Moonlight

1 Remember last year?


Notas iniciais
Iai,primeira fanfic,espero que gostem.

Moonlight

Eu sempre tenho esse sorriso, da manhã à noite, de madrugada, ele é substituído por um rosto inchado e lágrimas nos olhos, comigo sentada no pé da cama, segurando meu joelhos e torcendo para depois de todo o choro vir a felicidade, o alívio, de saber que só teria que enfrentar isso uma vez ano.

Letícia, meu nome, desde pequena sempre foi muito fácil me apresentar, sempre achei um nome muito bonito e gostei ainda mais quando soube que significava uma mulher que transmite felicidade, gostava de pensar em mim mesma desse jeito.

Aquela foi a primeira vez que gaguejei a dizer o meu nome, quando a Letícia de 7 anos, sentada na beira da piscina do clube que ia, ouviu a menina que ela sempre achou fofinha perguntar o seu nome, lembro que demorei uns bons segundo pensando — qual era o meu nome mesmo? -, mas eu consegui dizer, e foi assim que eu conheci minha melhor amiga, a Rafa.

“She always has a smile, from morning to the night, the perfect poster child.”

-ela sempre tem esse sorriso, da manhã a noite, a criança perfeita-

A gente cresceu juntas, brincávamos de boneca depois da escola, e assustávamos os meninos da sala, para eles pararem de encher a gente, a gente era duas metades de um só.

Quando a gente tinha 12 anos, a Rafa foi diagnosticada com uma doença cardíaca, depois disso tudo começou a piorar, ela tinha crises de ansiedade de vez em quando, com medo de que um dia a doença podia trazer algo mais que ansiedade.

“But I can see through it all and she’s about to break”

-mas eu posso ver por trás disso, e ela está prestes a quebrar-

Catorze anos, puberdade, todo mundo cheio de hormônios achando que são adultos, a época que meu nome não parecia tão mais legal em tom alto, em que fazemos quiz na internet para descobrir se somos héteros mesmo, meu resultado deu certo, bissexual, sai do armário assim que me aceitei, meus pais sempre foram bem abertos, o que me ajudou bastante, mas ao contrário dos meus pais, estava a escola.

Os meninos sempre me atazanavam, por eu ser bissexual aberta, sofri bastante bullying, a única coisa que me mantinha era os meus pais, e a Rafa.

Mas todo mundo tem um pior dia, o meu foi uma sexta-feira, na escola, como sempre, eu estava apresentando um trabalho, e me apoiei na mesa perto do quadro, mas me apoiei em falso e cai, a mesa mexeu e fez o apagador sujo de giz cair na minha cabeça, todo mundo riu, o pó do giz entrou nos meus olhos, e eu comecei a lacrimejar, não queria que ninguém me visse chorar então eu corri pro banheiro, a Rafa veio atrás.

Eu me desmanchei no ombro dela, não aguentava mais, me sentia patética por estar chorando por algo que parecia tão simples, mas saber que minha melhor amiga estaria sempre lá para mim me fez levantar.

No mesmo ano, teríamos nossa formatura do nono ano, nenhuma de nós tinha um parceiro então a gente iria juntas, não é como se ligássemos que achassem que somos um casal, na verdade, eu ficaria feliz, desde de criança sempre me senti assim com a Rafa, e constatar que eu era bissexual me fez perceber que eu tinha sentimentos por ela, mas ela nunca me falou sobre a sua sexualidade, então imaginei que ela era hétero.

Dia 9 de novembro, uma semana antes da formatura, eu estava na casa da Rafa, a gente passou a tarde falando mal do nosso colégio, e jogando, já eram 19 horas, ela me deu um sorriso e pulou pela janela, a mesma dava para um tipo de varanda que ficava em cima do telhado, onde ela tinha botado várias luzes, esse era o nosso lugar desde pequenas.

Nos sentamos no chão e ficamos encarando o céu estrelado, até que ela se levanta pega o celular e bota uma música chamada La vie em rose, nós sempre concordamos que essa era a música mais bonita de todos os tempos, ela volta a olhar para mim, estende a mão e me pergunta — Quer dançar? -, um sorriso brota no meu rosto iluminado pela lua, e nós começamos a dançar valsa, teríamos que dançar assim também na formatura, imaginei que ela queria treinar, ficamos rodando de lado a lado até a música parar.

Assim que parou olhei para ela, e ela parecia prestes a chorar, perguntei o que havia acontecendo e ela me respondeu, e eu nunca pensei que isso sairia da boca dela –Fique sempre aqui, nunca me deixe-, nesse momento, eu já tinha decidido, que eu não queria mais guardar para mim, então eu botei para fora tudo que eu queria, falei todos os meus sentimentos, e vi uma luz nos olhos dela, ela sorriu olhando nos meus olhos, e me beijou, eu comecei a chorar e retribui, quando nos separamos e eu abri meus olhos, ela estava chorando também.

“The light from your eyes made it feel like we-e-e-e were dancing in the moonlight”

-a luz dos seus olhos fazia parecer que nós estávamos dançando ao luar-

Iriamos nos beijar de novo mas a mãe dela bateu na porta avisando que meus pais tinham vindo me buscar, dei um beijo na bochecha dela, e entrei no quarto de novo, quando eu estou entrando no carro vejo ela na sacada com a mão na boca e sorrio.

Cheguei em casa e me joguei na cama com o maior sorriso que alguém pode ter, recebo uma mensagem da Rafa, e antes de ver, troco o contato dela para um coração, na mensagem ela me deu boa noite junto com uma foto dela fazendo careta, sorri divertida, e mandei uma foto fazendo careta com um boa noite também.

Dormi que nem um anjo, no outro dia acordo super disposta e vou para a cozinha, lá eu vejo minha mãe e meu pai se olhando com uma cara de preocupação, pergunto o que aconteceu, e quando eles me veem seus rostos ficaram ainda mais tristes, minha mãe se levanta ande até mim segura meu ombro e diz –Letícia, é a Rafa, no meio da noite...ela teve um ataque cardíaco, ela se foi-, eu comecei a chorar, não podia acreditar, minha mãe previu o meu estado e me abraçou, meu pai também, eu lembro de ter ficado lá por meia hora, chorando com o rosto no ombro da minha mãe, depois eu fui pro meu quarto ,sentei no pé da cama e continuei a chorar.

“Now she lost her way, and she forgets to smile”

-agora ela se perdeu, e ela esquece de sorrir-

Um ano se passou, eu me ajoelho na frente da sepultura, com rosas na mão, toco na escritura e começo a chorar desesperadamente, como se o meu choro fizesse a dor passar, mas no fundo, eu não quero que passe, eu quero lembrar de tudo, tudo do meu primeiro amor.

“I remember last year when I told you, I would always stay here and never leave you, I told you the light in your eyes made it look like we-e-e-e were dancing in the moonlight”

-eu lembro do ano passado quando eu disse para você que eu ficaria sempre aqui e nunca te deixaria, eu te disse que a luz dos seus olhos fazia parecer que nós estávamos dançando ao luar-

Notas finais
Bjocas
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!