Mordidas de Morcego

3 Capítulo 3 - Antítese Paradoxal.


Notas iniciais
Pop coreano ROX
Espero que gostem (da fic, nao de pop coreano XD)


Na manhã seguinte Chen ainda não estava se sentindo bem, mas contrariamente estava animado para ir ao cursinho.


Sentia seu rosto quente e uma crescente excitação de quando se conhece algo novo. Fora realmente muito curioso conhecer aquela garota. Nunca havia olhado duas vezes para garotas daquele tipo, ele na verdade tinha tendência a só gostar das orientais, garotas como ele, que fossem descendentes da mesma raça, ouvissem a mesma música, e freqüentassem os mesmos lugares. Mas Emily era o total oposto disso. Pra começar ela tinha olhos bem grandes, quase como de anime, era bastante alta, praticamente da altura dele mesmo que tinha 1,80. Sabia que eles não freqüentavam os mesmos lugares, porque ela gostava de passeios noturnos no cemitério, a não ser talvez pelo o cursinho, que era a única coisa que os dois pareciam ter em comum. E tinha absoluta certeza que não tinham o mesmo gosto musical, afinal ele gostava de K-pop, ela devia gostar de rocks gritados e melancólicos.



Passou a manhã e a tarde ansioso para que a noite chegasse. Sentia-se febril e com dores no corpo, talvez estivesse pegando uma virose.


Diferente do que costumava fazer todo dia, ele decidiu se arrumar para ir ao cursinho. Olhou sua imagem no espelho e constatou que estava um pouco pálido. Lavou o rosto sentindo-se sufocado pela água, e ao voltar a se olhar no espelho notou dois pontos em seu pescoço que não estavam ali antes. Dois pontos vermelhos surgiram do nada em seu pescoço. Não coçavam, nem doíam. Onde será que os havia arrumado?



Foi para o cursinho um pouco mais cedo pela ansiedade. Sentou-se perto da entrada onde haviam umas plantas e esperou. Quando estava perto de começar a aula ele a viu passar apressada, com um conjunto pesado de saia e blusa pretas, e o mesmo coturno do dia anterior. Ela o viu ao passar, mas fingiu não ver. Chen deu um sorriso, achando graça no comportamento e a seguiu.



- Agora vai fingir que não me conhece?? – perguntou ele a segurando pelo braço, antes que ela passasse pela catraca.


- Não...desculpa ela disse séria. – Não estou acostumada a lidar com as pessoas.


- Eu só queria te agradecer por ontem...- Chen continuou. – Não é qualquer um que faria isso.



Emily deu um meio sorriso em resposta, esperando Chen continuar a falar.



- Então...acho que você tem algo a explicar, hãm? – Chen disse tentando chegar no assunto.


- Explicar o que? – perguntou Emily, ela não iria facilitar o jogo. – E a aula já vai começar. – disse ela se esquivando da pergunta.


- Não estou com vontade de ir a aula hoje. – ele disse para surpresa dos dois.


- E eu que achei que japoneses fossem estudiosos! – Emily riu irônica.


- Não sou japonês...Sou descendente de taiwanês! – Chen explicou sorrindo.


- E não é a mesma coisa? – desafiou ela.


- Bem, na verdade Taiwan é uma ilha da China, que já pertenceu ao Japão. – Chen explicou, e depois continuou. – Vamos...eu até deixo você escolher que lugar nós vamos.


- Hum. – Emily disse pensativa, gostando da idéia. – Você vai se arrepender de ter sugerido isso. – ela disse, tomando a frente no caminho para fora do cursinho. Chen a seguiu apressado.



Não foi com muita surpresa que Chen notou que os dois estavam indo para o cemitério.



Os portões a essa hora já estavam fechados, mas foi com grande agilidade que Emily pulou o muro do lugar. Chen a imitou, passando a caminhar com ela por entre os túmulos.


- Você não é muito original...- Chen disse rindo-se. – Tinha certeza que nos traria pra cá.


- Legal. Então não somos tão diferentes quanto eu pensava. – Emily disse impassível.



Andaram mais um pouco, até Emily parar em um túmulo e sentar-se confortavelmente neste, como quem senta num sofá.



- E então...? – Ela perguntou séria.


- Então...? – Chen repetiu.


- O que quer saber?


- Porque me espiona? – ele perguntou sério.


- Você é interessante. – ela disse simplesmente.


- Eu sou uma pessoa absolutamente comum. – ele contradisse.


- Por isso! – ela disse finalmente rindo.


- Não entendo.


- Pra cada um o que é diferente é relativo. – ela começou a explicar. – Pra você por exemplo, são pessoas que só se vestem de preto e passeiam pelo cemitério. Mas pra mim isso é absolutamente normal. Já cansei de pessoas assim. – Ela continuou. – Nós vivemos esperando achar uma pessoa exatamente como nós, quando na verdade deveríamos procurar uma que fosse diferente, assim estaríamos acrescentando algo, aprendendo mais. Cada pessoa é um universo novo.



Chen ouviu as palavras dela atentamente, ainda sem entender. Mesmo que ela quisesse conhecer alguém diferente, porque ela o havia escolhido entre tantas pessoas absolutamente comuns como ele?



- Você é definitivamente a pessoa mais diferente que eu já conheci. – Chen disse sorrindo. – Não consigo pensar em nada que temos em comum.


- Aí que você se engana. – Ela disse sem nunca desviar os olhos do dele. – A cada dia que passa você começa a se parecer mais comigo.



O sorriso de Chen sumiu, e seus olhos se arregalaram a essa afirmação.



- Eu tenho assistido a cada dia a sua transformação. – ela continuou, encarando-o. – Antes você era animado, social, olhos iluminados...Absolutamente comum, como você diz. Mas então, com o passar do tempo, todas essas coisas foram se perdendo. E agora, cada vez mais, a escuridão cobre os seus olhos.



Chen piscou, e desviou o olhar. Ela o encarava como se conseguisse ver tudo o que tinha falado apenas olhando para ele. Ela o havia decifrado sem ao menos o conhecer, sem ao menos ter falado com ele, apenas o observando de longe...Melhor que seus amigos, seus pais e seu irmão. Talvez até melhor que ele mesmo que até agora não havia notado que sua mudança fora tão drástica.



- Você é médium ou algo assim? – perguntou Chen em dúvida se ele mesmo estava fazendo uma piada ou falando sério.


- Não... – Emily riu. – Sou apenas observadora.



Os dois ficaram calados por um momento, presos em suas próprias mentes. Até que Chen falou:



- Que tipo de música você gosta? – perguntou, mudando de assunto, não como uma pergunta cotidiana que se faz sempre que se conhece alguém novo, mas porque ele realmente estava curioso a saber.


- Rock. – ela disse previsivelmente.


- Como por exemplo..? – ele incentivou-a a continuar.


- Nightwish, Épica, Marilyn Manson, Tristania, The Cure...- ela fez uma rápida lista.


- Hum...- murmurou em resposta, apenas. Não conhecia nenhuma daquelas bandas.


- E você? – Emily disse.


- Conhece K-Pop?? – perguntou ele.


- Isso é uma banda?? – ela perguntou confusa.


- Não... – ele disse rindo. – É um estilo musical! Pop coreano.


- Pop??? – ela repetiu com cara de nojo. – E além do mais coreano??


- Não julgue antes de escutar! – ele disse tirando da mochila um Ipod, colocando um fone de ouvido e emprestando outro a ela.



Emily também trazia músicas consigo em seu celular, e mostrou-lhe algumas. Os dois passaram a noite conversando e ouvindo músicas de um universo totalmente diferente de si. Contando as traduções das músicas e que história cada música contava, contando assim a história deles mesmo um para o outro.



Era definitivamente diferente, Chen pensava, mas de certa forma parecia fazer sentido. A diferença entre eles era paralela à diferença do Paradoxo e da Antítese: Antítese são idéias opostas, enquanto o Paradoxo é uma afirmação ou opinião que à primeira vista parece ser contraditória,mas na realidade expressa uma verdade possível.