Morando Sozinho com Jack
1 Minha roupa de natal
Uma das desvantagens de ser um homem deve ser fazer tanta merda — no sentindo literal da palavra. Acordar cedo com dores horríveis na barriga e, depois do estrago, ver que não tem papel higiênico não é nada legal. A única coisa que me resta a fazer é ir para o chuveiro, com o sono me matando e a água fria me congelando como se me culpasse por não ter pago a luz. O que me resta de bom é andar pelado pela casa, poder sentir o vento se chocando contra a minha pele.Tudo estava funcionando como se eu estivesse no paraíso, só faltava a Eva. Alguém bateu na porta. Se eu tivesse dinheiro colocaria um olho mágico, mas, para o meu azar, não tenho e precisei abrir a porta e me deparar com meu vizinho milenar do apartamento ao lado. Puxei a toalha da mesa com estampa natalina e me enrolei. Talvez ele nem notara que estava envolvido em algo cheio de pinheiros desenhados. Seus braços pareciam estar pendurados em seus ombros, e talvez já fosse cego. Me mostrou uma garrafa de água de cinco litros e pediu para que eu abrisse.
Fiz minha boa ação do dia e caminhei até minha sacada, que é na área de serviço junto com as roupas esquecidas. Minhas grandes visões pela sacada que fazem com que eu lembre que tenho roupa no varal. Panos de louça e toalhas de banho fazem aniversário ali, e algumas roupas só ficam em férias.E quando tudo parecia normal olho para o prédio a frente e vejo um homem gritando como se estivesse brigando com alguém, apesar de estar sozinho na sacada. Ri imediatamente, mas me controlei por saber que muitas vezes me encontrei discutindo com as paredes. Jack ainda dormia feito uma pedra sobre o chão do meu quarto. Aproveitei para pegar alguns ingressos de seu bolso para o show que faria no sábado seguinte.
Notas finais
comentar não custa nada e me faz muito feliz
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