Moon River
38 Capítulo Trinta e Um
Notas iniciais
— Capítulo Trinta e Um—
— Bella —
New York – Março de 2016
Em algum momento entre a dança e a sobremesa ser servida, Edward e eu voltamos para nossa mesa, onde meus pais estavam e, para onde os dele foram logo depois. Eu estava completamente ignorando mamãe, não queria discutir com ela em plena festa, sabia o quanto ficaria irritada ao jogar na cara dela tudo que ouvi, não queria passar vergonha, muito menos fazer Nessie passar vergonha na frente de Sulpicia e dos outros Volturi.
O garçom logo apareceu trazendo sobremesas variadas para nossa mesa, Edward pegou algo envolvendo chocolate para ele e, o imitei, precisando um pouco daquilo para levantar o astral. Meu pai parecia bem entediado ali, remexendo em sua comida e encarando aquilo e mais nada, mamãe bufava a cada segundo e nem tinha se servido, já Carlisle e Esme pareciam presos em uma própria bolha, conversando em voz baixa sobre a última viagem que tinha feito.
— Afinal, por que não trouxeram Lucy e Luke com vocês? — Edward perguntou aos pais, chamando a atenção dos dois para si.
— Alice e Jasper voltaram de viagem ontem, eles foram para casa com os pais — Carlisle respondeu, bebendo um pouco mais de champanhe. — Alice parecia radiante, não é mesmo, Esme?
— Sim. — Esme sorriu, afagando o braço do marido, enquanto falava com o filho. — A viagem certamente fez muito bem a ela, parece mais feliz do que nunca.
— Imagino. — Edward mal conteve o deboche em sua voz ao dizer aquilo. — Bella, podemos conversar? A sós. — Seus olhos percorreram rapidamente a mesa com nossos pais, assenti, o seguindo para longe da mesa.
Saímos da área do salão, seguindo pelo campo do clube que nos levou a um parquinho. Eu sentei em um balanço, enquanto um ansioso Edward ficou em pé, olhando mais além onde uma extremamente reconhecível garota de cabelos ruivos estava. Renesmee caminhava pelos jardins do clube com Alec ao seu lado, de mãos dadas, trocando beijos e rindo.
Eles pareciam extremamente felizes, como se não houvesse mais ninguém no mundo. Só eles dois e toda aquela paixão que sentiam um pelo outro.
— Vou contar ao Jasper — Edward disse por fim, despertando-me do transe que entrei ao ver minha filha e seu namorado.
— É o certo a se fazer — falei quando ele sentou no balanço ao meu lado, tomando impulso para se balançar. — Ele é seu melhor amigo, Edward, merece a verdade. E, seus sobrinhos também, principalmente se há duvida deles serem, ou não, filhos de James.
Edward concordou com um aceno de cabeça, o olhar perdido em Renesmee.
— Alice vai infernizar nossas vidas depois que eu contar tudo.
— Não pode se igualar a ela, Edward. — Olhei para Nessie também, que tinha parado de andar e estava abraçada a Alec, mesmo a distância eu podia vê-la sorrindo. — Não pode ser um chantagista, muito menos influenciar na vida das pessoas por ter algo a ganhar com isso. Jasper é seu amigo, ela é sua irmã e há uma adolescente e uma criança envolvidos nisso, você é da família, deve contar o que sabe. Eles terão de resolver isso da melhor maneira que encontrarem, mas você não pode omitir, nem mentir sobre algo tão sério.
— Eu sei, você tem razão. — Edward parou de se balançar, virando o rosto quando Renesmee beijou o namorado, ri baixinho, passando a me balançar, adorando a sensação do vento em meu rosto. — Ela está feliz, não está? — ele me perguntou algum tempo depois.
— Renesmee? — O olhei, bem a tempo de vê-lo confirmar com um aceno de cabeça. — Claro que está, na verdade eu não a vejo tão feliz desde que lhe dei uma fantasia da Ariel, acredite, a menina não parava de usar aquela roupa, mas o sorriso estava sempre em sua face.
Edward deu um sorriso, mas podia ver tristeza nele.
— Eu sempre vou ficar imaginando ter estado presente na infância dela, presente no mundo que vocês duas tiveram só para si.
— Edward, eu...
— Não. — Sorriu para mim. — Não quero brigar por isso, só fico pensando em tudo que podia ter feito com ela, entende? Eu teria adorado tê-la ensinado andar de bicicleta, nadar, fingir estar doente para matar aula.
Gargalhei, enquanto Edward ria também, voltando a se balançar como eu ainda fazia.
— Acho que ela ainda tem idade para aprender o último item, mas eu sei diferenciar uma febre verdadeira de uma forjada, meu irmão mais velho era mestre nisso durante o ensino médio, não sei como conseguiu se formar — falei, Edward parecia mais animado.
— Jasper e eu fazíamos isso no internato, mas nunca acreditavam na gente, melhor eu não ensinar isso a ela, seria um fracasso.
— Ela está aprendendo muito com você, Edward, mais do que imagina. Não só matérias da escola, ou no emprego. Vocês dois tem mesmo uma sintonia, não teriam se entendido tão rápido se não a tivessem, ainda há muito o que aprender e ensinar com Renesmee. Não recuperará o que perdeu, mas poderá sempre estar ao lado dela.
— Sei, sempre vou estar com ela. — Edward sorriu, sem mais tristeza. — Tipo agora, quando eu deveria estar lá e tirar as mãos daquele moleque das costas dela, mais um pouco para baixo e ele tocará no que não deve. — Bufou, encarando ela e Alec se beijando mais uma vez. — Acha que eles ficarão juntos até quando?
— Não faço ideia. — Vi Nessie interromper o beijo, cochichar algo no ouvido de Alec e sair correndo, com ele correndo atrás dela. Podia ouvir as risadas de ambos. — Eles estão apaixonados e são jovens, pode ser apenas intenso, ou eterno. É sempre uma via de mão dupla.
— Então, para nós foi apenas intenso? — Voltei meu olhar para Edward.
— A paixão? Sim. O amor? Não. — Dei de ombros. — Ainda te amo, Edward, você sabe disso. Nunca deixei de te amar. E, acredite, toda vez que eu olhava nos olhos de Nessie, queria poder olhar para os seus também. — Desviei meu rosto rapidamente para o outro lado.
— O que você estava falando mais cedo sobre minha mãe? — Edward mudou de assunto. Suspirei, então narrei a ele a história do banheiro, contando absolutamente tudo que tinha ouvido de Renee e Esme e, minha conversa com sua mãe. — Claro, depois de anos achando saber o que é melhor para mim, de ter sido tão idiota com você, agora ela decide ser uma boa pessoa. — Edward estava com raiva.
— É, eu sei. Mas pelo menos ela não estava vendendo você, como Renee estava fazendo com Nessie. — Agarrei as correntes do balanço com força.
— Bom, pelo que mamãe disse, ela com certeza sabia sobre a proposta de Carlisle de lhe dar dinheiro para você sumir da minha vida. Sei que não foi ela quem armou aquele lance das joias, nunca acreditei que tenha sido, mas Esme não é uma santa, Bella, não caia nas palavras amáveis dela, foi assim que eu me vi por anos sendo um bonequinho influenciado dela e de papai, tentando agradá-los, ser o melhor filho que esperavam.
— Você não acha, que há outra paternidade que deve ser questionada além da dos seus sobrinhos? Edward, você não pode passar o resto da vida com duvida se é mesmo filho de Carlisle. Ele não quer criar um conflito para não manchar o precioso sobrenome, mas é de algo sério que estamos falando. Eu sei como é esconder algo importante assim, as mentiras criadas para sustentar a verdade, o medo de a expor, sua mãe precisa te dizer a verdade, ou ela morrerá sem te contar o que é real.
— Ainda não estou pronto para isso, Bella. — Edward suspirou.
— Você o ama, não ama? Carlisle, quero dizer.
Edward assentiu, encarando seus próprios pés.
— Ele é meu pai, claro que o amo, apesar de tudo. — Agarrou as correntes de seu balanço com força também. — Você também ama Renee, não é?
— Sim — sussurrei. — Mesmo que nesse exato momento esteja morrendo de raiva dela, eu não posso negar que a amo. Ela pode ser como é, mas nunca abandonou nossa família. Ela foi firme mesmo sendo uma mãe adolescente, teve Emmett, casou, saiu de casa depois de ser expulsa pelos pais. — Engoli em seco. — Ela só quer uma vida que vê na televisão, é ridículo, eu sei. Mas, ela sempre foi uma boa mãe, no geral. Quando não estava sendo irritante, ou resmungona, cozinhava biscoitos deliciosos para Emm e eu, nos ajudava a fazer bonecos de neve e, sempre tinha o melhor abraço do mundo. Nossa relação não era perfeita, mas era muito boa, só que ruiu quando eu engravidei e, ela viu que eu não teria a vida que ela sonhava.
— Carlisle e eu nunca tivemos nada disso, era um dos grandes motivos que me fazia querer ter filhos, querer ter uma relação pai e filho forte, verdadeira. Mas eu o amo, ou talvez só continue obcecado em tentar agradá-lo, fazer com que ele me note e confie que sou um bom filho.
— Sua mãe, me disse algo digno de reflexão, nós não escolhemos a família que nascemos. E, nós dois, mesmo tendo problemas com nossos pais, sempre iremos os amar, somos pré dispostos a amar aqueles que nos criam, mesmo que uns não façam isso de forma certa como Carlisle, que nunca foi afetuoso com você. — Sorri, percebendo algo. — É por isso que sei que Ness e você realmente tem algo especial, que se amam mesmo, vocês não estavam juntos desde o começo, mas se encontraram no meio do caminho e reconheceram-se no meio da multidão. Sempre a achei parecida com você, me questionando como seria possível algo assim uma vez que você não estava ali influenciando a personalidade dela. Vocês dois são apenas parecidos, o mesmo lado de uma moeda.
Edward sorriu também, um sorriso pequeno, mas que misturava felicidade e alivio.
— O que vai fazer? Em relação a sua mãe.
— Não sei — confessei, parando de me balançar. — Ela é minha mãe, toda vez que tento brigar com ela acabo calando a boca e deixando passar, mas o que ela fez foi muito errado. Agir como se eu não tivesse criado Nessie, extorquido ela e papai para sustentar minha filha.
— Converse com ela, tente não deixá-la gritar, brigar, fazer um espetáculo em cima disso — Edward disse. — Se quiser, depois daqui, posso sair com Charlie e Nessie, para que possa conversar com ela.
Eu contive uma risada, mas Edward percebeu.
— Ele me odeia mesmo, não é?
— Sim, mas é só mantê-lo longe de objetos afiados, sua sorte é que ele não pode andar armado fora do horário de serviço.
— Tranquilizador.
— Pode fazer isso mesmo? Sair com ele e Nessie, para que eu tente me entender com mamãe?
— Posso — Edward confirmou. — Para onde eu o levo?
— Um bar seria o adequado, mas Nessie não poderá entrar, então o leve para sua casa e deixe ele ficar vidrado em sua tela plana, coloque em algum jogo e veja o homem ser feliz.
— Tudo bem, posso fazer isso — Edward disse confiante. — Vou pedir que Nelly esconda as facas.
— Vamos? — Deixei o balanço. — Acho que já tivemos o suficiente da festa por hoje.
— Você leu meus pensamentos — Edward falou, levantando-se também. — Renesmee! — gritou alto o suficiente para que a menina, que estava mais uma vez com sua boca colada ao do namorado, virasse em nossa direção. Edward fez um sinal para que ela fosse até a festa, então fomos até lá.
— Nós já vamos — anunciei aos meus pais quando voltamos a nossa mesa. Papai pareceu muito feliz com aquela noticia, dando um grande sorriso ao levantar-se, Renesmee e Alec logo chegaram ali também e Edward disse a ele que estávamos de saída, ambos pareceram chateados com aquilo, mas ele a acompanhou até sua mãe, para que pudessem se despedir.
— Vejo você na empresa — Edward disse para o pai, Carlisle apenas assentiu. — Tchau mãe. — Ele permitiu-se beijar a bochecha de Esme.
— Tchau querido, até mais Bella! — Ela acenou.
— Tchau Esme. — Acenei de volta, ela apenas disse um adeus formal aos meus pais, então eles dois, Edward e eu fomos nos despedir de Sulpicia também.
— Vejo você amanhã na escola, lindo! — Nessie deu um beijo na ponta do nariz de Alec, enquanto os dois se despediam na porta do salão.
— Okay, tire as mãos dela, garoto! — Edward os afastou quando Alec estava prestes a beijá-la, os dois resmungaram, mas Nessie entrou sem reclamar no carro. — Charlie, eu estava pensando, vai passar um jogo de basquete na televisão hoje, que tal ir para meu apartamento comigo e Renesmee para assistir? — Edward perguntou quando já dirigia para sair do clube. Pelo retrovisor vi meu pai com cara de poucos amigos, mas para minha surpresa, Renee não se voluntariou a ir também.
— Sim! — Nessie exclamou. — Isso vai ser demais, vovô. — Ela odiava basquete, mas a ideia de passar um tempo com Charlie e o pai, sem Renee por perto, com certeza era bem atrativa a ela.
— Renesmee, eu não acho que isso seja uma boa ideia — papai começou a protestar.
— Por favor, vovô, por mim! — Nessie implorou o abraçando.
— Tá bom — Charlie se rendeu. — Mas espero que você torça para o mesmo time que eu, Edward. — Olhei pelo canto do olho para o homem dirigindo ao meu lado, eu duvidava sequer que Edward soubesse quem estaria jogando aquela noite.
***
Mamãe e eu subimos em silêncio até meu apartamento quando chegamos lá, o chapéu em suas mãos e uma expressão cansada em seu rosto. Convenci a mim mesma a não ser fraca, eu devia enfrentá-la.
— Nós precisamos conversar — falei assim que entramos no apartamento.
— Outra hora, Isabella, estou exausta — falou. — Muito Sol, estou com dor de cabeça. Só vou tomar um banho e dormir um pouco, a cama da Renesmee está acabando com as minhas costas, posso deitar na sua?
— Não, nós vamos conversar agora! — afirmei, apontando para o sofá, Renee suspirou, mas deslocou-se até ele, sentando-se. — Eu ouvi o que você falou para Esme no banheiro. — Fui direto ao ponto, vendo minha mãe arregalar os olhos e ficar pálida, mais do que era por morar em Forks.
— Isabella...
— Não, quem vai falar primeiro sou eu. — Sentei na mesinha de centro diante dela. — O que estava fazendo era muito errado, Renee. Você praticamente disse a Esme que eu não cuidei da minha filha, que nem mesmo a sustentava, depois pediu dinheiro, como se você e Charlie tivessem sido babas de Nessie e agora pedissem suas contas.
Renee encarava as próprias mãos sobre o colo.
— Sei que sua vida não é como você esperava e, que Emmett e eu não enriquecemos para lhe dar tudo que queira, mas deve aceitar isso. Nós dois e papai sempre estivemos ao seu lado, sempre fomos uma família. Você já afastou Emmett por cobrar dele e de Rosalie coisas absurdas e, mesmo que tenha se afastado de mim durante boa parte da minha gravidez, eu ainda estava do seu lado, mãe, até agora. Não estou mais, não vou mais passar a mão em sua cabeça.
Ela me olhou, os olhos marejados.
— Ainda que eu te ame, não posso controlar a raiva que estou sentindo por você ter dito aquelas coisas de mim, por ter tratado minha filha como uma mercadoria a venda. Eu te amo, Renee, mas Renesmee é minha filha e eu sempre irei amá-la mais. — Senti meus próprios olhos marejarem, Renee continuava com os seus fixos em meu rosto. — Eu deveria contar isso a Charlie, mas não vou, você deve ser a pessoa a contar isso ao seu marido. Só quero que repense o que fez e falou, que admita ao menos para si mesma que o que fez foi repulsivo e odioso.
Levantei, ainda a encarando.
— Renesmee não é uma peça de troca, você não irá usá-la para conseguir dinheiro. Se esse pensamento surgir em sua mente de novo, ou se ele estiver nesse exato momento, peço que saia da minha casa imediatamente e nunca mais apareça na minha frente. Nunca irei colocar você, ou qualquer outra pessoa na frente do bem estar e da felicidade dela. Amanhã você retorna para Forks sem falta e, espero que não tente nunca mais tirar proveito da minha filha.
Sai da sala, seguindo para o banheiro onde tomei um rápido banho. Então, fui para meu quarto e passei algum tempo terminando alguns artigos, tentando manter minha atenção focada em outra coisa. Eu sabia que Renee tinha errado muito, que se fosse outra pessoa eu teria gritado, brigado e poderia perder totalmente o controle, mas ela continuava sendo minha mãe e, o mínimo de respeito por ela ainda existia, não podia tratá-la como um cachorro e enxotá-la com uma vassoura.
Deixei meu quarto quando percebi a fome que estava, a porta do quarto de Nessie estava trancada e Renee certamente lá dentro. Comi qualquer coisa, convencendo a mim mesma a não ir atrás dela, mamãe precisava perceber o quanto tinha errado.
Quando papai chegou, parecia muito empolgado, ainda que tentasse esconder, mas seu time tinha vencido e Edward foi um anfitrião perfeito para meu pai, como Nessie me confidenciou por ligação no fim da noite.
— Eles beberam, xingaram as mesmas pessoas no jogo e atacaram frango frito como se fossem homens da caverna — Renesmee disse. — Acho que deu certo, talvez vovô não queira matar papai agora.
— Que bom, as facas podem ficar apenas para Alec agora — brinquei.
— Muito engraçado. — Renesmee fingiu uma risada.
— Estou com saudades de você — murmurei.
— Eu também — ela murmurou do outro lado da linha. — Estou acostumada demais a te ter no quarto ao lado. Volto para casa amanhã mesmo, okay? Mamãe?
— Sim — respondi, parando de digitar no notebook ao notar seu tom de voz sério.
— Desculpe-me por não ter contado sobre papai indo à festa, como Carlisle e Esme. Eu fui infantil pensando que tudo se resolveria durante um único almoço. Sei que já prometi antes, mas prometo de novo nunca mais tentar influenciar sua vida.
— Estou mesmo com saudades de você, garota. — Foi tudo que consegui dizer, com mais falta dela depois daquilo. — Dê boa noite ao seu pai por mim, durma bem, filha.
— Boa noite, mãe. — Nós desligamos juntas.
Suspirei, aparentemente eu tinha perdido minha mãe de uma vez por todas, mas ainda tinha minha filha.
***
As duas semanas seguintes pareciam se arrastar por tanto trabalho que eu estava tendo, não que estivesse sendo sobrecarregada, mas eu era da secção de economia e, quando ela resolvia mudar em algo, todo o resto mudava. E, morando em New York a economia sempre era algo inconstante.
Renesmee e Edward também pareciam ocupados na empresa, com uma campanha grande que estava movimentando todas as áreas dela. Eu não o via desde a festa de Sulpicia e, Renesmee e eu apenas ficávamos juntas no começo do dia, e no final do mesmo, quando nos jogávamos no sofá para jantar, ver uma série qualquer que estivesse passando e ela adiantar o máximo de seus deveres de casa.
Minha mãe, depois de sua volta para Forks com papai, não dava mais sinal de vida. Por outro lado, papai voltou a se comunicar conosco, sempre preocupado comigo e com Nessie. Ele não falava sobre Renee e, eu muito menos me dava ao trabalho de perguntar. Quando contei sobre o que ela tinha feito ao meu irmão e Rose, minha cunhada ficou tão irritada que queria ir para Forks só para discutir com a sogra.
— Ei, bom dia, Cullen! — Saudei Edward quando entrei na sala do meu apartamento na manhã de sábado. Ele estava ali, ajudando Nessie com alguma matéria da escola, visto que ele tinha perdido a última semana por ter ido trabalhar no sábado.
— Oi Bella, bom dia! — Acenou para mim, mas sem desviar o olhar da conta que ela fazia.
— Vocês já tomaram café?
— Mãe, eu não tenho tempo para café, vai ter um provão na segunda. Todas as matérias, eu preciso estudar — Nessie falou desesperada, quase quebrando o lápis com a intensidade que colocou no mesmo ao escrever.
— Você precisa comer, ou vai desmaiar na hora da prova por fraqueza — afirmei. — E você, já comeu algo? — perguntei a Edward.
— Já, obrigado — ele agradeceu. — Mas se você me der um pouco de café que seja, irei te venerar, Swan.
— Tudo bem, aceito uma escultura minha no meio da Times Square — brinquei, indo para a cozinha, fazendo café para nós dois, Edward apareceu logo depois, pegando o seu sem açúcar. — Ela está muito nervosa, acha que ela não se saíra bem na prova? — perguntei preocupada.
— Ela vai se sair bem, sim — Edward falou. — Só está com medo de ir mal e acabar sendo demitida, mesmo com a loucura que a empresa esteve nos últimos dias, ela parece finalmente ter se encaixado no trabalho, está indo muito bem, pra falar a verdade.
— Espero que ela vá mesmo bem na prova, odiaria vê-la com notas baixas e sendo demitida.
— Relaxa. — Edward roubou um pedaço do meu waffle. — Ela é inteligente, mesmo quando não sabe algo consegue encontrar o melhor caminho para resolver o problema e, nas matérias de humanas a garota tem uma lábia muito boa. Estive fazendo perguntas a ela no caminho para escola, ela sabe responder tudo muito bem, desenvolver de maneira direta, mas com argumentos convincentes.
— Posso me gabar por essa parte. — Pisquei para ele, espetando meu garfo em sua mão, pronta para pegar mais da minha comida. — Cai fora, Cullen, você disse que já tinha tomado café da manhã.
— Vai fazer o que hoje à noite? — Edward me perguntou, massageando o local onde o espetei.
— Comer mais waffles, por quê?
— Marquei com Jasper lá em casa, só agora consegui um lugar vago na agenda de nós dois para que aquela conversa aconteça. Mas pensei que você poderia estar presente, já que foi a pessoa que ouviu James e Alice juntos. Sei que não quer se envolver nisso, vou entender se disser não, mas se quiser, peço que venha até minha casa.
Refleti sobre aquilo rapidamente, percebendo que ele tinha razão, eu era quem tinha ouvido James e Alice, precisava contar aquilo a Jasper, como devia ter feito naquela mesma noite.
— Vou com você, mas e a garota descabelada lá na sala?
— Ela pode sair com Alec — Edward disse contrariado com aquilo. — Vou voltar pra lá, espero que ela não enfie o lápis na minha garganta se alguma conta estiver errada. Aliás, vou levar isso comigo. — Pegou mais do meu waffle, desviando a mão antes que pudesse espetá-la com o garfo outra vez. — Não tão rápido, Bella Bobona — zombou.
— Como sabe desse apelido? — indaguei.
— Renesmee me contou. — Edward sorriu. — Sabe que só vou chamá-la assim agora, não sabe? — Joguei o garfo na direção dele, mas minha mira foi ridícula e o garfo parou bem longe dele. — Melhore a mira, Bella Bobona. — Gargalhou, deixando a cozinha.
***
Renesmee saiu no fim da tarde com Alec, a irmã dele, o namorado dela, Riley e alguma garota que meu sobrinho estava saindo. Os seis iam ao cinema, então comer alguma coisa na rua. Sem Edward, deixei bem claro a Alec que ele deveria ser inteligente ao sair com Nessie, principalmente porque os seguranças ficariam no prédio, ao pedido dela, que não queria sair com os amigos sendo escoltada.
Logo depois dela sair, apanhei um táxi e segui para a casa de Edward, preocupada como aquela noite terminaria não só para Jasper, mas para nós dois. Só imaginar como Alice reagiria ao saber que seu segredo tinha sido revelado, eu ficava cheia de certeza de que ela agiria pior do que nunca.
— Oi — cumprimentei Edward quando o mesmo abriu a porta para mim, os cabelos dele estavam molhados e ele tinha cheiro de sabonete, com certeza tinha acabado de sair do banho.
— Oi, entra. Tudo bem? Nessie saiu direito de casa? — perguntou enquanto eu tirava minha jaqueta.
— Sim — respondi para suas duas perguntas. — Ela saiu com Alec mais uns amigos e meu sobrinho para o cinema, vai estar bem, mas foi sem os seguranças.
— É, ela me mandou uma mensagem dizendo que preferia que fosse assim essa noite. Mas não há perigo, ela estará bem sim. — Edward pegou minha jaqueta a guardando no armário. — Jasper já está chegando — falou quando fomos para a sala. — Eu não sei nem por onde começar a contar essa história a ele.
— Você vai conseguir — o incentivei, sentando no sofá. — Onde está Nelly?
— Foi passar o fim de semana com a irmã. — Edward sentou ao meu lado, colocando as mãos ao redor da cabeça.
— Você está bem? — questionei preocupada.
— Exausto — respondeu. — E morrendo de dor de cabeça.
— Quer algum remédio? Posso sair para comprar — falei, afagando suas costas.
— Não, não é preciso. Depois da conversa eu tomo algo que tenho aqui. — Esticou uma das mãos para pegar o copo de uísque sobre a mesa.
— Nem pensar. — Tirei a bebida de sua mão. — Você já está com dor de cabeça, não precisa beber e piorar tudo.
— Bella. — Me encarou.
— Olhar para mim com cara feia e resmungar não adiantará nada, Cullen, eu convivo com uma menina de quinze anos, estou acostumada. — Sai da sala, levando o copo de uísque comigo até a pia da cozinha onde despejei tudo.
— Era um uísque muito bom, você o estragou — Edward reclamou entrando ali logo depois de mim.
— Melhor o uísque estragado do que a cabeça do pai da minha filha — afirmei, cruzando os braços.
Edward não teve tempo de falar nada já que a campainha tocou, então nós deixamos a cozinha. Fiquei na sala, enquanto ele ia abrir a porta para Jasper, que pareceu bem confuso a me ver ali.
— Bella, oi, o que está fazendo aqui? — Jasper perguntou.
— Isabella e eu temos um assunto importante para conversar com você, Jasper — Edward disse, indicando que o amigo se sentasse em uma poltrona, quando ele vinha para meu lado. Jasper pensou por um tempo, até que um sorriso tomou conta de seu rosto.
— Vocês dois voltaram? É isso? — indagou animado. — Eu sabia que iriam se entender logo! — exclamou. — Vão se casar? É isso, não é? Querem que eu cuide da papelada do casamento.
— Não Jasper, não estamos juntos — neguei.
— Não é algo que diz respeito a Bella ou eu o motivo que te chamei aqui hoje. — Edward fechou e abriu as mãos repetidamente. — É sobre Alice.
— O que tem ela? — O sorriso no rosto de Jasper morreu. Edward se virou para mim, toquei em suas mãos, indicando que ele deveria responder.
— Jasper, não é algo que será fácil de ouvir, mas você precisa saber. É meu melhor amigo, eu não poderia esconder isso mais de você e...
— Edward, o que Alice fez? — Jasper questionou, os olhos fixos no rosto de Edward. — Foi algo com Renesmee? Ou com Bella? — Olhou para mim por um instante.
— Não. — Edward suspirou, era a irmã dele e o melhor amigo, apesar de tudo, eu sabia que estava sendo difícil. — Jasper, Alice teve um caso com James, nosso primo.
Os ombros de Jasper cederam, ao mesmo tempo que seus olhos foram parar no chão. Suas mãos começaram a tremer e ele respirava com dificuldade, com o choque da noticia.
— Isso não é uma brincadeira, não é? — Voltou a olhar para Edward, que negou com um aceno de cabeça. — Alice e James? É o primo dela! — Jasper afrouxou a gravata que usava. — Que provas você tem para uma acusação séria como essa, Edward?
— Eu os ouvi juntos — me pronunciei, atraindo seu olhar. — Naquela noite do roubo das joias, no banheiro escondidos. Eles não estavam apenas trancados em um dos reservados, Jasper — sussurrei a última parte.
— Não, não é possível! — Jasper colocou as mãos na frente do rosto. — Como eu vou saber que posso acreditar em você, Isabella? — questionou-me com fúria. — Você foi acusada de um crime aquela noite, poderia estar inventando isso...
— Contenha-se antes de voltar a acusar Isabella de qualquer coisa, Jasper! — Edward pareceu despertar ali. — Se você prefere confiar cegamente em Alice, o direito é todo seu, mas Isabella não está inventando nada. Ela me contou sobre o que ouviu naquela mesma noite, antes das joias, antes de tudo. Não permitirei que a destrate.
Jasper encarou a mim, então Edward.
— Alice é prima de James, isso é loucura!
— Não parecia uma loucura para os dois — afirmei. — Jasper, Alice e James estavam mesmo juntos e, possa ser que o envolvimento dos dois tenha durado muito mais do que apenas aquela noite.
— Jasper, você precisa acreditar no que estamos falando — Edward disse. — Ou, se preferir vá para casa e questione minha irmã sobre isso.
— Lucy e Luke. — Jasper murmurou, perdido. — Lucy e Luke — repetiu, os olhos fixos nos do amigo.
— Eu sei. — Edward suspirou, nós dois sabíamos qual era a duvida permeando a cabeça de Jasper. — Por isso estamos te contando, porque se isso tem a possibilidade de ser real, muita coisa deve ser feita.
Jasper levantou, andou pela sala várias vezes, até parar no mesmo ponto de antes.
— O que eu devo fazer?
— Ir para casa e conversar com sua esposa, ou melhor, esperar até amanhã e falar com ela. Você não vai querer Lucy e Luke em casa durante essa conversa, então eu posso os levá-lo para o clube amanhã. — Edward sugeriu.
Jasper assentiu, ainda confuso com tudo aquilo.
— E depois, Edward? Se ela confessar? Se Lucy e, ou Luke não forem meus filhos? Se forem filhos de James, o que eu faço?
— Isso é com você, Jasper. — O Whitlock passou a mão pela cabeça, então, sem dizer mais nada saiu do apartamento, deixando para trás apenas o som da porta se fechando.
— Você está bem? — perguntei a Edward.
— Não, isso vai destruir até mesmo a fachada de família que nós tínhamos. — Ele apoiou a cabeça no encosto do sofá. — Sei que você odeia minha família, Isabella, mas é a única que eu tenho.
Segurei em sua mão, tentando lhe deixar um pouco mais calmo. Edward estava de olhos fechados, parecendo tão cansado e triste. Foi quando me curvei sobre ele, colocando meus lábios sobre os dele, mas quase que instantaneamente ele me afastou.
— Não, Isabella — disse segurando com firmeza em meu ombro. — Você está pronta? Está pronta para me perdoar? Para ficar comigo?
— Edward, eu... — sussurrei, sabendo que ainda não estava, mas queria beijá-lo, reconfortá-lo.
— Você não pode fazer isso, Bella. Me beijar, passar a noite comigo dessa forma e esperar que eu aceite quando você for embora na manhã seguinte. Eu te amo, quero muito estar com você, mas não aceitarei pedaços seus, quero você por inteira, quando estiver pronta para isso me procure, mas até lá não devemos jogar um jogo perigoso como esse.
— Claro, você tem razão. — Soltei-me dele, levantando do sofá. — Desculpe Edward.
— Só vai embora, Bella — ele pediu. — Realmente não estou em um dia bom e amanhã só será pior. Vou tomar algo pra minha cabeça e desmaiar na cama.
Assenti, indo para a porta com ele atrás de mim.
— Tem certeza de que vai ficar bem só? Não é melhor ligar para Nelly? Ou Tanya? Ela certamente poderia vir passar a noite aqui.
— Não, não preciso delas, posso ficar sozinho.
— Claro que pode. — Forcei um sorriso. — Boa noite, Edward.
Ele não disse nada, apenas abriu a porta me deixando ir.
Entrar no elevador, deixar o prédio, entrar em um táxi, chegar a minha própria casa. Tudo foi feito em um perfeito modo automático. Edward tinha razão, nós dois só poderíamos ficar juntos quando eu pudesse estar por inteira com ele, não apenas pedaços que eu permitia, não apenas minha pele, minha boca, mas meu coração, minha mente, tudo deveria estar ali junto a ele. Só me questionava quando isso iria acontecer.
— Renesmee? — Arregalei os olhos ao entrar na sala do meu apartamento e ver minha filha encolhida no sofá, uma manta lhe cobrindo, com um pote de sorvete em suas mãos, o rosto vermelho e cheio de lágrimas. Ela não falou nada, apenas continuou chorando, encarando o filme em preto e branco que passava na TV, parecia ser Psicose. — Filha, o que aconteceu? — perguntei sentando-me ao seu lado.
— Eu fui uma idiota com Alec, ele foi um idiota comigo, nós brigamos. — Ela limpou o rosto, largando o sorvete sobre a mesinha.
— O que aconteceu?
— Se lembra da garota que eu falei que Riley estava levando para o cinema com a gente?
— Sim.
— Então, ela se chama Hanna e já teve um rolo com Alec. — Mais lágrimas. — Eu não sabia disso, até eles ficarem de papinho furado a noite toda, mãe. Ela mal parecia ligar pro Riley e, quando fui o questionar se não estava achando tudo aquilo uma porcaria, ele me falou que Alec e Hanna já tinham saído juntos, que era normal, você acredita nisso? Meu primo teve que me contar, porque meu próprio namorado não teve a decência, por estar ocupado demais batendo papo com a ex.
— Filha. — A abracei. — Calma. — Beijei o topo de sua cabeça. — Você acha que os dois estavam flertando?
Renesmee suspirou.
— Talvez, eles não paravam de rir, ele a chamava de Hanna Banana e aquela garota tocou no cabelo dele para ajeitar a franja. — Renesmee deu um gritinho irritado. — Eu adoro a franja dele do jeito que estava, ela não deveria ter tocado no cabelo dele. É meu namorado, não dela!
— Então vocês brigaram?
— Sim, no metrô, quando ele me trazia para cá. Eu falei tudo isso e ele disse que eu estava sendo insegura, que ele não estava fazendo nada demais. Eu me pergunto se você e papai não estavam certos, sobre eu me envolver com Alec com ele sendo mais velho, e se ele quiser outras? Se conseguir com elas o que não posso oferecer?
Nessie afundou o rosto nas almofadas.
— É seu primeiro namoro, não se cobre uma perfeição, Nessie. Vão ter outros garotos além de Alec.
Ela levantou o rosto, me olhando horrorizada.
— Você acha que não vai durar? — perguntou aflita. — Acha que todas as paixões juvenis estão fadadas ao fracasso? Tia Rose e tio Emm são só uma exceção? Mãe, eu sei que você vai me brigar, mas eu realmente amo Alec, não quero que acabe.
— Você o ama? — perguntei tão baixinho que quase não fui ouvida.
— Sim, eu sei que não tem muito tempo que estamos juntos, que somos novos, mas eu o amo. Mas agora não sei se ele me ama de volta. — Renesmee me abraçou, continuando a chorar. — E se ele tiver ido atrás da Hanna quando sair daqui? Se ele nunca mais quiser nada comigo? Eu posso mudar de escola?
— Calma, não seja precipitada. — Passei a mão por seu rosto. — Vocês só tiveram uma briga, não é um termino, se você quer passar o resto da sua vida com ele entenda que ainda brigarão muito mais. E, bom, se ele preferir essa tal de Hanna é porque é um idiota que merece seu pai o cortando com minhas facas.
A campainha tocou, estranhei pelo horário, já se passava das nove e meia. Deixei Nessie no sofá, então fui abrir a porta, me deparando com um Alec de olhos vermelhos e marejados, como ele não parecia ter usado drogas, deduzi que ele tinha chorado como Renesmee.
— Você está encrencado, garoto!
— Juro que não estava dando em cima de Hanna, nós já ficamos juntos, mas não quero ela.
— Bom, você deu a entender o errado para minha filha, ela está bem brava e eu também.
— Eu posso vê-la?
— Melhor não. Procure ela outro dia. — Estava quase fechando a porta quando Alec disse:
— Pode dizer a Nessie que eu a amo?
— Você me ama? — Nessie estava no fim do corredor, paralisada em um misto de choque e felicidade.
Deixei Alec entrar, Nessie apertava uma mão na outra, nervosa também.
— Amo, claro que amo! — Alec exclamou.
— Não está falando isso só por termos brigado?
— Eu fui um babaca com você hoje, não devia ter dado abertura para Hanna, mas eu nunca mentiria para você, Renesmee. — Ele me olhou rapidamente e ela pareceu entender algo, em uma conversa muda. — Prometi que sempre seria sincero com você. Eu te amo, isso é verdadeiro e não estou falando apenas para que me desculpe por eu ter sido idiota.
— Sim, você foi um grande idiota! — Nessie cruzou os braços. — Mas eu também te amo e, acho que perdão e amor devem estar juntos, não é? — Ela foi até ele. — Só que se fizer isso de novo eu mesma uso as facas de mamãe para te cortar miudinho. — Então se beijaram.
Bufei, indo para a sala, deixando os dois no corredor de entrada voltando as boas. Peguei o sorvete de Nessie, tomando uma generosa colher, ela estava certa, amor e perdão deviam estar juntos e, tudo que eu queria era poder perdoar a mim mesma e a Edward.
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