Moon River
43 Capítulo Trinta e Seis
Notas iniciais
— Capítulo Trinta e Seis —
— Bella —
New York – Abril de 2016
Edward abriu a porta, enquanto eu tentava digitar uma mensagem de bom dia para meu pai, segurar minha bolsa e equilibrar o copo de café em minhas mãos ao mesmo tempo, ele riu quando eu quase deixei cair tudo no chão, mas não aconteceu nenhum desastre. Entramos no seu apartamento e, enquanto ele fechava a porta eu segui direto para a sala, encontrando com Lucy e Nessie, ainda de pijamas ali.
Elas nos ligaram cedo, o que não foi muito legal levando em conta que Edward e eu dormimos muito tarde depois de um maravilhoso encontro. Lucy tinha acabado indo para o apartamento do tio no dia anterior, ela e Renesmee organizaram uma sessão de cinema lá com Riley e Alec. Eu nem queria imaginar o que os quatro aprontaram apenas com Nelly os vigiando.
— Tudo certo? — perguntei, vendo Lucy meio verde, talvez não estivesse. Jasper chegaria a qualquer momento com os resultados dos exames, o que a deixava daquele jeito.
— Não — Lucy murmurou, aceitando o copo de água que Nelly estendeu a ela quando entrou na sala.
— Lucy não dormiu quase nada — Renesmee falou em um tom reprendedor, parecendo muito comigo.
— Um pouco complicado, né? Você é a cara do tio Edward, sabe que é filha dele, eu sou extremamente parecida com Alice, posso ser filha de James. — Lucy pareceu ainda mais verde ao falar o último nome.
— Você não é filha dele, Lucy — Edward se pronunciou já na sala. — Fique calma, okay? Se você tiver o DNA dele nós rasgamos o exame e fingimos que nunca o vimos.
Lucy tentou rir, mas ainda estava nervosa demais. Sentei ao lado dela, segurando a mão livre que Nessie não segurava.
— Lucy, Edward tem razão, esse exame é apenas uma mera formalidade boba, entendeu? Jasper é seu pai e ele continuará sendo, independente do resultado que formos ter hoje — falei, Lucy assentiu apoiando a cabeça em meu ombro.
Eu a abracei, tentando consolar a menina. Nunca em minha vida pensei que estaria sendo gentil com uma filha de Alice Cullen, mas Lucy era adorável e até mesmo senti-me mal por ter duvidado dela quando nos conhecemos. Era apenas uma menina.
A campainha tocou algum tempo depois e, todos nós ficamos em expectativa pensando se tratar de Jasper. Mas, quando Nelly voltou da porta acompanhada de Carlisle e Esme, senti a ansiedade ser substituída pela tensão em meu corpo.
— O que estão fazendo aqui? — Edward perguntou aos pais.
— Lucy é nossa neta, Edward, esse assunto diz respeito a gente também — Esme falou. — Tanya está com Luke tentando mantê-lo longe disso, então eu e Carlisle estamos aqui para dar o suporte a nossa neta.
Carlisle não parecia verdadeiramente interessado nisso, já que seguiu direto para o bar no canto da sala. Mesmo não sendo nem meio do dia.
— Obrigada por vir, vovó — Lucy falou, então percebi que Edward, muito menos eu, podíamos expulsá-los dali. Esme estava certa quanto ao fato de Lucy ser sua neta e, mesmo que os Cullen tivessem um péssimo meio de serem suportes um para o outro, era o que podiam fazer.
Sai do lado de Lucy, deixando Esme assumir meu lugar. Ela beijou o rosto da neta mais velha, então afagou o de Nessie ali perto, que sorriu gentilmente para a avó.
Edward me puxou para seus braços e, quase que no mesmo momento Esme e Carlisle olharam para nós. Ela parecia surpresa, enquanto Carlisle não mantinha uma expressão além de sua clássica fria. Porém, não me afastei de Edward e ele muito menos, apenas continuamos um nos braços do outro, esperando aquele dia acabar com um bom resultado.
Vinte minutos depois, que pareceram vinte horas, Jasper chegou. Ele estava pálido, enquanto carregava os envelopes do laboratório ainda lacrados. Lucy choramingou ao ver o pai e pensei que ela desmaiaria, mas Esme sussurrou algo em seu ouvido, fazendo a neta respirar fundo e parecer menos esverdeada.
— Não tive coragem de abrir — Jasper contou, Carlisle bufou, com toda certeza considerando o genro um fraco por conta disso. — Acabei de falar com Tanya, ela levou Luke a uma exposição de vídeo games que está tendo, ele parece feliz, mas eu não consigo pensar que se eu abrir esse envelope e...— Jasper parou de falar, sentando em uma poltrona, os olhos presos em Lucy.
— Jasper, vamos acabar logo com isso — Edward pediu impaciente.
— Edward, isso não é fácil! — Jasper se pronunciou.
— E não vai ficar mais fácil daqui a um minuto, um dia ou um mês. — Edward soltou-se de mim, indo até o amigo e tirando os envelopes das mãos dele. — Você quer que eu abra, ou vai fazer isso só? — O seu tom de voz me surpreendeu, ele estava sério, mas ao mesmo tempo irritado.
— Eu... — Jasper gaguejou.
— Por Deus, Jasper, você foi embora para Seattle como um rato fugindo quando descobriu sobre Alice, deixando seus filhos para trás. Agora vai ficar chorando por conta dos resultados antes mesmo de os ver? Aja como um homem! — Edward explodiu, no canto da sala, ainda bebericando o mesmo copo de uísque de quando tinha chegado, vi Carlisle sorrir por um segundo para o filho.
— Você pode abrir. — Jasper deu de ombros, colocando o rosto entre as mãos.
Edward revirou os olhos, afastando-se um pouco de Jasper para poder abrir os envelopes. Ele fez aquilo tão rápido que mal tive tempo de ler sua expressão, então anunciou os resultados.
— Lucy e Luke são seus filhos, Jasper.
Ouvi Lucy começar a chorar alto, abraçando Esme com força. Enquanto Jasper mantinha-se na mesma posição, chorando baixinho. Fui até Edward, ao mesmo tempo que Carlisle, que pegou ambos os resultados para conferir, lendo tudo com atenção.
— Duvidando da minha palavra, pai? — Edward perguntou, segurando minha mão na sua.
— Não — Carlisle respondeu, olhando Edward nos olhos. — Apenas querendo ter certeza de que Alice não cometeu mais um estúpido erro em sua vida. — Carlisle desviou os olhos para mim. — Talvez você esteja acertando mais do que errando agora, filho — ele disse para Edward. Senti a mão de Edward apertar a minha com força ao ser chamado daquele jeito, eu quis gritar com Carlisle, com Esme, jogar as cartas sobre a mesa e mandá-los contar a verdade um para o outro sobre a paternidade de Edward, mas fiquei calada, não era hora para mais confusão.
Apenas voltei minha atenção para Lucy, que no meio do choro de felicidade sorria como se tivesse ganhado um grande prêmio. Então, senti-me aliviada por ela estar bem. Percebi que mesmo ela sendo filha de Alice, eu já estava afeiçoada o suficiente por aquela garota. Implorei aos céus que ela pudesse ter um futuro mais claro do que o da mãe.
New York – Junho de 2016
Edward estava fazendo tudo errado, tudo. Eu queria agarrar seus cabelos acobreados e fazer sua cabeça de martelo contra aquele prego, haveria sangue envolvido, mas eu poderia lidar com aquilo limpando com sabão.
— Está torto! — repeti pela milésima vez, cruzando os braços contra meu peito.
— Não, não está — ele teimou.
— Se você não fosse um idiota veria que está absurdamente torto! — teimei de volta, Edward olhou para mim.
— Não está torto, sua cabeça que está inclinada demais para a esquerda.
— Minha cabeça não está torta, você que não sabe colocar um quadro na parede do jeito certo.
— Faça você, então, Senhorita Faço tudo certo! — Ele bufou.
— Sim, eu faço tudo certo, mas não adianta agora que você conseguiu pregar os pregos em ângulos errados, por isso esse quadro estará sempre torto. — Apontei para a parede onde o quadro dos Beatles estava terrivelmente torto, eu sentia pena dos pobres ingleses pendendo para um lado.
— Se vocês dois não pararem de brigar eu juro que vão se ver comigo! — Nelly surgiu da cozinha, trazendo mais uma caixa consigo. De onde surgia tanta caixa? Eu mal via o piso do apartamento.
— Nelly, esse quadro está torto? — Edward perguntou a ela, com um ar de triunfo
— Totalmente torto! — Nelly colocou a caixa sobre as mãos dele, ri vendo a expressão de vitória dele mudar imediatamente. — Mas não adianta ficar criticando se você não vai ajudar, Bella! — falou para mim, fazendo com que eu parasse de rir, envergonhada. — Vou procurar o zelador para consertar essa bagunça, o almoço está pronto, comam antes que eu pregue os dois na parede. E você, leve isso para o seu quarto, são seus eletrônicos preciosos — ela disse para Edward, que assentiu e foi em direção ao quarto no fim do corredor, enquanto Nelly saia do apartamento.
Tive de fazer o caminho da sala até a cozinha desviando da confusão de caixas e móveis fora de lugar, eu estava quase chorando pensando naquela bagunça toda. Duas mudanças no mesmo ano era o suficiente para mim, eu não pensaria em me mudar pelos próximos vinte anos.
Mas, ainda que tudo aquilo me deixasse maluca e quase tendo um ataque de nervos, era a melhor mudança que já tinha feito em anos. Mesmo com raiva do quadro torto na sala, todo o resto parecia perfeito.
Edward e eu já estávamos juntos por mais de dois meses, quando percebemos que já estávamos morando no mesmo apartamento, só que com a diferença que a cada dia alternávamos entre o dele e o meu. Desde a noite que bati em sua porta falando sobre brócolis, Jacob muito gostoso e o quanto queria que nós esquecêssemos o passado, não teve um dia que não dormimos juntos.
No começo tudo era muito lindo, até mesmo para Nessie. Mas algum tempo depois quando nós dois ficávamos pulando de apartamento e apartamento, a arrastando para onde queríamos aquele dia, a garota nos mandou decidir onde ficaríamos de vez. E, Edward e eu percebemos que não adiantava mais adiar o fato de que devíamos morar juntos de verdade.
Como o apartamento que eu morava com Renesmee desde que nos mudamos para New York era alugado e, pequeno demais para quatro pessoas contando com Nelly. Edward e eu decidimos buscar por um novo, o antigo dele foi alugado para algum riquinho que queria passar o verão na cidade. Para não causar mais problemas, optamos por alugar o novo e, dividir o valor das contas.
Então, lá estávamos em pleno sábado surtando com toda aquela mudança. Era um apartamento bonito, aconchegante e longe do centro rico e movimentado demais da cidade. Tinha três quartos, uma suíte que seria minha e de Edward, um banheiro, sala de estar grande o suficiente para que minha filha e o pai jogassem Just Dance. Cozinha e sala de jantar acopladas e o quarto de Nelly aos fundos.
Aquilo me deixou louca, eu queria a colocar em um dos quartos principais, mas ela me convenceu que o seu estava de bom tamanho. Mesmo que eu o achasse pequeno demais, ainda que o medindo fosse do tamanho do meu no antigo apartamento.
— Ei, parem com isso! — exclamei ao entrar na cozinha, vendo Alec e Renesmee se agarrando contra o balcão.
Eles afastaram-se bruscamente, os lábios dele manchados com o batom rosa dela, enquanto os de minha filha estavam levemente inchados pelo beijo. Eu realmente não queria ser obrigada a ver os dois adolescentes se pegando na minha cozinha, perto do meu almoço.
— Desculpe, mãe — Nessie pediu, limpando a boca de Alec o mais discretamente que conseguiu, enquanto os dois, de rostos voltados para o chão, começavam a servir seus pratos.
Alec tinha se formado no colegial na semana passada, Edward e eu fomos a formatura junto de Nessie e, Edward até mesmo deu um relógio de presente para ele. Alec não o tirava desde então e, com as suas férias e as de Nessie oficialmente iniciadas, ele estava mais perto do que nunca, inclusive para nos ajudar na mudança. Iria para a faculdade de New York no próximo semestre, ainda que não soubesse exatamente qual curso iria querer se formar, mas ele tinha voltado a falar sobre direito.
Edward entrou na cozinha enquanto os adolescentes já comiam, agradeci o fato dele não ter visto a filha naquela situação. Seria um caos e, eu não estava afim de ouvi-lo reclamar sobre o quanto Alec e Renesmee passavam tempo demais juntos.
— Você vai para a festa na segunda, Alec? — Edward perguntou ao garoto.
Seria aniversário de Edward e, Esme insistiu em fazer uma reunião, que eu sabia que não seria pequena na casa dela. Edward tentou se esquivar o máximo que pode da festa, mas eu mesma disse que talvez aquilo fosse bom.
Não eram tempos muito fáceis para os Cullen e, como mãe, eu imaginava o quanto Esme poderia estar sofrendo. Alice continuava internada na clinica de reabilitação, mas não tinha uma melhora verdadeira, pelo contrário. Algumas semanas antes ela tinha se automutilado, cortando os pulsos com uma tesourinha de cortar unhas.
Ninguém falava em suicídio de verdade, nem mesmo Edward conseguia admitir aquela hipótese. Mas, ela estava lá, batendo discretamente no vidro da janela.
Alice continuaria internada por mais tempo ainda, Carlisle a transferiu para outra clinica, depois de processar a anterior por deixarem a filha chegar aquele ponto. Edward tinha ido visitar a irmã algumas vezes antes e depois do acontecido, mas em nenhuma visita ela falava com ele.
Jasper levou Lucy — nós quase não falávamos de Alice na frente de Luke querendo poupá-lo — com ele uma vez, mas a menina ficou tão mal depois disso que não conseguiu ir mais, principalmente depois do que Alice fez. E, quanto ao casamento dela com Jasper, as papeladas do divorcio estavam finalmente sendo feitas, mas ele queria esperar mais algum tempo da recuperação dela para fazê-la assinar aquilo, com receio de como ela reagiria. Querendo ou não, era a mãe de seus filhos. Aquilo também mantinha o não relacionamento dele com Tanya estancado no zero. Ela já tinha dito que não investiria nele enquanto continuava atrelado legalmente a Alice.
— Claro, estarei lá! — Alec afirmou, puxando a manga de sua camisa para que o relógio ficasse mais exposto, reafirmando a Edward pela centésima vez que adorava o presente e estava o usando todo santo dia.
Ele era um tremendo puxa saco do sogro, mas eu adorava meu genro recém formado.
— Vou buscar nossas roupas na loja mais tarde com Lucy, mãe — Renesmee anunciou.
— Você já buscou as suas? — perguntei a Edward, sentando com ele a mesa quando terminamos de nos servir.
— Não, pode fazer isso para mim? — ele perguntou preguiçosamente.
— Eu tenho médico mais tarde, não posso desmarcar, é algo importante — falei, sentindo dois pares de olhos verdes me encarando com apreensão.
— Você está doente? — Nessie conseguiu perguntar, logo percebi que tinha sido descuidada a falar daquilo de forma tão relapsa, eu quase não ficava doente, muito menos ia a médicos, aquilo devia estar a assustando mais do que a Edward.
— Não, só é uma consulta rotineira — garanti.
— Tem certeza de que está bem? — Edward perguntou, avaliando meu rosto.
— Melhor impossível. — Sorri para ele. — Quer dizer, não tão bem levando em conta o quadro torto na minha sala de estar. — Edward bufou, revirando os olhos, Alec riu, mas parou ao ganhar um olhar sério do pai da namorada.
***
Renesmee dormia profundamente em seu quarto quando passei lá no domingo a noite para checá-la, ela tinha passado o dia no clube com Alec, a irmã dele, Lucy e Riley. Quando chegou apenas tomou um banho, bebeu um copo de água alegando estar sem fome e desmaiou em sua cama.
Sentei ao lado dela, deixando meus dedos percorrem seus cabelos como os de Edward. Ainda que ela tivesse tido um dia longo e cansativo, nadando, jogando tênis, tinha um vislumbre de sorriso em seu rosto quase bronzeado pelo Sol de fim de Junho.
Suspirei baixinho, vendo o quanto minha filha estava grande. Quando a peguei em meus braços pela primeira vez tudo que eu conseguia pensar era que Renesmee era o bebê mais lindo do mundo, que eu nunca queria que ela crescesse para sempre poder a ter em meus braços.
Eu estava errada, obviamente. Ela cresceu e, lidava com muita coisa sozinha, mas ainda assim sabia que de uma forma ou de outra, eu sempre a teria em meus braços.
Sorri para sua figura adormecida, inclinando-me para beijar sua bochecha. Eu a amava tanto, a cada dia mais. Era tão bom vê-la feliz. Não só por estar em New York, mas por ter Alec e, principalmente por ter um pai consigo.
Eu estava ansiosa, com tudo que viria a seguir. A consulta na tarde anterior tinha sido decisiva para mim e, logo mais seria para Edward e Renesmee também. Também estava assustada com a nova fase em nossas vidas, mas eu tinha o pai dela ao meu lado e, sempre a teria, tudo ficaria bem. Eu estava confiante.
***
Nelly, Renesmee e eu acordamos cedo na segunda-feira para preparar um café da manhã especial para Edward. Era o primeiro aniversário que eu e a filha dele estaríamos ao seu lado, então queríamos que tudo fosse o melhor possível, ainda que as caixas restantes por todo o apartamento quebrassem o clima da nossa decoração caseira com faixas de parabéns.
Abri a porta do quarto com cuidado, vendo Edward ainda adormecido em nossa cama, agarrado ao meu travesseiro. Renesmee vinha atrás de mim com a caixa de nosso presente e, Nelly carregava o pequeno bolo que preparou com as velas em cima.
— Amor, hora de acordar. — Toquei em seu rosto, mas Edward nem se mexeu.
— Deixa que eu faço isso, mãe — Nessie se pronunciou. — Papai! — gritou, conseguindo me pegar de surpresa e fazer Edward abrir os olhos imediatamente, a respiração desregular.
— Era para acordá-lo, Renesmee, não matá-lo do coração — Nelly comentou sorrindo.
— O que está acontecendo? — Ainda confuso Edward sentou na cama, coçando os olhos.
— Feliz aniversário, papai! — Nessie, em um tom doce disse, sentou ao lado dele na cama, depositando um beijo na bochecha dele. — Mamãe e eu te preparamos um presente e, Nelly fez o seu bolo de chocolate preferido — falou entusiasmada.
— Vocês não precisavam fazer isso — Edward disse olhando para mim. — Já teremos a festa mais tarde.
— Claro que precisávamos — insisti, sentando-me do seu outro lado.
— Pare de ser modesto, garoto. — Nelly colocou o bolo nas mãos dele, tirando um isqueiro do bolso e acendendo as velas. — Faça um pedido!
Edward sorriu, fechou os olhos e soprou as velas.
— Isso, agora o presente! — Nessie exclamou quando Nelly tirou o bolo de Edward. — Vamos, abra, papai! — implorou colocando a caixa sobre o colo de Edward.
Edward a balançou e, pelo barulho não conseguiu descobrir o que era. Quando abriu o embrulho, revelando o álbum de fotos que Nessie e eu tínhamos preparado por duas semanas seguidas, ele sorriu ainda mais, passando as fotos parecendo estar submerso em cada uma delas.
Eram todas fotos de nós três, desde que ele tinha conhecido Nessie e, principalmente depois de nosso retorno. Edward e eu, que nunca fomos os maiores fãs de fotos, tínhamos tirado muitas ao longo daqueles meses, o suficiente para preencher um álbum inteiro.
— Renesmee eu percebemos que tínhamos muitos álbuns com algo faltando, você, Edward — sussurrei, fazendo com que ele me olhasse. — Você é parte das nossas fotos e de nossas vidas agora, feliz aniversário.
***
Os Cullen sabiam dar uma festa, era terrível admitir, mas era a verdade. Eu não sabia por quanto tempo Esme esteve planejando a festa de aniversário do filho, mas ela fez aquilo muito bem, de verdade. A mansão estava perfeitamente decorada e arrumada para o aniversário, principalmente a área externa onde a comemoração concentrava-se de verdade.
Eu me senti deslocada no meio de todos aqueles convidados de alto escalão, mesmo vestida a altura do padrão deles, mas ainda assim era tudo novo para mim. Edward beijou meu rosto mais uma vez, ele sorria tanto aquela noite que não seria eu a responsável por estragar o momento, então convenci-me que a festa não seria um calvário.
Nós já estávamos ali a pelo menos duas horas, tínhamos conversado com um monte de gente e, ele fazia questão de apresentar Renesmee e eu para todos. Parecia ser o homem mais feliz do mundo, principalmente quando anunciava Renesmee como sua filha.
— Sabe, eu ainda tenho meu quarto aqui na mansão, poderíamos ir pra lá fazer uma festa privativa — Edward sussurrou em meu ouvido, deslizando sua mão pelas minhas costas.
— Isso não parece uma má ideia — confessei, sentindo seus lábios encontrarem-se com meu pescoço, fazendo com que eu gemesse em seus braços.
— Edward? — Nós nos separamos quando ouvimos a voz de Esme, a última vez que ela tinha topado conosco na festa era para nos arrastar para uma foto com o fotógrafo oficial.
— Sim? — Edward contornou minha cintura, mantendo-me ao seu lado.
— Nós precisamos conversar — ela disse ansiosa. — Seu pai também participará da conversa.
Edward respirou fundo, mas concordou com um aceno de cabeça.
— Já volto, Bella.
— Não — Esme proferiu. — Bella tem que participar dessa conversa.
— Tenho? — perguntei confusa em ser integrada a algo daquele tipo. Eu estava com Edward, mas não era a nora querida, nem mesmo tentava ser para Carlisle e Esme. Nós tínhamos nos encontrado só uma vez durante aquele tempo, quando aceitei ir com Nessie e Edward para o clube, mas nós estávamos chegando quando os dois estavam saindo. Foram apenas dois minutos.
— Sim, é algo importante — Esme falou. — Vamos? — gesticulou para o interior da mansão, Edward e eu nos entreolhamos, mas a seguimos. Antes de entrar ali chequei onde Nessie estava, para meu alivio junto de Alec e Sulpicia, então me senti menos preocupada em deixá-la ali e entrar na toca dos Cullen.
Esme levou Edward e a mim para o que era o escritório de Carlisle no segundo andar da mansão, o patriarca da família estava lá, atrás de uma mesa gigantesca de madeira pesada. Olhando atentamente em direção a porta.
Edward fez com que eu sentasse ao lado dele em um sofá que tinha ali, Esme ficou de pé, parecendo nervosa demais.
— O que está acontecendo? — Edward questionou.
— Nós estamos aqui para falar sobre o roubo das joias — Esme murmurou.
— Vão finalmente admitir a culpa de vocês? — perguntei debochada, sentindo Edward tenso ao meu lado.
— Bella, Carlisle e eu já lhe dissemos mil vezes que não fomos nós! — Esme afirmou. — Mas, nós sabemos quem foi.
Edward ficou de pé na mesma hora, encarando os pais com ódio.
— Vocês sabiam? Por mais de quinze anos souberam disso e não contaram quem armou isso para Bella?
— Não, não descobrimos na mesma época que aconteceu, foi bem depois disso — Esme falou.
— Não importa! — Edward gritou com ela. — Vocês sabiam dessa maldita história e esconderam de mim!
— Quem foi? — perguntei a Carlisle, que continuava sentado, parecendo nem um pouco abalado.
— Carmen Denali.
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