Notas iniciais
Yo, Minna!!!!
Feliz Natal pra todos!!!!

“E aí, garanhão? Como foi hoje a noite?” Yamatto recebeu o irmão com um tom jocoso. Takeru, que estava profundamente magoado com o que acabara de acontecer, não respondeu nada ao irmão ao fechar a porta do apartamento do pai atrás de si.

Na última semana que antecipara a mudança, a mãe de Takeru havia pedido para que o filho passasse algum tempo na casa do pai tanto pela retirada de móveis da casa para a mudança quanto para que ele pudesse passar um tempo com o pai e o irmão que não veria ao vivo por um bom tempo. Bem, isso funcionou em relação ao dois irmãos, mas o pai deles eram tão ocupados que, mesmo morando na mesma casa, Takeru ainda o via com a mesma frequência de quando estavam em casas separadas.

“Foi tão ruim assim?” Yamatto estava sentado em uma das cadeiras da mesa de jantar com a guitarra repousada no colo. Assim que notou o semblante sério do irmão, seu tom brincalhão desapareceu. Havia tentado fazer com que o irmão desistisse dessa história de se “declarar” num momento tão inoportuno, mas nada foi capaz de desfazer a cabeça do moleque. Agora ele via que, infelizmente, sua previsões estavam corretas.

“Você não tem ideia.” Disse Takeru, por fim se tacando no sofá da sala. Por um impulso masoquista, ainda segurava o apito em uma das mãos. O irmão mais velho colocou sua guitarra de lado e foi até a geladeira buscar um lata de refrigerante.

“Mulher é um bicho complicado mesmo...” Respondeu o mais velho jogando a lata de refrigerante em cima do mais novo, que respondeu um obrigado baixinho e desanimado, e ajeitando-se para que também coubesse no sofá. “Quer falar sobre isso agora?”

“Não...”

“Então quer falar sobre o quê?”

Na verdade, tudo que Takeru queria naquele momento era poder ficar em silêncio se remoendo com a culpa da besteira que havia feito. Só que Yamatto não se dava por vencido, queria chegar até o fim daquela história e sabia que se contornasse o irmão aos pouquinho poderia conseguir.

“Está animado para a sua viagem amanhã?” Tentou o mais velho novamente.

“Eu pareço animado?” Respondeu Takeru com uma antipatia bem atípica.

“Bem, se eu fosse você eu estaria. Já imaginou? Assim que você chegar em Nova Iorque uma vida completamente nova vai se abrir diante de seus olhos. Eu adoraria poder recomeçar tudo do zero assim.” Yamatto não estava brincando quando proferiu essa última frase. Takeru não era a única pessoa daquele sofá que andara cometendo erros por causa de uma paixão. Ele tinha plena consciência dos sentimentos do melhor amigo quando começou a namorar Sora, só que, como pensava que gostava muito dela, resolveu seguir em frente como se isso não fosse afetar a relação entre os dois.

O resultado foi que, gradualmente, Taichi foi se afastando dele e de Sora> No começo do namoro quando tudo eram flores e felicidade, Yamatto tem que admitir que por mais mesquinho que pareça, não sentia muita falta daquele que era quase seu irmão. Mas agora, o relacionamento com Sora ia cada vez pior e ele sentia que necessitava conversar sobre isso com alguém. Mas infelizmente, a única pessoa com quem ele se sentiria confortável dividindo isso é exatamente a mesma pessoa que não quer ouvir uma palavra sobre o assunto.

“Só que eu não quero um novo começo!” Exaltou-se Takeru, tirando o irmão mais velho de seus devaneios. “O que eu quero é exatamente o oposto disso!!! Eu quero ficar aqui em Tóquio e que as coisas voltem ser como se a noite de hoje nunca tivesse acontecido!!!”

Takeru fez uma longa pausa ao perceber ao quente escorrendo pelo rosto. Passou a mão pela região incomodada e viu que lágrimas escorriam de seus olhos “Eu quero ficar com a Hikari.” Disse por fim.

“Tem certeza que não quer conversar sobre hoje à noite?” Tentou o mais velho mais uma vez.

Takeru pensou em evitar aquela conversa mais uma vez, mas conforme as lágrimas caim de seus olhos ele sentia que as palavras queriam repetir essa mesma ação. Ele se endireitou no sofá e contou tudo que havia acontecido naquele dia. Desde o estranho desaparecimento da menina mais cedo na escola até o momento em que ele teve seu coração partido em migalhas. No final da história, o portador da esperança sentia mais pena de si mesmo do que já sentira na vida, enquanto o portador do brasão da amizade parecia ligeiramente mais irritado.

“Ela só chorou e foi embora porque ela te ama também. Seu mané!” Disse Yamatto deferindo um golpe nas costas do irmão mais novo “Será que eu tenho que te ensinar tudo?”

“Toma, liga pra ela.” Disse o mais velho estendendo o telefone para o irmão mais novo que olhou relutantemente para o telefone.

“Acho melhor não.” O olhar de Takeru ainda estava muito desolado, mas melhorar um pouco ao ouvir os lábios do irmão proferindo ‘ela te ama também’.

“Por que não? Não era você o cara da esperança.”

Por dentro, Yamatto se perguntou porque havia deixado o seu sentimento de amizade de lado. Então, ele sabia exatamente o que fazer.

“Porque eu não quero fazer com que a Hikari-Chan sofra ainda mais.”

“Talvez exista um jeito para resolver essa situação.” Respondeu Yamtto a final recebendo um olhar curioso do irmão.

No dia seguinte...

“Hikari, sai dessa cama!”

“Hikari, sai dessa cama AGORA!” Repetiu Taichi mais uma vez, só que agora ainda mais irritado. Estava implorando para que a irmã saísse da cama há pelo menos uma hora, mas essa não respondia a nenhuma de suas insistências.

A menina já estava muito bem acordada, mas não sentia que tinha disposição para sair da cama. Na verdade, ela não sentia disposição para fazer absolutamente nada. Sentia um sentimento de tristeza que não era igual a nada do que tinha encarado antes na sua vida, parecia que dentro de si havia um buraco.

Esforçando-se, ela virou para ver o relógio. Ela já imaginava qual seria o motivo para que o irmão o chamasse tão intensamente, mas aquela era a última coisa que queria pensar naquele momento.

14:00

O vôo de Takeru partiria em exatamente uma hora e meia. A menina havia combinado, junto com os outros digi-escolhidos, de darem o último adeus para ele no aeroporto. Mas, depois dos eventos de noite passada, ela não conseguia se imaginar encarando Takeru.

Ele deveria odia-la uma hora dessas e com razão! Por mais inconveniente que sua declaração tenha sido, a menina deveria ter ficado com ele e discutido aquilo de uma forma madura ao invés de sair correndo como uma menininha assustada. A morena havia partido sem, ao menos, deixar com que ele soubesse que os sentimentos eram recíprocos. Agora, ela tinha certeza absoluta que nada nunca viria a acontecer entre os dois!

“Não quero ir, Oni-chan...” Reclamou a menina em tom manhoso se ajeitando na cama novamente.

“Que besteira! É claro que você quer ir!” Insistiu o irmão. Ele já sabia de tudo que havia ocorrido entre a irmã na noite passada, pois havia interrogada a mesma quando chegou chorando em casa. Entendia o ponto de vista da irmã, mas sabia que não podia deixar com que ela desistisse daquele amor sem lutar por ele.

“Eu não vou conseguir... Ele deve estar me odiando agora.”

“Te odiando? O Takeru? Você sabe muito bem que isso é impossível, Hikari.” Taichi deixou seus ombros caírem... Talvez ele devesse tentar uma abordagem uma pouco mais sensível para aquela situação. “Eu quero dizer, você o ama também, certo?”

A menina respondeu com um leve aceno de cabeça.

“Você não acha que como ele teve coragem de se declarar, apesar de tudo, o mínimo que ele merece é saber que é correspondido?”

“Mas agora nós nunca vamos poder ficar juntos... Ele está indo pro outro lado do mundo e eu não sei se vou vê-lo de novo algum dia. Não daria certo, nos dois acabaríamos com o coração partido” A menina sentiu lágrimas começando a escorrer de seus olhos.

“Você não consegue enxergar as coisas pelo ponto de vista dele? Eu sei que independente do que acontecer, vocês vão acabar machucados, mas você não acha que o Takeru tem o direito de saber que você retribui os sentimentos dele? Porque acredite, não sei como é amar alguém a longa distância, mas nada pode ser pior do que descobrir que a pessoa que você ama não sente do mesmo jeito...”

Logo depois de ouvir isso, Hikari se sentiu estática. Seu irmão tinha razão. O futuro, infelizmente, havia guardado um destino muito injusto para os dois. Só que, apesar de tudo, ela se lembrava da forte pontada de felicidade que havia sentido quando ouviu Takeru dizendo que a amava. Ele merecia sentir a mesma coisa! Ela sentia-se uma pessoa horrível por ter agido de uma forma tão mesquinha, mas chegará a hora de consertar as coisas!!!

“Você está certo.” Respondeu a menina se levantando um pouco e enxugando as lágrimas de seus olhos. “Eu tenho que contar pra ele como eu me sinto!” Afirmou ela um pouco mais confiante.

“Era exatamente isso que eu queria ouvir! Você tem exatamente 3 segundos para trocar de roupa enquanto eu desço para já ir pegando o carro!”

“Taichi-Nii-Chan!” Chamou a menina antes que o irmão pudesse sair.

“O que foi?” Perguntou ele se virando para ela.

“Obrigado...” Agradeceu ela. Por um segundo, Taichi se sentiu aliviado ao ver um mínimo de brilho retornar aos olhos carinhosos da irmã...

Notas finais
O próximo capítulo já é o final!!!!
O que será que o destino reserva para esse dois?
Reviews?
Bjuos,
N*t*sh*