Morangos
1 One Shot
Notas iniciais
Eu odeio Travis Stoll.
Sinceramente, se você é uma pessoa tão ética como eu, vai saber que a única utilidade dos Stolls são infernizar você e retirar a paz de todo o acampamento. É sério. Esses garotos são insuportáveis!
Claro, Connor Stoll é até aceitável algumas vezes, contudo aquele irmão dele é um asno! Cara, eu fico revoltada! De onde já se viu roubar meus morangos?! Sério. Coelhos de chocolate no meu teto? Claro! Super Bonder no chão do chalé? Obviamente! Trocar minhas roupas pelas a de Drew Tanaka? Por que não? Mas roubar meus morangos?! Eu vou socar a cara dele.
Saio do meu chalé e bato a porta tentando descontar a minha ira. É sério. Eu estou furiosa. Simplesmente furiosa.
Atravesso meus olhos pelo acampamento. Me lembro do meu primeiro dia aqui. Foi um belo desastre. Sem brincadeira. Quer dizer, já no primeiro dia tinha um retardado pra me encher o saco.
Penso eu se um dia isso vai mudar de alguma forma. Afinal, eu já estou cheia de Travis Stoll, aquele retardado sem-cérebro. E não, dessa vez ele não sairá ileso, afinal ele já conhece a minha relação com os meus amados morangos.
Volto meus pensamentos para o lago e o vejo. Adivinhe onde? Sim, ao lado de Drew Tanaka, a biscate do acampamento. Aposto que ela usa a tão famosa jogadinha de cabelo dela para chicotear os pobres cavalos nas aulas de hipismo.
Pobres cavalos.
E que se dane a paquera de Travis, porque eu quero muito socar a cara dele. E como eu quero arrebentar com aquela carinha bonita.
— Stoll!
Tudo bem, eu não resisti. Não adianta o quanto a minha psicóloga falar, agressividade sempre vai ser o meu primeiro passo quando o assunto é Travis Stoll. Fora que dessa vez foi um exagero.
— Desculpa! Desculpa! Não era a minha intensão pintar todas as suas roupas de azul!
Reviro os olhos. Sério Stoll? Sério mesmo? Até quando eu quero te socar por um crime. você vem e confessa outra? Se bem que esse foi semana passada, e eu bem que estava precisando de umas blusinhas azuis, então eu nem esquentei com isso. Pena que voltou ao normal, porque eu realmente gostei da cor que ficou o meu pijama.
Foco, Katie. Foco. Se bem que com Travis sorrindo de lado assim foco é uma coisa praticamente impossível de se ter. Não que ele seja horrivelmente bonito e nem nada, mas é que esse sorrisinho é realmente um saco. Perdão pelo palavreado. Qual é Katie?! Isso é sua mente! Não tem como ninguém te zoar pelo o que você pensa! Quer ver? Pôneis coloridos são maneiros! Cara, eles arrasam! Tá que o Travis está rindo, mas aposto que ainda é da própria piada. Cara, esses filhos de Hermes são muito convencidos!
Mas quer saber? Eu não suporto mais esse Stoll patético. No meu primeiro dia no acampamento, a primeira coisa que ele fez foi me jogar uma torta de limão na cara porque, de acordo com ele, era uma tradição para a primeira demanda de semideuses do ano. Só que era agosto, e em mais nenhum ano ele repetiu. Claro, depois foram os chocolates no telhado, as roupas roubadas e todas as pegadinhas imagináveis.
Fora que agora ele não parecia querer brigar com uma pirralha, e sim agarrar a já citada biscate do acampamento. Quer dizer, quando eu cheguei eles estavam cochichando e bem próximos, o que significa que, se eles não tinham acabado de terminar uma sessão de agarramento gratuito, eles deviam estar quase começando uma. Esses dois me dão nojo.
— Você é um idiota Stoll.
— Tavis, será que você pode deixar essa nojentinha e voltar para mim?
Cara, eu odeio essa menina. Ah, como eu odeio! Odeio quase tanto quando eu odeio Travis.
— Quer saber, Stoll? Dane-se. Eu desisto. Não te bato mais, não brigo mais com você, mas me deixa em paz, okay? Porque dessa vez você saiu dos limites.
Tá. Vamos admitir que eu estou com tanto sono, que mal tenho coragem pra começar uma briga. Fora que um pouquinho de drama nunca é demais, né? Falando sério, quem não gosta daquela parte do livro em que a personagem faz uma burrada e fica toda "Cara, eu sofro de problemas mentais".
O importante é que, na minha volta para o acampamento, mais uma cria nojenta de Hermes veio me encher o saco. Mas essa eu não odiava, e nem tem as mesmas atitudes de Travis, porém eles são parecidos de certa forma. E errou se pensa que foi Connor.
— Oi oi, Kit-Kat. Quer ir ver o tanquinho dos filhos de Apolo comigo? Eles vão jogar vôlei contra os filhos de Hécate. E bem, você já deve saber que, por debaixo daquela capa que eles usam pra fazer macumba, a maioria tem um porte que é digno de, bem, semideuses bonitões.
Kaitlin Wipfray é uma das poucas crias femininas de Hermes. Ela tem os típicos cabelos castanhos-claro e olhos azuis enormes. E claro, não podemos nos esquecer dos dedos finos e rápidos, como se estivessem prontos para roubar alguma coisa. Resumindo tudo, ela era uma elfa em forma mais humana. Tirando o fato de ela ser extremamente baixinha, em torno de 1,48 com 14 anos, e magrela, até que ela é bonitinha.
— Desculpa, Kat, mas é que seu irmão extrapolou dessa vez.
— O que Travis fez dessa vez? Cara, sem querer ofender nem nada, mas eu sou fã do meu irmão. Nunca vi alguém com um cérebro tão pequeno ter tanta criatividade.
— Ele roubou meus morangos, Kat.
Tudo bem, falando dessa forma eu estou parecendo uma menininha mimada, mas é que parece que ninguém tem noção de como é trabalhoso cuidar daqueles morangos. E, também, os únicos que podem ajudar são os filhos de Dionísio. Tá que ele não roubou todos, e sim só uma pequena quantidade, mas ainda é um valor alto.
— Olha, eu bem que queria ir lá e dar um soco enorme nele, mas eu vim aqui só pra te avisar que o di Angelo está te chamando. Não sei o motivo, mas ele me disse que é urgente, tanto que ele vai faltar a aula de equitação por isso. Agora eu tenho que ir pra minha aula. Bye. Mas, antes disso, eu tenho que te entregar isso.—indagou a morena, logo após me entregando um buquê de flores do campo lindas.
O di Angelo querendo falar comigo? Ou melhor, ele falando com a Wipfray? Achava que eles mal sabiam que um ao outro existiam. Falando sério. Quer dizer, eles não tem muitas coisas em comum, a não ser uma aula e outra.
Contudo eu fui em direção ao chalé de Hades. Isso está me cheirando mandinga.
— Oi Katie.—falou o menino pálido saindo de alguma sombra qualquer. Pelo menos eu não tive que andar em sua procura.—Eu quero falar com você, mas já que, aparentemente, estava em busca do meu chalé, acredito que a Wipfray já te avisou.
— Sim. Desde quando vocês se falam? Quer dizer, vocês não tem muito em comum para se esbarrar por aí.
— Bem, isso não importa. O que eu quero te falar é que Connor quer falar com você. Ele disse que é urgente.
— Então porque a Kaitlin não falou para eu simplesmente ir ver Connor?
— Porque Connor não quis que ela soubesse. Agora, me perdoe porque eu tenho que ir dar aulas particulares de luta com espadas para uma certa filha de Hermes problemática.—disse o pálido garoto logo após me dando uma piscadinha, como se estivesse dando a resposta para a minha pergunta.
— Então quer dizer que a Kaitlin não é muito talentosa em luta de espadas?
— Mais ou menos. Ela é só um pouquinho insegura.
— E o que ela te dá em troca.
— Nada. Nada em especial.
— Então por que você ajuda ela?—murmurei para ver se achava algum indício de pegadinha.
— Não sou muito bom em luta corporal. Mas é sério que eu estou atrasado. Eu tenho que te entregar isso. Tchau.
E ele se foi, deixando comigo uma caixa de chocolates, que, apesar, são os meus prediletos. Só que isso não me fez esquecer de nada de que Travis roubou os meus preciosos morangos, na verdade só me deixa mais com raiva, porque a melhor coisa que se pode misturar com chocolate, de fato é morango. Porém, o ódio estava ainda tão recente que eu não teria receio nenhum de, que se eu o vesse na minha frente agora, ia chutar a cara dele.
Contudo, resolvi seguir com essa brincadeira. Depois que Travis roubou as flores do meu chalé semana passada, eu realmente estava precisando de algumas flores pra redecorar tudinho lá. Está tão sem vida que até a Avril Lagvine ficaria velha lá dentro.
Do meio do nada, sai um Connor com uma feição d equem acabara de correr meio mundo. Quando ia abrir a boca para falar alguma coisa, ele me interrompeu.
— Não fala nada. Malcolm, o filho de Atena quer falar com você. Eu só sei que é pra eu te entregar uma caixinha.
Cara, o meu dia está uma confusão. Não que não seja costume discutir com Travis, porque isso é mais comum do que se imagina, porém depois disso tudo ficou tão estranho.
Primeiro a minha melhor amiga me dá um buquê das minhas flores prediletas, depois o cara mais caladão e misterioso do acampamento me dá uma caixa dos meus chocolates favoritos. E agora o irmão do meu melhor amigo me dá uma caixinha?
Abro e adivinha o que tem dentro? Meu velho perfume, uma blusa de moletom que não é minha porém sei que a reconheço de algum lugar, meus antigos brincos de florzinha e uma entrada para o cinema. Me lembro de assistir Em Chamas, mas prefiro nem falar porque a experiência foi devastadora.
Queria parar por aqui, já que meus pés estão doloridos. Esse é o grande problema de ser idiota e resolver fazer uma caça ao tesouro de chinelos. Se bem que eu nem sabia e coisa e tal.
— Katie Gardner?—indagou o garoto loiro de olhos tão cinzentos como uma tempestade.
— Eu mesma.
— Isso é pra você.
E ele me deu uma coisa que eu queria chorar. Era uma daquelas tiaras de plástico que toda menina já usou uma vez na vida para brincar de princesa. Só que essa tinha sentimento, era uma coisa inesquecível.
O meu único presente de sete anos. Dado pelo meu maior inimigo.
— Obrigada, Malcolm.
— Bem, um filho novato de Hermes está a sua espera. Ao lado do lago, acho eu.
— Okay.
E assim eu me fui. Cara, eu estou ganhando presentes! Eu não quero parar com isso tão cedo!
Mas quando eu chego ao lago, vejo uma coisa que nunca pensei que veria tão cedo. Na verdade, eu me recuso a acreditar, porque, por mais que eu jure que não queira vê-lo nunca mais na minha vida, no fundo eu realmente precisava disso.
— Oi.
— O que foi Travis?
— Bem, eu resolvi que as minhas pegadinhas não tem mais tanto motivo. Acho que eu posso conseguir o que eu quero de uma forma mais justa.
— E o que você quer fazendo pegadinhas? Fazer o acampamento inteiro me zoar? Estragar com todos os meus pretendentes para um relacionamento amoroso? Quer acabar com a minha vida? Ou será que você já esqueceu do que fez com o Peter, aquele carinha que eu estava saindo mês passado? Sabia que ele quase quebrou o nariz?!
— Que pena que eu não consegui socar ele mais forte.—indagou o moreno com um sorrisinho sarcástico.
— Você não leva nada à sério?
— Kitty, para! Eu levo uma coisa muito à sério, e vim aqui te falar isso, mas você não cala a boca! É que eu...
— Sou apaixonado por fazer pegadinhas e...
Mas eu não consegui terminar porque tinha uma coisa tampando a minha boca. E de repente eu não queria falar mais nada.
Qual é?! Travis Stoll está me beijando! Eu não sei se retribuo ou soco a cara dele.
Mas acho que beijar Travis é mais proveitoso. Talvez porque me acalme o bastante, ou parecesse ficar mais forte. E, claro, isso podia me ajudar a bater nele depois que ele desistisse de apertar a minha cintura com tanta força que eu já estava com falta de ar. Só que eu também provavelmente não só estava deixando a marca dos meus dedos no seu pescoço, como também arrancando os cabelos dele.
Acho que isso é um pouco melhor do que gritar e chutar a cara dele.
Só que, infelizmente, quando fui ver, ele já estava se desvencilhando. Travis, retardado, pode voltar porque eu ainda tenho um pouquinho de ar.
— Finalmente descobri um jeito de calar sua boca.
— Idiota.
— Tudo que eu queria falar é que eu fiz isso pra chamar a sua atenção, mas acho que eu devia arrumar outras táticas mais maduras porque...
— Cala a boca, Travis.
— Vem calar.—disse o garoto com um sorrisinho malicioso.
É. Acho que não tem problema em trocar mais um pouco de saliva com Travis Stoll.
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