke se endireita e finge indignação.
— Qual é, Clarke! Todo mundo sabe que você adora — Raven entra na cozinha com um sorriso no rosto.
— Não posso argumentar contra isso, filha — Jake diz, divertidamente.
— Vocês não podem concordar comigo nem no meu aniversário? — Clake diz, mas não consegue esconder o sorriso que surge em seu rosto.
— Isso seria mentir, Clarke — Dessa vez é Octavia quem fala.
— E nós combinamos de não fazer mais isso nessa família depois que você e Bellamy namoraram escondidos durante quase 1 ano — Abby levanta as sobrancelhas.
— Nós não estávamos namorando — Clarke protesta.
— Ok. Vocês só estavam transando escondidos então.
— Raven! — Clarke exclama, corando.
— Agora que vocês já a envergonharam bastante, podem parar de tumultuar a cozinha pra que eu possa terminar a melhor torta que já comeram na vida de vocês?
— Você se acha muito, Blake — Raven reclama, enquanto todos se dirigem de volta a sala.
— Diga isso depois de comer minha torta — Ele responde.
Após Clarke assistir Bellamy concordar quando seu pai lhe pergunta se ele está bem sozinho e caminhar até a sala como todos, ela se vira e faz o mesmo, e é quando ela sente a mão grande e quente de Bellamy em seu braço, puxando-a para ele.
Ela envolve seus dedos pequenos nos cabelos rebeldes e bagunçados dele, enquanto Bellamy move as mãos para sua cintura.
— Suas mãos estão tão quentes, posso sentir pelo tecido do meu vestido.
— Minhas mãos estão sempre quentes — Ele beija sua bochecha — As suas estão frias.
— Minhas mãos estão sempre frias.
— Eu sei. Eu sempre tenho que esquentá-las antes de segurar.
— Você não vai queimar a torta, ou sei lá?
— Não. Já está pronta.
— Então porque você pediu pra todos sairem?
E então ele junta seus lábios. E Clarke move as pontas dos dedos pelo seu couro cabeludo. Bellamy intensifica o aperto em sua cintura quando ela suga seu lábio inferior. Sua língua pede passagem e ela imediatamente concede. E Clarke sente uma de suas mãos deixar sua cintura e enredar-se entre seus cabelos, perto da nuca.
E ele quebra o beijo, em busca de ar.
— Pra que eu pudesse fazer isso sem te matar depois que todo sangue do seu corpo tivesse corrido pras suas bochechas.
Ela ri e então pressiona rapidamente os lábios nos seus, tirando as mãos dos seus cabelos.
— Ou te causar um ataque cardíaco.
— Bom, não seria novidade. Você quase fez isso um dia — Clarke diz, com um sorriso malicioso.
— E foi? — Bellamy questiona, levantando as sobrancelhas.
— O quê?
— Bom?
— Eu acho que você pode fazer melhor — Ela provoca.
— Você acha que eu poderia fazer de novo, então? — Ele lhe oferece um sorriso.
— Eu posso deixar você fazer quantas vezes quiser — Ela sorri mais aberto — Mas agora, eu realmente quero comer essa torta.
— Ah, Clarke! Não é só uma torta — Bellamy faz uma pausa, afastando-se dela — É a melhor sobremesa da vida.
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