Moon Society: The lighthouse.
7 Capítulo cinco: Situações incontroláveis.
Notas iniciais
Nós entramos no carro e seguimos pela N25 até a igreja que ficava a mais ou menos trinta minutos de casa em silêncio, um silêncio desesperador, mas necessário.
O grande estacionamento estava lotado, nós sempre chegamos cedo, meus pais gostam de pontualidade, é uma coisa que eu não consigo cumprir mesmo que eu me esforce arduamente.
Estava me sentindo sufocada mesmo antes de pisar dentro da construção enorme de tijolos vermelhos escuros, com uma grande agulha no topo, aquele não era o meu lugar favorito quando eu era criança, agora que eu cresci com um pouco mais de conhecimento do que eu tinha quando pisei aqui pela última vez aos onze anos e agora gosto ainda menos.
Eu fiquei parada ao lado do carro enquanto pessoas vinham cumprimentar meus pais e Malloney, eu me concentrei em acalmar as emoções que estavam na borda, prestes a saltar de dentro de mim.
Concentrei-me na árvore grande à minha frente em como ela balançava com o vento forte, como as folhas como algumas caiam ao chão, outras estavam sendo levadas pelo vento, podiam fugir dali e eu não, eu estou presa a essa situação.
― Ei, você está bem? ― Minha irmã perguntou segurando minha mão.
Eu respirei fundo.
― Ela gostava daquela árvore ― Falei baixo.
― Oh, é isso ― Malloney falou ― Sinto falta dela também, ela gostava de coisas legais ― Minha irmã disse.
Eu a olhei incrédula, porque era a primeira vez que minha irmã falava da Mel.
― Eu sei ― Malloney disse percebendo que eu entendi ― Mas não vou começar a falar se não vou me acabar de chorar e minha maquiagem não é a prova d’água.
Eu sorri e ela me abraçou pelos ombros.
Eu vi Joseph perto da outra árvore no lado direito de onde estávamos com aquela garota, Elaine ou Elizzy sei-lá-o-que, Paul, Serg, Martha, Carrie, Tia Ayden e Tio Benji e Ky, Rose e Daryl.
Quando eu fui dar o primeiro passo naquela direção minha mãe segurou o meu braço.
― Você está de castigo, caso não se lembre ― Ela disse.
― Quero falar com Ky e o Paul Lucas ― Pedi ― Por favor.
― Caso você não esteja familiarizada, castigo quer dizer privação, você não falará com Lucas e Kyle por um mês, espero não ter que repetir o termo com você, entendido Brieanna?
― Sim senhora, podemos entrar? ― Pedi baixo.
― Vamos entrar ― Meu pai disse segurando o meu braço gentilmente.
Eu estava tremendo e sentindo um aperto no coração quando passei pelas portas duplas da igreja, ela era mais assustadora do que eu me lembrava, haviam muitas colunas e vitrais e cruzes... Muitas cruzes, são necessárias tantas cruzes?
Quando nos sentamos no meio da igreja eu só conseguia ficar olhando para trás para saber onde os meus amigos se sentariam e se eles se sentariam com aquela ruiva estúpida usurpadora de amigos.
― Pare de se virar, está me dando nos nervos ― Minha mãe disse tocando o meu ombro.
― Não posso fazer mais nada ― Resmunguei.
― Como é Brieanna? Você disse algo?
― Não Senhora ― Falei olhando meus dedos.
― Foi o que eu pensei ― Ela disse olhando para frente.
Meus pais e Malloney se ajoelharam, elas colocaram véus de renda sobre os cabelos e eu apenas fiquei sentada, isso costumava acontecer também quando eu era criança, elas rezavam e apenas ficava sentada sem saber o porquê eu estava ali.
Eu olhei ao redor e vi que outras pessoas também estavam ajoelhadas, os coroinhas estavam posicionados e o padre estava dando início a missa, as missas ainda são feitas em latim em muitos lugares da Europa, preciso admitir que não me deixa confortável, nunca deixou.
Depois de tanto latim, que honestamente eu só entendo metade do que é falado, o padre se inclinou e beijou o altar em seguida foi para o lado da epístola e leu algo então todos se benzeram.
Eu senti os olhos dos meus pais me queimando, então repeti o gesto, que para mim, não poderia ser mais sem significado.
Eles começaram aquela ladainha grega sobre a santa trindade, logo deu início com a saudação dos anjos à Deus e beijou novamente o altar, se virou e disse que Deus esteja convosco.
Ele cantou algumas coisas que todos responderam com Amém muito entusiasmadamente.
A missa se arrastou por mais alguns minutos, até eu me cansar e decidir que precisava respirar.
Eu fiz menção de me levantar, mas minha mãe me segurou pelo ombro.
― Preciso usar o banheiro ― Choraminguei.
― Dez minutos e vou atrás de você ― Ela disse me olhando séria.
Eu saí do meu lugar e andei devagar procurando Lucas e Kyle, eles estavam distraídos em uma conversa com aquela ruiva imbecil então fingi tropeçar e o barulho dos meus sapatos chamou a atenção deles.
Eu fingi estalar o pescoço apontando em direção à saída, felizmente eles entenderam, Kyle levantou dois dedos sinalizando o tempo que dariam para disfarçar uma saída.
Eu caminhei para fora respirando fundo e sentindo o vento bagunçar o meu cabelo, fiquei encostada na árvore abraçando o meu próprio corpo enquanto os esperava, o que aconteceu foi que Paul e Kyle chegaram primeiro, depois Carrie e Joseph.
― Como você está? ― Lucas perguntou me abraçando.
― Estou de castigo ― Falei irritada ― Por que dedurou a gente? Você é um imbecil.
― Se vocês não estivessem fazendo merda ninguém precisaria ir cuidar de você dois ― Joseph disse puxando a orelha de Kyle.
― Quantas vezes eu preciso dizer que não precisamos de babá? ― Falei irritada.
― Cara, a gente estava na boa, não precisava disso ― Ky disse ao Joseph.
― Ela estava fumando e bebendo, cara ― Joseph falou fazendo uma imitação besta do sotaque de Ky ― Se tem uma coisa que vocês não estavam era na boa.
― Que história é essa? ― Carrie perguntou.
― Você saiu de novo com aqueles caras da ST. Patrick irmão? ― Lucas perguntou incrédulo ― Já não falamos disso?
― Os caras são legais, você não sai com eles para saber ― Ky reclamou ― Dá um tempo irmão, você não é meu pai.
― Eles são uns loucos, vivem bebendo e se drogando ― Paul falou.
― É isso que você quer para você? ― Joseph perguntou.
― Parem de falar merda, vocês não estavam lá, eles são legais, não vi ninguém usando nenhuma droga ― reclamei ― Não é sobre isso que estamos falando, estamos falando sobre você agir igual a um babaca traidor ― Falei batendo no braço do Joseph.
― Pense o que você quiser ― Joseph falou ― Odeio quando você age igual criança.
― Eu teria feito a mesma coisa, não tão imbecil quanto Joseph ― Lucas disse
― Ei! ― Joseph protestou.
― Mas eu concordo que aquele tipo de gente não é amizade para vocês dois ― Lucas concluiu.
― Se prepare para ficar de castigo, tenho certeza que meus pais vão ligar para os seus ― Joseph falou.
― Caras eu amo vocês, mas às vezes eu tenho vontade de encher vocês de porrada ― Ky disse se afastando.
― Como foi que você bateu o carro? ― Perguntei confusa a Joseph.
― Você bateu seu carro? ― Lucas e Ky perguntaram juntos e Carrie fez uma careta.
Eu v Joseph ficar tenso e coçar a nuca, do jeito que ele faz quando está mentindo, então uma desculpa deslavada saiu da boca dele e eu tive certeza que algo estava errado.
― Eu vacilei saindo da Riverview e um cara entrou com tudo, nada muito sério ― Ele disse.
Nós passamos mais alguns minutos conversando e eu e Carrie colocando as conversas em dia, ela veio com a mesma conversa de todas as pessoas que estavam me revendo.
“Você cresceu”
“Estou feliz que voltou”
“Senti sua falta”
A verdade é que eu sabia que era só por educação.
― Não acredito que estão de castigo por um mês, deveríamos estar aproveitando as férias, acabamos de voltar ― Paul falou frustrado.
― Agradeça ao fofoqueiro do Alexander ― Falei irritada.
― Ele também está de castigo, isso me consola ― Kyle falou.
― Acredita que ele disse que só saiu de casa para ir buscar a gente? Tia Ayden acha que ele é um herói protegendo a gente ― Reclamei.
― Não fode ― Ky disse negando com a cabeça.
― Onde acha que eu estava? Acha que eu gostei de sair da cama para ir buscar vocês? ― Joseph perguntou.
― Eu não acho nada, tenho certeza que não foi da sua cama que você saiu para ir atrás de nós dois e ainda mais certeza que você não bateu seu carro saindo da Riverview ― Falei jogando nele um galho seco que eu estava rabiscando a árvore em que estávamos embaixo.
― Ele está todo vermelho, então ela acertou ― Kyle disse.
― Cale a boca Kyle ― Lucas disse.
― Você é absurda ― Joseph falou rindo de nervoso.
― Você é nojento ― Falei o olhando decepcionada.
Malloney entrou no meu campo de visão quando saiu pela porta da igreja, então ela veio até onde estávamos seguida por aquela ruiva imbecil.
― Qual é ― Choraminguei.
― Não me culpe, vocês não são nada discretos, sério? Sumiram todos na mesma hora, agora Mamá está furiosa ― Malloney falou ― Deixem para se falar depois.
― Vou estar de castigo graças a você ― xinguei.
― Se não fugisse não estaria ― ela disse me puxando pelo braço.
― Até parece que você não faz isso e é por outros motivos ― reclamei.
― Tenho quase dezoito anos ― ela argumentou.
― Quase não são dezoito anos ― Falei .
― Meu Deus, você é insuportável, eu te empresto meu celular antigo, não deixe Mamá pegar você, se despeça dos garotos.
Eu fiz careta e a obedeci, depois voltamos para a igreja e ficamos em silêncio até o encerramento da missa.
Aquela noite entrou para lista das piores noites de sono da minha vida, sem sombra de dúvidas.
Estou em pé em meio a uma clareira, tem flores coloridas nojentas e fedorentas por todos os lados, rosas são as minhas flores favoritas as únicas que aguento ter por perto, existe algo a mais nelas.
Eu caminhei até o meio da clareira, não sentia meus pés tocando o chão, é estranho ter a sensação de mil olhos acompanhando você, de repente olho ao redor e existem centenas de pessoas caminhando em torno de mim, com túnicas roxas e brancas.
Não conseguia entender o que estava acontecendo, sentia meus joelhos e as palmas das minhas mãos ardendo, assim como a minha garganta que estava seca e dolorida.
Se os sonhos são mundos paralelos, então você pode ser qualquer coisa e fazer qualquer coisa... Então por que não posso me mover? Sinto minha cabeça latejar... De alguma forma eu sabia que ela estava sangrando e eu estava com medo de olhar a umidade nas minhas roupas e constatar que eu sangrava.
De repente já não havia ar para respirar e meu corpo tremia violentamente, eu senti um gosto amargo na boca e minha garganta ardendo.
Eu acordei tossindo muito e me inclinei para fora da cama, acabei caindo e batendo a cabeça na mesa de cabeceira, doeu tanto que meus olhos lacrimejavam.
Tive um vislumbre de alguém de pé na porta do meu quarto, ótimo tudo o que preciso é uma visita inesperada.
Tomei banho e vesti jeans camiseta, uma jaqueta e tênis, desci as escadas me preparando psicologicamente para o que aconteceria hoje... Waterford é grande, é barulhenta, minha mãe vai me obrigar a comprar materiais escolares e uma montanha de roupas novas para o ano escolar.
Eu deixaria minha irmã escolher minhas coisas para a escola se ela não tivesse... O gosto de uma mulher de 30 anos da alta sociedade americana.
― Estava quase indo te arrancar da cama ― Falou Joseph entrando pela porta da frente com uma sacola do supermercado.
― O que diabos V...
― Brieanna olha essa boca ― Meu pai disse.
― Não posso falar mais nada, Malloney sempre xinga, ninguém fala nada dela ― Resmunguei.
― Estou ouvindo você resmungar ― Papai falou divertido.
Eu bufei e me dirigi a cozinha.
Eu tomei meu café da manhã calmamente enquanto Joseph e meu pai conversavam sobre os problemas da G.A.A. e sobre o Cork, o Wexford e os outros times, sobre cursos e o que estava no jornal naquela manhã.
Estava exausta e a sensação é de que eu consigo ouvir o som de tudo ao mesmo tempo sem nenhum filtro, todos os carros, as vozes o vento e estão ecoando dentro da minha cabeça numa intensidade que está me enlouquecendo.
― Você está bem? Parece cansada ― Minha mãe disse.
― Só um pouco, vou ficar bem, o que faremos hoje? ― Pedi.
― Vamos sair quando estiver pronta, iremos a Waterford, vamos comprar as coisas para a escola, suas roupas e sapatos novos, você não pode ir para a escola usando estes.
― Mas... Gosto destes, Em me deu eles ― Falei baixo torcendo o nariz para a ideia de ter que ficar horas provando roupas.
― Eu te compro outros destes, esses estão velhos e você não pode ir à escola com eles ― Minha mãe disse paciente como se falasse com uma criança.
Eu apenas assenti, ela não mudaria de ideia e eu não me cansaria discutindo.
Saímos de casa meia hora depois, me sentei no banco de trás com Joseph e Malloney e meus pais foram à frente.
Gostaria de colocar fones de ouvido e fugir do tempo que ficamos presos no carro, mas eu estava de castigo, isso quer dizer nada de Ipod para Brieanna, a chuva golpeava as janelas ecoando dentro do carro, nunca gostei de andar de carro quando está chovendo desse jeito, estava com a sensação esquisita de quando algo ruim vai acontecer, querendo que um buraco se abrisse e me engolisse coloquei meu capuz e me recostei no banco fechando os olhos.
― Você está bem? ― Joseph perguntou tocando meu rosto e me fazendo levantar a cabeça.
― Eu estou bem, vou ficar melhor se você me deixar em paz.
― Ei, não fale assim comigo ― Ele disse magoado ― Só estou tentando.
― Ajudar, eu sei, todos estão ― Falei baixo ― Me desculpe, está bem? Só estou... Sei lá ― Falei olhando para fora ― Pai pode ligar o som? Esse barulho de água está me deixando aflita.
Ele ligou o som e Vivaldi tocava alto ecoando por todo o carro.
― Podíamos almoçar no The Islander ― Malloney pediu assim que descemos do carro no estacionamento no centro de Waterford.
― Por mim tudo bem, o que acham? ― Minha mãe perguntou a mim e Joseph.
Eu dei de ombros e apertei meus olhos fechados com as pontas dos dedos, estavam ardendo um pouco e lacrimejando, minha cabeça também latejava e eu sentia um tremor que não estava aqui esta manhã.
― Tudo bem? ― Meu pai perguntou preocupado.
― É só dor de cabeça, vamos fazer as compras ― Falei olhando envolta.
― Você está bem? Mesmo? Está parecendo dispersa ― Minha mãe falou
― Deus! Eu juro que estou bem, essa é a centésima vez que me perguntam isso hoje, podemos pelo amor de Deus só comprar as coisas e ir embora? ― Pedi impaciente
― Alguém não tomou o remedinho hoje ― Malloney murmurou.
― Vai se ferrar.
― Hey, olhe essa sua boca ― Minha mãe repreendeu-me.
― Nós vamos andando na frente ― Joel disse me puxando pela mão.
Nós dividimos a calçada com meu pai e minha mãe seguiu com Malloney logo atrás de nós, eu as ouvi cochichado algo e meu nome um par de vezes, decidi não dar importância para o que quer que elas estejam dizendo, eu tinha meu pai e Joseph, nada de ruim vai acontecer, disse a meu subconsciente que continuava me deixando aflita.
Entramos pela porta lateral em uma loja que era livraria, loja de discos e produtos escolares e de escritório no mesmo lugar, meu pai pegou uma cesta de plástico verde, assim como mamãe e Malloney, o lugar estava muito barulhento e um pouco cheio, estava difícil andar pelos corredores, papai foi pegando as coisas conforme eu lia minha lista, a Lun Evanic fornece novas listas ao final do período letivo, eu escolhia o modelo das coisas que eu queria e meu pai e Joseph iam colocando na cesta, comecei a me cansar daquele barulho, como sempre, não consegui ficar lá dentro por mais do que uma hora e meia.
― Precisa de algo além do que está na lista? ― Meu pai perguntou
Eu tentei lembrar-me e dei de ombros fazendo uma careta desconfortável e ele apenas riu e assentiu.
Quando fomos pagar havia apenas três caixas operando e as pessoas se esbarrando pelo local ser pequeno, eu tentei respirar fundo e o ar parecia pesar uma tonelada.
― Sei que odeia aglomerações, mas já estamos acabando ― Papai falou.
Eu assenti enquanto respirava pela boca tentando me acalmar.
― Sua mão está suando e fria, você tá
― Se me perguntar de novo vou bater em você Alexander Crowley ― Falei irritada.
― Desculpe, mas você tá pálida e.
Levantei a mão fazendo ele se calar.
― Estava ficando com dor de cabeça lá dentro ― Choraminguei quando saímos.
― É sempre assim, por isso não fazemos nada em família, você está sempre.
― Malloney ― Minha mãe interrompeu a levando para o carro.
― Por que ela é desse jeito? ― Falei olhando meu pai e Joseph.
― Ela tem ciúmes ― Meu pai disse dando um belo sorriso.
― Você é mais inteligente ― Joe disse sorrindo.
Eu fiz uma careta e coloquei de volta a minha touca.
― Você precisa comprar roupas novas ― Minha mãe disse.
― Passo ― Falei baixo.
― Não era uma sugestão ― Ela conjecturou.
Eu suspirei e revirei os olhos
― O que já falei sobre fazer isso? ― Minha mãe perguntou ― Não admito falta de educação, não das minhas filhas ― Disse me olhando severa.
― Me desculpa ― Falei baixo.
Eu feche os olhos e respirei fundo enquanto meu pai guiava o Mercury SUV para fora do estacionamento.
Fomos para a nossa próxima parada, uma rua cheia de lojas de grife... Será um longo dia.
― Você tem que usar essas roupas e esse gorro horroroso? ― Malloney perguntou parando pra me olhar.
― Eu... Gosto assim ― falei.
― Você podia usar roupas diferentes, cortar o cabelo e tirar um pouco ele do rosto, sabe, você é tão linda ― Mamãe disse tirando meu cabelo dos olhos.
Eu tentei sorrir e dei de ombros quando elas continuaram andando, a atendente da loja deveria ser um pouco mais velha que minha tia Em, ela era loira e usava um vestido rosa pálido com saltos brancos, cada centímetro dela parecia estrategicamente planejado para chamar algum tipo de atenção.
Ela mediu minha mãe e Malloney em seus vestidos, saltos e bolsas e sorriu, provavelmente imaginando a quantidade de vendas que faria hoje, depois ela olhou na minha direção e arregalou um pouco os olhos, piscou algumas vezes e sorriu novamente.
― Olá, sou Jose, em que posso ajuda-las? ― Perguntou dando um sorriso ensaiado.
― Eu sou Malloney Brown e essa é a minha mãe Olivia Brown ― Malloney disse ― Aquilo é a minha irmã Brieanna Brown ― sussurrou.
― Acontece nas melhores famílias ― A vendedora sussurrou de volta.
― Nós estamos aqui pra dar um jeito na minha irmã.
As duas gargalharam um pouco.
O que tem de errado comigo? Estou tão ruim assim? Não deveria ter colocado esse jeans, talvez seja meu gorro, estou horrível, ai meu Deus estou horrível?
― Malloney Valentine ― Minha mãe repreendeu passando o braço por meus ombros quando eu tentei andar para outro lado.
Meu pai e Joseph não estavam aqui agora? Onde eles foram? Traidores.
― É claro, vamos seguindo ― A vendedora falou enrubescendo sob o olhar da minha mãe.
Eu só queria que um buraco se abrisse no piso de mármore e me engolisse.
Minha irmã continuou falando alô para a garota e minha mãe me deu um sorriso, andou até minha irmã pegando ela pelo braço e se afastando um pouco.
― Está deixando sua irmã desconfortável, pare de fazer isso ― Pediu.
― Ela é desse jeito... Eu sou quem fica desconfortável ― Malloney protestou.
― Já chega Malloney.
― Parei ― Mall disse.
Minha mãe caminhou pela loja colocando uma porção de vestidos, saltos, saias, echarpes, lenços, cintos, saltos, blusas, camisetas, sapatos sociais e mais saltos no antebraço da vendedora, eu me mexi desconfortável, na verdade eu só queria vomitar naquela merda toda.
― Quer que eu vista tudo isso? ― Perguntei sem querer soar desesperada e falhando miseravelmente.
Malloney bufou e se afastou de mim.
― É filha, só assim sabemos o que fica bom em você ou não ― Minha mãe disse calmamente passando os dedos pela minha franja como se explicasse a uma criança.
Eu fiz uma careta de dor.
― Não podemos comprar em outro lugar? Como Forever 21, ou Vans? Eu não... Não quero usar isso mãe, por que tenho que usar isso?
― Porque não pode viver de jeans, você já tem quase 15 anos, não estamos nos EUA, não pode ir a Lun de jeans e All Stars rasgados sua imbecil.
― Malloney ― Minha mãe se afastou com ela de novo ― Tem que ter paciência com ela.
― Eu não sei fazer isso mãe.
― Cada pessoa é de um jeito, a gente tem que amar ela ― Minha mãe falou passando o dedo pelo cabelo loiro da minha irmã.
― Mãe ela é uma esquisita fodida, ela tem que ser desse jeito? As pessoas ficam rindo, não quero ninguém rindo de mim.
― Vamos comprar roupas bem bonitas pra ela okay?
Malloney assentiu contragosto.
Eu fingi não ter ouvido o que elas disseram, mas senti meu estômago revirar, decidi não reclamar mais, já estava sendo difícil sem minha irmã sendo má comigo.
― Aqui prove este ― Minha mãe disse me dando um vestido rosa e um salto da mesma cor que tinha um lacinho preto na lateral.
― Eu não sei se... Eu não vou conseguir andar com isso, é muito alto e eu não gosto de rosa ― Choraminguei.
― Você vai aprender rápido, você já tem 15 anos ― Falou mamãe ― E rosa não é tão ruim também, vai.
Eu respirei fundo e fui até o provador no fim do corredor.
Depois de me vestir sai do provador apoiando minha mão direita na parede e caminhei até a minha mãe tropeçando pelo caminho umas três vezes.
― Ficou lindo em você ― A vendedora disse a frase clássica dos vendedores e sorrindo forçadamente.
― Ficou mesmo lindo, Deus ― Mamãe disse sorrindo.
― Eu tenho que usar isso... Sabe na frente das pessoas? ― Pedi baixo.
― É geralmente usamos roupas na frente das pessoas ― Minha irmã retrucou.
― Você gostou? ― Minha mãe perguntou ignorando o comentário da minha irmã.
― Meus pés doem um pouco ― Falei baixo ― E eu me sinto meio... Esquisita, não parece... Eu.
― Seus pés vão doer, mas só no começo, e... É um ano diferente, não quer ser uma nova Brie?
― Eu... Não sei, eu quero ser... Eu acho ― Falei confusa.
― Você vai ser a mesma pessoa, mas com roupas melhores ― Minha mãe me disse me dando um vestido azul celeste, um cinto preto e saltos pretos.
Eu fiz uma careta pegando as roupas e indo para o provador, depois desse provei mais uma dezena de vestidos, saias, blusas, cintos e sapatos, mas nenhum dos vestidos era pior do que o último.
― Não vou usar isso, oh não mesmo ― Falei de dentro do provador.
― Deixe-me ao menos ver como ficou ― Minha mãe me disse.
― Não, eu me sinto... Sinto-me nua ― Reclamei ― Não quero que ninguém me veja com isso, eu não acho que as pessoas deveriam ver tantas pares assim ― Falei sentada no banco dentro do closet tomando todo cuidado de não me olha no espelho.
― Não seja exagerada, sai logo daí para vermos como ficou ― Malloney pediu.
― Não, você vai rir ― Reclamei.
― Ela não vai, deixe-me ver ― Mamãe pediu.
― Promete ― Pedi.
― Eu prometo que não vou rir ― Malloney disse já rindo.
Eu suspirei e sai devagar do provador.
― Porra ― Malloney xingou.
Eu fiz menção de voltar pra me trocar e minha mãe me puxou pelo braço.
― Oh não. Vem, olhe no espelho grande, o que acha? Quer levar esse? ― Pediu mamãe.
― Ela parece com
― Parece linda ― Minha mãe cortou a fala de minha irmã.
― É, mas parece ― Minha irmã começou a rir.
― Não ria ― Pedi baixando a cabeça
― Ela não está rindo, você está linda, mesmo ― Disse levantando meu rosto ― Você é linda e precisa abaixar a sua cabeça, nem ter vergonha de nada em você, entendeu? ― Pediu trançando o meu cabelo pra tirar ele do rosto ― Você é linda, como você se sente?
Senti um pouco de medo do que eu iria ver no espelho, mas levantei meu rosto e mirei o reflexo no espelho e não se parecia nada com a garota no meu quarto hoje de manhã.
― Pálida e muito magra e... Estou me sentindo esquisita com essa roupa ― Falei ― Estou me sentindo... Vulnerável ― Falei em um sussurro.
O que eu disse pareceu partir minha mãe ao meio, ela tentou não transparecer, mas eu sabia que ela estava preocupada.
― Por que está se sentindo assim? ― ela perguntou.
― Eu não sei... Simplesmente me sinto assim ― Falei baixo ― Eu gostaria de gostar de todas essas coisas, bolsas e vestidos e compras e assim nós teríamos coisas para conversar e eu poderia sair com a senhora e a minha irmã é só que
― Isso não é você ― A minha mãe disse entendendo o meu ponto de vista ― Eu só achei que era uma coisa simples que poderíamos fazer juntas, sabe, você não precisa levar estes, tem outras coisas ― Ela disse mexendo nas roupas em uma arara ― Este, você gosta?
― O queixo dos garotos vai cair quando a vir ― A vendedora falou sorrindo.
Eu não consegui entender bem o que ela quis dizer, então decidi falar algo engraçado porque gosto quando a minha mãe sorri.
― Eu acho que isso classifica lesão corporal, eles precisam do queixo ― Falei distraidamente.
― Deus a sua inocência me encanta e me preocupa ― Minha mãe disse sorrindo.
― Eu não sei se fico com pena ou raiva de você ― Minha irmã falou rindo ― Você não acredita na história da cegonha não é?
― A que traz os bebês? ― Perguntei confusa.
As três começaram a rir alto.
― Prove este ― Minha mãe pediu.
― Mas você disse que era o último
― Esse é o último
― Disse isso a três vestidos atrás ― Resmunguei.
― Juro que é o último.
Eu peguei o vestido vermelho sangue e o par de sapatos de salto alto pretos e fui até o provador, me vesti tomando todo cuidado de não me olhar no espelho, depois sai do provador para que minha mãe analisasse o vestido em mim, novamente evitando os espelhos pela loja.
― Viu só? ― Minha mãe perguntou a Malloney ― Ficou perfeita ― Minha irmã apenas concordou com a cabeça fazendo um positivo com a mão.
Eu me olhei no espelho por apenas meio segundo, o vestido era mais curto do que eu pessoalmente escolheria.
― Já podemos ir embora? Por favor? ― Pedi sentindo a minha voz vacilando.
― Ah! Você é uma estraga prazeres assim como o seu pai ― Mamá reclamou e eu apenas sorri.
Eu gosto de quando me dizem que eu pareço com o meu Papa, quando eu me olhei no espelho novamente vi Joel e Papai sentados em poltronas perto da entrada, com sacolas e Joseph estava rindo.
― Joseph está rindo de mim ― Eu reclamei ― Posso ir tirar isso?
― Onde ― Ela se virou para a entrada e chamou Joseph com um gesto.
― Senhora? ― Joseph disse quando se aproximou.
― O que você achou do vestido? ― Mamá perguntou.
Eu revirei meus olhos, desde quando Joseph tem que achar alguma coisa das minhas roupas?
Joseph fez um biquinho e sorriu divertido me olhando.
― Não ria de mim ― Falei dando um soco na barriga dele.
― Au! Grossa, que mão pesada, eu não estou rindo, eu estou sorrindo, sabe a diferença?
― Eu posso tirar isso? Eu me sinto tão estranha com essas roupas e esses sapatos.
― Não seja uma resmungona ― Joseph me provocou.
― Sua opinião não conta ― Eu devolvi.
― Caso esteja interessada, está linda, na verdade não vejo as suas pernas de fora há uns quatro anos ― Joel disse.
― Cala a boca ― Falei rindo ― Posso tirar isso?
― Deve é curto demais ninguém deveria ver tanto assim ― Joel resmungou.
― Cala a boca Crowley ― Falei virando as costas.
Eu voltei para o provador, vesti minhas roupas na velocidade da luz para sair daquela loja de grife rapidamente.
― Você quer comprar mais alguma coisa? ― Minha mãe perguntou.
― Não eu... Ahnm... Não aqui ― Falei baixo.
Minha mãe deu uma risada e me pediu para acompanhar ela até o caixa, depois de pagar tudo ela me deu o cartão e me disse que ela e Malloney iriam ficar com meu pai e depois nos encontrávamos.
― Você não gostou mesmo daquelas roupas não é? ― Joseph perguntou enquanto caminhávamos em direção da loja de roupas de marca americana.
― Não realmente, eu só... Não tem nada haver comigo, eu só quis que ela ficasse feliz mas eu não fiz um bom trabalho, eu reclamei 99% do tempo ― Admiti ― Provavelmente não vou usar aquelas roupas.
― Tenho certeza que todas ficaram bonitas ― Falou.
Eu fiz uma careta para ele.
Eu andei pela loja pegando as roupas que gostava mais e jogando elas em cima de Joseph.
― Eu deveria cobrar por isso, sou seu carregador favorito ou não?
― É o único carregador disponível, veja isso como a punição por nos dedurar ― Atirei de volta.
― Essa é a Brie que eu conheço ― Ele disse divertido.
Depois de sairmos da loja eu e Joseph encontramos os meus pais e Malloney no carro e fomos em direção ao The Islander, um dos melhores restaurantes da cidade de Waterford.
― O que você quer comer? ― Minha mãe perguntou.
― Qualquer coisa com carne e gordura ― Falei olhando para fora da janela.
Quando nossos pratos chegaram eu comecei a comer avidamente, porque estava faminta, mas também porque queria ir embora logo.
― Meu Deus Evelin mastigue a comida ― Minha mãe reclamou.
Eu assenti bebendo meu refrigerante.
― Você parece um garoto comendo ― Malloney disse massageando as têmporas.
― Eu estou com fome
― Não fale com a boca cheia que nojo, Jesus ― Minha irmã protestou.
― Que tal aliviar a pressão? Deixa ela em paz ― Joseph disse.
― Cala a boca, ninguém falou com você ― Malloney brigou.
― Você é uma idiota ― Eu xinguei.
― Chega os três ― Meu pai disse.
― Nós terminamos por aqui? ― Perguntei aos meus pais.
― Sim terminamos ― Minha mãe confirmou.
Eu quase dei saltos de alegria.
― Estou caindo de sono ― Falei coçando os olhos.
― Isso que se ganha por ficar fora a noite toda ― Minha mãe reclamou ― Você ainda está de castigo, caso tenha esquecido.
― Não tem como esquecer ― Resmunguei me afastando e abrindo a porta traseira do Mercury.
Eu não tenho certeza de quando foi que eu dormi, mas deve ter sido antes de sairmos de Waterford, me acordei com o carro parado bruscamente assim que chegamos à casa dos Crowley Wenders.
― Tchau, dorminhoca, eu te vejo logo ― Joseph disse pressionando os lábios frios na minha bochecha.
― Uhum ― Resmunguei fechando os olhos com força e ouvindo a risada dele.
Depois fui acordada com meu pai passando a mão pelo meu cabelo.
― Ei gatinha acorda, nós chegamos a casa.
Eu saio do carro um pouco sonolenta e confusa e tropecei nos meus próprios pés.
― Opa ― Meu pai disse me pegando no colo.
Eu estava tentando manter os olhos abertos e falhei miseravelmente, despertei novamente com meu pai retirando os meus sapatos e minha jaqueta e me colocando na cama.
― Eu não vou ― Ele disse rindo baixinho e beijando minha testa.
Eu não tive nenhum pesadelo naquela noite, mas podia jurar que ouvi risadas pelo meu quarto, risadas bem finas como... Risadas de crianças... Quando esses tipos de coisas me acontecem eu me levanto sentindo como se as paredes tivessem olhos me acompanhando e se um peso de cem toneladas estivesse sobre os meus ombros, no tempo que se seguiu em que eu fiquei de castigo, foi desesperador, não que eu tivesse muitas coisas emocionantes planejadas, mas ao menos havia possibilidades, estando de castigo a única coisa que eu poderia fazer era ler, ficar vagando pela casa, até tocar piano se tornou chato.
Enfim meu tempo de castigo e cárcere estavam acabados, eu estava descendo para tomar café da manhã quando eu recebi a ligação do Kaleb me convidando para uma festa de aniversário do Freddy verruga.
Seria um milagre que meus pais me deixassem sair com Kale, primeiro porque Kaleb era da turma de amigos da Malloney, namora April e ele não vai me deixar sair para festas, mas Kaleb me disse que eu me encrenquei porque eu menti e me aconselhou a pedir aos meus pais, eu ouvi o conselho e talvez eu conseguisse.
― Pai, tenho que perguntar uma coisa ― Falei sentando-me à mesa.
Meu pai me olhou desconfiado e fez um gesto me mandando prosseguir.
― Hoje um amigo chamado Freddy vai fazer aniversário e eu fui convidada para a festa e eu
― Não ― Meu pai disse.
― Mas nem me deixou
― Não, eu sei o que acontece nessas festas, não quero você nisso.
― Todos vão pai, é seguro, Kaleb me convidou ― Falei .
― Eu não vou ― Malloney provocou ― Espera, Freddy verruga? Você nem conhece ele.
― Porque não foi convidada.
― Como Kaleb te convidou e não me convidou? ― Malloney parecia furiosa.
― Eu sou mais legal ― Provoquei.
― Não sou o pai de “todos” sou o seu e você não é todo mundo ― Ele disse.
― Eu tenho certeza que você...
Meu pai me olhou feio
― Tenho certeza que o senhor ― Eu falei me corrigindo ― Foi a alguma festa também ― Protestei ― Eu não vou fazer nada estúpido, Kaleb é responsável, voc... O senhor o conhece ― Falei baixo.
― Não.
― Não? ― Perguntei confusa.
― É, Não, Eu disse não, você não vai a festa nenhuma, é muito nova para esse tipo de coisas.
― É só uma festa ― Falei
― O inferno é apenas uma sauna ― Ele disse baixo.
― Por favor, Papá, eu juro que se me deixar ir eu... Eu... Eu trabalho no Hotel até o início das aulas ― Prometi.
Ele me olhou desconfiado.
― Até o começo das aulas? ― Perguntou me olhando.
Eu sorri e me inclinei para beijar a bochecha dele.
― Obrigada Papá ― Falei sorrindo.
― Quero você de volta às 12h00pm nem um minuto a mais me entendeu? Ou eu ligo para a polícia e eles vão trazer você em um carro de patrulha ou vou buscá-la eu mesmo e vai ser muito mais embaraçoso, acredite.
― Sim senhor 12h00pm, entendido ― Falei prestando continência.
― Quero que Kaleb venha buscá-la aqui e quero o endereço dessa festa ― Falou ― Nada de beber, sem cigarros ― Disse ― Estou falando muito sério Brieanna, se eu sonhar que você chegou perto de álcool ou cigarros de novo você não vai sair de casa até ter 30 anos.
― Prometo que não vou fazer nada disso ― Falei cruzando os dedos nas costas.
Kaleb sabiamente veio me buscar em um carro, o carro do William, meu pai e Kaleb se falaram por alguns minutos, depois partimos em direção a casa do Freddy nos arredores do porto Rosslare, Kale me disse que ele já havia deixado April e William na festa.
Depois que cheguei, eu cumprimentei o aniversariante, William e April, depois Kale e April sumiram e novamente éramos eu e William rindo das músicas ruins e das pessoas ao redor enquanto eles faziam palhaçadas.
Eu tinha a séria impressão de que todas as pessoas ao redor estavam me olhando, quando eu e William nos sentamos no balanço perto da piscina, as pessoas olhavam sem disfarçar, uma garota até apontou na minha direção e cochichou com outras duas que riram e assentiram.
― William, tem alguma coisa no meu rosto? ― Perguntei confusa.
― No seu rosto? Não ― Ele disse confuso.
― Por quê tenho a sensação de que estão me olhando?
― Porque você é bem jovem e muito bonita ― William tentou disfarçar.
― Sério? ― Falei rindo.
― Não, realmente ― Admitiu.
― Então?
― Você é Brown, todo mundo te conhece, mesmo sem conhecer ― Ele disse.
Eu fiz uma careta porque o conhecimento dessa informação me fez querer vomitar.
― Isso...
― Sua irmã também não é a pessoa mais querida de todas, acho que estão estranhando você estar andando aqui ― Falou distraído.
― O que tem minha irmã? ― Perguntei.
― Você não quer...
― Na verdade eu quero sim ― Falei me levantando e cruzando os braços ― Você começou...
― Ela e April são más com as pessoas ― William falou ― Elas andam por aí com seus cartões de crédito passando por cima das pessoas na ST. Patrick achando que são melhores do que os outros.
― Vai se ferrar MacCurry eu não gosto de gente falando merda da minha irmã ― Falei ― Meu pai trabalhou muito, uma vida toda e se as pessoas se sentem ofendidas pelo dinheiro dele não há nada que eu possa fazer ― Falei.
― Parabéns se tornou uma babaca, está falando igual a sua irmã.
― Foda-se você ― Falei indo em direção a casa, a festa acabou para mim.
Eu andei em direção ao banheiro, precisava lavar meu rosto.
Eu não sou ruim, não tem nada de errado com a minha família, nem minha irmã, nem os meus pais, eu nunca tratei ninguém mal por causa do dinheiro do meu pai, eu quero dizer... Ele é do meu pai, eu não tenho nada haver com isso, não é?
Quando eu saí do banheiro estava quase descendo as escadas quando dei de cara com William sentado no meio dela.
― Me desculpe okay? Eu não quis ofender você nem nada é só que... Ninguém tem culpa da família que tem.
― Eu aceito as suas desculpas se você prometer não falar mais nenhuma merda sobre a minha família ― Falei irritada.
― Ótimo, estamos de acordo ― Ele disse se levantando rápido.
Eu e Will andamos pelo corredor em direção à cozinha, quando nós passamos em frente a uma das salas, eu parei de frente para a porta provavelmente com a cara mais chocada que poderia existir, porque naquela sala havia alguns jovens em torno de uma mesa com canudos de dinheiro, eles estavam cheirando um pó branco.
Quando uma das garotas me olhou, ela fez uma cara feia e fechou a porta com força.
― O que...
― Estou impressionado que você não saiba o que é ― William disse.
― Eu sei disso, bom, acho por que eles...
― Cocaína!
― Você já...
― Uma vez...
― Porque as pessoas usam isso? Todo mundo sabe que faz mal a saúde ― Falei como se fosse óbvio.
― Tem gente que bebe, que fuma… Toma remédios… Se apaixona… Faz outras coisas... Cada um se mata do jeito que achar melhor ― William disse.
Eu o olhei com meus olhos arregalados e por um momento eu achei que talvez Kale e April tivessem dito a ele sobre as coisas que aconteceram comigo, eu não queria que William soubesse, porque se soubesse ele me trataria como algo de vidro assim como todas as pessoas que conhecem a história fazem.
Mas William continuou agindo normalmente pelo resto do caminho até a cozinha, até que alguém esbarrou com tudo em nós, nos molhando com bebida.
― Porra qual é? ― William praguejou.
― Oh meu Deus! Me desculpa...
Espera, eu conheço essa voz irritante de algum lugar.
Quando me virei percebi que a idiota da Elaine Helena-sei-lá-o-que quem havia derramado bebida no William, uma bebida com cheiro forte.
― Helena...
― Eu diria que é um prazer te ver Brown, mas Joseph está de castigo por sua culpa, então eu espero que você se foda muito.
― Quem? ― William perguntou confuso.
― Essa anta ruiva que acabou de derramar bebida em você ― Falei quando todos começaram a rir, ela me olhou furiosa e eu fiquei sentindo meu rosto queimar, okay o álcool está começando a fazer efeito, hora de parar.
Os olhos dela estavam em chamas sobre mim.
― Olha quem decidiu sair do hospício, a Brown menos bonita e mais burra ― Ela disse empurrando-me pelos ombros.
― Como voc...
― Como eu sei do seu segredinho? Bom Joseph me conta muitas coisas, é o que os casais fazem, eles compartilham histórias, eu andei sabendo muitas sobre você ― Ela disse com a voz bêbada e vacilante me empurrando novamente.
― Eu sei o que você compartilha com ele e não tem nada a ver com minhas histórias...
― Oh, você se engana Brown, eu sei muitas coisas, quer que eu comece a falar? ― Ela perguntou dando um sorriso frio e malicioso.
― Você não sabe nada ― Falei sentindo meus olhos encherem de lágrimas.
― Você ficou internada em um hospício por um ano e meio Brown, verdadeiro ou falso?
― Cala a boca ― Gritei empurrando ela.
Todos tinham parado envolta para ouvir a briga.
― Você tomou muitos remédios por longos anos... Alguns até quase morrer...
― Já falei para calar a sua boca sua puta ― Eu senti meu rosto arder e minhas lágrimas caiam sem parar.
― Você não pode esconder as partes interessantes, boo baby, Sabiam que ela deixou a garota dos Crowley morrer afogada? Que tentou suicídio e que acabou de voltar do hospício? Você devia estar solta? É um perigo para as pessoas e...
― Cala a sua maldita boca sua vagabunda ― Falei empurrando ela e então acertando o rosto dela com meus punhos fechados, sentindo a dor nas minhas mãos, ela me empurrou e acertou meu olho esquerdo com o punho meio fechado e a mão dela estalou, então eu soquei ela no nariz e o sangue dela começou a jorrar em mim e nela, demorou dois minutos até que Kaleb e William conseguissem me tirar de cima dela.
― Você vai se arrepender por isso sua aberração!
― Foda-se você sua puta alcoólatra.
― Vamos ver quem vai se foder Brown!
Eu estava chorando, meus olhos ardiam, minha cabeça estava uma confusão e eu estava a beira de um ataque de pânico, agora todos sabiam, todos sabiam é minha culpa, minha culpa.
― É minha culpa, minha culpa, toda minha, eu fiz, eu...
― Brie, é culpa dela, ela não tinha que dizer aquelas coisas na frente de todo mundo ― William disse me colocando sentada em cima da bancada na cozinha.
Eu levantei minhas pernas abraçando os meus joelhos e chorando sem parar, nem conseguia me lembrar aonde eu estava, eu não conseguia me concentrar na voz de Kaleb, William e April, minha respiração estava tão difícil e eu sentia como se estivessem morrendo.
― Brieanna ― April me chamou.
― Aqui, olhe para mim, o que houve? Você está me assustando, Acho que ela está em choque ou algo assim ― William disse.
― Ela tem isso, tem haver com as crises de ansiedade e pânico… Essa coisa da depressão, eu não entendo bem, Malloney nunca me explicou…
― Eu acho que deveríamos ligar para os pais dela ― Kaleb falou.
― Assim ela vai ficar encrencada e vão mandar ela de volta, ela só… Precisa se acalmar, temos que levar ela para um lugar calmo, vamos, Kaleb pega ela.
Kaleb e William me escoltaram para fora da casa e eu me lembro vagamente de entrar em um carro, depois andar, andar, andar e andar e o som das ondas.
― Ei, vem vamos andar um pouco, sim? ― Kaleb falou.
― Ela não deveria beber ela toma aqueles remédios... Coisas para depressão ― April falou brava batendo no William com a bolsa de mão.
― Eu não sabia, nunca vi ela desse jeito, mal conhecia a história, eu estou confuso, não entendi nada.
― Será que vocês dois podem parar de...
― Brieanna.
Eu caminhei pelo píer e tirei meus sapatos e pulei, depois eu senti a água entrando nos meus pulmões e a sensação da água fria congelante me abraçando como um cobertor e depois meu corpo subindo e subindo, como uma centelha das chamas para o céus, então meu corpo atingiu a areia.
― O que diabos você estava pensando ? ― Kaleb gritou.
Eu comecei a chorar, alto, desesperadamente alto, tão desesperada que minha cabeça latejava.
― Brie, olhe para mim ― William disse ― Só para mim, não se concentre em mais nada, esvazie sua cabeça e se concentre apenas no mar, as ondas quebrando, o vento, sua respiração, inspire, expire, siga assim, apenas o barulho das ondas, nada de pensamentos ruins.
Eu fiz exatamente o que ele me pediu, fechei meus olhos, esvaziando minha cabeça enquanto me concentrava nas ondas, no vento e minha respiração, lentamente a sensação de que eu estava morrendo passou, junto com os pensamentos de que eu deveria afundar no mar à noite e que...
― Como conseguiu isso? ― April perguntou.
― Eu só vi alguns vídeos, filmes, acho que funcionou ― William falou baixo.
― Me desculpa ― Falei baixo sem olhar para eles, novamente abracei meus joelhos e fiquei olhando o mar ― Eu só…
― Nós não temos que falar nada ― William disse por todos eles ― Não tem que explicar nada.
Nós quatro ficamos sentados na areia por alguns minutos em completo silêncio, mas April foi a primeira a romper o silêncio.
― Brie, temos que levar você para casa, levanta ― Ela disse me estendendo a mão com uma gentileza que eu jamais havia visto.
― Eu não quero ir agora ― Falei baixo.
― Não são nem dez horas, também não podemos levá-la para casa assim toda molhada ― Kaleb falou ― Meus pais e Austin estão em casa, não podemos levar ela lá, meu pai vai ligar para o tio Elea.
― Minha mãe está dando um jantar para as amigas do clube ― April disse baixo.
― Nós podemos levá-la para a minha casa, os meus pais estão lá, mas eles nunca fazem nenhum escândalo nem nada ― William falou ― Nós temos uma secadora para as roupas dela.
― É perfeito, vamos levar ela ― April falou.
William me enrolou em um cobertor que ele retirou do porta malas e sorriu.
― Não precisa ficar com vergonha, todo mundo tem problemas, se você quer saber, eu tenho pânico de falar em público ― Disse sorrindo ― Vai ficar bem quentinha logo ― Ele sorriu novamente e April me enfiou novamente no carro do William, nós duas fomos atrás e William dirigia com Kaleb no banco do carona.
Eu não conseguia calcular quanto tempo levamos para chegar até o lado norte da cidade onde William mora, me lembro vagamente de sair do carro caminhando com April me segurando.
― William, não esperava você tão cedo em casa ― A senhora de cabelos loiros falou.
― Hey mãe, pai, esses são Kaleb, que você já conhece, April namorada dele e essa moça que caiu na piscina é Brieanna a irmã da Malloney, lembram-se dela? Malloney.
― Mas é claro que sim querido, vocês estão juntos novamente?
― Que é isso mãe, claro que não...
Juro que consegui ouvir um “ainda”.
― Caiu mesmo na piscina? Por que seu rosto está inchado desse jeito? ― O pai de William perguntou.
― Pode ser que tenha havido uma briga, antes de ela cair na piscina, você sabe, coisa de garota ― April falou sem graça.
― Uma briga com você? ― Ele perguntou.
― Não, não senhor, eu não brigo ― April falou.
― Será que ela pode tomar um banho e aí secamos as roupas dela? ― William pediu.
― Nós não podemos levar ela para casa assim, a mãe dela vai ficar preocupada ― Kaleb disse baixinho.
― Como ela caiu na piscina? ― O pai de William quis saber.
― Querida, venha, vou mostrar para você o banheiro, então podemos lavar e secar as suas roupas enquanto você toma banho.
Eu segui a mãe do William que me levou até um banheiro no segundo andar e esperou no lado de fora enquanto eu tirava as minhas roupas para que elas fossem lavadas e secas, acho que nunca imaginei que um dia isso aconteceria.
Eu estava tentando ficar forte, mas os meus pés doíam, eu estava morrendo de frio, meu rosto estava doendo e eu sabia que o meu olho ficaria roxo, meu corpo estava exausto e eu estava tentando não pensar em todas as coisas que apenas Joseph sabia e que agora ele havia compartilhado com Helena, Elizzy-sei-lá-o-que e ela falou todas aquelas coisas que eu empurrei para o fundo, para o canto mais escuro da minha alma e agora todos sabiam e passariam adiante.
Nada nunca mais vai ser normal ou bom para mim?
Depois de terminar o banho eu me enrolei em uma toalha macia e me sentei esperando as minhas roupas, então April bateu à porta e me entregou as minhas roupas.
― Nós vamos esperar por você lá embaixo, okay? ― April falou.
Eu apenas assenti sem olhar para ela.
Eu me vesti devagar, minhas roupas estavam quentinhas e com cheiro de amaciante de lavanda.
Eu respirei fundo várias vezes antes de sair do banheiro tomando cuidado em não olhar meu rosto no espelho.
― Sim, foi uma garota idiota, eu não conheço ela direito, falou da internação e todas as coisas que as pessoas não poderiam saber e ela... Teve um ataque de pânico, eu não sei muito dessas coisas ― April admitiu.
― Pobrezinha, que garota mais sem coração como ela pode falar sobre essas coisas em frente a todos aqueles jovens em uma festa? Horrível.
― Não consigo entender como alguém é capaz disso ― O pai de William disse.
Eu pigarreei e todos eles se viraram para mim.
― Está muito melhor, sabe, parece bem quentinha agora, suas bochechas estão até vermelhas de novo ― Kaleb disse me abraçando.
― Seu rosto está um pouco inchado, querida que tal colocarmos um pouco de gelo? ― A mãe de William sugeriu.
― A sua mãe vai perceber ― April falou mordendo os lábios.
― Você não pode consertar com maquiagem?
― É uma lesão Brieanna, não acne, eu posso tentar, mas só vai cobrir o roxo, não o inchaço.
― Você pode não contar a minha irmã? Ela vai contar aos meus pais, eu vou contar, juro, mas não hoje.
― Posso passar maquiagem e vamos esconder isso, seus pais não precisam saber, sim?
Eu segui April e a mãe do William até a cozinha e April me apontou uma cadeira, logo que eu me sentei todos estavam em torno de mim de novo.
― Você acertou ela para valer, onde aprendeu a bater daquele jeito? Que soco de direita foi aquele Brown.
― William ― A mãe dele repreendeu.
― Desculpa mãe, sei que violência não leva a nada, mas, nossa aquela ruiva mereceu aquela surra.
― Eu cresci com meninos, acabei aprendendo coisas ― Admiti sem olhar para eles.
― Por que você está assim? ― Kaleb pediu.
― Eu não gostei de fazer aquilo, eu não queria machucar ninguém, eu...
― Ei, não foi sua culpa, estava se defendendo, ela ofendeu você em primeiro lugar, ela não tinha que dizer aquelas coisas para as pessoas ― William disse.
Eu comecei a chorar de novo.
― Ei Brie, o que foi? ― April pediu segurando o meu rosto.
― Agora todo mundo sabe, April, na escola, todo mundo vai saber ― Falei afundando o rosto nas mãos e chorando.
― Ei, não importa quem soube ou para quem vão contar, a opinião deles não importa, você é uma Brown, vai dar tudo certo, agora me deixa ver esse rosto ― April falou retirando um kit de maquiagem da bolsa.
Depois de April consertar o meu rosto, ela me deu uma base, para que eu continuasse passando até o roxo desaparecer e tudo ficaria bem, a mãe de William nos ofereceu bolinhos e chocolate quente, a festa havia acabado para mim, depois de nos despedimos, Kaleb pegou o carro de William e levou Malloney até a casa dela, depois me deixou na minha casa, eu passei rapidamente por meus pais e fui correndo para o meu quarto.
De manhã eu acordei com dor de cabeça, meu olho ainda mais inchado e meu lábio cortado e sangrando, fiz o procedimento de maquiagem do jeito que April me ensinou, mas as mão de April tem muito mais habilidade com isso, e ela provavelmente não treme tanto.
― Bom dia ― Mamãe disse sorrindo.
― Bom dia ― Meu pai falou beijando meu cabelo quando eu me sentei ao lado dele.
― B-Bom dia ― Falei sorrindo, baixo, sem olhar muito para eles.
― E ai, bom dia ― Malloney falou estendendo a mão e nós fizemos nosso toque.
― Bom dia.
― Você dormiu bem? ― Meu pai perguntou segurando minha mão.
― Ah, dormi, bem, sim tudo bem ― Falei baixo.
― Você tem certeza que está tudo bem? ― Minha mãe perguntou.
― Sim, certeza, tudo ótimo.
― Você tá de maquiagem? ― Malloney perguntou.
Minha mãe arqueou as sobrancelhas e se virou para mim.
― Não, claro que não ― Falei quase enfiando a minha cara no meu cereal.
― Está sim, você passou errado ― Malloney disse passando o dedo indicador por baixo do meu olho esquerdo.
― Ai ― Gemi de dor, desviando meu rosto do toque da minha irmã.
― O que houve com seu rosto? ― Malloney perguntou.
― Nada, não houve nada ― Falei rápido.
Minha mãe segurou meu rosto entre as mãos levantando ele.
― Alguém bateu em você? ― Ela perguntou ― Você andou brigando por aí?
― Eu...
― Quem fez isso? Quem colocou as mãos na minha filha, quero nome, agora Brieanna ― Meu pai disse.
― Não teve briga nenhuma, eu só caí, eu... escorreguei, perto da piscina ― Falei .
― Essa é velha, e muito ruim ― Minha mãe disse.
― Olha esse inchaço, caiu de cara no punho de alguém? ― Malloney provocou.
― Eu... Foi só...
― Ela está pior? Você sabe... A outra garota ― Minha irmã perguntou se divertindo com a situação.
― Malloney, não incentive sua irmã a usar a violência contra as pessoas ― Meu pai disse ― Você sabe que a violência é a saída dos ignorantes? Você é ignorante por um acaso? Eu não eduquei você? Não ensinei nada?
― Me descu...
― Pare de se desculpar, não resolve nada.
― Ela está pior? ― Minha irmã insistiu.
― Ela está pior ― Falei baixinho.
― Isso não é bonito Brieanna ― Minha mãe se alterou.
― Foi ela quem começou ― Deixei claro.
― Ela quem? ― Meu pai quis saber.
― Helena, Elisa Hidden, algo assim, eu não me lembro.
― Elizzy Hoggan? ― Meu pai perguntou
― A namorada do Joseph? ― Minha mãe quis saber
― O pirralho tem namorada? ― Malloney perguntou confusa.
― April estava lá, ela viu, eu não comecei nada.
Malloney suspirou aliviada.
― Isso me deixa aliviada ― Admitiu Mall.
― Não a incentiva a brigar ― Papai falou.
― Eu não estou, apenas disse que estou aliviada que April estivesse lá para cuidar dela.
― Isso é impressionante ― Meu pai reclamou ― Você está de castigo.
― Mas eu já estava de castigo ― Argumentei.
― Não responda, você acha isso engraçado? Brigar?
― Se você quer sair distribuindo socos, entre para alguma arte marcial, com equipamento adequado, não saia brigando em festas, Deus! Evelin, fico me perguntando de quantas formas diferentes você ainda vai me enlouquecer ― Minha mãe disse frustrada.
Eu engoli em seco e sequei uma lágrima de raiva no canto dos meus olhos, eu sabia o que aquela garota havia dito, sabia que ela mereceu cada segundo do que houve, sabia que ela estava bêbada, sabia que Joseph foi desleal e que ele não deveria ter contado nenhuma daquelas coisas a ela, que se meus pais soubessem ficariam furiosos com ele, eu sabia que April, Kaleb e William eram testemunhas do que houve, eu estava partida por dentro, ferida e estava doendo muito, mas nada disso poderia chegar ao conhecimento dos meus pais, eles já lutaram batalhas de mais por mim e essa é uma das que eu precisarei lutar sozinha, ou nunca vou me libertar disso.
― Eu cometi um erro, não vai acontecer novamente, eu não gosto de perder o controle e aceito que me deixem de castigo, eu entendo totalmente, não se preocupem, eu não acho que violência é uma forma de resolver os conflitos.
Meus pais ficaram me olhando boquiabertos por alguns minutos e então eles suspiraram.
― Por que vocês começaram a brigar afinal? ― Meu pai perguntou.
― Foi por causa de Joseph? Você gosta dele? Está triste por que ele está namorando? ― Minha mãe perguntou.
Malloney começou a rir e eu fiz uma cara de nojo.
― Jesus Cristo, não mamãe, garotos não tem nada haver com a história ― Eu disse.
― Então o que? ― Meu pai perguntou.
― Com todo respeito, isso não é da conta de vocês ― Falei baixo.
― Como...
― Respeito, que respeito, você fala desse jeito conosco e vem dizer com todo respeito...
― Me desculpa, mas eu não quero falar disso com vocês, não podem me forçar.
Minha mãe arfou.
― Merda Brieanna, você é tão... Tão... Grande.
Eu olhei para o meu pai divertida.
― Certifique-se de resolver esse problema que não é da nossa conta, Senhorita Brown, sem usar a violência ― Meu pai disse divertido ― Você é impossível.
― Quero que vá direto para o seu quarto e só saia de lá quando estiver pronta para conversar sobre isso e esclarecer todas essas coisas que estão acontecendo, porque honestamente eu não estou mais reconhecendo você ― Minha mãe disse frustrada.
Eu fiquei dando voltas pela casa evitando a minha irmã até que não teve mais jeito e ela me arrastou para o meu quarto, no terceiro andar e trancou a porta.
― Pode abrindo o jogo, o que tá rolando? Desde quando você sai por aí brigando? Foi por causa do pirralho? Você é inteligente demais eu nem achei que ele fazia seu tipo ― Malloney disse segurando a minha mão sobre a cama ― Aliás nem sei qual é o seu tipo?
Perguntou divertida tocando a minha bochecha.
Eu olhei para a minha irmã sentindo os meus olhos encherem de lágrimas e comecei a chorar desesperadamente.
― Ei, o que foi?
― Ele contou, ele disse para aquela garota, todas as coisas, ele disse que eu deixei ela se afogar, disse sobre a clínica e sobre os remédios, sobre tudo e ela disse na frente de todo mundo, todo mundo Mall, agora todo mundo sabe e se ninguém mais esquecer disso? Na escola... Todo mundo sabe ― Falei chorando.
Minha irmã me abraçou apertado.
― Ei... Olhe para mim, você é uma Brown, você tem os nossos pais e amigos, nós te cobrimos, se achar que a Lun não vai dar certo, vem para a ST. Patrick, vem andar com as crianças católicas, é divertido ― Falou rindo ― Nunca deveria se importar com o que as pessoas estão falando sobre você, não vou deixar você retroceder, fugir dos problemas não é mais uma opção, lembra? Já compramos essa briga, nós vamos nos encontrar de novo, ela vai se arrepender de ter tocado em você, ninguém sacaneia minha irmã a não ser eu e quanto a Joseph, pode deixar que Kaleb vai dar um jeito nele.
― Não quero que Kaleb machuque ele ― Falei sem olhar para ela.
― Ele só vai ensinar a ele para manter a língua dentro da boca e que você não passa adiante os segredos dos seus amigos, mesmo que seja para a sua namorada.
Eu sorri para ela, que sorriu de volta e me beijou na testa.
― Agora lave esse rosto, está horrível com essa maquiagem mal feita, preciso te ensinar isso, Deus me livre você sair assim e alguém achar que eu te ensinei errado.
Eu a olhei incrédula e mostrei meu dedo médio.
― Mamãe vai saber disso, onde aprende essas coisas?
― Internet ― Falei rindo.
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