Moonlight
13 Caos
Notas iniciais
CAPÍTULO DOZE: Caos
— Admita, Swan, você seria nada sem mim.
Sexta-feira, 5 horas da tarde:
Leah Clearwater estava posicionada no centro do quarto de Bella Swan, os cabelos presos por um lenço e vestindo um macacão de brim, enquanto empunhava uma chave de boca. Na parede, próxima a escrivaninha, uma estante de aço estava pela metade.
— Pare de ser tão convencida, Leah — bufou Bella do outro lado do cômodo enquanto guardava roupas recém dobradas. Peyote, deitado na cama, soltou um miado indiferente ao assunto. — Além do mais, eu estou preparando o jantar. Você não está trabalhando de graça.
— E nem trabalharia mesmo — assentiu a outra menina. — O mínimo que você pode fazer é me alimentar. — Leah girou a chave no ar antes de retornar para a estante em construção.
Quinta-feira, depois de cinco dias afundada na bagunça da mudança, Bella chegara ao seu limite. Fora um surto inesperado e feio, com um chororô inacabável e Charlie confuso, sem saber como consolar a filha. Depois de algumas horas de lágrimas e uma caixa inteira de Kleenex, Bella decidira que era a hora de procurar ajuda externa, pois nem com toda a mágica do mundo ela seria capaz de montar uma prateleira para seus incontáveis livros. Leah, é claro, era a santa solução.
— É para esse tipo de missão que um namorado é útil — comentou Leah enquanto firmava uma placa de aço com parafusos.
— Credo, Leah. Achava que você fosse mais feminista que isso. — murmurou Bella.
— A minha visão é extremamente femista, você não entende. Eu estou muito, muito, muito além — explicou Leah. — Os homens têm uma dívida histórica conosco. Sempre que eu posso explorar um homem, eu aproveito.
Bella gargalhou alto.
— Leah!
— É verdade!
— Então, o Sam era multitarefa?
— Urgh — ela arquejou. — Ele era muito cabeça-dura para a maior parte das coisas, mas era bom em carregar peso. Ele ajudou o papai a reformar o chalé no verão passado.
Terminando a tarefa no roupeiro, Bella moveu-se até sua caixa de artigos místicos. Incensos, adquiridos no dia anterior, incontáveis folhas de sálvia, um tarô e algumas velas e óleos aromáticos se misturaram na mesinha, despertando o olhar curioso de Leah.
— Caramba, garota, você é mais mística que os velhos do Conselho.
Bella sorriu de canto.
— Fugindo das tradições, Leah?
— Talvez — ela deu de ombros. — O Conselho é muito exagerado, sabe? Há alguns anos, quando aqueles branquelos riquinhos chegaram em Forks… A família Cullen… Os chefes do Conselho fizeram um ritual para proteger a Reserva. Billy Black passou quase uma semana respirando fumaça até conseguir se comunicar com o “grande” Taha Aki. Eles acreditam que há algo de errado com eles, que são demônios — Leah riu com amargura e descrença. — Eu não entendo, é apenas isso.
Bella permaneceu em silêncio.
Se o sobrenatural existia entre os Quileutes, como Edward revelara, Leah não estava ciente. Os instintos de Bella, tão pouco, indicavam o extrassensorial na amiga ou em qualquer um que estivesse na residência Clearwater no dia em que elas se reencontraram.
— Seth acredita em tudo, é claro — Leah continuou sem notar a postura tensa da amiga. — Logo, ele estará metido com aqueles outros garotos da Reserva, os mesmos que fizeram o Sam desaparecer por uma semana. Os defensores do bom povo de La Push, dá pra acreditar? Eles andam em grupo, como uma matilha. Um na frente, os outros atrás. Palhaços.
— Como eles protegem o povo? — indagou Bella.
Lobos, os Quileutes são lobos, dissera o vampiro de cabelos ruivos.
— Com os punhos? — ela deu de ombros. — Eles expulsaram um traficante da Reserva.
Bella pigarreou.
— Claro, ninguém deseja um traficante como vizinho — Leah se virou para fitar a amiga. — Eu não teria um problema com eles se não fossem tão… Arrogantes.
— E se não tivessem corrompido o seu ex.
Leah revirou os olhos.
— Mantenha-se na linha, Swan — ela comandou. — Não comece uma seita com todos esses óleos e incensos.
— Eu nunca teria a influência para fundar uma seita — lamentou Bella.
— É, eu sei. Se você fundasse uma seita, eu teria que participar — Leah pescou a última placa de aço do chão. — Eu cometi algumas loucuras, mas definitivamente não planejo participar de rituais na mata.
Bella forçou uma risada cheia de desconforto.
— O que você acha de uma música? — Bella habilidosamente desviou o assunto.
Leah suspirou com satisfação.
— Por favor!
— Pop? Rock? — perto do aparelho de som, Bella mexia nas mixtapes organizadas carinhosamente por Renée. — Triste? Clássica? Hum… Romântica!
— Você não vai me conquistar, garota — debochou Leah.
— É claro que vou — Bella pescou uma fita cassete cor-de-rosa. Ela estabilizou o volume, abaixando-o à uma altura agradável e apertou o play. Uma batida animada vibrou pelo quarto inteiro e Leah logo reconheceu a voz de Phil Collins em You Can’t Hurry Love.
— Oh, não, não, não! Nem pensar…
— Tarde demais, Clearwater — Bella já havia puxado Leah pela cintura, guiando-a em uma dança alegre. Leah revirou os olhos, tentando esconder o sorriso.
— Eu vou te assassinar com essa chave de boca! — ameaçou a outra garota.
— Uhum, uhum.
— Não duvide de mim, Swan!
— Quero ver você tentar — cheia de habilidade, Bella ficou na ponta dos pés e girou Leah, roubando uma gargalhada da amiga.
Com o mix de músicas dos anos 80, logo a tensão se dissipou.
As garotas focaram na organização do quarto, desempacotando itens e empilhando outros. A prateleira firmou-se no chão e Bella a preencheu com livros e frascos de ervas e incensos. No primeiro andar, Leah intrometeu-se na preparação do jantar e convenceu a amiga a substituir batata rústica por macarrão com queijo.
— Jesus Cristo, você está parecendo um atlas mundial! — Leah gargalhou alto, engasgando em um pouco de comida, quando notou a vermelhidão que subia no pescoço de Bella.
— Pare! É a pimenta da galinha — defendeu-se Bella enquanto se abanava.
Na sala, elas comiam em pratos de vidro e bebiam chá gelado em xícaras. A televisão estava ligada, como barulho de fundo, e elas ignoravam as cenas românticas de Titanic enquanto fofocavam, momentaneamente parando para uma sessão de implicância amigável e mútua.
— Eu sabia que seria forte demais para você, branquela — acusou Leah.
— Não é — ela mentiu.
— Uhum.
— Como você sobreviveu quatros anos sem fazer bullying comigo?
— Eu não sei, foi difícil — Leah fez um beicinho. — Uh! É agora!
— O que é agora? — Bella entornou o resto do chá em um gole só.
— A cena que a Rose e o Jack transam no carro — Leah apontou a televisão.
Bella suspirou.
— Eu não perderia a minha virgindade em um carro — ela comentou.
— Chata.
— O que? Você aceitaria?
— Swan, sério.
— É verdade! Deus, não tem nada de romântico nisso tudo! Além do mais, eles estão dentro de um carro que está dentro de um navio… É como uma boneca-russa!
— Você está estragando o clima deles.
— Não estraguei mais do que o Jack, que morre no final… Ai! — Bella empurrou a mão de Leah quando recebeu um beliscão. — Não adianta, você não pode anular o fato que eu estou certa.
— Claro — ela ironizou. — E a sobremesa?
— Droga!
Bella zarpou do sofá em uma velocidade recorde, chegando até a geladeira na cozinha e tirando a mousse de chocolate branco do congelador. Leah ria do desespero da amiga, não notando quando ela retornou com um dedo apontado e um olhar de quem havia descoberto o mundo:
— Você perdeu a virgindade num carro! Perdeu, não foi?
Leah dobrou os braços na frente do peito.
— Bem, algumas de nós tem vida romântica. Tinha.
— Mas em um carro? — Bella se sentou novamente.
— Não é nada demais, não faça caso disso — murmurou Leah. — Você não imagina o quão difícil é esvaziar uma casa quando se tem um irmão pré-adolescente. Eu juro, Seth parece nunca largar aquele videogame.
— Mas em um carro…
— Ah, qual é! Você estava me acusando de ser pouco feminista e agora está parecendo uma senhora conservadora…
— Mas em um carro!
— Urgh, você é virgem, não é?
— O que você acha?
— É claro que sim — Leah soltou uma bufada. — Escute, Swan, quando você sentir esse tipo de desejo, essa vontade, você vai entender.
— Duvido.
— Não duvide — Leah negou com a cabeça.
Bella escorou as costas nas almofadas do sofá.
Não havia muito o que pensar, sendo honesta. Ela lia muitos livros clássicos, romances atemporais, mas jamais experimentara de alguma paixão, muito menos de um sentimento tão primal. Ela sequer dera um beijo. A ideia de manter relações sexuais em um carro, ou em qualquer lugar que não fosse um quarto, parecia muito distante e, de fato, impossível.
Haveria quem despertasse tamanho desespero carnal?
Como se uma porta se abrisse na mente de Bella, ela viu por alguns instantes uma figura esbelta. Pálido, com cabelos acobreados e um maxilar definido. Esticava-se em sua mente como o elástico de um estilingue, trazendo-a de volta à realidade em um ricochete violento: Bella avermelhou da cabeça aos pés, o coração acelerado.
— Meu Deus, você estava pensando em alguém! — naquele momento, Leah quase rolava no carpete de tanto rir. — Em quem você estava pensando?
Bella cobriu o rosto, aterrorizada consigo mesma.
— Oh! Que não seja Jacob Black!
— Por que seria Jacob Black? — Bella arregalou os olhos.
— Ele é obcecado por você, não sei se sabe.
— Eu não falo com ele há tanto tempo! Nem tivemos tempo de conversar aquele dia na sua casa!
— Bem, dane-se Jacob Black! Em quem você estava pensando?
Bella cobriu o rosto de novo.
— É uma garota? Não tem porque ficar constrangida.
— Não é uma garota.
Bella engoliu a seco, as faces quase roxas.
— Edward Cullen. — admitiu.
[...]
Tudo aconteceu como um flash.
Rápido, ágil e direto como uma esquete.
Contrariada, tomada de mau humor, Rosalie acabou por ceder e montou um banho de rosas brancas com cravo-da-índia. Depois de dias enclausurada, evitando qualquer pessoa que não fosse Alice, estava na hora de se recuperar emocionalmente: fosse lá a magia que algumas pétalas e uma plantinha evocassem, ela tentaria.
Além do que prometia uma simpatia, Rosalie optou pelo relaxamento completo: buscou seu livro favorito, ligou o aparelho de som em um nível agradável e afundou na espuma, respirando profundamente. Ela escorou a cabeça na beirada da banheira e esticou os braços para fora, segurando firme o exemplar de Ulisses, de James Joyce. O fluxo de consciência das personagens escapou as páginas e surpresa Rosalie ficou quando uma voz masculina indagou da porta do banheiro:
— Como você está, minha flor-da-montanha?
Era Emmett, sorrindo pequeno mas exibindo covinhas.
Rosalie soltou a respiração e estendeu a mão, convidando-o. Emmett se sentou no mármore seco, na pontinha, e fitou-a com uma expressão cuidadosa. Ela fechou o livro.
— Desculpe pelos últimos dias — ela lamentou baixinho.
— Ah, sem problemas — ele garantiu. Emmett esticou os dedos, capturando-a pela mão úmida, subindo e descendo carícias que tocavam-lhe até a aliança de diamantes. Era um anel fino e cravejado de pequenas pedras brilhantes, luxuoso demais para que os adolescentes da Escola compreendessem que simbolizava um matrimônio de mais de cinquenta anos. Era também a primeira aliança deles, que Rosalie jamais aceitara substituir apesar dos incontáveis casamentos que eles performaram ao passar das décadas. — Mas você está melhor? — ele insistiu.
— Talvez — ela murmurou.
— Esse banho é alguma espécie de feitiçaria? — ele perguntou em um tom brincalhão.
Rosalie sorriu.
— Na verdade, é sim.
Emmett franziu o cenho.
— Eu queimaria se entrasse aí com você? — ele arqueou uma sobrancelha escura.
— Oh oh, você não vai entrar em nenhuma banheira — ela negou imediatamente.
— Hum! Por que não?
— Porque nós quebramos a banheira da última vez e Esme ficou furiosa.
— Rosie, quem está falando de quebrar banheiras é você! — ele riu.
— Não se faça de inocente! — ela o beliscou levemente.
— Logo eu, o exemplo da inocência.
— Claro, claro.
— Eu sou muito inocente.
Rosalie revirou os olhos com falso tédio.
No primeiro andar da mansão, Jasper moveu-se de maneira desconfortável quando sentiu uma energia diferente emanando dos andares superiores. Fazia alguns dias desde que ele sentira aquele tipo de afeto crepitante, tomado de provocações e luxúria. Alice, que estava esticada no sofá como uma diva a ser pintada, notou a diferença no companheiro.
— O que houve?
— Ainda sem visões do futuro, querida?
— Nenhuma.
— Sorte sua… Mas daqui uns minutos, você ouvirá o que está acontecendo.
— Ah! — Alice se sentou subitamente. — Bom para a Rosalie! Ela precisa se distrair!
Jasper conteve-se em rir por alguns segundos e depois juntou-se à Alice no sofá, abraçando-a pelos ombros enquanto ela aumentava o volume da televisão e zapeava entre canais. Ela se encolheu, grudando-se o máximo possível a Jasper e ronronou alegremente quando recebeu um beijo carinhoso na curva do pescoço.
Quarenta canais depois, Alice estacionou em algum canal bobo. Havia algo de muito reconfortante em reality shows fúteis e ela logo sorriu enquanto via uma família interiorana brigando em uma loja por causa de um vestido de noiva. Jasper entortou a cabeça, assistindo com curiosidade mórbida os babados excessivos do vestido.
— Eu sei! É horrível, certo?
— Tenebroso. — Jasper concordou.
A família texana continuou a discutir na tela.
O programa acabou sem um final concreto.
Muito comerciais depois, iniciou outro reality: pessoas com transtorno compulsivo-obsessivo sendo exploradas para exemplificar bizarrices. Alice se sentiu consternada, um profundo mal-estar, e tornou a mudar de canal. Jasper afagou-a, enviando uma onda de segurança e calma.
Alice vinha se mantendo ocupada desde o tal Ritual.
Primeiro, abraçara um pouco de luto. E depois jogara todos os questionamentos para um canto distante da mente, tentando focar no presente. Ela era dona de uma personalidade positiva, inegavelmente positivista, e possuía muitos mecanismos de defesa, tantos que Jasper, com sua empatia e seus diplomas em Psicologia, acreditava ser prejudicial.
Minutos depois, quando Alice encontrou diversão em John Travolta dançando em uma discoteca, Edward desceu as escadas com um olhar aterrorizado: o rosto era o mesmo de uma criança que vira demais.
— Descobriu como os bebês são feitos, Edward? — debochou Jasper.
— A ignorância é uma benção — o ruivo assentiu. — Bem… Eu vou caçar. Alguém quer me acompanhar?
— Está com fome, querida? — Jasper enrolou os dedos em uma mecha de cabelo de Alice. A baixinha parecia pensativa, muito além daquele diálogo, e Jasper enrugou a testa em um olhar de dúvida. — Alice?
Edward crispou os lábios.
A mente de Alice espiralava. Refletia as imagens do filme que assistia, de maneira muito indiferente e como um mero espelho: pensamentos racionais não apareciam. Jasper sequer identificava alguma emoção, nem mesmo sentia apatia. Edward ergueu a cabeça, assistindo ao teto, quando ouviu o craquelar alto de mármore e o cantar suave de água derramando.
— Ah, ótimo… Outra banheira!
— O que ela está pensando, Edward?
Alice continuava paralisada.
Uma estátua, não piscava e nem respirava.
— Ela parece… Distraída pelo filme. Quase absorvida.
— Eu não consigo sentir nenhuma emoção.
Eles esperaram exatos 2 minutos, mas Alice não conseguiu se mover.
— Eu nunca vi um vampiro catatônico — Edward estalou os dedos na frente do rosto da irmã. — Talvez seja um efeito do Ritual que elas realizaram…
— A última vez que chequei, Rosalie não estava paralisada! — Jasper rosnou.
— O que você sugere, Jasper? Gritar comigo não será a solução.
— Aquela garota, a bruxinha, prometeu que não seria danoso!
— E você sentiu a honestidade nas emoções dela, não? Talvez seja um efeito passageiro.
— Isso não pode ser normal — Jasper tocou no rosto congelado de Alice.
O estilhaçar de vidro ecoou pelo cômodo e Edward olhou assustado, surpreendido, para o vaso preferido de Esme que caía em pedaços no chão. Vozes altas e misturadas invadiram o ambiente e Rosalie, com os cabelos escorrendo água e vestindo apenas um roupão, desceu as escadas correndo. Edward surpreendeu-se outra vez quando a irmã mais velha se grudou nele, escondendo-se atrás de suas costas.
Naturalmente, Edward a questionou:
— O que houve?
— Emmett está louco, completamente fora de si.
— O que ele fez? Rosalie?
— Como eu posso explicar?
— Emmett fez algo sem o seu consentimento?
— Não, claro que não! É que… Nós estávamos, bem, em um momento de intimidade — o terror na voz de Rosalie agora era substituído por constrangimento. — Então, Emmett começou a se declarar. Muitas declarações de amor, Edward, mais declarações que proferimos em muitos anos! Não somos assim, você sabe como somos diretos…
— Como isso é um problema?
— Ele se agarrou ao meu quadril, como um recém-nascido, e começou a chorar enquanto dizia que me amava! Soluçando, Edward!
Tão confuso com toda a situação, Edward demorou alguns segundos para compreender o silêncio que vinha da mente de Rosalie. Ele se virou na hora, agarrando a irmã pelas laterais dos braços:
— Eu não consigo ouvir os seus pensamentos!
— O que?
— Em que você está pensando?
— Emmett, é claro! Edward, por Deus, você ouviu algo do que eu disse? O que eu disse oralmente.
— Emmett é apaixonado por você.
— Não, Edward, Emmett está à beira de um colapso nervoso.
— Não, ele te ama.
A voz mental de Rosalie agora era substituída por uma aura agradabilíssima. Invisível, mas morna; a energia que cercava a loira Hale era divina, como o amor de uma mãe ou o sorriso de um cachorrinho. Edward sentiu-se muito comovido, como se visse Elizabeth Masen depois de 90 anos, e afundou-se em Rosalie, abraçando-a com muita força.
— Acho que eu também te amo! — disse ele com a voz trêmula.
— Não, não! Você também não! — Rosalie tentou se desvencilhar de Edward, escapar daquele toque tão fraterno, mas ele a mantinha apertada. — Jasper, seu idiota, pare agora o que quer que você esteja fazendo!
— Eu não estou fazendo nada! — ele retrucou na hora.
— Sim, você está! — Rosalie reuniu toda sua força e empurrou Edward, libertando-se enfim. — Por qual outra razão esses idiotas estariam chorando? Não, você se mantenha longe de mim, Edward Cullen! Não! Xô!
— Meu poder está sob controle, Rosalie… Veja como está Alice! — as emoções de Jasper, contudo, não estavam controladas. Como um homem humano, ele tremia levemente em uma mistura de medo, raiva e frustração. — Ela está paralisada!
— Paralisada? — Rosalie afastou os cabelos dos olhos. Edward deu um passo em sua direção, a expressão de um animal que fora chutado, e Rosalie o afastou sem muitas formalidades. — O que houve?
— Eu não sei. Ela… Ela simplesmente parou de funcionar.
Rosalie ajoelhou-se na frente da irmã.
— Alice? — ela tentou chamá-la.
Nenhuma reação.
— Edward sugeriu que fosse do Ritual.
— Isabella Swan. — bufou Rosalie. — E a mente de Alice?
— Distante, parece.
— Você tentou beliscá-la? Um tapa, talvez? Alice parece em choque.
— Rosalie! Eu nunca faria isso!
— Não custa tentar.
— Não ouse!
— É só um beliscãozinho, Jasper…
Rosalie tocou na mão da irmã.
E foi como um flashback da cena no banheiro.
Energia estática, correntes de energia correndo brutalmente, e uma escuridão assustadora. Rosalie e Alice caíram inertes no chão.
[...]
— Bella, minha filha… — nervosamente, Charlie batia o pé no umbral da porta do quintal. Bella, distraidamente, ia circulando o chalé com uma mistura desconhecida de ervas. Peyote ia logo atrás, como se supervisionasse o trabalho. — Está tudo bem mesmo? Há algo que eu precise saber?
— Tudo bem! — Bella gritou do outro lado do pátio. Ela passara maior parte do sábado faxinando a casa, de maneira quase maníaca, e depois instalando pequenos itens mágicos. Pedras de ametista nas extremidades dos quartos, ímãs dentro dos armários da cozinha, uma tesoura atrás da porta da frente. Ainda havia um amuleto para ser construído para Charlie.
— Bem, se não há nada de errado, você está exagerando! — resmungou Charlie ao se sentar no degrau. Bella, próxima de uma moitinha, negou a acusação. — Você fazia isso tudo em Phoenix?
— É claro, eu nunca deixaria a mamãe desprotegida — respondeu Bella.
Charlie respirou fundo.
— Sinceramente, pai, não sei como você conseguiu viver em uma casa tão… Hum… Descuidada! Você foi criado por uma Bruxa, deveria saber melhor — ela continuou espalhando as ervas. — Essas portas não estavam apenas abertas para criaturas corpóreas, mas também para qualquer tipo de Maldição e Espírito ruim!
— Eu seria sequestrado por um Espírito?
— Claro que não — Bella esfregou as mãos. — Mas eu sei que você tem muitas dores nas juntas e isso nada é além de uma casa infestada de energias ruins!
Charlie colocou uma mão no queixo.
— Realmente, o doutor Cullen não conseguiu diagnosticar a origem do meu desconforto…
— Doutor Cullen! — Bella riu consigo mesmo.
Charlie não compreendeu.
— Ah, pai, se eu contasse que essa cidade está também infestada, você acreditaria?
— Carlisle Cullen parece ser um homem bom — argumentou ele.
— Ele é, eu acredito em você — terminando sua tarefa, Bella sentou-se ao lado do pai. Peyote rebolou até eles, miando, e esfregou-se nos joelhos de Charlie. — Mas a família Cullen é tudo, menos humana.
— Devo me preocupar?
— Acredito que não. Eu resolvi qualquer possível pendência, eu acho.
— Você não teve um momento de sossego desde que chegou a Forks, não é?
— Nenhum, é verdade — Bella escorou o rosto entre as mãos. — Eu jurava que encontraria apenas humanos e chuva, mas Forks é muito mais agitada do que parece.
— É a natureza de vocês — comentou Charlie. — Mamãe sempre encontrava algo quando viajávamos. Crianças amaldiçoadas em Sedona, criaturas aquáticas no lago Michigan… Bruxas no Alaska!
— Congeladas no rio Tanana! — Bella fez um gesto de proteção espiritual. — Eu lembro dessa história. Um coven inteiro se reuniu em Denali para tentar despertar as Bruxas… Vovó comentou que conheceu uma família de succubi.
— Belas loiras. — Charlie ruborizou.
Bella pigarreou.
— Amanhã, quando eu me encontrar com Edward Cullen, vou aproveitar a localização para selar um medalhão protetivo para você, okay? Não estranhe caso eu me atrase para retornar.
— Odeio que você fique caminhando pela floresta assim — disse Charlie.
— Eu sei, mas é parte do ofício.
— Você precisa de um carro — refletiu Charlie. — Assim, iria na estrada até parte do caminho. Seria mais seguro.
— Eu estou segura, pai — ela afagou o braço do pai. — Eu tenho os meus meios e, além do mais, Peyote gosta de me acompanhar.
— Peyote! — Charlie direcionou o olhar para o gato. — Esse gato é um desastre, Bella, ele não pode proteger nem a si mesmo… Essa semana eu assisti enquanto ele caçava uma borboleta. Tentava caçar. A borboleta bateu as asas nos bigodes dele e ele caiu no chão, parecia que tinha morrido.
— Ah, meu pobrezinho! — Bella puxou o gato para um abraço apertado. — Ele é mimadinho.
Charlie preparava uma tréplica quando a campainha tocou.
— Você esqueceu de colocar a vassoura atrás da porta — disse o pai antes de se levantar. Bella o acompanhou com curiosidade, carregando Peyote nos braços.
A madeira estalou enquanto a porta abria e Bella espiou pelo ombro de Charlie.
— Bella! — era Esme Cullen. — Precisamos da sua ajuda!
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