Moon Society: The lighthouse.
12 Capítulo dez: Resoluções.
Notas iniciais
Assim que chegamos em casa, me esgueirei até meu quarto e guardei o violino em meu closet, em seguida me troquei e desci para o jantar com a minha família.
Sabia que Emily iria embora na segunda, por isso gostaria de aproveitar todo o tempo que pudesse uma vez que eu não poderia ir a Dublin tão cedo, assim como ela trabalha muito e não poderá vir me ver até o próximo feriado.
Minha mãe e em pareciam estar em uma discussão, eu já havia percebido que elas estavam se falando pouco, sendo meio ríspidas e sem paciência uma com a outra, mas elas interromperam o que quer que estivessem conversando quando eu entrei.
― Ei você ― Emily sorriu me abraçando.
― Como foi o passeio? ― Papai perguntou.
Eu estreitei os olhos.
― Super ― Falei assentindo ― Não vai saber qual é seu presente até amanhã, nem tente.
― Me comprou alguma coisa?
― Aí meu Deus, Em, sabia que havia esquecido algo
― Está sendo irônica?
― Como assim? Não sei do que está falando
Meu pai e Emi caíram na risada.
― Esse terapeuta deve estar fazendo milagre né? Está até parecendo uma adolescente normal ― Emily alfinetou.
― Eu sou normal igual Lady Gaga
― Ah o humor britânico ― Emily divagou ― Auch!
― Que foi? ― Perguntei confusa.
― Tenho que te proibir de andar com Kaleb ― Minha mãe disse dando um sorriso ― Sente-se para comer ― Falou apontando a cadeira ao lado da minha irmã.
― Ei... Na verdade... Falando no Kaleb... Hoje um garoto que eu conheci, o Hunter, ele vai tocar com a banda em um pub, eu gostaria muito, realmente de ir ― Falei olhando suplicante para meu pai.
― Um pub? ― Meu pai perguntou.
― Ahanm
― Com certeza não.
― Por que não? Todo mundo vai
― Já falei que não é todo mundo, que não somos pais de todo mundo, somos os seus e você só tem 14 anos, é muito cedo para ir a pubs, as pessoas só vão la para beber, fumar, fazer sabe lá Deus o que mais e você não vai, isso não é negociável ― Meu pai disse.
― Isso é tão injusto ― Falei fazendo bico.
― A vida não é justa, volte em quatro anos ― Papa falou sorrindo ― Não adianta fazer esse biquinho, vai chegar a sua hora de ir a esse tipo de lugar se você quiser ir, mas não é agora, não tem que apressar as coisas.
― Mas todo mundo vai, Kaleb, April, Leonard, Chloe e Arian também...
― Todos eles são mais velhos do que você...
― E se Emi e Malloney forem comigo?
― Ah tá, três irresponsáveis pelo preço de uma, está me achando com cara de idiota Brieanna? ― Minha mãe perguntou ― Me lembro muito bem da última vez que te deixei sair, você não vai e pronto.
― Ei eu sou responsável ― Emily disse.
― Claro que é ― Minha Mamá disse irônica.
― Brieanna já aprontou muito mais do que eu, revejam seus conceitos ― Malloney reclamou.
― Que saco ― Falei voltando a comer.
― Você acabou de xingar? Eu devo estar imaginando coisas, não é? Porque você não xingaria na mesa de jantar, não é Brieanna?
Eu revirei os olhos.
Minha mãe bateu na mesa assustando todos.
― Eu já falei sobre isso ― Falou estalando os dedos em frente ao meu rosto ― Você pode subir para o seu quarto agora ― Ela disse me olhando severamente.
― Não precisa disso ― Papa falou.
― Ela nem acabou de comer ― Emily disse irritada.
Minha irmã tinha uma expressão frustrada.
― Não me questionem, não vou admitir falta de respeito das minhas filhas, vá direto para o seu quarto, só saia de lá quando estiver pronta para se desculpar, agradeça por eu não te colocar de castigo novamente, suba agora antes que eu mude de ideia sobre o castigo.
Eu saí da mesa me dirigindo direto para o meu quarto, fechei a porta com força, chutando ela em seguida.
Eu tinha lágrimas de raiva escorrendo por meus olhos, minha respiração estava ofegante e meu coração acelerado.
― Foda-se, foda-se, foda-se, porra, maldição, eu odeio essa merda ― Falei socando e chutando a parede do lado esquerdo da porta.
Eu me sentei no chão e abracei meus joelhos sentindo aquele aperto em meu estômago e em meu coração, unidos à dor terrível em minha cabeça e minhas mãos começaram a ficar dormentes.
Tinha a sensação de que todos os músculos do meu corpo pesava algumas gramas porque eu não conseguia sentir nenhuma parte deles, fechei meus olhos e pensei em como chegaria a minha cama.
Senti como se estivesse sendo sugada por um tornado, mas era quente e é quase vomitei, depois abracei meu travesseiro, apagando em minha cama na escuridão do meu quarto, finalmente o silêncio me acalmou.
No dia seguinte e ainda sentia minha cabeça um pouco confusa, como se tivesse outro daqueles blackouts, era o dia dos pais, eu e Malloney fizemos o café da manhã, demos os presentes do meu pai, ele tocou violino por algum tempo, maravilhado com o instrumento e nossa família foi a um almoço no The Islander, duas coisas constrangedoras aconteceram naquele restaurante, Malloney foi extremamente grosseira e fútil com a recepcionista quando ela não conseguiu encontrar nossa reserva e nós encontramos com William e seus pais, o que me possibilitou conhecer seu primo Jack, William já havia me falado dele, seus pais morreram e ele morava com os avós nos Estados Unidos, mas eles já estavam muito velhos para educar um adolescente por isso os pais de William o adotaram, Malloney brigou com William, eu briguei com os dois por fazerem aquela vergonha na frente de todo mundo no dia dos pais e depois nós fomos embora.
No domingo à noite Emi estava arrumando suas coisas para voltar à Dublin, eu estava sentada em sua cama inconsolável.
Emily suspirou.
― Vamos, não faça essa cara.
― Só tenho essa ― Falei mal humorada.
Emily riu baixo vindo me abraçar.
― Por que você tem que ir embora?
― Porque tenho uma casa lá, um trabalho na revista, um estúdio, funcionários ― Falou girando meus cabelos em seu dedo indicador.
― Chato, chato, chato, você poderia se mudar para cá ― Falei escondendo meu rosto em minhas mãos.
― Não tem nada para fotografar aqui ― Emily disse ― Você pode pegar um trem para ir me ver, sempre que quiser, vamos, elas são sua mãe e irmã, ficariam felizes se você se abrisse mais com elas
― Elas me odeiam.
― Isso não é verdade, elas amam você, ninguém poderia odiá-la, é o ser humano mais lindo do mundo inteiro, por dentro e por fora, você precisa se dar bem com elas e quando eu não estiver mais aqui?
― Não diga isso, seria um pesadelo, o fim ― Falei ― Eu preciso de você.
― Eu vou sempre estar aqui ― Falou tocando meu coração ― E aqui ― Falou tocando minha cabeça ― Você pode me ouvir mesmo que eu não esteja pertinho, estou sempre pensando em você ― Falou ― Malloney e sua mamá podem ser bem mais próximas se você deixar e dar espaço a elas.
― Elas têm vergonha, eu sei disso, elas me suportam, elas não são como você... Malloney até mudou de escola porque ela tem vergonha de mim ― Falei secando a lágrima no canto do meu olho esquerdo.
― Tenho certeza que esse não é o motivo pelo qual sua irmã mudou de escola, eu prometo que vai melhorar, um dia tudo isso vai... Vai melhorar, eu prometo, tenha paciência, você é forte e corajosa ― Em falou ― Vai passar por tudo isso, confia em mim?
― Confio.
― Então se mantenha forte, todas as coisas vão fazer sentido no futuro ― Falou.
Faziam duas semanas desde o retorno de Emi para Dublin, é, minha vida nunca esteve mais parada.
Malloney e minha mãe saiam todos os dias, meu pai está no resort todos os dias, não tenho ideia de onde meus amigos andam porque não consigo atender ao telefone, ao menos ninguém estava monitorando.
Eu havia acabado de tomar banho e me vestir para a terapia, meu pai iria me acompanhar hoje, quando cheguei à biblioteca ele estava tocando violino totalmente concentrado em uma canção melancólica, esperei até ele acabar para bater palmas com um grande sorriso nos lábios.
É bom saber que ao menos uma vez eu fiz algo certo.
― Não vi você chegar.
― O senhor é mesmo bom nisso ― Falei me aproximando.
― Um pouco ― Concordou humildemente posicionando o violino em um dos sofás.
― E aí ― Falei .
― Aqui o que? ― Perguntou confuso.
― Estou pronta, podemos ir ― Falei apontando para mim mesma.
Meu pai assentiu, mas hesitou por um momento ajeitando os óculos antes de se levantar.
― Brie...
― Pai..
― Essa terapia com Demétrio... Está mesmo ajudando? Sabe que não precisa ir se não quiser, só para agradar sua mãe...
Um lado de mim queria cair fora, mas o outro estava morrendo de medo do que poderia acontecer se eu desistir da terapia, com Mason e a terapia é difícil, sem isso é... O inferno.
― Eu quero ir, tudo é diferente agora ― Falei ― O careca está me ajudando muito papá... Além do mais, quais são as minhas outras opções não é?
Meu pai riu e me abraçou beijando meu cabelo.
― Papa eu e Emily estávamos conversando sobre...
Eu hesitei suspirando.
― Sobre?
― Jaqueline e Eleazar, eu acho...
― Não, sem chances, não vamos falar sobre esse assunto nessa casa, eles não são seus avós, não são nada, não merecem conhecer vocês, entendeu?
― Sim senhor ― Falei ignorando o assunto porque sabia que aquilo o magoa e transtorna.
Nós saímos de casa, seguindo pela N11, o consultório fica agora para lá de Rosslare.
Durante todo o trajeto nós dois riamos, ouvindo Van Halen, Papai me perguntou dos meus amigos, como andavam os preparativos para a festa, se Mamá precisaria ser contida ou se eu estava feliz com tudo, disse que eu poderia escolher como seria, nada de deixar ela fazer tudo de sua maneira para deixá-la feliz, disse sério.
O dia estava gelado e meu casaco não estava dando conta de me aquecer, quando saímos do carro, olhei para o prédio de tijolos vermelhos, atrás da cerca de madeira branca, esperando que la estivesse mais quente.
Quando me sentei numa das cadeiras para esperar minha vez, o ambiente parecia muito mais inquieto do que nas últimas vezes, talvez eu estivesse influenciando o ambiente com minha ansiedade, fiquei mexendo minhas pernas sem parar, a cadeira começou a fazer barulhos esquisitos, por isso decidi esperar de pé.
Demoraram mais 30 minutos até Demétrio vir me chamar, papá e ele apertaram as mãos e conversaram brevemente, depois eu e Demétrio seguimos pelo corredor.
― Podemos não ir la para cima hoje? Eu não estou com vontade de tocar hoje ― Falei dando de ombros.
Demétrio me olhou desconfiado, mas concordou, me guiando até uma sala, girando a placa de livre para "Em atendimento".
Eu me sentei no divã onde ele me indicou, abracei meus joelhos olhando para Mason ansiosa
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