Mordidas de Morcego

7 Capítulo 7 - Marionete Quebrada.


Notas iniciais
Penultimo capitulo o//
Pois éé, tive que estender a fic em mais um ^^'
Esse capitulo é beeemmmm dramatico, até mudei a classificação da fic por causa dele xD

Espero que gostem, obrigada por acompanharem e último capitulo semana que vem.

- Chen..- uma voz chamava ao longe. – Chen, acorda!

Chen queria abrir a boca e xingar a pessoa que lhe chamava, mas por algum motivo, maior do que o sono, não conseguia mexer um músculo se quer. Foi com horror que ele percebeu que estava completamente paralisado a ponto de não conseguir abrir as pálpebras.

- Chen....CHEN!! – a voz insistiu o chamando. Ainda sem reação do garoto, a pessoa começou a sacudi-lo, quando finalmente Chen conseguiu abrir os olhos. – Ai meu Deus, ele acordou! – A mulher sentada junto à cama do filho gritou. – JEFFERSONNN!

Passos apressados vinham pelo o corredor. Chen podia ver, ouvir, e sentir, mas não podia se mexer. O que diabos havia acontecido com ele? Alias... Onde ele se encontrava?

- O que aconteceu, mãe? – Jefferson perguntou chegando ao quarto.

- Seu irmão... e-eu acho que ele acordou. – a mãe disse com a voz chorosa.

As mãos de Jefferson logo foram postas no pescoço de Chen.

- Os batimentos cardíacos estão normais. — Jefferson informou. – Mas ele ainda está com febre. – ele disse colocando a mão na testa do outro.

Ao retirar a mão do pescoço do irmão ele olhou fixamente para as duas marcas pequenas de dentes por alguns segundos, mas desviou o olhar antes que a mãe notasse.

- Vá chamar o médico, mãe, por favor. – Jefferson pediu a mãe, a mulher atendeu saindo do quarto rapidamente.

O oriental então finalmente pode examinar a marca no pescoço do irmão. Aquelas marcas pequenas e bem centradas só podiam ter sido feitas por um morcego. E ele, como estudante do 6º ano de medicina sabia que isso explicava todos os sintomas do irmão.

- Jef-ferson...- Chen finalmente, depois de um esforço descomunal, conseguiu dizer. Quando abriu a boca notou como sua garganta estava seca, sentia sede.

- Chen...- o irmão respondeu chegando mais perto para ouvi-lo melhor.

- O...o que...aconte...Onde eu...? – Chen começou a perguntar com muito esforço, mas seu irmão já entendendo a pergunta lhe interrompeu.

- Hoje de manhã você foi encontrado desmaiado no cemitério por um funcionário do lugar. Como continuava inconsciente foi trazido a este hospital, onde finalmente conseguiram contatar a família. – Jefferson parou abruptamente de falar, com uma dúvida o atormentando. – O que diabos você estava fazendo no cemitério?? – perguntou, mas ao ver o esforço de Chen para falar, desistiu da resposta. – Não importa... Olha Chen, eu já conversei com seu médico e já sei o que você tem.

Jefferson hesitou um pouco em continuar, mas o fez.

- Você foi mordido por um morcego. – ele disse profissionalmente, como se ele fosse o médico e Chen seu paciente. – Alguns morcegos transmitem uma doença que não tem cura. E, infelizmente, esse foi o seu caso.

Por um momento ele abandonou a pose e a frieza profissional e perguntou ao irmão.

- Lembra da noticia que vimos no Jornal da Noite? Do garoto internado no hospital em estado grave por uma mordida de morcego? – perguntou, Chen se lembrava muito bem, mas não conseguiu movimentar a cabeça em resposta, e antes que conseguisse reunir forças para dizer algo, o irmão prosseguiu sorrindo gentilmente. – Bem...acho que você nunca ligou muito para o jornal, não é? Mas, o caso é que na televisão deram a doença do menino como se fosse raiva. Mas, eles apenas não podem revelar a verdadeira doença.

Nesse momento a porta se abre, e a mãe dos dois garotos entra pela porta, abraçando em prantos o filho mais novo.

- Filho!! Como você está? Já consegue se mexer?? Consegue falar??

- Mãe...- Chen conseguiu reunir forças para dizer isso, apenas. Foi o bastante para a mãe, que chorou mais ainda e o apertou mais forte entre os braços.

- Mãe? – dessa vez foi o filho mais velho que falou. – Pode esperar lá fora um minuto? Estou contando o que aconteceu ao Chen.

- Ah.. claro filho, claro! – A mãe disse se afastando. – Eu bem que disse para o menino tomar cuidado com os morcegos... Não se pode brincar com doenças como a raiva! Entendem agora por que eu nunca quis que tivessem um cachorro...??

A mulher dizia ao fechar a porta. Jefferson respirou fundo novamente, tentando continuar.

- O que você tem não é raiva, Chen. Se notar o que esta recebendo pela intravenosa... — disse, dando tempo de Chen vislumbrar pelo canto do olho, uma bolsa de sangue conectada a sua veia. – Você está recebendo sangue... Normalmente dão sangue as pessoas que o perdem ao sofrer acidentes, ou ao ter hemorragia por qualquer motivo, o que não foi seu caso. O sangue que você recebe nem precisa ser do mesmo tipo sangüíneo que o seu. Agora ele é seu único alimento.

Chen arregalou os olhos, que aparentemente era a única coisa que se mexia em seu corpo. Ele estava sendo alimentado com sangue? Como um morcego? Como um vampiro? Repentinamente todas as memórias da ultima semana passaram pela mente de Chen. Emily e sua história de que vampiros podiam ser reais. Emily e sua aparência tão vampiresca. Teria Emily o transformado em vampiro através do beijo?

- Sei que parece loucura! Mas a verdade é que uma mordida de morcego pode, ou não, transformar a pessoa em vampiro. – Jefferson finalmente disse, limpando a garganta. – Isso só é citado para os alunos de medicina no final do curso, é uma informação um tanto estranha para aceitarmos nos primeiros anos... E também é uma informação não revelada a população. O que fariam se soubessem que morcegos transformam pessoas em vampiros? Matariam todos, quando só alguns oferecem perigo. As conseqüências da não existência dos morcegos na cadeia alimentar, nós não podemos prever. E ainda tem a história dos vampiros. Podia haver outra caça as bruxas, onde várias pessoas, contaminadas ou não, poderiam ser mortas.

Jefferson tentava explicar, preocupado.

- Isso é uma coisa tão complexa que não consigo te explicar agora, sei que você entenderia perfeitamente se tivéssemos tempo! Você sempre foi tão inteligente, Chen.

Chen estranhou o irmão ter lhe dito isso com lágrimas nos olhos. Fora sempre o irmão mais velho o inteligente, porque ele estava falando daquele jeito, como se fosse a última vez?

- Você sobreviveria sob outras condições, Chen. – Jefferson voltou a falar. – Teria que receber sangue humano diariamente, e não poderia se expor ao sol, é outra característica da transformaç... er, da doença, alergia ao sol.... Mas poderia levar uma vida quase normal....Porém, seu sistema imunológico estava muito fraco quando você foi mordido...Conheço a vida de vestibulando, você não come direito, quase não dorme e está sempre cansado, isso compromete sua resistência. Isso o tornou vulnerável... incapaz de ser curado e incapaz de transformar-se...

A verdade caiu sobre Chen como um balde de água fria, gritando em sua cabeça embora o seu irmão o tivesse dito em apenas um sussurro:

- Vocêmorrerá.

Chen teve tempo de despedir-se de sua mãe, embora ela não soubesse que aquela era uma despedida, Jefferson apenas confiou o segredo ao irmão mais novo, não aos pais. O pai do garoto também veio vê-lo, para dizer-lhe palavras de incentivo, como “você vai sair dessa”, e “você irá se recuperar a tempo de arrebentar no vestibular!”... Mas Chen sabia que essa seria uma etapa nunca ultrapassada, um objetivo nunca cumprido.

Jefferson permaneceu ao lado do irmão durante todo o tempo. Chen só percebeu que o irmão o amava realmente no seu ultimo dia de vida, sempre achou que o outro não ligasse para ele, talvez se tivessem tido mais tempo teria descoberto isso mais tarde e aproveitado a companhia deste por mais tempo.

Chen pensou um pouco sobre tudo enquanto estava paralisado na cama de hospital, esperando a morte finalmente vir. Pensou em tudo o que tinha feito, e tudo o que não tinha. Em todas as pessoas com que conviveu: quem daria a notícia a seus amigos? Como seus pais e seu irmão ficariam? O fantasma dele os assombraria para sempre? Seria apenas mais uma manhã na escola... sem ele? Ou mais uma noite no cursinho?

Foi quando se lembrou de Emily. Uma conversa que tivera com ela lhe veio imediatamente à cabeça:

“- Você acredita em vampiros?” – lembrou-se de ter perguntado a garota.

“- Bom, não sei se pode se classificar que eu acredito. Eu tenho esperança que eles existam.” – ela disse.

Lembrou-se de terem falado sobre religião, onde a menina revelou-se atéia, e Chen a instigou como poderia alguém acreditar em vampiros e não em Deus.

“- Cada um acredita na mentira de que mais gosta.” – ela respondeu, dando de ombros.

Chen riu-se mentalmente ao pensar o quão irônico era ele ser o vampiro, e não ela que se parecia muito mais com um.

Ela, afinal, estava certa sobre a existência dos vampiros. Mas seu pensamento voltou a tornar-se sombrio ao pensar que ela também poderia estar certa sobre a inexistência de um Deus.

Com os olhos agora fechados, pois não conseguia mais movê-los, a não ser quando as convulsões vinham sem aviso, desejou com toda a força que ela não estivesse certa sobre isso. Que ele estivesse indo para um lugar melhor, que a vida dele não havia sido apenas aquilo.

Os minutos se passavam e tudo o que ele conseguia pensar era se aquilo era real. Ele estava mesmo morrendo? Ele fora, na vida real, mordido por um morcego e se transformado em vampiro? Queria acordar e constatar que havia sido tudo um pesadelo muito estranho, mas no fundo sabia que não ia acontecer, conseguia sentir a morte chegando, como se fosse um vampiro a espreita pronto para tomar-lhe o sangue até o fim.

Pelo menos descobriria logo se afinal Deus existia ou não, tentou pensar positivamente por um momento. Mas então um calafrio lhe correu por toda espinha, quando só um pensamento perdurou durante vários segundos:

E se não houvesse nada do outro lado?

“Mas o que é real?

Você não pode descobrir a verdade,

Você só escolhe a mentira da qual mais gosta.”

– Marilyn Manson.