Morada dos Espelhos
3 Capítulo 3 - Escondido
Notas iniciais
Leslie Davis, a filha mais velha da família era muito focada em seu namorado, deveria ser assim com os estudos dizia muito seu pai. Ela já era um pouco trancada em si, mas quando John aparecera há 2 anos muita coisa mudou, esse rapaz a mudou muito, para melhor. Seus pais notaram, apesar de que o Sr. Davis achou que isso não fosse durar tanto, o olhar sagaz do rapaz o dizia isso e Marie achou apenas ser a primeira paixão da filha. Assim que Walter tinha ido ver a casa, Leslie ficou horas pendurada no telefone conversando com John e dizendo que já estava morrendo de saudades.
Quando seu pai chegou à casa da Srª Sara, depois de ver a casa que iriam comprar ela o fitou e ficou esperando ele chamar sua mãe para ir para trás da porta do quarto que eles estavam e ouvir a conversa. E o fez.
–Querida... – Disse Walter sussurrando, mas Leslie com o ouvido na porta conseguiu ouvir a conversa — A casa é um pouco velha, mas é espaçosa, tem quarto pra cada uma das meninas, e tem algo que quando a ver irá achar meio estranho, mas já está resolvido.
–O que é estranho na casa querido? – Questionou num tom calmo de sempre a Srª Marie.
–Muitos espelhos – Walter disse com olhar de fascinação.
–Espelhos?
–Espelhos por toda parte da casa, na entrada, nos quartos, na cozinha, em todos os cantos. Parece segundo o corretor que um dos antigos donos fizeram isso e quando se mudaram não os levaram. Achei muito interessante.
–Tudo bem, mas ficaremos com a casa? – Eis a questão que Leslie queria ouvir e já estava com a orelha em chamas de tanto estar colada na porta de madeira.
–Achei a casa ótima. Iria levar todos para olhá-la antes, mas sei que irão gostar. Eu amei. Fecharei negócio com o Sr. Peterson amanhã. Sei que não venderia a casa sem antes me pedir à confirmação.
–Ótimo querido – E Marie o abraçou e beijou na boca, um beijo bem carinhoso e romântico, daqueles de felicidade.
Leslie saiu de trás da porta e foi para o quarto o qual estava hospedada. Sentou na cama, ficou quieta pensando, logo deitou e ficou olhando pro teto, pensando muito. Em Nova York estava sua vida, seus amigos, John, tudo o que tinha fora sua família. Ela colocou as mãos em seu rosto e começou a chorar e soluçar baixinho. Foi difícil aceitar tal mudança repentina, mas sabia que iria superar e os pais precisavam de sua ajuda para isso.
Depois que Walter disse que iria comprar a casa para família e para sua tia apenas tinha que fechar o negócio com o Sr. Peterson e foi isso que aconteceu. Na semana seguinte depois de resolverem o contrato da casa e tal levaram suas coisas, os moveis novos já tinham sido comprados. Conseguiu mobília muito barata na região para seu enorme lar. A família limpou a casa de ponta a ponta. Ficou um brinco, inclusive os espelhos de todas as formas que podia se imaginar, porém tinha uns retoques a se fazer. Walter estava na cidade resolvendo algumas coisas enquanto Marie e as meninas ficaram em casa.
Em Nova York, Petrick foi com a raposa que o foi entregue pelo inspetor sanitário Louis num lugar que conhecia uma pessoa que podia lhe dizer sobre aquilo. Uma senhora muito velha, no final de um beco com uma lojinha bem estranha, escura e com um cheiro que só se sentia ali. Sempre que se reparava com algo estranho como aquilo ia procurá-la. A Srª Kenda, indígena norte americana, com aparentemente uns 80 anos, mas falava normalmente como qualquer outro americano. E quando Petrick se aproximou de sua loja ela logo o abordou dizendo.
–Por que trouxe esse sacrifício de magia negra pra onde estou Sr. Policial? – Disse olhando bem nos olhos de Petrick.
–Não sei o que é Srª Kenda, por isso vim aqui saber se a senhora sabe do que se trata, pois achei isso na casa de uma família no centro de Nova York.
Ela pegou a sacola e meio que sentiu um choque ao tocar na sacola e olhou para Petrick novamente e voltou a pegar a sacola e abri-la vendo a raposa que mesmo sem os olhos, aparentemente morta, porém tinha vida mesmo daquela forma decrépita, à olhou por uns minutos e disse ao policial.
–Isso é uma magia extremamente poderosa. Um tipo de magia negra, que afasta do lugar as pessoas as dando má sorte, extremamente má sorte! E sendo atraída para o lugar próximo a quem fez a magia... Muito poderosa. Sempre pensei que esse tipo de magia não existia mais, muito mais complexa do que parece.
Ela colocou a raposa num mesa e amarrou as quatro patas em cada ponta da mesa, deixando a barriga dela bem exposta e dando para analisá-la bem. Pegou uma faca e foi abrindo os pontos dados na boca da raposa. A raposa começou a se mexer mais, com força, e quando ela tirou todos os pontos saíram mariposas da boca dela e um sangue negro escorrendo como nunca visto antes, Petrick até se abaixou o com baque ao ver aquilo, mas se levantou e foi à vez de abrir a barriga. Tirando todos os pontos e abrindo a barriga dela tinha muitos vermes comendo sua carne e algumas coisas, como cabelos ruivos e pretos. A raposa parou de se mexer naquele momento e a Srª Kenda lançou um olhar novamente para Petrick, meio que o julgando de estar com algo daquele tipo em posse. Pegou uma bacia de ferro num canto de sua loja, pôs um tipo de pó nela, disse umas palavras aparentemente indígenas que nada se entendia colocou a raposa e pôs fogo. Imediatamente a raposa queimou uma chama negra e um cheiro extremamente forte de morte infestou aquele lugar. Petrick ficou pasmo, pois nunca viu algo mais estranho e que fosse tão sombrio quanto aquilo. E a Srª Kenda o fitou novamente dizendo.
–Quem fez essa magia extremamente poderosa quer a vida e não só a alma pra quem isso foi feito. Quer tudo que ela possui! Tome cuidado... Está se metendo com algo muito perigoso jovem Sr. Petrick! Aconselho que fique longe...
Uma parte dele gritou para que ele largasse esse caso, pois seu corpo tremeu por um instante, mas ele sentiu no direito de ajudar aquela família que estava em risco por algo que nem sabiam.
–Essa informação irá me ajudar muito Srª Kenda. – E Petrick deixou na caixinha de gorjetas 50 dólares pra ela — Muito obrigado. Volto a falar com a Srª em breve.
Ele seguiu saindo do lugar que estava voltando para o departamento conseguir uma autorização para investigar esse caso.
Em Ohio, a Srª Davis limpando o banheiro tirou o espelho que ficava de frente para porta do banheiro, pois estava muito sujo e o limpou e viu que tinha alguns arranhões como de unhas de algum tipo de animal na bordas, todavia o que mais lhe chamou a atenção foi que as unhas não eram como se o animal tivesse arranhado normalmente, e sim de fora para dentro do espelho. Ela riu, por achar impossível o que vira e terminou de limpá-lo e o colocou no lugar. De repente seu ouviu um grito alto da sala – Aaaaaaaahhhhh... – Era Leslie. A Srª Marie largou o material de limpeza cair no chão e saiu correndo pra ver o ocorrido. E quando desceu e olhou para Leslie que estava apavorada perguntou o que tinha acontecido e ela disse muito nervosa.
–Mamãe... Não acho Lorena em canto nenhum. Deixei-a brincando na cozinha e estou a procurando a meia hora, não quis te deixar preocupada, mas fiquei nervosa – E a coitada tremendo de medo por algo ter acontecido a irmã caçula – e a única coisa que achei dela foi seu sapatinho perto da onde a deixei.
Marie arregalou os olhos e a segurou pelo ombro bem forte e disse.
–Vamos procurá-la melhor! Ela tem que estar em casa, deve ter visto algo que a interessou e deve ter ido atrás, olhe no quintal que olho na casa mais uma vez com mais cuidado. — Christini ouvindo a conversa das duas, não pensou duas vezes e também foi ajudar.
–Está bem mamãe! – Respondeu Leslie mais segura.
A Srª Marie olhou na casa toda e não achou mais nenhum sinal da filha menor, colocou a mão na cabeça e começou a entrar em desespero, suar frio. Não sabia mais o que fazer. Sentiu-se fraca e desmaiou. Christini apareceu e foi socorrer a mãe, gritou por ajuda, mas ninguém apareceu e foi na cozinha buscar um copo com água para sua mãe. Quando fechou a porta da geladeira sentiu duas mãos ásperas e frias em suas pernas a agarrarem, e seu corpo se arrepiou, ficou paralisada de medo e quando olhou fraquejando não tinha nada em suas pernas. Ficou aliviada. Não acreditou que pudesse ser apenas impressão sentou no chão se segurando no balcão central da cozinha e chorou de medo. Fria, suando frio.
Estava escurecendo e de longe, bem no mato próximo a nova casa dos Davis alguém os observava de binóculos e disse bem baixinho.
–Começou... Mais uma família minha...
_Continua
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