Moonlight
7 Impressões
Notas iniciais
CAPÍTULO SEIS: Impressões
Edward pisou na sala, sendo recepcionado por uma enxurrada de pensamentos. Diversas opiniões se misturaram na mente do vampiro, demonstrando desde insatisfação até excitação com a troca de salas. Ele se moveu lentamente, sorrindo de canto e ocupou o lugar do lado de Bella Swan.
O rapaz respirou fundo, degustando da insensibilidade ao sangue da bruxa e se banhando no aroma de frésias e baunilha. Ela cheirava tão bem! Um suspiro satisfeito escapou entre os lábios rosados de Edward, gerando um olhar suspeito de Bella. Ele se virou, agora aproveitando para enxergá-la por completo: sentada tensa, coberta por um vestido de lã, e com os olhos castanhos 2x maiores que o normal. O delineado, forte, projetava o olhar e, de alguma maneira, destacava o nariz anguloso da menina. Linda, ela estava linda. Um pouco diferente do que aparentara nos outros dois dias, mas igualmente encantadora.
Ele abriu a boca, pronto para jogar uma piadinha charmosa, mas foi interrompido no segundo:
― Que coincidência incrível, não? ― com um biquinho, Bella provocou.
Edward, esticando as mãos sob a mesa, sorriu torto.
― O destino é maravilhoso, de fato ― ele disse.
Ela semicerrou os olhos.
― Você não roubou aquele projetor, certo? ― ela indagou.
― Eu nunca faria isso!
Ele faria.
― Claro ― ela rolou os olhos.
― Srta. Swan, eu preciso dizer ― Edward abaixou o tom de voz. ― Sua desconfiança comigo está se tornando problemática. Você tem algum preconceito com a minha espécie?
Bella jogou um pouco de cabelo para o ombro e escolheu ignorá-lo.
Edward estudou-a com discrição, tentando evitar o conflito do dia anterior. Ouvira, durante o passar do dia, diversos garotos elogiando Bella. As meninas tinham rodopiando ao redor dela também, algumas pedindo um tutorial e outra chamando Bella de Juliette Gréco (diante desta afirmação, Edward notou a garota murchar um pouco).
― Você está bonita ― ele ousou dizer, a voz de veludo.
Os olhos de Bella arregalaram-se antes dela relaxar a postura.
― Bem, obrigada ― ela o fitava com cuidado. ― Talvez eu possa arriscar com você.
― Como assim?
― O que você achou da minha maquiagem? ― ela arqueou uma sobrancelha.
― Igualmente bonita.
Ele adoraria ler a mente dela, decifrá-la por trás daquelas orbes escuras.
― Você acha que eu pareço um panda?
Edward riu.
― Igualzinha a Dusty Springfield. ― ele concordou.
― Ah! ― ela arfou em júbilo. ― Finalmente! Deus, eu estava esperando que alguma menina acertasse, mas eu fui chamada até de Brigitte Bardot e nenhuma lembrou da pobre Dusty. Bem ― Edward engoliu o desejo de sorrir largamente quando notou que havia quebrado a tensão momentânea e, agora, Bella tagarelava. ― Eu sabia que eu poderia confiar em uma… Alma velha para entender a referência.
― Quem disse que eu sou velho? ― ele fingiu ofensa.
Bella fez uma careta incrédula.
― Com certeza, você não é novo ― ela retrucou.
― Que ofensa imensa, senhorita ― ele mexeu a cabeça. ― Para sua informação, eu tenho 17…
― Milênios? ― o sussurro dela cortou a resposta de Edward.
E ele gargalhou.
O professor, ainda lutando contra os cabos, disparou um olhar repreensivo. Sob a irritação do Sr. Meyer, os dois se encolheram. A conversa não pararia e eles cochichavam quase inaudível.
― Seja sincero, Edward ― Bella assumiu uma energia séria. ― Você aprontou na sala de Sociologia?
― Por favor, Bella.
― Eu sei que sou um ímã para pessoas como você ― ela confidenciou. ― Mas me nego a acreditar que o destino seja tão engraçadinho assim. É uma piada, não?
― Você não acha romântico?
Ela ruborizou.
― Você está se declarando para mim? ― retrucou então.
Edward sentiu as palavras perderem-se em sua língua, confusas e deslizantes como dados jogados com uma força desproporcional.
― Rá! Veja agora quem está constrangido!
Ela soltou um risinho tossido.
― Nos conhecemos há 3 dias, Edward, não se assuste tanto ― sugeriu ela.
3 dias.
E ele se sentia incrivelmente tolo, como um garoto de 17 anos e não como o homem centenário que era.
― Você está usando algo contra mim? ― conjecturou ele.
― Eu preciso? ― ela lambeu o lábio superior.
Edward quase desmanchou na cadeira.
― Que situação absurda ― ele resmungou, tomado de vergonha e revolta.
― Quem inventou de roubar uma sala foi você e não eu ― ela disse.
― Eu não roubei aquele maldito projetor.
― Hum.
Encaixando com dificuldade um cabo HDMI, o professor aplaudiu a si mesmo quando os slides refletiram no quadro. Edward e Bella remexeram-se juntos, trocando um olhar de soslaio, e a aula começou.
[...]
Rosalie, em toda sua sabedoria, amava a música dos anos 80.
Os synths, as batidas repetitivas, as letras referentes à Guerra Fria ou corações partidos. A politicagem e sexualidade disfarçada em maquiagens absurdas, em performances exageradas. Ela amava. A música dos anos 90 era igualmente agradável, ela pensava. Muito mais dramática, com certeza, mas que coração de ferro não adoraria Céline Dion berrando It’s All Coming Back To Me Now? Era icônico.
Mas Rosalie desprezava boybands.
Ela fugia de garotos apaixonados como o diabo foge da cruz.
Levando tal fato em consideração, Rosalie deu um jeito de escapar da aula de Espanhol quando a professora começou a tocar Nunca Te Haré Llorar do Backstreet Boys. Jasper, que tinha os horários em dupla com a “irmã gêmea”, ergueu os olhos em humor quando viu a loura fugir com a desculpa que precisava usar o banheiro. Urgências femininas, ela explicara.
Rosalie andou pelos corredor vazios, estalando os saltinhos no linóleo. Passando pela sala de Inglês, notou Emmett sentado contra a parede. Entediado, girando um lápis entre os dedos. Ela adoraria tirá-lo daquela turma, uma fugidinha só deles. E Emmett não diria não, ela sabia. Podia ouvi-lo rindo, abrindo a fivela do cinto com vigor. Ela odiava garotos apaixonados… Com exceção ao seu Ursinho, é claro.
Ela suspirou e encaminhou-se para o banheiro das meninas.
O recinto estava vazio, apesar das cabines fechadas. Rosalie escorou-se no mármore escuro da pia, cruzando os braços. Admirou, por um instante, a sua imagem de lado no espelho retangular. Cabelos dourados, tal como ouro líquido, desciam pelas suas costas até a altura da cintura. O nariz reto e lábios carnudos. Uma leve covinha no queixo, que destacava-se apenas quando ela sorria largo.
A observação foi breve, pois logo Rosalie ouviu passos se aproximando. Ela ergueu o pulso, estudando o relógio de ouro que usava: era troca de períodos e faltava apenas 45 min para o final do dia escolar. Ela entrou em uma das cabines, trancando a porta e sentou-se no vaso, com a tampa fechada, aguardando enquanto um grupo de meninas espalhava-se pelo banheiro.
Houveram fofocas, comentários amargos a respeito de notas e sons de água e logo elas tinham sumido. A vampira esticou a mão, pronta para se retirar, e então outra pessoa adentrou o banheiro. Uma bolsa impactou e um som metálico seguiu-se.
― Vampirinho mentiroso! ― um sussurrar de quem falava consigo mesmo. ― Aquele Edward Cullen, ah, ele ainda vai ver…
Rosalie deu um pulo e abriu a porta com a truculência de um policial que invadia uma residência: um gritinho assustado escapuliu de Bella e o lápis preto, que usava para consertar os olhos, voou longe. Ela respirou com dificuldade, colocando uma mão no peito.
― Você quase me matou do coração!
Rosalie deu 3 passos até a morena.
― O que aquele idiota do meu irmão disse à você? ― ela exigiu saber.
Que cenário perfeito para o caos e destruição! Edward havia revelado à natureza dele aquela garota humana. Rosalie sentia, no fundo da sua alma, que algo aconteceria entre eles, o clã e a menina Swan, mas jamais imaginara que o ruivo entregaria a verdade em uma bandeja… Era insanidade, na melhor das possibilidades, e um crime, na pior. Ela ergueu uma mão, tocando na ponte do próprio nariz.
― Eu não vi que você estava aqui… Achei que estava sozinha… ― murmurou Bella.
― Agora eu ouvi ― Rosalie mexeu os ombros. ― Continue.
Bella pigarreou.
― Assunto privado.
Rosalie deu outro passo.
O coração de Bella tamborilou alto.
― Se você tentar me matar, eu vou revidar! ― Bella ergueu os ombros, reunindo coragem. ― Eu posso morrer, mas levo você junto!
Rosalie piscou, incrédula.
E, então, gargalhou.
Uma criatura curiosa, Rosalie lembrou das palavras de Edward. E como era! Da onde aquela criança tiraria tais palavras quando sabia o que eles eram?
― Eu, por acaso, ameacei você? ― questionou Rosalie.
― Não.
― Então?
― Eu não sou tonta para confiar cegamente em… Alguém como você!
― Mas é tonta o suficiente para me ameaçar?
Silêncio.
― Você é doida ou algo do gênero?
Bella bufou e atravessou o espaço, juntando o lápis preto. Limpou a ponta com os dedos, soprou levemente, e tornou sua atenção para o espelho. Ela ficou na ponta dos pés, aproximando o máximo possível do reflexo: enxergava com dificuldade.
Rosalie aproximou-se, novamente encostando os quadris na pia: o peito ardia, como se estivesse faminta, mas não encontrava desejo algum em se alimentar. Era um puxão esquisito, ela notara. Uma espécie de nostalgia, reconhecimento, indicação do futuro. Uma proximidade nada familiar. Ela tocou na própria garganta, sentindo que o breve pavor e irritação que tivera com Bella já dissipara. Um sentimento momentâneo, muito veloz. Agora tudo que restava era aquela sensação diferente, a mesma que sentira quando Edward retornou da caçada.
A vampira semicerrou os olhos, analisando Bella: era uma menina pequena, pálida e magra. Coração pulsante, bochechas avermelhadas. Com certeza, estava viva… Mas não agia como uma humana convencional. Não estava repelida ou arrepiada devido à presença de Rosalie. Não parecia histérica em relação à existência de vampiros, apesar de acuada. Humana convencional, pensou a Hale. Edward não seria tão idiota a ponto de revelar-se àquela novata… Era impossível. Talvez ela fosse alguma espécie de metamorfo, como os Quileutes. Aquilo explicaria a bravura descabida e a fachada convencional.
Respirando pela primeira vez desde que saíra da sala de aula, Rosalie abriu os pulmões para capturar a essência daquela menina ousada. Flores, um doce agudo e nenhum resquício de sangue. Olhos amarelados arregalaram-se em espanto:
― O que você é?!
― Agora você também… ― Bella guardou o lápis em uma minúscula nécessaire e balançou a cabeça em desaprovação. ― Edward não me contou nada, se é o que preocupa você. Ok?
Com os olhos devidamente maquiados, Bella girou como quem planejava retornar de onde viera: Rosalie, em seus 1,80m, barrou a menina. Bella bateu o pé, incomodada, e estendeu o queixo em descrença antes de falar:
― Já que você não me ameaçou naquela hora, será que eu poderia ter um pouco de normalidade? Só um pouquinho? Eu tenho que retornar para a aula…
― Não.
Bella tentou desviar e Rosalie moveu-se em conjunto.
― É Rosalie, certo?
Ela assentiu.
― Quem sabe conversamos depois?
― Não.
― Por que não?
― A situação está exposta demais para deixarmos para depois.
Outra vez, Bella tentou sair e Rosalie a seguiu com mais precisão que aquele espelho ao lado. A morena não tinha conseguido avançar nem dois passos.
― Saia da minha frente!
Rosalie negou levemente.
― Eu quero uma explicação.
― Você é mil vezes pior que o Edward! ― e, com uma mão impaciente, Bella agarrou o braço de Rosalie, pronta para empurrá-la.
Então houve escuridão.
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