Moon River
2 Capítulo Um
Notas iniciais
— Capítulo Um —
— Bella —
New York – Janeiro de 2016
Mais uma caixa foi colocada na sala, fazendo minha sensação claustrofóbica aumentar, o local estava cada vez mais entulhado de coisas. Renesmee e eu precisaríamos de pelo menos uma semana para colocar o novo apartamento em ordem, isso se nos esforçássemos, levando em conta que meu gene preguiçoso tinha atingido em cheio o DNA da minha filha.
Paguei o cara da transportadora da mudança, então o deixei ir, ainda que estivesse cogitando a ideia de também pagá-lo para arrumar toda aquela bagunça. Mas, eu sabia que ele não faria aquilo, não pela quantia em dinheiro que eu ofereceria.
Depois de fechar a porta, refiz o caminho entre o mar de caixas, tentando chegar até o quarto de Renesmee. Como imaginei, a garota estava sentada na cama, aparentando estar tão sem animo para arrumar o apartamento quanto eu.
— Mamãe...
— Eu sei, muitas caixas — falei, olhando ao redor no quarto dela, assim como o resto do apartamento, estava tomado por caixas.
— Não sabia que tínhamos tanta coisa assim, parece loucura — resmungou, suspirando teatralmente e deitando na cama.
Sorri para ela, eu não conseguiria descrever o quanto amava aquela garota. Minha filha, minha garota, a menina por quem eu faria tudo que fosse necessário, só para vê-la bem e feliz.
Ainda que Renesmee parecesse tanto com o pai, o que me fazia pensar nele diariamente — o que nunca acabava sendo bom para minha sanidade —, eu a amava completamente. Ela tinha longos cabelos acobreados, sorriso fácil e o que eu mais amava, olhos verdes.
Os mesmos olhos do pai, os mesmos olhos que me fizeram ficar perdidamente apaixonada por aquele homem. O mesmo cara que conseguiu me fazer sofrer, eu não entendia como era possível que uma pessoa conseguisse fazer outra ser tão feliz e triste de uma só vez.
— Tudo bem Bella Bobona? — Renesmee perguntou, olhando de forma curiosa para mim.
— Tudo — respondi. — E não me chame de Bella Bobona — resmunguei. — Só o irritante do seu tio tem esse direito.
Renesmee riu, concordando com um aceno de cabeça.
— Mãe, você viu que aquela loja de bolos aqui do lado está precisando de atendentes? Quem sabe eu possa me candidatar ao cargo, acho que conseguiria a vaga.
— O quê? — a encarei, algo em meu tom de voz fez com que ela arregalasse os olhos, assustada. — Que loucura é essa Renesmee, você é nova demais, não precisa de um emprego!
— Eu já tenho quinze anos, mamãe! — exclamou. — Logo mais vou fazer dezesseis, posso começar a trabalhar.
— Logo mais não, seu aniversário é apenas em novembro, não tente apressar as coisas, mocinha — deixei bem claro. — E eu não quero que comece a trabalhar, você tem que se concentrar em seus estudos, nada de ficar atrás de um balcão vendendo doces.
— Isso não é um trabalho indigno, muito pelo contrário. Além do mais trabalhar acrescentaria muito ao meu currículo, me faria ter experiências a serem colocadas nas futuras cartas para faculdade que terei de fazer.
Outro ponto em que Renesmee era exatamente como o pai, a personalidade forte e a irritante mania de sempre querer ter razão. Aquilo fez com que eu e ele brigássemos inúmeras vezes, então Deus decidiu que minha filha seria exatamente assim.
— Eu disse não, então é não! — Dei minha palavra final. — Nada que você possa falar vai me fazer mudar de ideia, agora comece a arrumar seu quarto, temos muito o que fazer.
Renesmee apenas fez uma cara feia, mas sabiamente ficou de boca calada, indo desempacotar a primeira caixa. Sai do quarto dela, indo dar uma geral por lá.
O apartamento não era grande, até porque eu não estava nadando em dinheiro para alugar algo tão caro, mas era confortável o suficiente para nós duas. Dois quartos, um banheiro, sala e cozinha anexadas e tínhamos até uma vista muito boa para o prédio da frente.
Mas, ainda que não fosse o local dos sonhos, eu estava radiante de poder estar proporcionando um local melhor para Renesmee. New York poderia ser uma cidade perigosa, confusa e tudo o mais, mas era cheia de possibilidades para o futuro da mesma.
A única coisa que me preocupava era o fato do pai dela, assim como a família dele, estarem tão perto de Renesmee. Mas, nenhum deles chegaria perto da minha filha, não antes de passarem por cima de mim.
Eu estava cheia de receios sobre nossa mudança para New York, só que da mesma forma que seria melhor para Ness, também seria para mim. Tinha conseguido um bom trabalho, em um bom jornal. Era tudo que queria profissionalmente após ter me formado na faculdade cinco anos antes.
Tinha sido tão difícil conciliar a criação de Ness, já com cinco anos de idade quando eu voltei a estudar, com provas, trabalhos e tudo o mais que a universidade exigia de mim, isso sem falar em empregos. Por várias noites dormi chorando, pensando em desistir, mas sempre que olhava para o rostinho angelical dela eu tirava forças para seguir em frente, por nós duas.
Então apareceu a proposta de emprego em New York, totalmente encantadora. Não pude descartá-la, preparei tudo e sai de Seattle, com minha filha e várias esperanças.
O celular tocou, enquanto eu guardava os pratos no armário. Por sorte era o sinal de mensagem, então eu tive tempo de correr até o aparelho depositado sobre o balcão.
Rose: Oi cunhada, vamos nos reunir de noite para jantar? Descobri um restaurante japonês ótimo, certeza de que você e Ness irão adorá-lo.
Rose — Rosalie — era minha cunhada, esposa do meu irmão mais velho, Emmett. O fato de eu ter irmão, cunhada e um sobrinho em New York cooperaram e muito para que fosse mais tranquilo mudar para lá.
Bella: Acho que não vai dar Rose, Renesmee e eu estamos com o apartamento completamente bagunçado. Você sabe...minha cunhada não veio nos ajudar...
Rose: Estou muito ocupada, por isso não pude ir ajudá-las, não seja chorona Bella Bobona.
Bella: PARE DE ME CHAMAR ASSIM!!!
Rose: É seu apelido, aceite. Esteja pronta as oito e faça Renesmee ficar arrumada no horário também, só Deus sabe o quanto odeio os atrasos de vocês duas.
Bella: Tá, tudo bem. Tchau!
Rose: Tchau Bella Bobona!
Bella: Odeio você Loira Burra!
***
Renesmee e eu passamos o resto do dia arrumando o apartamento, ainda assim não chegamos nem perto de concluir o trabalho. Eu já estava quase aceitando o fato de que o fim de semana acabaria e ainda não saberia em qual das caixas se encontrava meus sapatos novos, comprados especialmente para o trabalho.
— Mamãe, você viu minha jaqueta vermelha? — Renesmee entrou no meu quarto, ainda desorganizado, pulando num pé enquanto tentava colocar o outro em uma sandália de salto.
Era tão difícil aceitar que ela já era uma adolescente, que usava salto, sabia discutir sobre assuntos sérios e o meu maior temor, já se apaixonava. Por mim colocaria ela dentro de uma bolha, a protegendo de todos os perigos que o mundo lá fora pudesse oferecer a mesma.
— Não faço ideia, querida — respondi. — Mas é melhor você usar o casaco de qualquer forma, vi na televisão que a previsão de neve dura até o fim de janeiro.
— Okay, ah sim, vovó Renee me ligou — contou.
— O que ela lhe perguntou? — indaguei.
Vindo de minha mãe eu não esperava nada bom, principalmente quando ela falava diretamente com Renesmee. Meu pai, mesmo com toda a confusão que foi, até que aceitou muito bem minha gravidez e sempre me ajudou em tudo que Ness e eu precisássemos. Mas, mamãe não, ela passou pelo menos cinco meses da minha gestação sem nem falar comigo.
E, quando voltou a falar, foi para dizer o quanto eu estava sendo imbecil e estúpida. Primeiro por ter engravidado de um cara que não poderia me ajudar a cuidar do bebê, então me culpando por eu ter insistido em levar a gravidez adiante, sem nem cogitar entregar minha filha a adoção, como se eu fosse capaz de algo assim.
— Você sabe. — Renesmee revirou os olhos, um gesto herdado de mim, milagrosamente não de seu pai. — Falar como estava feliz por nós estarmos em New York, mas no tom debochado que ela só tem. É claro até mesmo para mim que ela não acredita que possamos nos virar sozinha.
Renesmee estava claramente brava, a avó tinha esse dom de irritá-la muito facilmente. Por muito tempo tentei fazer as duas serem próximas, como eu mesma era antes de engravidar, mas elas nunca se entendiam.
— Não fique assim, meu bem. — Fui até Nessie, colocando uma mecha de cabelo para trás de sua orelha. — Renee é uma pessoa difícil, mas ainda é sua avó, temos que saber lidar com ela.
— É, eu sei. A amo apesar de tudo isso, mas não admito que ela nos desmereça a todo instante.
— Vamos esquecer isso por hora, okay? — perguntei, dando um largo sorriso para a garota. — Seus tios e Riley estão chegando, vamos sair e comer sushi, vai ser uma noite adorável e a implicância da sua avó não poderá nos atingir.
— Tem razão! — Renesmee também sorriu. — Temos New York inteira para desbravar, posso ficar muito contente por isso. Vou ver se encontro minha jaqueta, quero muito usá-la.
— Vá rápido, já estão para vir nos buscar, se nos atrasarmos é capaz de Rosalie nos dispensar.
Ela assentiu, então saiu do meu quarto, o cabelo acobreado balançando atrás de si.
Respirei fundo, pensando em como seria se o pai dela tivesse a conhecido. Ele a amaria? Eles se dariam bem? Ou seriam tão irritantes um com o outro como eram com outras pessoas?
Rose: Desçam agora, ou eu vou falar para todo mundo em New York que seu nome é Bella Bobona!
— Renesmee, vamos! — gritei, chamando pela garota, que para sua alegria tinha encontrado a bendita jaqueta vermelha.
O prédio que nosso apartamento ficava era de apenas três andares, mas três andares que pareciam nunca acabar quando se tinha de descer e subir as escadas. Para mim que estava de sapatilha era uma tortura, eu não sabia como Ness sabia lidar com aqueles lances de escada e salto alto.
— Ai meus amores, finalmente vocês estão aqui! — Rose gritou, para que a rua inteira pudesse ouvir, assim que nos viu sair do prédio.
Ela era a única fora do carro quatro por quatro que meu insistia em ter em plena cidade movimentada.
— Oi Rose! — Caminhei rapidamente até ela, a abraçando. — Senti sua falta, cunhada!
— Mas agora vocês estão aqui, vamos nos ver frequentemente! — exclamou empolgada, me apertando mais uma vez em seus braços antes de se voltar para sua sobrinha. — Oh Ness, você está cada vez mais linda!
— Estou mesmo, não é? — Renesmee perguntou convencidamente, me fazendo gargalhar.
— Maravilhosa — Rose afirmou, a abraçando. — Mas seu cabelo está comprido demais, querida, vai ao salão assim que possível dar um jeito nisso.
Rosalie tinha um salão, ela cuidava da parte prática, enquanto meu irmão administrava o negócio em si. Não fazia ideia de como os dois conseguiam misturar trabalho com vida pessoal, uma vez namorei um colega de trabalho e foi terrível.
— Meninas, vamos! — Emmett abriu a janela, colocando sua cabeça para o lado de fora. — Oi Bella Bobona, você engordou?
— Vai se fuder — sussurrei para que só ele ouvisse, mas Riley que estava ao seu lado no banco do carona ouviu e gargalhou. — Meu garotinho, você já tem barba? — perguntei perplexa ao ver o garoto.
Riley era uma perfeita mistura dos pais, o mesmo cabelo loiro da mãe e os mesmo olhos castanhos cor de chocolate de Emm. Os olhos da família Swan, nosso pai os tinha, nossa avó os tinha, mas minha filha decidiu sair com os olhos do pai, claramente o destino zombando de mim.
— Garotinho não, tia Bella, eu já tenho dezessete anos — ele resmungou.
— Pouco importa, você sempre vai ser meu garotinho. — Estiquei meu braço para bagunçar o cabelo dele.
— Gente, vamos! — Emmett voltou a nos apressar. — Temos reserva.
— Temos reserva? Você é tão chique, Emmett — zombei dele, entrando com Ness e Rose no banco de trás.
Nenhum de nós calou a boca durante o caminho até o restaurante, o que as vezes nem dava para entender o que o outro falava, mas fizemos dar certo. Era bom estar com meu irmão, Rose e Riley e sabia que era bom para Ness também.
Nós duas por muito tempo moramos com meus pais em Forks, minha cidade natal, então fomos para Seattle quando fui fazer faculdade. Onde moramos sozinhas por muito tempo, seria maravilhoso poder contar com nossa família.
Ela poderia ter os tios para ajudá-la, iria para a mesma escola que o primo, não ficaria largada pela cidade. E eu, ficaria menos preocupada com ela, ao menos no limite do possível.
— Papai iria adorar isso, não é mãe? — Renesmee me perguntou, enquanto deixávamos o carro para entrar no restaurante.
Fiquei gelada, sentindo que poderia desmaiar a qualquer momento.
— New York, ele iria adorar estar aqui, não é? Você sempre disse que ele era sonhador e essa cidade parece o local ideal para isso — ela falou, com um tom de devoção e amor na voz. — Eu queria tanto que ele estivesse vivo para compartilhar isso conosco — disse por fim, segurando no braço de Riley e indo na frente com ele para o restaurante.
— Você tem que contar a ela! — Rosalie falou, absurdamente séria.
— Eu não posso Rosalie — murmurei.
Ela segurou em meu braço, cravando as unhas em meu braço, por sorte o casaco impedia dela me ferir. Riley, Renesmee e Emmett estavam longe o suficiente para nos ouvir, em tão Rose voltou a falar:
— Edward está vivo Bella, vivo e aqui em New York. Renesmee merece saber que o pai não está morto coisa nenhuma, merece conhecê-lo!
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