Morango com Chocolate
1 Único
Miku e Kaito tinham saído para uma típica caminhada no parque. Estava uma bela manhã de primavera, porém o céu estava um pouco nublado. Parecia que choveria logo, mas os dois não se importavam. Na verdade nunca se importaram com coisas tão banais como essas, desde que eram pequenos. Costumavam brincar muito na chuva na casa da avó de Miku, que ficava em um belo campo que, quando o Sol batia, parecia que a grama sorria para o céu, e este o retribuía. O ar úmido e o leve cheiro de grama molhada eram como uma droga para os dois, por trazer tantas lembranças maravilhosas de suas infâncias.
Kaito lambia um sorvete de casquinha sabor morango, enquanto Miku lambia um sabor chocolate. Os dois caminhavam sem pressa enquanto conversavam e riam, se divertindo apenas com a presença um do outro. O vento batia sereno em seus rostos, e seguia seu caminho através do bosque com árvores altas.
- Heh, já faz algum tempo que a gente não sai junto assim, né? – Kaito comentou, enquanto tomava seu sorvete.
- Bom, minha culpa não foi. Eu quase te arrastei até aqui – Ela respondeu em sua defesa.
- Saiba que diferente de você, eu não sou um desocupado. Tenho trabalhos na faculdade pra fazer – Kaito disse, tomando uma pose de mais velho e responsável.
- Ora seu... Vou te mostrar quem é desocupada! – Miku disse, e correu atrás de Kaito, rindo. Ele começou a provocá-la, pondo a língua pra fora. Mais velho, mas ainda com coração de um garotinho.
Eles brincaram mais um pouco, até que Miku se cansou e se apoiou em seus joelhos, ofegante. Kaito olhou pra ela, também ofegante, e ficou com um pouco de pena. Ele caminhou sem pressa até ela e se ajoelhou, pondo a mão em suas costas.
- Você está bem? – Ele perguntou, sorrindo.
Então Miku de repente pegou seu sorvete de chocolate e passou no nariz dele, que foi pego de surpresa. Depois, ela começou a rir.
- Te peguei! – Ela disse, e começou a correr, rindo. Kaito, surpreso e indignado, correu atrás dela armado com seu sorvete de morango.
- Ei, volte aqui, sua traíra! Atacando um pobre e inocente garotinho desprevenido e ainda que tinha boas intenções? Como ousas?!
- Onde está aquele velho chato e responsável que me chamou de desocupada mesmo? – Ela disse, enquanto ria, sem deixar de correr. Qualquer brecha faria Kaito ter a vantagem.
Miku sempre brincava com Kaito o chamando de velho, por causa dos poucos anos que é mais velho que ela. Ele sempre fora como um irmão mais velho pra ela.Na verdade, Miku escondia uma certa paixonite por ele, que surgiu há muito tempo, mas tem medo de estragar a relação íntima de amigos que eles construíram há anos com uma relação amorosa, por isso mantém esse segredo apenas em seu coração. Sentia-se satisfeita apenas por ser capaz de fazê-lo sorrir.
Kaito estava começando a alcançá-la, e faltava pouco para que pudesse agarrá-la e passar sorvete em sua cara. Miku então, em um desespero e entre risos, deu seu máximo para correr o mais rápido possível, mas acabou tropeçando ao olhar para trás.
Foi tudo muito rápido.
Ela por muito pouco não se ralou no chão, pois Kaito, percebendo seu tropeço, quase que automaticamente pisou mais forte no chão e, em apenas um passo largo e calculado, conseguiu alcançá-la e segurá-la em uma fração de segundos. E conseguiu tal façanha sem sequer derrubar seu sorvete.
Ainda com a adrenalina do susto em seu sangue, Miku estava paralisada nos braços de Kaito. Ofegante, Kaito a pressionava contra seu corpo, sem se dar conta do quanto a apertava. E também sem se dar conta de que já havia passado...
Kaito depois de alguns minutos olhou para Miku, corado. Ela igualmente olhou para ele, e seus olhos se encontraram. Miku subitamente o abraçou mais forte, e ele, após um momento de choque, retribuiu a esse abraço, e o cabelo verde-água de Miku, preso em uma das marias-chiquinhas, caiu sobre o cabelo azul de Kaito. Um raio de Sol rebelde saiu dentre as nuvens e refletiu onde estavam, e sobre eles prevaleceu um brilho amarelo tímido.
- Já passou, não se preocupe. – Ele sussurrou a ela, enquanto esta afundava sua cabeça em seu peito.
A proximidade entre os dois estava deixando Miku cada vez mais nervosa. Ela sentia como se um monte de borboletas subissem por seu estômago, estivessem passando por sua garganta e estivessem brigando para sair. Essa seria a hora. Se não agora, não sabia quando teria outra oportunidade como essa. Então, quase que em um impulso, ela sussurrou em uma voz abafada:
- Kai-kun, eu... eu... – Ela hesitou por alguns segundos. – Eu... Te amo.
E finalmente as borboletas foram libertas.
Essas palavras entraram pelos ouvidos de Kaito e explodiram como um vulcão em erupção em seu coração. Diferente de Miku, que era preenchida pela incerteza e pelo medo da resposta que iria receber. Ele olhou para ela, que ainda afundava a cabeça em seu peito.
- Miku...
Ele a afastou um pouco de seu peito, segurando-a firme por seus ombros, e foi aproximando lentamente seus rostos. E em poucos segundos, sem mais palavras, um beijo aconteceu.
Os sabores de morango e chocolate agora eram compartilhados pelos dois. Morango com chocolate, o sabor da paixão. Sentiam o sabor frio e doce dos sorvetes e Miku sujou um pouco seu nariz ironicamente com o sorvete que ela mesma havia passado no nariz de Kaito, e que correu tanto para evitar que isso acontecesse. Depois de alguns segundos, se separaram para respirar. Ainda estavam ofegantes por causa da corrida. Trocaram olhares, agora preenchidos por uma felicidade de não apenas ter um amor correspondido, mas também de dois grandes amigos que tiraram um peso que lhes doía as costas. Então Kaito deu um sorriso maroto, e pegou seu sorvete e passou no nariz dela, que se surpreendeu e riu.
- Te peguei!
Foram as últimas palavras dele, antes de começar a correr e rir novamente. Ela correu atrás dele por puro instinto, porque não tinha intenção de se vingar, mas se sentia na obrigação de persegui-lo até não aguentar mais. Logo o céu se abriu, e dentre as nuvens escaparam raios de sol teimosos, que refletiram em seus rostos sorridentes, como se em um efeito espelho refletisse sua felicidade para o céu.
E este, igualmente sorriu, em retribuição.
Notas finais
Beijocas ;*
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