Moon River
56 Epílogo
Notas iniciais
— Epílogo —
— Edward —
New York – Outubro de 2016
Renesmee entregou-me um copo de café, o que não ajudou em nada a ansiedade do momento, mas diferente de mim, Bella parecia muito tranquila folheando a revista de cinco meses atrás ao meu lado. Como ela podia ficar calma?
— Como ela pode ficar calma? — questionei a Ness, que deu de ombros, ouvi Bella rir, mas ela continuava folheando sua revista. — Como você pode ficar calma?
— Eu já disse, sei que é um menino, você que não acredita em meu sexto sentido. — Bufei para a fala dela, eu não acreditava mesmo.
— Isabella Cullen! — chamaram por ela, me assustando, fazendo com que eu deixasse o copo de café ir ao chão, ganhando um olhar irritado da recepcionista do local.
— Controle-se homem, você é capaz de ter um infarto aqui mesmo — Nessie disse brincando as minhas costas, enquanto seguíamos Bella para a sala de ultrassom.
Era a primeira vez que Nessie ia conosco a uma das ultrassons, ela dizia que estava esperando por um momento especial e que aquele definitivamente era um, onde poderíamos enfim ver o sexo do bebê.
— Prontos para saber o sexo? — a médica nos perguntou, Nessie estava deslumbrada com o som do coração, segurando em meu braço com força.
— Sim — Bella, a pessoa tranquila do nosso trio, respondeu.
— Olha só, vocês terão um garotinho! — a médica anunciou, ganhei um olhar triunfante de Bella, mas naquele momento o fato dela ter dado o palpite certo era o mínimo, eu só conseguia sentir meu coração em disparada por estar ganhando mais um filho.
— Anthony! — Nessie exclamou chorosa, antes mesmo de eu terminar de processar a informação, virei para ela, vendo seus olhos verdes como os meus cheios de lágrimas.
Eu a abracei, beijando sua cabeça, enquanto olhava para Bella, que tinha lágrimas em seus olhos. Sorri para ela, que segurou em minha mão a beijando.
New York – Novembro de 2016
Era o primeiro aniversário de Nessie comigo em sua vida, então nós teríamos uma grande festa na casa dos meus pais para comemorar. Quando o relógio marcou meia noite naquele sete de novembro, em plena segunda-feira, eu deixei Bella — dormindo — na cama e, fui até o quarto de Nessie.
Bati na porta e ela mandou que eu entrasse, a menina estava sentada em sua cama, com o notebook no colo parecendo muito interessada no que via ali.
— Oi pai, algum problema? — perguntou.
— Não, só queria ser o primeiro a te desejar feliz aniversário. — Sorri para ela, que sorriu de volta. — Isso se Alec não chegou antes de mim — resmunguei.
— Não chegou não — ela assegurou. — Ele tem uma prova às oito da manhã, já está dormindo — respondeu, abaixando a tela do notebook e o deixando de lado.
— Feliz aniversário, meu amor! — A abracei apertado. Ela estava fazendo dezesseis anos, eu mal podia acreditar.
— Obrigada, papai — ela agradeceu com um sorriso doce no rosto, prolongando o abraço. — Você vai me entregar meu presente agora? — Os olhos dela, iguais aos meus, brilharam quando ela me olhou.
— Você sabe qual seu presente? — perguntei desconfiado, ganhando uma risadinha dela.
— Carlisle me contou — confessou.
— Seu avô é um fofoqueiro. E você só vai ganhar na festa, aquiete sua ansiedade e finja surpresa diante a sua mãe, nós passamos uma manhã inteira para escolhê-lo.
— Bom, você sabe, eu não sei dirigir, como vou pode usufruir do meu presente? — ela perguntou.
— Bom, você sabe, sou seu pai, eu vou ensiná-la a dirigir! — Apertei seu nariz, mas tudo que consegui foram lágrimas. — Por que você está chorando?
— Porque eu adoro quando você me ensina qualquer coisa, mesmo quando é matemática e eu não aprendo — ela murmurou. — É bom te ter por perto, papai. — Abaixou os olhos.
— Nessie, o que você está escondendo? — perguntei, erguendo seu rosto.
— Você vai me odiar — falou triste.
— Acredite, filha, eu nunca conseguirei odiá-la.
Ela suspirou, erguendo a tela do notebook.
— Oxford tem um belo programa para estudantes de marketing — sussurrou, olhei para tela, vendo que estava no site da universidade inglesa.
— Você quer ir estudar lá — conclui.
— Eu pensei nisso, mas me sentiria uma megera deixando você e mamãe para trás.
Eu ri.
— Nessie, você não é uma pessoa má só porque quer ir estudar longe.
— Eu não sei se vou conseguir ficar longe de vocês. E, seu eu for aceita, fizer as malas, entrar em um avião e ligar para casa chorando na primeira noite por não ter me adaptado? Todos irão me achar uma boba, será ridículo, papai.
— Não, não será. — Toquei em seu rosto. — Primeiro, porque eu duvido muito que você não se adapte, você é muito sociável e sabe se relacionar muito bem. Segundo, porque se caso isso ocorra, eu arrancarei a língua de quem te achar uma boba por você ter preferido voltar para casa. Terceiro, Nessie, você está inventando barreiras entre o que quer, algo distante e fora de sua realidade, só porque acha que sua zona de conforto é melhor.
— Isso é errado?
— É compreensível, mas não deve ser incentivado. Você nunca saberá o que está perdendo caso não insista.
— Você não vai sentir minha falta? — ela perguntou hesitante.
— Nessie, eu sempre irei querer estar perto de você, filha. Mas, sei que nem sempre será possível, você tem sua própria vida, seus próprios caminhos a seguir, se alguns deles tiverem a necessidade de te manter longe de mim, eu entenderei. Só saiba que será apenas uma distância física, eu guardo você em meu coração desde o momento que te vi naquele restaurante.
— Antes de eu fugir de você? — Ela sorriu, lembrando daquele dia. — Pai, eu nunca mais fugirei de você, okay? — Renesmee segurou em minhas mãos. — Você se mostrou o melhor pai do mundo para mim, eu sempre vou amá-lo. E, eu odeio o nome que você escolheu para mim, mas o amo ao mesmo tempo, porque foi você quem me deu ele e, eu nunca conseguirei odiar algo que venha de você.
— Sei como se sente. — Toquei na parte de baixo de seus olhos, a deixando confusa. — Odiava meus olhos antes de ver eles em você, Nessie, eu agora amo ter algo em comum com a garota mais incrível do mundo.
New York – Março de 2017
Anthony iria nascer e, eu parecia que iria desmaiar no exato momento em que o visse. Na verdade estava acontecendo uma aposta quanto a isso, Emmett dizia que eu desmaiaria nos primeiros cinco minutos de parto, enquanto Jasper — sendo um grande amigo —, achava que eu ficaria inconsciente no sétimo minuto. Nessie que entraria na sala comigo, para acompanhar a mãe, era a responsável para cronometrar o tempo certo e avisar aos tios o momento exato do desmaio.
— Você está muito nervoso, acalme-se, filho — Esme pediu quando encontrei com ela na lanchonete do hospital para comer algo. Segundo Renesmee, que estava apostando que eu só desmaiaria quando cortassem o cordão umbilical, comer me manteria de pé por mais tempo.
— Um pouco difícil, meu filho vai nascer. — Respirei fundo.
— E está tudo sobre controle — ela afirmou. — Bella e Anthony estão muito bem de saúde, com médicos e enfermeiros muito bons e será um parto normal, longe de riscos. Você tem de se acalmar, Edward!
— Você está pálido. — Carlisle sentou a minha frente, aparentemente a família inteira estava no hospital.
— Está rolando uma grande aposta sobre qual momento eu desmaio, você pode participar. — Aceitei a coca-cola que Esme me entregou.
— Alguém já disse cinco minutos? — Carlisle perguntou divertido.
— Emmett.
— Eu acho que está mais para dois — mamãe murmurou, fazendo com que eu a encarasse, ela riu suavemente, afagando minhas costas. — Desculpe-me querido, mas você está uma verdadeira pilha de nervos. Mantenha-se calmo, okay? Bella irá precisar de você lá e, se você desmaiar isso não será de grande ajuda.
Assenti.
— Você vai se sair bem. — Carlisle apertou meu ombro, fazendo com que eu o olhasse. — Vá lá ajudar a trazer seu filho ao mundo — incentivou. — Só não desmaie antes dele chorar.
— Vou tentar. — Sorri, bebendo o resto da coca, ganhando abraços dos dois e seguindo até Bella.
Ela claramente estava nervosa também, mas ainda assim sua maior angustia era a dor, então Nessie e eu fizemos o trabalho de deixá-la o mais confortável possível e mantê-la o mais distraída entre os intervalos das contrações. Isso durou mais uma hora, até que ela finalmente estivesse pronta para o parto.
— Você precisa fazer força — o médico disse, Bella agarrou minha mão, enquanto fazia a força necessária. Ness estava do outro lado, gravando tudo. — Mais, senhora Cullen, mais!
— Eu mudei de ideia, eu mudei de ideia, quero uma cesariana — ela implorou se recostando na cama.
— Mamãe, não, nem pensar! — Nessie exclamou. — Você não precisa que alguém corte sua barriga, Anthony vai sair daí de dentro do modo natural.
— Dói, Edward, dói — ela se queixou comigo.
— Eu sei, amor. — Toquei em sua testa suada, afastando o cabelo de seu rosto, cinco minutos tinham se passado, Emmett já tinha perdido a aposta. — Mas uma cesariana é cheia de contratempos, lembra? Você consegue, eu sei que sim.
Bella assentiu, voltando a fazer força, quase quebrando minha mão no processo, mas eu mal sentia meu próprio corpo.
— Mais uma vez — incentivei, então aconteceu, ouvimos o choro preencher o quarto e o médico ergueu um bebê sujo de sangue. Bella foi a primeira a chorar, seguida de Nessie, que mal conseguia manter a câmera estável, então eu senti as lágrimas em meu rosto e, nós quatro estávamos chorando juntos.
— Vai cortar o cordão, papai? — O médico perguntou a mim, eu concordei, soltando a mão de Bella, indo até lá cortar.
Eu tinha um filho, eu tinha dois filhos. Uma menina que bagunçou minha vida e deixou tudo melhor e, um menino que vinha agregar mais amor e felicidade a nossa família.
Cortei o cordão com cuidado, então olhei para Anthony que ainda chorava. O cabelo era escuro como o da mãe, mas os olhos bem fechados me impediam de ver a cor.
Uma enfermeira o enrolou em um cobertor, deixando com que eu o carregasse. Eu tinha carregado Lucy e Luke bebês uma dezena de vezes, mas ali era diferente, muito.
— Oi pequeno — sussurrei para ele, o levando até a Bella. — Eu sou seu pai, okay? Você consegue falar papai?
— Meu deus, ele é tão lindo! — Bella exclamou ao vê-lo mais de perto. — Ness, ele é exatamente como você quando nasceu.
— Ele é tão pequeno, parece que vai quebrar. — Ouvi minha filha mais velha falar já do meu lado tendo mais visibilidade do irmão, olhei para ela, que ainda chorava, sorri, ganhando um sorriso de volta da minha primogênita.
— Aqui Anthony, essa é a Nessie, sua irmã mais velha. Consegue falar: Fique longe de meninos, Nessie? — Ela gargalhou. Coloquei Anthony no colo de Bella, que o pegou com muito mais jeito do que eu, o aconchegando em seus braços. — E essa é a mamãe, Anthony, você consegue dizer o quanto ela é bonita? Não, bom, eu lhe entendo, também não consigo, a beleza dela é demais para ser descrita.
Os olhos de Bella se encontraram com os meus e, eu nunca a vi tão linda quanto naquele minuto, que ela tinha em seus braços mais uma prova viva do nosso amor.
***
Todos estavam do lado de fora do berçário quando fui até lá checar Anthony, ele tinha passado algum tempo com Bella, até que foi preciso ser levado para todos os procedimentos rotineiros, então enquanto Nessie ficava com a mãe que estava sendo levada para um novo quarto, fui checar nosso menino. Eu peguei o pequeno embrulhado em uma manta branca, já livre de todo sangue e, dormindo, o levando até a janela de vidro para apresentá-lo para todos.
Renée e minha mãe eram as mais próximas, elas ficaram apontando para Anthony, ambas chorando, até que Tanya e Rose se enfiassem ali. Tanya me lançou um sorriso orgulho e, eu sabia o quanto ela estava feliz por mim.
Alec, Riley, Lucy e Luke enfiaram suas cabeças na janela, para poderem ver Anthony, eu até queria ameaçar Alexander e mandá-lo observar o quanto bebês eram frágeis, para que ele não pensasse em ter um tão cedo, mas estava contente demais para isso. Emmett e Charlie apareceram juntos com Jasper, meu cunhado e meu amigo claramente empolgados com o novo menino para nossa rodinha. Enquanto Charlie mantinha uma pose durona, mas eu sabia que por dentro estava extremamente tocado pelo neto.
— O senhor não pode entrar aqui. — Ouvi uma enfermeira afirmar em um sussurro para não acordar os bebês.
— Posso sim, sou Carlisle Cullen.
Virei para trás, vendo meu pai ali, ele veio até mim e Anthony, olhando diretamente para o neto.
— O senhor está chorando? — perguntei vendo lágrimas em seus olhos.
— Ele tem seus olhos. — Abaixei o olhar para Anthony, que tinha acordado, revelando os meus olhos, Bella iria ficar louca de felicidade com aquilo. — Você fez um bom trabalho, filho — Carlisle parabenizou.
— Obrigado, pai. — Depositei um beijo na testa de Anthony.
New York – Junho de 2017
Bella andava de um lado para o outro no apartamento recolhendo seus pertences, parecendo verdadeiramente nervosa e, um pouquinho desesperada. Enquanto isso, Anthony e eu, que estava muito bem dormindo em meu colo, estávamos sentados confortavelmente no sofá.
— Você tem certeza? — ela perguntou pela milésima vez, desviando de um brinquedo de bebê jogado no chão, enquanto colocava seu casaco. — É uma reunião estúpida, eu posso faltar.
— Não é estúpida, se fosse você não receberia uma chamada de Sulpicia em plena licença maternidade. É importante para sua carreira, vá. — Afaguei a cabeça de Anthony, que nem respirou mais alto com o toque.
Era sábado, Bella e eu estávamos sozinhos com o bebê no apartamento, até que Sulpicia ligou falando sobre uma reunião importante, convocando minha esposa, que mesmo em licença maternidade, pelo menos uma vez por semana fazia uma matéria para o jornal. Eu sabia que era necessário a presença de Bella lá, Sulpicia sabia muito bem sobre o bebê e não a importunaria caso não fosse algo preciso. Se os boatos de Alec estivessem certos, Aro estava se aposentando, a esposa assumiria a edição geral do jornal e alguém precisaria ficar como editora chefe na sessão de economia, eu apostava em Bella.
— Vocês vão ficar sozinhos. — Ela choramingou, calçando as sapatilhas.
— Bella, eu sou o pai do Anthony, acalme-se, nós vamos sobreviver.
— Mas vocês nunca ficaram sozinhos antes. — Ela tocou nas costas do bebê. — Deixe-me chamar Esme.
— Mamãe demoraria muito até vir da mansão para cá, além do mais, Anthony e eu não precisamos de ajuda, iremos sobreviver.
Bella respirou fundo, dando-se por vencida.
— Qualquer coisa você irá me ligar, Edward, entendido? — Concordei, ela forçou um sorriso, então beijou meus lábios e saiu do apartamento antes de se arrepender.
— Sua mãe, ela é uma figura, Tony, como se nós dois não fossemos conseguir ficar sozinhos por um par de horas. Ora essa, nós temos fraldas secas aqui, um canal só com músicas infantis na televisão e ela nos deixou seu precioso leite.
O bebê continuou dormindo em meu colo e, me senti vitorioso. Ele nem sentiria falta da mãe, estaria muito bem com o pai dele e, eu poderia esfregar na cara da Bella que era muito bom com bebês, mesmo que eu tivesse precisado de uma semana inteira para aprender a colocar fraldas.
Mas, bom, eu estava cantando vitória cedo demais. Exatos dez minutos da saída de Bella e Anthony acordou, chorando e chorando muito.
Eu chequei sua fralda, limpa. Eu tentei alimentá-lo, nada. Eu dancei com ele as músicas irritantes que o distraiam e, ele só sabia chorar. Massageei sua barriga atrás de cólica e tudo que consegui foi o pequeno querendo escapar das minhas mãos.
Estava desesperado, quase ligando para Bella e implorando para que ela voltasse, quando a porta abriu e Nessie surgiu. Olhando para mim como se eu estivesse louco, andando de um lado para o outro com Tony aos berros.
— Pai?
— Ah sim, eu sei, eu não dou conta sozinho, você pode contar a sua mãe e as duas irão rir na minha cara por um dia inteiro.
Ela riu, foi a cozinha e voltou a sala com as mãos lavadas.
— Deixe-me pegá-lo. — Passei o pequeno para seus braços, eu não sabia o poder que ela tinha, mas Anthony sempre parava de chorar em seu colo, então poucos minutos depois, o menino já estava calmo.
— Você é boa — admiti, vendo-a dar um sorriso, mas nem de longe era um cheio de alegria como costumava ser. — O que foi?
— Alec e eu terminamos — ela sussurrou para não acordar o irmão que estava quase pegando no sono.
— O quê? Por quê? — perguntei e, por incrível que pareça, eu não estava tão feliz com aquilo.
— Ele recebeu uma bolsa para estudar direito em Harvard.
— E ele te chutou? Posso usar as facas da sua mãe agora?
— Não, pai, claro que não! — ela exclamou negando com um aceno de cabeça. — Nós conversamos, analisamos como essa situação ficaria, com ele em Boston e comigo aqui, então depois comigo em Oxford, se eu for aceita, no ano que vem. Nós não queremos estragar nosso relacionamento por conta da distância, achamos melhor terminar antes que a gente se machuque.
Uma lágrima escorreu por seu rosto. Peguei Anthony de seus braços, o colocando no bebê conforto e, ele ficou quietinho para que eu pudesse ajudar a irmã.
— Isso dói — Nessie murmurou, enfiando-se em meus braços. — Eu pensei que nós dois seriamos eternos, eu amo tanto ele, pai.
A abracei forte, querendo roubar a dor dela.
— Vocês são jovens, Nessie, ainda tem uma vida inteira pela frente — falei. — Podem se reencontrar e recomeçar.
— Como você e a mamãe?
— Sim. — Fiz com que ela me olhasse. — Exatamente, se lembra do seu discurso em meu casamento? Você disse que o amor devia vir a frente de tudo. Isso é uma grande verdade, filha. Vocês dois tem outras prioridades agora, mas ainda podem se reencontrar lá na frente e deixar o amor comandar novamente.
— Eu pensei que você o detestasse.
— Ele te faz feliz. — Dei de ombros. — Não há como detestá-lo se ele te coloca sempre um sorriso no rosto. Vocês não podem mesmo superar a distância?
— Eu não acho que isso seja o momento ideal, eu confio cegamente nele. Mas, nós dois fomos sinceros um com o outro dizendo que acabaríamos ficando malucos e fora do controle com tantos quilômetros nos separando. Foi como falei, nós dois não queremos acabar com um termino que irá nos machucar.
— E vocês são sábios por isso. — Beijei sua bochecha. — Você vai ficar bem, Nessie. Odeio dizer isso, mas há um milhão de caras lá fora que irão querer sair com você, ainda há muito o que explorar. Divirta-se um pouco.
— Você pode me levar ao cinema mais tarde? — ela perguntou. — Eu quero comer pipoca e me entupir de doces e, preciso do meu pai para curar um coração partido.
Eu sorri, Bella estava certa quando disse que eu sempre estaria no coração de Renesmee, independente de quem fosse o namorado dela.
— Levo você. — Olhei para Tony no bebê conforto, dormindo tranquilamente. — Está claro que seu irmão é um garotinho da mamãe. — Brinquei.
Nessie riu baixinho.
— E eu sou a garotinha do papai. — Ela voltou a me abraçar e a chorar. — Obrigada por estar sempre aqui.
Londres – Janeiro de 2023
Carlisle odiava perder, mas naquele dia ele parecia muito contente com seu papel de perdedor. Ele sorriu para mais uma foto com Renesmee, enquanto ela depositava um beijo na bochecha do avô.
— Você pode me dizer como ela conseguiu erguer uma empresa em seis meses, tendo só vinte e dois anos? — Bella me questionou, entregando-me uma taça de champanhe.
— É sua filha, você ainda se surpreende? — Envolvi sua cintura em meus braços.
— Sim! — Bella exclamou, vendo Nessie pousar para mais fotos, mas daquela vez só. — Ela ainda parece a garotinha que corria para minha cama quando estava com medo — falou nostálgica. Beijei sua bochecha, querendo reconfortá-la.
— Ela é um gênio dos negócios, mas tendo Carlisle como mentor isso era esperado. Renesmee sabe exatamente o que aproveitar e descartar dos ensinamentos do avô.
Renesmee, que tinha se formado com prestígios em Oxford no verão do ano anterior, permaneceu na Inglaterra por mais alguns meses desde então, com o objetivo de conseguir expandir a empresa da família. O que ela conseguiu quando comprou uma empresa de publicidade que estava à beira da falência e, jogou o nome Cullen no mercado europeu. Carlisle tinha tentado por anos fazer aquilo, mas sempre algo o impedia, Renesmee conseguiu rapidamente e com sucesso, filiais estavam programadas para inaugurar em pelo menos um ano na Alemanha e na França. Ela era mesmo um gênio de vinte e dois anos.
— Ah Alec, querido, você está lindo! — Bella exclamou quando o Volturi se juntou a gente, depois de terminar de dar uma entrevista. Ele sorriu, dando um abraço na sogra.
Alec e Renesmee não conseguiram passar muito tempo longe, na verdade dois anos distante foi uma quantidade de tempo muito grande para tanto sofrimento que tiveram afastados. Eles tinham dois anos de término, quando Alec conseguiu uma transferência para Oxford e se uniu a ex namorada, indo terminar a faculdade de direito lá.
Os dois moravam juntos desde então e, eu me convenci de que eles estavam dormindo em quartos separados, para manter minha mente sã. E, Alec não foi um obstáculo na vida profissional dela, como eu pensei que seria quando soube que eles estavam indo morar juntos, o que fugia do plano que tinham posteriormente. Na verdade foi o contrário, como advogado ele a assessorava em tudo e, logo ele era parte da equipe de funcionários da empresa Cullen.
O projeto da empresa em Londres foi toda pensada por ela, mas sem Alec por perto Nessie afirmava que tudo não sairia do papel. No final, um precisava do outro e, a parceria fazia Carlisle muito feliz porque ele sabia que a empresa estaria em ótimas mãos quando quisesse se aposentar.
— Então, quando vocês voltam para New York? Sua namorada não sabe me dar uma data — perguntei.
— Devemos voltar antes do verão — Alec respondeu. — Nós queremos ficar aqui por uns meses, antes de entregar o comando da empresa a outra pessoa.
— Eu não deixaria ninguém estragar o que lutamos tanto para construir — Nessie disse pegando o fim da conversa, sendo imediatamente abraçada por Alec. — Mas não se preocupe pai, eu estarei lá no seu aniversário.
— É bom que esteja. — Pisquei para ela.
— Cadê o Tony? — Nessie perguntou a mãe. — Queria tirar algumas fotos com ele.
— Ah, como se pudéssemos saber onde Anthony se enfia, ele simplesmente some — Bella falou, olhando ao redor.
Tony valia por cinco, isso foi o motivo que fez Bella e eu fecharmos a fábrica definitivamente depois dele. Nós tínhamos Nessie, o gênio dos negócios e, Tony, que sumia e aparecia tão facilmente que eu podia apostar que ele seria um espião.
Nessie e Alec foram dar uma nova entrevista, quando Anthony apareceu, as mãos recheadas de doces e a boca inflada com tudo que tinha ali. Ele tinha o vício por açúcar da mãe e, só tinha cinco anos de idade, o que o deixava absurdamente elétrico.
— Ei garotão, onde você estava? — perguntei, abaixando diante dele e recolhendo os doces de suas mãos pequenas, mas ágeis.
— Andando — Anthony respondeu de boca cheia, uma mistura de chocolate e creme lá dentro. Eu ri, afagando seus cabelos, enquanto seus olhos verdes estavam fixos nas minhas mãos que detinham seus preciosos doces. — Papai, isso é meu. — Apontou para os doces.
— Bom, você não vai comer tudo isso, então vamos dividir, okay? — Entreguei alguns a Bella, fiquei com outros e passei o restante a ele.
— Mamãe, você está muito bonita! — Tony exclamou para a mãe, mas Bella e eu estávamos vacinados contra seu charme, sabíamos muito bem o que ele queria com aquilo.
— Você não vai conseguir meus doces, pequeno Tony! — Bella afirmou, os comendo rapidamente, então pegando o filho no colo, ainda que ela estivesse de vestido e saltos, conseguia mantê-lo muito bem em seus braços sem titubear. Ela era uma super mãe, o que só me fazia amá-la mais.
— Mas mãe, eram os meus doces — Tony reclamou.
— Tony, você tem outros dois em sua mão, os coma e se dê por satisfeito — Bella pediu, enquanto íamos até Nessie que queria tirar fotos com o irmão. Ela estava louca para registrar cada momento da inauguração da filial londrina.
Depois das fotos, Nessie levou a mãe para conhecer alguns jornalistas, Bella era uma das principais editoras do jornal dos Volturi em New York, então eu fiquei responsável por Anthony e, dois minutos depois o garotinho desapareceu.
— Você viu o Tony? — perguntei ao meu pai.
— Ele sumiu de novo? — Ergueu uma sobrancelha. — Como ele desaparece tão fácil?
— Acredite, eu não faço ideia, ele simplesmente some.
Carlisle riu, começando a procurar pelo neto caçula comigo.
— Você sabe, não é? — perguntei enquanto íamos atrás do garotinho. — Nessie conseguiu uma grande expansão para a empresa, agora você terá de jogar Just Dance. — O provoquei, fazendo Carlisle bufar.
— Eu não farei isso — decretou.
Parei de andar, fazendo com que ele parasse também.
— Edward, estou falando sério, eu não irei jogar isso.
— Você fez muito por ela, Carlisle — falei. — Nessie ama o trabalho dela, mas acho que ela ama mais por ter aprendido e estar aprendendo tudo com você.
Carlisle assentiu, sem falar nada, mas seus olhos o traiam mostrando o quanto estava orgulhoso pela neta.
— Vovô! — Ouvimos o grito de Tony, então ele se jogou nos braços de Carlisle. — Olha, olha. — Ele abriu a mão para Carlisle, mostrando um peixinho de aquário ali, já morto pela falta de água.
— Anthony, pelo amor de Deus, onde você conseguiu isso? — perguntei abismado.
— Tem um aquário ali! — Ele apontou para um dos anexos do salão onde acontecia a festa, seu gesto fez o peixinho cair diretamente no chão.
Carlisle gargalhou alto e, foi impossível não rir junto dele. Anthony logo estava rindo também, perguntando se ele podia ter um peixinho. Definitivamente não poderia.
New York – Maio de 2026
Casamentos faziam Bella chorar, ou talvez apenas o casamento de alguém tão especial tinha aquele poder sobre ela, a questão era que ela estava com os olhos cheios de lágrimas vendo a noiva caminhar até o altar e, fungou em um lencinho quando o noivo encontrou-se com ela. Tentei não rir de sua emoção, mas foi impossível não sorrir diante a cena dela ao meu lado com o nariz vermelho.
Meu olhar encontrou-se com o de Renesmee no altar, verde com verde. Ela olhou significativamente para a mãe, apenas dei de ombros deixando claro que não tinha nada que eu pudesse fazer que faria Bella parar de chorar.
Eu nem queria imaginar o quanto ela choraria quando fosse o casamento de Nessie, se no casamento de Lucy e Riley ela já estava daquele jeito, quando a filha casasse seria capaz de desmaiar de tanto choro.
Renesmee sorriu para mim, fazendo um discreto sinal para que eu abraçasse Bella, foi o que fiz, puxando minha esposa para debaixo de meus braços. Voltei meu olhar para o altar, onde o padre falava e falava sem parar, mas Lucy e Riley pareciam concentrados no falatório, então acho que isso era o que importava.
Do lado do noivo, os padrinhos. Incluindo Alec.
Ela e o namorado tinham voltado para New York no verão de 2023, bem a tempo para o meu aniversário como ela tinha prometido, então passaram alguns meses dividindo-se entre Alemanha e França montando as novas filiais e em 2024 estabeleceram-se de vez nos Estados Unidos. Renesmee implorou pelo meu antigo apartamento, querendo ficar com o lugar por ser diante o Central Park, então o repassei a ela e minha garotinha estava vivendo lá com um cara.
Eu odiava isso. Mas eles se amavam, muito.
Eu podia ver isso nos olhos dos dois que ficavam se encarando de vez em quando durante a cerimônia, com sorrisos bobos no rosto. Nem o fato de serem dois fanáticos por trabalho, rodando o país e o mundo mantendo a empresa e o nome Cullen em crescimento fazia com que o relacionamento deles acabasse. Nessie dizia que ela e Alec sempre foram absurdamente sinceros um com o outro e, que sabiam muito bem que o emprego de cada um era importante, eles se entendiam, eles se conheciam perfeitamente.
Alec estava junto de Anthony, que parecia muito concentrado nas alianças que carregava, eu implorava internamente para que meu filho não sumisse com nenhuma delas, Lucy surtaria e Bella iria acabar chorando mais por algo ter dado errado.
Ainda demorou um pouco para que o padre falasse seu longo discurso, que Lucy e Riley seus votos, mas percebi que todo o tédio que eu sentia sumiu quando vi o sorriso no rosto da minha sobrinha. Eu amava aquela menina, como amava meus próprios filhos. Nós dois tínhamos muito em comum e, por muitas vezes sentimos a mesma dor em relação a nossa família.
O sorriso dela lembrava o de Alice, na verdade com exceção do cabelo pintado de loiro, Lucy era idêntica a mãe. E, foi bom saber que pelo menos uma parte da minha irmã, uma parte verdadeiramente boa, ainda estava entre nós. Dei um sorriso triste ao me lembrar de Alice, mas eu estava contente por Lucy, ela tinha passado por muita coisa, mas estava encontrando sua própria felicidade.
A cerimônia terminou sem problemas, por sorte Anthony não tinha sumido com nenhuma aliança e nenhum dos noivos gaguejou na hora do sim. Bella que me perdoe, mas se Riley tivesse ficado com um pouquinho de duvida que fosse eu o faria sofrer.
Todos os convidados seguiram para o salão de festas, não muito longe da igreja, depois daquilo. Fui em um carro junto com Isabella e meus pais, Nessie tinha seguido junto com o cortejo e levado o irmão caçula consigo.
— Muito obrigada por ter vindo, tio Edward! — Lucy me abraçou forte quando eu fui cumprimentá-la na festa.
— Lucy, é obvio que eu estaria aqui. — A olhei confuso, então percebi em seus olhos o que ela queria dizer. Ela estava agradecendo por eu estar ali quando a mãe não podia, ela tinha Esme, tinha Tanya — que era uma excelente madrasta — Bella que lhe amava, mas Lucy sempre sentiria falta da mãe. — Não precisa agradecer. — Afaguei seu rosto.
— Eu queria que ela estivesse aqui — Lucy murmurou, controlando as lágrimas que se formavam em seus olhos, por sorte Bella estava com Riley e Rose longe dali.
— Eu também. — Assenti. — Mas todos nós estamos, Lucy, sei que ninguém irá substituir Alice para você, ou Luke, mas sabe que você e seu irmão sempre poderão contar com a gente.
— Eu sei. — Lucy sorriu. — E sou tão grata por isso, vocês todos foram e são maravilhosos para mim e Luke.
Enquanto Lucy lançava-se em uma carreira de modelo junto com Riley, ambos agenciados por Tanya, Luke estava terminando o colegial, pronto para seguir para o exército. Isso nos deixou malucos quando foi anunciado, mas ele realmente queria aquilo e a família inteira decidiu apoiá-lo em seu sonho, inclusive — e principalmente — Carlisle.
— Tudo bem, Edward Cullen, vamos parar de ser chorões, okay? — Ela recuperou o ar animado. — É meu casamento, a última coisa que quero é ficar choramingando pelos cantos.
— Riley é um bom garoto — declarei, fazendo com que ela assentisse.
— Ele é um Swan, tio — Lucy disse. — Nós dois temos toda a sorte do mundo por termos tido nossos caminhos cruzados por duas pessoas maravilhosas dessa família.
Eu voltei meu olhar para onde Bella estava com o sobrinho e, sabia muito bem que as palavras de Lucy eram completamente verdadeiras.
Logo ela teve que ir falar com os outros convidados, então eu me vi sentado em uma mesa, comendo muito alegremente. Até que, Alexander sentou junto de mim e, ele parecia extremamente nervoso.
— O que você fez, garoto? — perguntei.
— Senhor Cullen, sabe que eu amo muito sua filha não sabe?
— E você que chegar aonde com isso? — O encarei, Alec respirou fundo, tirando uma caixinha de joias do bolso, mostrando discretamente a mim um anel. Eu gelei, sabendo muito bem o que aquilo significava.
— Eu vou pedir ela em casamento, hoje depois da festa, quando voltarmos para casa.
— Você tem certeza? — indaguei, Alec sorriu em meio a tensão.
— Absoluta.
— Ela não está grávida, não é? — Olhei ao redor procurando por minha filha, mas ela não estava a vista.
— Não, não — ele respondeu prontamente.
— Bom, então você não está querendo casar com ela por nenhuma pressão?
— De forma alguma. Eu a amo, muito, senhor Cullen. Renesmee é tudo para mim e, eu não posso esperar mais para levar nossa relação a outro nível. Há, na verdade, uma grande probabilidade dela querer me matar por eu estar fugindo do plano, nem é natal e eu farei o pedido assim mesmo. Mas acho que pelo menos teremos tempo para programar o casamento para o próximo dia dos namorados...
— Alec, por que está me contando tudo isso?
— Porque o senhor é o pai dela e, eu tenho um enorme respeito por tudo que o senhor fala. Além do mais, Nessie o ama e eu sei que o senhor sempre será o primeiro no coração dela, então quero saber se está tudo bem eu roubar um pouquinho de espaço para mim.
Continuei o encarando, eu devia algum crédito ao Volturi, ele estava sendo bem corajoso. Era admirável.
— Bem vindo à família, Alexander. — Ergui minha taça para ele, o vendo respirar aliviado. — Você sabe que se fizer minha filha sofrer eu irei matá-lo, não sabe? — Ele assentiu. — Bom, acho que isso é tudo. Você irá amar e proteger aquela menina, então faça direito, ela te ama também.
— Obrigado senhor Cullen! — ele agradeceu sorridente. — O senhor é o melhor sogro do mundo.
Bufei.
— Pare de puxar meu saco, Alec, Nessie não tem mais quinze anos, eu não posso mais impedi-la de namorar.
Ele sorriu mais, então se afastou antes que eu pudesse mudar de ideia.
— O que você estava conversando com Alec? — Nessie assumiu o lugar que o namorado estava antes junto a mim a mesa.
— Fazer fofoca é feio, querida — falei, a vendo revirar os olhos.
— É sério, o que ele está escondendo, pai? Alec tem estado estranho a última semana. Ficava falando que era pelo casamento de Lucy e Riley, mas por que diabos ele ficaria nervoso com o casamento dos meus primos? Não faz sentido.
— Você se preocupa demais, filha — eu disse, fazendo com que ela bufasse, de forma muito parecida que Carlisle fazia. — Como está o trabalho? — mudei o rumo da conversa.
— Bem — murmurou, certamente ainda pensando no namorado. — Carlisle pretende se aposentar em quatro, cinco anos, então ele está diminuindo sua carga de trabalho aos poucos.
— Você não está se sentindo sobrecarregada?
— Nem um pouco — declarou, animada. — Eu realmente gosto daquele lugar, papai e, mesmo que eu me estresse, no fim do dia sei que estou fazendo o que quero.
Eu não tinha receios que mesmo quando ela fosse casar e ter filhos, continuaria administrando tudo muito bem. Nessie era como a mãe, então, ela seria como Bella sendo uma profissional, mãe e esposa maravilhosa. Elas não tinham limites do tanto que poderiam alcançar.
— E na faculdade? Como está indo?
— Maravilhoso. — Foi minha vez de sorrir, eu tinha trabalhado lecionando biologia no colegial por algum tempo, então consegui uma graduação maior e parti para a universidade de New York, meu peito ainda inchava de orgulho quando eu era chamado de Professor Cullen e, eu sempre tinha tempo suficiente para estar em casa com Anthony e Bella.
— Vamos dançar? — Nessie perguntou quando a música mudou, reconheci imediatamente e meus olhos varreram o local procurando por minha esposa, ela estava com Anthony na pista de dança, então eu levaria nossa filha. — É a sua música e de mamãe, não é? — Ness perguntou enquanto nos mexíamos ao som de Moon River.
— Sim. — Sorri, vendo Bella rodopiar Anthony, enquanto eles riam.
— Antes quando ela ouvia essa música sempre chorava — Nessie murmurou, fazendo com que eu a olhasse. — Eu não entendia, a gente nunca conseguia terminar de assistir Bonequinha de Luxo, pois ela sempre caía no choro.
Meu peito doeu ao pensar em Bella chorando.
— Não precisa se preocupar, papai. — Nessie repousou o rosto em meu peito, então apenas nos balançávamos de um lado para o outro. — Mamãe sorri quando escuta essa música agora, ela sempre sorri porque sabe que você está com ela. E, eu e Anthony não podíamos ter um pai melhor. — Nessie voltou a me olhar. — Você é incrível, Edward Cullen. Sei que você me considera um gênio, uma super mulher de negócios que pode fazer o que quer, mas a verdade é que eu não conseguiria nada se você não tivesse me ensinado tanto. Eu aprendi muito com Carlisle, mas você me ensinou muita coisa fora do mundo dos negócios e, o que você e mamãe tem me ensinou ainda mais.
Limpei a lágrima que escorreu por seu rosto.
— Você é nossa base, pai, você é o lugar seguro que mamãe, Tony e eu sempre poderemos nos segurar quando os tempos são difíceis. Obrigada por sempre estar pronto para nos manter em pé.
Não consegui falar nada, sabendo que se abrisse a boca eu cairia em choro.
— Eu te deixei sem fala? — Apenas assenti, Nessie riu, depositando um beijo em minha bochecha. — Bom, isso é uma grande novidade. — A música chegou ao fim. — Obrigada pela dança, papai.
Beijei sua mão, ela sorriu para mim mais uma vez, antes de se unir a mãe e o irmão que estavam parados perto da mesa de doce. Senti um toque em meu ombro, enquanto eu admirava minha esposa e filhos de longe, vendo que era Carlisle ali.
— Obrigado, pai — agradeci, deixando Carlisle confuso.
— Pelo que exatamente?
— Por tudo. Você é um bom pai, você se transformou em um excelente pai, sabe disso, não é? — Era verdade, Carlisle tinha deixado toda a barreira de gelo derreter, chegando até mim e assumindo o lugar de pai que eu sempre precisei e quis que ele tivesse.
— Você é um excelente, pai também, filho! — Carlisle apertou meu ombro, enquanto eu via Bella rindo com nossos filhos e, eu soube que as palavras de Carlisle eram sinceras. Eu tinha realizado meu sonho de me tornar um pai e, eu tinha meu próprio pai me amando sem receios. Não tinha ninguém mais feliz no mundo do que eu.
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