More Than Friends
19 Capítulo 19 - Fique Harry 1! Suma Harry 2!
Notas iniciais
Capítulo 19 – Fique Harry 1! Suma Harry 2!
– Para onde está me levando Harry?! – perguntei, limpando as lágrimas, ou pelo menos tentando. – Ah, e acho melhor você soltar minha mão, se não quiser ficar sujo de sangue falso e melequento. – peguei minha garrafinha e despejei um pouco no vestido. Pronto, estava mais linda ainda! Afs, melancolia era o que não estava faltando.
– O que? – ele parou um momento, e percebi que ele usava um daqueles protetores auriculares. Acho que ele estava falando com alguém. – Não... Voltar? Senão o que?! Tá! Já estou indo! – ele me olhou.
– Vai lá, volta para o palco. – falei, esfregando os olhos no vestido e vendo que a maquiagem preta estava ficando nele. – Oh.
– Tudo bem, mas você vem comigo. – ele voltou pelos fundos do palco e subiu inesperadamente, justo quando eles começavam outra música que, por coincidência, era Up All Night.
E, que coisa, eu também gostava dessa música. Duh, eu era praticamente fã deles, mas tentava ignorar o fato. Fiquei ali, ao lado de um cara grande que observava os garotos atentamente. Taylor de repente apareceu com Kim, ambas ofegantes.
– Ai meu Deus, é o Paul! – Tay exclamou para o homem grande.
– Ei, o que vocês estão fazendo aqui? – ele perguntou.
– Estamos com ela, que está com o Harry. Somos praticamente da família. – Taylor me abraçou.
– Você vai ficar... – eu já ia repetindo o que tinha dito a Harry.
– Suja e melequenta, eu sei. Mas baby, e daí? – suspirei.
– Estou começando a me sentir TÃO depressiva... – falei com a voz meio lenta e grogue.
– Ah, não, sério? Justo nessa música? – Taylor reclamou.
– Bem, vamos dançar Taylor. Acho que a Alice quer ficar sozinha. – Kim puxou Tay pelo braço e as duas saíram dali.
– Oi Paul. – acenei para ele e ele retribuiu o aceno com um sorriso compadecido.
Sentei-me em uma caixa de som inutilizada ali perto e fiquei balançando os meus pés. É, só eu mesma para conseguir balançar os pés no ar sentada em uma simples caixa de som. Eu era muito anã. E gorda. E com sobrancelhas de taturana. E com sardas. E muitos outros defeitos. Por isso não é admirável que o meu ex seja gay, pois só um homossexual para gostar de mim. Nossa, acabei de me tirar feio e isso me deixou mais para baixo ainda. Peguei o celular e disquei para Taylor, pois estava com preguiça de ir procurá-la.
– O que foi baby? – ela berrou no meio das vozes super altas e da gritaria.
– Pode me trazer sua bolsinha? Quero o demaquilante.
– Tudo bem!
– Estou sentada em uma caixa de som, vai ser fácil de ver. – desliguei e em um minuto ela apareceu e me entregou a bolsinha. Consegui fingir um sorriso e um “tudo bem” e ela se convenceu. Ou tentou se convencer. E voltou para a pista.
Abri a bolsinha de tiracolo dela e peguei um espelhinho e o demaquilante. Quase quebrei o espelho com a minha aparência horrível e limpei toda aquela maquiagem borrada do rosto, deixando-o limpo, com minhas sardas à mostra. Também tinha uma base ali, só que a pele de Taylor era mais bronzeada que a minha, então não daria certo. Fechei a bolsinha, liguei de novo para ela e Taylor veio pega-la. Mas atuação e quando ela saia Harry chegou, afobado.
– Me desculpa! – ele parou para recuperar o fôlego.
– Ora, que isso! – abanei com a mão como se não fosse nada.
– Você está triste. Por quê? – ele pôs a mão no meu queixo, levantando-o, com um olhar preocupado.
– Eu sou gorda. Gordos são sempre felizes porque sempre comem. Eu estou feliz. – resmunguei com uma carranca.
– Você não é gorda e não está feliz. Me acompanhe. – ele me puxou para fora do ginásio e quase morri ao sentir o choque térmico. Lá fora realmente estava fazendo frio!
– Nossa, eu vou morrer de frio! – me abracei.
– Oh, é mesmo. – ele tirou o casaco do Pequeno Príncipe e o colocou em meus ombros. – Um príncipe sempre é cavalheiro. – ele sorriu abertamente.
– Convencido. E porque um príncipe está ajudando um espírito do mal, vingativo e assassino? – perguntei, entrando na dele.
– Porque um príncipe sempre ajuda a todos que precisam de ajuda. – paramos em frente a um grupo de mesas e nos sentamos nelas. – Porque você está assim?
– É o mesmo e velho problema de sempre. Eu sou gorda. – falei, olhando para os meus pés, com aquele humor tão alto que poderia matar alguém.
– Okay, acho que não importa o quanto eu diga que você não é gorda, seu pensamento não vai mudar, né? – ele falou, franzindo as sobrancelhas.
– É! – repeti no mesmo tom. Errrrrrr... Ignore.
– Tudo bem.
– Tudo bem – imitei-o.
– Como vai a vida? – ele disse, depois de cinco segundos, em um tom animado.
– Meio complicada, sabe? Muitas pessoas se assustando com a minha fantasia, outras me chamando de “droga”, outras me chamando de “gorda”. – também disse no mesmo tom que ele. É, eu sei, éramos bipolares até mandar parar. Mas era o nosso jeito de superar um assunto ruim.
– As pessoas são idiotas. – ele sorriu.
– Eu sei! – também sorri. Começamos a rir da nossa idiotice.
– Ah, achei que tinha odiado esse filme. – ele apontou para minha fantasia.
– Odiei. Mas foi a primeira coisa que me veio à cabeça quando pensei no Halloween. E onde arrumou a fantasia? Original. Ninguém nunca pensa em se vestir de O Pequeno Príncipe em um Halloween.
– Ah, eu li o livro quando criança e me veio a lembrança nessa semana. Apesar de todas as besteiras que o Louis e o Zayn disseram, e até que fiquei legal. – ele ficou olhando para o céu.
– Ah, típico dos dois. Mas ficou legal mesmo. Você deveria se inscrever para ganhar o concurso de fantasia. – cutuquei-o.
– E tirar o prestígio do Liam? Niall já foi lá inscreve-lo, logo que chegamos. Ele simplesmente detonou com aquela fantasia. Está super realística. Você está participando?
– Claro! E vou ganhar! – apertei o botãozinho do gravador e o grunhido da Kayako se fez presente.
– Hum, isso é horrível mesmo. – ele fez uma careta.
– Ahhhh, você adorou, mas não quer admitir... – tirei o gravador de dentro vestido, pondo-o na cara dele.
– Não! Não dá para gostar disso! – ele tentou tirar o gravador de mim, mas eu o empurrei e ele quase caiu da mesa.
– Haha! Ninguém toma meu gravador! – apertei replay e o grunhido ficou quase eterno.
– Argh! Qual o seu problema? – ele veio para cima de mim, tentando pelo menos desligar o gravador.
– Eu amo te encher o saco! Harry! – ele quase desligou, mas consegui impedir a tempo. E então ele deu uma torção no meu braço, me fazendo cair da mesa.
– Você está bem? – ele desceu e se ajoelhou ao meu lado, na grama.
– Morra Styles! – me joguei contra ele e ficamos rolando na grama, um tentando imobilizar o outro.
A grama estava meio molhada por causa do orvalho e aquilo estava me deixando com mais frio, mesmo com o casaco dele. E, se aquilo chegava no chão com ele, para mim arrastava. E ele aproveitou os milhares de metros de comprimento e me enrolou no casaco. Tentei me soltar sem conseguir.
– AHHHHHHHH! Socorro! Tem um tarado tentando... – ele pos a mão na minha boca.
– Meu Deus, precisa fazer escândalo? Daqui a pouco vou ser preso por tentativa de estupro! – ele sussurrou.
– Então me solta!
– Não. – ele riu e me levantou. – Hey, a grama molhou um pouco a nossa roupa. Sem contar os pedacinhos dela pregados em nós. – ele se ditraiu um segundo para tirar uns matinhos que estavam na manga de sua camisa e aproveitei para me soltar do casaco.
– Hahahahaha! – sai correndo feito uma desesperada, a esmo.
– Volta aqui! – ele me seguiu.
– Me obrigue! – cantarolei.
Okay, para onde eu iria? Pensa rápido Alice, pensa rápido! Poderia ir para o prédio do dormitório das meninas, lá os garotos são proibidos de entrar á noite. Era só eu fingir que vivia ali e pronto. Ou então poderia voltar para o ginásio, me enfiar no meio das pessoas e sumir completamente da vista dele. Mas, primeiro, por que eu estava correndo dele mesmo? Errrr... Essas perguntas difíceis me matam! Pensei em ir para o prédio onde ficava o laboratório de biologia, lá tinha um garoto gênio e excêntrico que passava horas ali, inventando genialidades, por isso o prédio raramente era trancado. Mas tinha também a opção de me...
Uns braços surgiram não sei da onde e enlaçaram minha cintura, me levantando. Saco, era uma enorme desvantagem ter pernas pequenas. Você nunca corria rápido o suficiente.
– Me solta Harry! – gritei.
– Porque diabos saiu correndo feito uma louca? – fiquei chutando o ar e me debatendo. Claro que caímos no chão de novo.
– Ah! Meu bumbum. – gemi, ao sentir a região dolorida por causa do impacto.
– Ora, se... – o celular dele começou a tocar. – Grrrrr... quem é agora? O que foi Louis? – um silêncio, berros e música alta. – Não, ainda não. – ele escutou. – Claro... Você quer o que? Eu nunca fiz isso! Okay, já, mas nunca dessa forma. Com você quer que eu aja? Hã... ? Não! Ela não vai aceitar! Ela não vai... É. Acho que vou deixar para mais tarde... – escutei um “não” fenomenal do outro lado e Harry até afastou o telefone da orelha. – Tá Louis, não vou deixar para amanhã. Sim, senão “o amanhã se torna depois de amanhã e assim vai”. Claro que não! Não vou deixar isso acontecer! Claro que vou lutar! Não posso assistir isso! Sim! – Louis estava encorajando ele mesmo. – Vou fazer isso agora! Espera... – ele ficou em silêncio e me olhou.
– O que foi? – perguntei, confusa.
– Não vai dar! – ele gemeu. Mais gritos do outro lado. – O que? Zayn... Não. Não. Niall? Até você? Aham. Entendi. Não é difícil... Porque não é com você!
Fiquei concentrada em tirar os pedaços de folha que estavam grudados em mim e vi que meu vestido estava em um estado lastimável. Sujo de sangue, meio molhado e com pedaços de folhas. E, que coisa, voltei a sentir frio. Tomei o casaco de Harry e me aconcheguei com ele, voltando a prestar atenção na conversa estranha dele.
– Não sei se consigo... – ele choramingou. – Sim. Sim. É, ela está ouvindo tudo sim Louis. O que? Chance? Que chance homem? Não! O que? Harry o que? – ele exclamou indignado. – Repete Taylor. – ele estava falando com a Taylor? Hã? Boiei legal aqui. – Harry 2? – ele pareceu mais indignado ainda. Resisti ao impulso de dar um tapa na testa. A idiota da Tay estava contando a ele sobre o Harry 2. Droga. Ele ofegou, zangado. – Não! Quem ele pensa que é? Nunca! Você acha que é vou deixar... Perder ela? HAHAHAHAH! – ele riu irônico. Até assustei. – Não. Ela é minha. – o “isso que eu quero ouvir” berrado do outro lado da linha foi bem audível. Seguiram-se urros de felicidade também. – É. Agora. Sim. Prometo. Confiantíssimo. Repetir? Ah, dá mais confiança. Okay, “ela é minha”. Ela é minha! – ele berrou assim como as outras pessoas do outro lado da linha.
– Harry... Você está bem? Eles devem estar bêbados... – balancei a cabeça, em um sinal de “tsc, tsc, não tomam jeito”. Mas eu também estava meio alta, então esquece.
– Claro Zayn. Sim Niall. Tá Louis. Obrigado Taylor. É, no gramado aqui fora. O que? – ele olhou para os lados. – Ah, tudo bem. Tá, vou fazer isso agora. Daqui a pouco voltamos. Obrigado. – ele desligou e se virou para mim, que continuava sentada na grama, brincando com um botão do casaco que era em forma de estrela.
– Não entendi nada, mas parece que você tem fazer algo. Quem é “ela” ? – perguntei, confusa.
– Alice! – escutei alguém me chamar. Espera, pela voz parecia ser o... Harry 2. Oh droga!
Virei-me, vendo-o vir em nossa direção com uma garrafa de vodka. O que... ?
– Esse é o Harry 2? – Harry 1 perguntou, azedo.
– Infelizmente. – me levantei e Harry 2 sorriu ao me ver, sem nem perceber a presença do Harry 1.
– Mil desculpas por tudo! Desculpa! Será que podemos tentar de novo? Vamos recomeçar? – ele abriu os braços, esperando que eu o abraçasse.
– Nem me pagando. – respondi, zangada. Fiz a minha melhor cara de desprezo e fiquei encarando-o. Ele murchou e deixou os braços despencarem.
– Eu sei que eu errei Alice, mas queria que você me perdoasse e eu prometo ser um cara mais gentil e... E... – ele fez uma cara de nojo e se inclinou para vomitar. Harry 1 parou ao meu lado para observar a cena deprimente.
– Que droga é essa? Isso é o Harry 2? Você tem um mau gosto Alice. – Harry 1 comentou, com a voz carregada de desprezo.
– Ele é melhor quando está sóbrio. E quando está só eu e ele. Ele sofre de “nervosismo leigo”. – confidenciei.
– Do que? – ele perguntou, sem entender.
– Depois te explico.
– Esse é o Harold, o esquizofrênico? – Harry Duas perguntou, limpando a boca com um lenço que ele tirara do colete.
– O esquizofrênico. – Harry 1 apenas disse, com uma carranca.
– É, esse é o Harold. Saiba que estou comprometida com ele e não posso te aceitar por causa disso. – falei, internamente desejando que fosse verdade.
– O que? Aliceeeeeee... Por favor... – ele gemeu, se ajoelhando e abraçando minhas pernas.
– Ah, não, não faça isso! – empurrei-o para o lado, com nojo.
– Sai de perto dela. – Harry 1 ameaçou.
– Dê ouvidos ao Harold, um esquizofrênico pode ser muito perigoso! – avisei-o.
– Mas você promete passar pelo menos a noite comigo? – ele implorou, com uma cara de dar pena.
– Não. – Harry 1 respondeu.
– Espera Harold. Vem, você precisa de ir para casa, talvez lá você recupere sua dignidade. – peguei Harry 2 pelo braço, incitando-o a levantar, o que ele fez com dificuldade.
– Isso é sério? – Harry 1 perguntou, apontando para Harry 2, meio apagado e com a cabeça bamba.
– É. Já disse. Infelizmente. Ajuda-me aqui. Só vou ajudá-lo a ir para um táxi pelo menos. – Harry 1 suspirou, fez careta feia, mas pos o outro braço de Harry 2 em seu ombro.
– Eu te amo Aliceeeee... – Harry 2 gemeu, zonzo e pude sentir seu delicioso hálito azedo de bebida alcoólica.
– Como é que tem pessoas que conseguem falar isso tão despreocupadamente? – Harry 1 resmungou.
– Eu sei, os sentimentos estão sendo banalizados mesmo ultimamente. – suspirei e nos pomos a caminho do ginásio.
Sério, não era assim que eu queria que minha noite acabasse, saco.
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