More Than I Bargained For
1 More than I bargained for
Notas iniciais
Ele deu uma volta pelo lado escuro do bar, passando a mão por seu cabelo castanho, cuidadosamente desgrenhado. Já passava da meia noite e, para ele, a noite não parecia muito prometedora.
Com um suspiro, sentou-se em um banco logo à frente do balcão e pediu uma cerveja. Foi nesse momento, quando ele olhou para o lado, que seu desânimo pareceu desaparecer instantaneamente.
Afinal, ele havia avistado o propósito das horas seguintes.
A garota de cabelos ruivos, aparentemente tingidos, havia capturado seu olhar de tal maneira que fez com que ele simplesmente congelasse, fitando-a durante um longo momento. Ela aparentava ser um pouco mais nova que ele, provavelmente uns dois anos. Era pequena, por volta de 1,58 de altura...mas isso a tornava adorável. O que mais lhe chamou a atenção foi o copo meio vazio de refrigerante em sua mão direita.
“Veio à um bar pra beber soda?” ele perguntou, não conseguindo conter sua curiosidade. Ela olhou para ele, um pouco surpresa, como se tivesse sido trazida de volta de seus pensamentos. – seus olhos verdes fitaram os dele, de um castanho claro.
“Não bebo álcool.” Ela declarou, com uma naturalidade que demonstrava que já tinha ouvido perguntas do tipo antes. “Meu amigo tá comemorando aniversário aqui, não podia não vir....mas agora ele e os outros estão barulhentos demais pro meu gosto.” Ela apontou para uma mesa no fundo, onde havia um grupo de jovens rindo escandalosamente. Um olhar de reprovação apareceu em seu rosto por um momento, então ela respirou fundo e voltou a olhar para ele. “Você é familiar.”
“Alex Gaskarth.” Ele estendeu a mão e ela a apertou, realização transparecendo em seu rosto. “Do..-”
“All Time Low...claro.” ela exclamou. “Hayley Williams.”
“Do Paramore, óbviamente.” Ela fez que sim com a cabeça e ele lhe lançou um sorriso torto, antes de beber um gole de sua cerveja.
“E quanto a você?” ela perguntou. Ele ergueu uma sobrançelha, confuso. “O que o trouxe aqui?”
“Bom, eu precisava me afastar dos caras por um tempo.” Respondeu, referindo-se a seus companheiros de banda. “Então pensei que o álcool seria uma boa companhia, pra variar.” Ele ergueu o copo, fazendo uma cara de conformado. Ela soltou um risinho. Com certeza a garota mais adorável que já vi. – Pensou ele.
“Então eu não sou boa companhia?” ela brincou. Ele a encarou por um momento.
“Claro que é.” Disse. “Aliás, foi bom te encontrar aqui. Eu andava me sentindo sozinho, se é que me entende.”
“O que está sugerindo?” ela perguntou, começando a se dar conta de suas intenções. Ele passou a mão pelos cabelos, sentindo-se um pouco nervoso.
“Pretende ficar aqui a noite toda?” Ele lhe lançou um olhar esperançoso. Ela o fitou, analisando-o. — Ele era definitivamente bem interessante. — Afastou a franja dos olhos e mordeu o lábio inferior.
“Depende do que você tiver em mente."
...
Ela abriu os olhos, encontrando-se em um quarto que não era o dela. Sentiu que alguém colocava os braços em volta de sua cintura, por baixo dos lençóis.
“Bom dia.” Escutou sua voz profunda, em um sussurro próximo a sua orelha. Virou-se e sorriu para o rapaz que a abraçava.
“Bom dia.” Ele lhe deu um selinho e se levantou, animado.
“O que quer no café da manhã?” ela ficou pensativa por um segundo e sorriu novamente.
“Surpreenda-me.” Com isso, ele se dirigiu à cozinha do apartamento. Ela se espreguiçou, antes de se levantar e caminhar, ainda um pouco sonolenta, até o banheiro. Tomou um banho rápido. Decidiu vestir uma camiseta branca que encontrou no armário. – Ele não se incomodaria. Olhou-se no espelho, vendo como a peça ficava grande nela. Ele provavelmente acharia engraçado.
...
Ele havia acabado de ensaiar com a banda. Quase todos tinham ido embora, apenas ele e Jack permaneciam no estúdio. Estavam terminando de guardar os instrumentos.
Foi quando sentiu seu celular vibrar, seguido de uma melodia, agora tão familiar.
“Alô?” ele atendeu, sorrindo quase instantâneamente. Era ela. Seu tom de voz, no entanto, era uma mistura de nervosismo e aflição. Isso o preocupou. E, à medida em que ela falava, entendeu o motivo de tanto desespero.
“Cara, tá tudo bem?” ouviu a voz de Jack, distante. Estava se sentindo atordoado. “Você tá pálido...”
Ela só pode estar brincando. – Pensou.
...
Ela se encontrava na sala de estar de seu apartamento em Franklin, Tenessee. Estava afogada em lembranças, as quais lhe pareciam quase palpáveis. Fechou os olhos e suspirou, jurava que ainda podia sentir o aroma de seu perfume. Era como se aquele par de olhos castanhos ainda a observassem, mesmo que agora estivessem tão distantes.
Ouviu alguém bater na porta. Levantou-se do sofá a foi abrí-la, deparando-se com Josh. Ele lhe lançou um olhar simpático, que ela retribuiu com um sorriso antes de deixá-lo entrar.
“Tá tudo bem?” ele perguntou. Ela suspirou e deu de ombros.
“Precisa parar de se preocupar tanto, já faz quase dois anos. Eu tô bem.” Ela disse, sem saber a quem realmente estava tentando convencer: ao amigo, ou a si mesma. Ele a encarou.
“Não tente me enganar.” Ela olhou para baixo.
“Estou um trapo.” Ela disse. “É isso que você queria ouvir?” Ele notou que lágrimas se formavam naqueles olhos verdes, antes cheios de vida. Aproximou-se e a abraçou, sentindo que ela soluçava contra seu peito. Não conseguia acreditar em como tudo havia ido por água abaixo, desde o dia em que ela contou o que estava acontecendo. Aquilo já era difícil, considerando o risco que a banda corria e o assédio da mídia. E ainda por cima aquele covarde fugiu da responsabilidade. – pensou ele, com raiva.
“Se um dia encontrar aquele filho da puta...-” murmurou. Ela o soltou.
“Não fala assim.” Ela sacudiu a cabeça. “A decisão foi dele de ir embora. Você não tem como mudar isso.” Ele franziu a testa e respirou fundo, tentando se acalmar.
“E como vai a Lilly?” perguntou, tentando desviar o assunto. Isso fez com que o brilho voltasse por um momento aos olhos da mais nova.
“Ela tá dormindo agora.” Respondeu. “Vem ver.” Com isso, dirigiu-se ao quarto, seguida pelo moreno. Chegando lá, pararam a frente de um berço, que estava posicionado em um dos lados da cama. Lá se encontrava a pequena menina, com uma aparência delicada, de rosto angelical e cabelos loiros, curtos –assim como eram os da mãe na mesma idade – que dormia profundamente.
“Ela é sua cara” ele constatou, sorrindo.
“Com exceção dos olhos.” Ela disse, nostalgia transparecendo em seu tom de voz. “São castanhos...como os do pai.”
Fale com o autor