Morada

4 Estreitando relações


Notas iniciais
Olá, leitores! Bem, aqui está mais um capítulo e... boa leitura! Leiam as notas finais.

Assim que saí do balé, corri para casa a fim de arrumar o quarto. Tudo deveria estar em perfeita ordem, pois acho que Quinn gosta de tudo organizado. Penso isso porque um dia eu vi o armário dela aberto e todos os livros estavam perfeitamente alinhados, sem falar que até as fotos que ficam na porta do armário estavam coladas como se tivessem sido medidas centímetro por centímetro com uma régua. Enfim, agora estou sentada na sala esperando a campainha tocar para que certa loira entre para darmos início ao nosso trabalho de história.

Tem momentos, como esse, que me pergunto quando comecei de fato a ser amiga de Quinn, isso nem parece ser real. É difícil até mesmo para mim um dia acreditar que eu falaria com ela como falo agora, ou mesmo que faríamos alguma atividade da escola em dupla, ou ainda que ela um dia viesse à minha casa. Ela é Quinn Fabray, a garota mais linda de toda Lima. Ela tem esses olhos verdes que combinam perfeitamente com a sobrancelha que vez ou outra ela arqueia, dando um ar super sexy. Sem falar no corpo... As atividades como Cheerios fizeram super bem a Fabray. Não que ela não fosse tão linda quanto é hoje, acho impossível ela um dia ter sido nada menos que linda. Sem falar no cheiro... Deus, Quinn tem um cheiro muito bom.

Eu sei que esses pensamentos são um pouco estranhos se forem ditos para qualquer pessoa. Poderiam pensar que eu sou gay. Não tenho preconceito e nem nada do tipo com os homossexuais, mas não sou gay, sei disso porque namoro garotos. Mas talvez, apenas talvez eu pudesse ser gay por Quinn. Sim, isso seria bem possível de acontecer. Mas não é como se eu tivesse qualquer chance com ela, pois ela é a representação da heterossexualidade.

– Olá, Fabray, seja muito bem vinda a minha residência. – Falei depois que me encaminhei até a porta. Quinn estava parada na porta na minha casa. Não tive como não dar o meu melhor sorriso por vê-la parada ali. É como se todos os pensamentos que eu estava tendo antes da chegada dela, estivessem sendo repassados em minha mente naquele momento. – Entre e fique à vontade.

– Oi Rachel. – Ela se limita a dizer enquanto pego o casaco dela.

– Vamos para o meu quarto. Lá tem tudo o que precisaremos para estudar. Eu estava pensando em assistir o filme novamente, o que você acha? – Se normalmente eu já falo demais, com a presença de Quinn tudo se intensifica. É como se eu não soubesse me calar um instante ou como se as palavras simplesmente saíssem de minha boca sem ao menos serem processadas por meu cérebro.

– Por mim tudo bem em assistir de novo. Eu não pude prestar atenção durante a aula porque você estava babando no meu ombro. – Quinn fala isso em meio a risos. Faço a minha melhor cara de quem está realmente ofendida e a empurro em direção à escada.

– Fique calada, suba de uma vez e não faça eu me arrepender de ter te chamado para vim aqui. – Eu gosto desse lado brincalhão de Quinn. Na escola ninguém, além dos amigos dela, tem chance de vê-la sorrindo ou fazendo algum tipo de piada.

– Sua casa é bonita Rachel. – Ela diz enquanto estamos entrando no meu quarto. – E seu quarto é a representação perfeita da sua personalidade... É lindo. – Então se eu entendi direito, Quinn acha que minha personalidade é linda? Isso sim é inacreditável. Talvez ela só esteja sendo legal comigo.

– Obrigada, Quinn. Acho que é como dizem por aí: Meu quarto, meu mundo. Aposto que o seu também diz muito sobre você. – Quinn já está sentada sobre minha cama. Ela olha ao redor do quarto, como se quisesse guardar na memória cada canto daquele ambiente. Eu penduro o casaco dela atrás da porta e pego o computador para procurar o documentário que precisamos assistir.

– Na verdade, hoje o meu quarto tem muito sobre mim, mas isso é recente. Até quando meu pai morava conosco eu não poderia ter no meu quarto coisas das quais eu realmente gosto. – Ela fala enquanto olha através da janela. Pelo seu semblante noto que aquela lembrança causa alguma espécie de dor. Decido descontrair a situação. A única coisa que não quero ver é Quinn triste.

– Aí seu pai saiu de casa e você saiu pregando pôsters dos cantores estranhos que você gosta ou dos filmes chatos que você assiste? – Ela me deu uma leve tapa na costa. – Ei, sou eu a que bate nessa relação. – Movo o dedo indicador apontando entre mim e ela. Isso a faz rir. – Você está com fome? Eu posso preparar alguma coisa para você.

– Não, Berry, estou bem, me alimentei antes de sair de casa. Mesmo assim não é como se eu fosse aceitar alguma coisa preparada por você, afinal, vai que você planeja me envenenar – Tenho certeza que meus olhos estão maiores do que já são. Eu não acredito que ela pensa que sou capaz de fazer uma coisa assim – Sabe como é, né?! Vai que você ainda nutre algum tipo de ódio por me achar uma ameaça para você e Finn.

– Eu... Eu não faria algo assim, Quinn, ainda que eu considerasse você uma ameaça. – Não consigo falar isso sem que seja de uma forma que demonstre o quanto estou desapontada por ela pensar isso. – Mesmo assim, eu já não estou com Finn.

– Relaxa, Berry. Eu estava brincando com você. Assim como você fez ao falar que tenho gostos estranhos. – Solto a respiração que eu nem sabia que estava prendendo. Ainda bem que isso era apenas uma brincadeira. – Um dia vou te mostrar o quanto as músicas que gosto são boas, assim como os filmes. – Estamos sentadas lado a lado na cama. O computador está sobre as s pernas. Quinn leva o braço de modo a contornar meu ombro, numa espécie de abraço. Ela move as mãos subindo e descendo minhas costas, como quem faz carinho.

– Que susto! Eu ficaria muito ofendida se você realmente pensasse algo assim de mim. – Olho diretamente nos olhos dela enquanto falo. Então continuo a procurar pelo filme.

– Que bom que você já não está com Finn. – Eu olho para ela novamente. Preciso enxergar o que a por trás daquilo que ela diz – Eu sempre soube que você merecia mais que ele. Desculpa por falar isso, sei que você ainda gosta dele. – Eu abro a boca para explicar o tipo de sentimento que tenho por Finn, mas ela continua a falar. – Eu sei o quão talentosa você é. Assim como sei que Lima é pequena demais para abrigar você por muito tempo. Finn jamais conseguiria acompanhar seu ritmo. – Nesse momento já deixei de fazer tudo o que eu estava fazendo para me ater somente a Quinn. — Mesmo que eu nunca tenha dito antes, eu te acho uma pessoa incrível, ainda que você se torne chata por falar demais... – Ela ri e eu franzo o cenho como se não estivesse gostando de ouvir aquilo – mesmo que no passado... eu tenha feito coisas horríveis a você. Me desculpa, Rachel? Você pode me perdoar? – Estou totalmente surpresa com o rumo que essa conversa tomou. A rainha da escola pedindo perdão a mim? Ninguém ousaria pensar em algo assim. Mas vejo sinceridade no que ela diz e isso é bom, extremamente bom... Estamos construindo algo forte aqui.

– Você não precisa pedir perdão, Quinn. Eu te perdoei por tudo no mesmo momento em que as coisas iam acontecendo. – Ela me olha de forma expectante. Como se realmente a minha resposta fosse importante para ela.

– Mas é de coração que estou pedindo perdão. Você deve saber... É difícil para mim falar sobre qualquer coisa que sinto. E, por isso, até mesmo pedir que você me perdoe é abrir mão de um orgulho que me acompanha a vida toda. – O braço dela já não está sobre meu ombro. Mas nossas mãos estão juntas. Nossos dedos entrelaçados. Eu intensifico o toque de nossas mãos apertando mais a dela.

– Quinn, está tudo bem. Como eu disse, eu te perdoei antes de ter essa amizade. Só não volte a ser como antes. – Separei nossas mãos para puxá-la para um abraço – Eu gosto dessa Quinn de agora. Você é boa demais para perder tempo estragando sua vida como fazia antes. – Dei um longo beijo na bochecha dela. Como se esse beijo representasse o carinho e respeito que tenho por ela agora. Quando nos separamos do abraço, vejo que ela tem pequenas lágrimas acumuladas no canto dos olhos. – Não sabia que a temida Ice Quinn da escola é tão dramática quanto eu. – Mais uma vez resolvo descontrair a situação formada no quarto. – Você é sentimental demais, Fabray. Está estudando para ser igual a mim? – Essa sou eu tentando ser engraçada para ver algum sorriso sair dos lindos lábios de Quinn.

– Você é única, Berry. Isso não há como negar. – Ela enfim sorri enquanto abaixa a cabeça. Levanto a cabeça dela e passo a ponta de meu polegar no canto dos olhos dela, limpando aquelas gotinhas acumuladas.

– Vamos assistir logo isso e fazer de uma vez por todas esse trabalho, Fabray. – Deixo o computador sobre a cama e nos encostamos na cabeceira da cama para assistirmos. — Pensando bem, acho que você está querendo enrolar para que eu faça sozinha esse trabalho.

– Nos seus sonhos, Berry. Eu jamais confiaria deixar um trabalho escolar nas mãos de qualquer pessoa. Não posso por em declínio minhas excelentes notas. – Ela fala com um ar de soberba, como se ela fosse a melhor aluna daquela escola. Às vezes até penso que é mesmo.

O documentário começa a ser exibido. Nos concentramos no filme. Mas nossos corpos estão da mesma forma como na escola. Acho que não tem como isso ser diferente agora que estamos nesse nível de amizade. Assim que o filme termina começamos imediatamente a fazer a resenha. Só então confirmo o quanto Quinn é inteligente. Ela conseguiu dar a resenha um olhar crítico que nem eu, com toda a minha imaginação, poderia ter alcançado. Claro que expressei minhas opiniões sobre o que havíamos visto. Mas não posso negar que as contribuições de Quinn foram extremamente importantes para a escrita do trabalho. Agora sim está explicado o porquê dela não confiar a vida escolar dela a ninguém... Ninguém pensa como ela. Não há naquela escola alguém tão inteligente como ela.

É domingo quando resolvo acompanhar meus pais no parque. Gosto de estar perto deles e esses programas de fim de semana são os que mais me agradam, já que durante a semana eles trabalham e quase não nos encontramos durante o dia. Andamos por alguns lugares, conversamos sobre as coisas mais banais da vida e até programamos nossas férias de final de ano.

Agora estamos sentados numa sorveteria. Vou até o balcão pedir o sorvete preferido de meus pais, não há garçons por aqui. Faço o pedido e vou para o outro balcão pegar os sorvetes. Estou virada para o painel negro na parede que indica os sabores de sorvete e percebo alguém se aproximar de mim. Meus olhos são cobertos por mãos quentes e cheirosas. Instantaneamente coloco as mãos sobre as que estavam cobrindo minha visão. São dedos macios, mãos macias. Inalo uma grande quantidade de ar para tentar sentir o cheiro da pessoa... Quinn Fabray e sem chances de erro.

– Pode me soltar, Quinn. Sei que é você – Anuncio enquanto empurro as mãos para que liberem meus olhos.

– Você é sem graça, Berry. Já falei que você é muito chata? – Ela parece estar chateada comigo. Mas sei que é brincadeira. – Como você sabia que era eu?

– Simples... mãos macias e principalmente pelo cheiro. – Falo rapidamente.

– Você conhece meu cheiro, Berry? – Ela fala enquanto arqueia uma sobrancelha, como se quisesse demonstrar o quanto aquilo é íntimo. Eu fico constrangida e provavelmente vermelha, pois ela afaga minha bochecha. Uma senhora loira se aproxima de nós e eu acredito que ela seja a mãe de Quinn. – Mãe, essa é Rachel Berry. A minha parceira do trabalho de história e do Glee. – Eu estava certa.

– Olá, Rachel. Como vai? – Ela estende a mão. Claro que retribuo o cumprimento.

– Estou bem, Senhora Fabray. Estão aproveitando a tarde na melhor sorveteria de Lima? Falo olhando para as duas loiras que estão na minha frente.

– Escolhemos fazer algo diferente hoje. Normalmente aos domingos íamos apenas a Igreja, hoje fomos às compras, não é, filha? – Quinn assente com a resposta dada por sua mãe. O balconista me chama e entrega os sorvetes que pedi.

– Me deixa ajudar você. Suas mãos são tão pequenas que você não conseguirá não derramar esses três sorvetes. – Quinn pega dois de minhas mãos e caminha comigo até onde estão meus pais. Não sem antes eu fazer uma careta como se estivesse chateada com o que ela havia falado.

– Pais, essa é Quinn. Ela estava comigo em casa ontem. Quinn, esses são meus pais, Hiram e Leroy. – Apresento-os enquanto eles se levantam para abraçar Quinn. Noto que ela fica com a face ruborizada. – Esqueci de dizer, Quinn, mas meus pais gostam tanto de abraços quanto eu. – Nós rimos diante esse comentário que fiz.

– Sente-se conosco, querida. – Meu pai fala enquanto puxa uma cadeira para que Quinn pudesse sentar.

– Seria um prazer, mas minha mãe está ali no balcão esperando por mim. – Ela fala enquanto nós todos olhamos para onde a mãe dela estava. No mesmo instante a Sra. Fabray nos olha e acena como se estivesse entendendo que falávamos dela.

– Chame-a para se juntar a nós. – Meu outro pai fala enquanto puxa mais uma cadeira para nossa mesa. – Adoramos estreitar relações, não é querido? – Ele se direciona a meu outro pai que acaba incentivando Quinn a ir buscar a Sra. Fabray.

Elas se juntam a nós três e iniciamos uma conversa divertida sobre temas aleatórios. Nossos pais compartilham memórias da época em que eles estudavam e tentam comparar com a fase que eu e Quinn estávamos passando na escola. Olhando bem para o rumo daquela conversa, sinto que novos laços foram formados naquele momento.

Quinn que está sentada ao meu lado, me olha e sorri. Pega minha mão que está sobre minha perna e faz um carinho com o polegar. Esses carinhos singelos se tornaram normais entre a gente. Ontem também ficamos assim durante todo tempo em que ela estava em casa. Isso é bom, digo, toda essa aproximação com Quinn é boa. É confortante saber que a tenho como amiga agora. Eu nunca tive muitos amigos. Sempre era apenas eu e meus dois pais. Mas agora, vendo como Quinn e até a mãe dela estão encaixadas perfeitamente numa conversa com minha família, sinto como se tudo estivesse no lugar certo. É como se isso me bastasse para dizer que estou e sou feliz. É como se eu não precisasse mais de Finn para completar minha felicidade.

Notas finais
Bom, eu gosto de escrever a fic, mas assim como pedi nos capítulos anteriores, gostaria de alguns comentários que me dissessem se a história está seguindo um caminho legal. Sei que tem uma boa quantidade de pessoas acompanhando a fic e se ao menos 1/3 me desse um retorno ia ser muito bom. Já tenho alguns capítulos escritos, prontos para serem postados. Mas quero muito um feedback, entendem?