Mordaça
1 Capítulo Único
Eu nunca dei ponto sem nó.
Sempre dei corda, frouxa como só,
Mas me enlacei num certo moço.
Bastou.
Aquele garoto sabia como dar nó em minha cabeça,
E eu, na minha marra,
Me enredava nele.
De mãos atadas e olhos vendados,
Ia, condenada àquele sentimento:
Já não tinha forças para para evitar aquela forca.
Acordei, comigo mesma, que ia esquecê-lo.
Mas o moço, ao que me parece,
Deu-me um nó de marinheiro:
Perto dele, sentia um nó na garganta,
Longe; um aperto no coração.
Cega como o nó que ele deu,
Espero, um dia, acordar.
Mentira, me amarro nele.
Admito então, sem dó de mim:
Eu me amarro em nós.
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