Mordet Et Vivit
33 Torta De Climão
Notas iniciais
Era mais uma manhã comum na floresta. Os lobos haviam decidido sair para patrulhar em busca de comida junto da Alpha, deixando, como de costume, Nico e Thalia para cuidarem da casa que pertenciam a eles.
O vampiro estava com as costas no sofá, tendo o corpo da garota em cima do seu em um abraço confortável que estava a mantendo aquecida mesmo com a discrepância entre as temperaturas corporais.
Seus olhos estavam fechados, porém sua mente ainda repetia em flashes o estado que Thalia havia acordado durante a madrugada. O que ela havia dito para ele ecoava em sua mente e, de certa forma, não era algo que lhe agradava; afinal, tinha descoberto sobre seu passado do pior jeito possível: vivendo-o novamente.
Um pouco distante de sua sanidade, a Grace o observava com curiosidade. A pele extremamente pálida parecia reluzir entre os finos raios de sol que invadiam a casa pelos vãos das plantas, deixando-o com uma aparência tentadoramente bela. Além de, se você prestasse bem atenção nos detalhes, conseguiria ver as veias roxas desenhadas.
A serenidade no rosto como se não estivesse morto a muito tempo. Como se não tivesse passado por tudo que um dia passou e sofreu.
Thalia não conseguiu segurar o impulso de sua mão, mal percebendo quando guiou o dedo indicador para a maçã do rosto do di Angelo, deslizando-o ali em uma caricia confusa. Era certa de que ele estava em um sono profundo, por tal, deslizou devagar para o maxilar dele, traçando todo o caminho marcado.
E, claro que, quando Nico abriu os olhos estranhando o ato, a garota saltou de susto.
— Mas o que você está fazendo?
Ele a perguntou, o cenho franzido sem entender e agora seus olhos agitados pela aproximação de Thalia de seu rosto. Conseguia ouvir o coração dela acelerado num extremo que quase julgou ser um ataque cardíaco ali mesmo, mas como ela estava estática, pensou que estaria tudo bem.
Ainda no susto, a humana tinha erguido seu corpo em uma tentativa falha de sair pulando para longe, uma reação automática de seu sistema nervoso. Sentiu seu rosto esquentar absurdamente, mas não se afastou.
— Esqueceu que vampiros não dormem, foi? — Ele indagou novamente, o tom pendendo para algo mais provocativo, vendo que havia pego ela no pulo.
— E-eu... — Gaguejou, balançando levemente a cabeça para se recompor, ainda que fosse difícil com os olhos de Nico tão próximos dos seus. — Posso te fazer uma pergunta?
Uma única sobrancelha dele se levantou e Thalia ponderou esquecer tudo e sair correndo dali.
— Diga. — Respondeu meio incerto.
Não sabia o que poderia vir, a garota era uma caixinha de surpresas e se mostrou bem sensível depois da madrugada conturbada.
A observou puxar o ar com certa dificuldade, os dentes branquinhos fisgarem o lábio inferior em sinal de nervosismo. E, sem gaguejar e em um tom baixo, Thalia o perguntou:
— Você me beijaria?
— Eu... Eu não sei. — Disse, agora que aquilo fora imposto pela própria, sentia-se cada vez mais confuso e, repentinamente, nervoso.
Ela ficou surpresa. Não esperava uma resposta, tampouco algo que pudesse pender para sim. Mas, na verdade, o que a fazia querer um beijo dele? Ela queria um beijo dele? E, se sim, por que só agora?
As perguntas foram se tornando abafadas pelo próprio sentido de Thalia, tornando-se nebulosas como os mistérios que os olhos negros escondiam. E isso a fez ansiar por descobrir mais, mal notando quando seu corpo escolheu agir sozinho a fazendo se aproximar do rosto dele.
Sentiu a mão do vampiro se mexer em sua cintura, saindo dali e delineando seu corpo com delicadeza até que uma delas estivesse em suas costas e a outra em sua nuca.
— CHEGUEI COM COMIDA!
O grito feminino facilmente identificado como Silena Beauregard anunciando sua presença no local e estragando completamente o clima do possível beijo fez com que Nico e Thalia pulassem para longe um do outro.
A humana mal soube o que estava acontecendo, já que em um momento estava em cima do di Angelo e no outro sentada no sofá com os cabelos para cima e sem rumo, enquanto ele estava no extremo do cômodo assobiando e fingindo limpar as plantas, o que não fazia sentido nenhum.
— Thalia, querida, seu coração vai me deixar surda. — A Alpha comentou, notando que a garota estava extremamente vermelha. — O que vocês dois estavam aprontando, hein?
— Des...culpa? — Thalia respondeu meio incerta sobre seu coração, os olhos se arregalando quando Silena inqueriu de tal maneira. Será que ela viu algo? Questionou-se, sentindo o calor espalhar por seu corpo em vergonha alheia. Eu iria mesmo beijar Nico?!
— Ok, vocês estão estranhos. — A Beauregard concluiu, colocando a mão na cintura e ignorando totalmente o cervo morto em seus ombros.
— Estranhos? Quem está estranho aqui? Quem? Você que está estranha! — Nico começou a soltar palavras, virando-se para ela e semicerrando os olhos ao ver o bicho morto. — Olha, comida, vamos fazer logo porque eu to com uma fome!
— Você não come, Nico. — A Alpha o respondeu como se fosse óbvio.
— Ah pronto! Que calúnia, claro que eu como, vamos fazer um rango para todo mundo! — Ele bateu palmas e foi marchando para a cozinha em meio a pequenos saltos.
— O que você fez com ele, Thalia? — Silena acusou, vendo a menina arregalar os olhos e passar as mãos pelo cabelo.
— Eu? Não fiz nada! Nadinha, nadinha mesmo! — Respondeu apressada, se levantando e passando as mãos por seu corpo para arrumar a roupa, pigarreando. — Ah, precisa de ajuda aí fora? Conseguiram mais coisas? Como foi?
Silena pareceu analisar o perímetro, detalhe por detalhe, até que, por fim, resolveu deixar para encurralar Nico mais tarde e arrancar as informações do que eles haviam feito ali, decidindo que precisaria de ajuda para trazer o resto da caçada para a cozinha e usufruir da boa vontade repentina do vampiro para ajudar a cozinhar.
Meu Deus do céu. O di Angelo tinha os olhos arregalados e as mãos apoiadas no que havia restado do balcão para o incêndio. Não conseguia acreditar que estava determinado a beijar aquela garota, mesmo que já se sentisse estranho em relação a ela depois do clima a mais que tinha tido.
A troca de sangue parecia ter impulsionado algo a mais na relação deles. E Nico estranhamente queria descobrir o que junto de Thalia.
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