Moon River
41 Capítulo Trinta e Quatro
Notas iniciais
— Capítulo Trinta e Quatro —
— Bella —
New York – Abril de 2016
Edward olhava preocupado para mim, mas eu nem sabia o que falar ou fazer para avisá-lo que algo errado estava acontecendo. O que Renesmee estava fazendo com Alice? Isso não era possível. Com o corpo todo tremendo sentei na cama, tentando não pensar no pior.
— O que foi, Bella? Ficou sem palavras, cunhadinha? — Alice perguntou debochada, rindo, parecia bêbada, ou totalmente louca.
— Mãe, pare com isso! — Ouvi o que pareceu a voz de Lucy ao fundo, então mais ruídos e Renesmee voltou a falar.
— Mamãe, eu...
— Ah meu Deus, você está bem, Renesmee? — indaguei, Edward aquela altura já estava sentado ao meu lado, tentando entender minhas reações.
— Eu estou. — Renesmee suspirou. — Mas Alice não, escute, ela está totalmente bêbada. Lucy e eu estávamos no shopping quando ela ligou falando um monte de coisas estúpidas, tivemos de vir para o apartamento dela.
— Renesmee! — gritei a repreendendo.
— Mãe, por favor, não é hora para me passar um sermão — Nessie pediu parecendo exausta. — Nós tentamos falar com Carlisle, mas ele está em uma reunião. E Esme foi para Long Island com Luke hoje de manhã, nós precisamos que você e papai venham até aqui nos ajudar.
— Isabella, o que está acontecendo? — Edward indagou.
— Você está realmente bem, Renesmee?
— Sim — confirmou.
Foi minha vez de suspirar, então passei o telefone para um ansioso Edward. Ele prontamente começou a falar com a filha, não vi choque algum em sua expressão quando ela lhe contava o que aconteceu, o que me fez perceber que vindo de Alice nós devíamos estar preparados para tudo. Os dois conversaram por um tempo, até Edward desligar, nada contente.
— Nós precisamos ir até lá. — Devolveu-me o celular. — Não se preocupe, Nessie disse que Alice está tão bêbada que não consegue nem ficar em pé sem cair. Precisamos ir dar um jeito nisso, até Carlisle poder sair da maldita reunião.
Concordei, rapidamente terminando de guardar minhas coisas para que pudéssemos sair do apartamento. Edward não disse uma única palavra durante o caminho até o apartamento que Alice morava, que não ficava muito longe do shopping onde tínhamos deixado Renesmee aquela manhã.
A porta do lugar estava entreaberta e, logo na sala podíamos ver os sofás fora de posição, cacos de vidro por todo lugar e outros objetos de decoração quebrados. Edward seguiu na frente pela escada, que nos levou ao segundo andar do apartamento, entramos em um quarto tão bagunçado quanto a sala, onde Renesmee estava.
— Filha! — A abracei imediatamente, sentindo-me um pouco mais calma por ela estar bem. — Você me deu um susto.
— Desculpa — Nessie pediu. — Pai, Lucy está lá no banheiro com Alice. Pelo que conseguimos entender ela está bebendo direto desde ontem, as empregadas foram dispensadas na quinta-feira, estava sozinha aqui quando chegamos.
— Vocês não deveriam ter vindo sozinhas para cá — Edward falou, seguindo para a porta que deveria ser do banheiro, fui atrás dele, deparando-me com uma cena bem pior que o resto do estado da casa.
Alice estava dentro do box, vestida apenas em uma camisola, com o chuveiro ligado sobre si. Ela debatia-se, pedindo para sair dali, enquanto a filha lutava para manter a mãe naquele lugar. O rosto de Lucy estava molhado e, eu sabia que não era apenas pela água vinda do chuveiro, a menina chorava silenciosamente.
— Mamãe, por favor — pediu, segurando Alice firme, impedindo que ela saísse debaixo do chuveiro.
Alice tremia e, vomitou apenas líquido. Lucy soltou a mãe quando Edward foi até ela, eles trocaram um rápido olhar e a menina passou como uma bala por mim, de cabeça baixa e chorando.
— O que aconteceu com você, Alice? — Edward questionou, assumindo o lugar da sobrinha em manter Alice sobre a água gelada.
— Você arruinou minha vida, Edward! — Alice proclamou. — Você contou ao Jasper sobre James, papai agora me odeia, olhe o que fez comigo, irmão — falou confusa, a cabeça apoiada na parede atrás de si.
— Nada disso é minha culpa, Alice — Edward afirmou. — Foi você quem arruinou tudo para si mesma. — Alice voltou a vomitar, suas pernas cederam e ela praticamente caiu. Edward estava quase tão molhado quanto ela, mas não parecia se importar, só não queria deixar a irmã desabar, então foi ao chão junto dela, a mantendo segura.
— Você. — Alice apontou para mim. — Sempre que aparece em nossas vidas tudo desmorona, você com essa sua carinha de anjo fez Edward sofrer quando roubou aquelas joias, depois desapareceu da vida dele. Agora volta para nos atormentar com aquela garota, você só nos causa danos, Isabella!
Ignorei a Alice ainda bêbada, Edward não podia lidar com aquilo sozinho e, por mais que eu quisesse dar um tapa em Alice e mandá-la parar de ser um problema, sabia que deveria ajudá-lo com a irmã. Fui até eles, tirando a camisola de Alice, mesmo com ela debatendo-se, auxiliei Edward a vesti-la com um roupão.
Nós não sabíamos o quanto ela tinha bebido, mas pelo relato de Renesmee estava fazendo aquilo desde o dia anterior, então não lhe demos nenhum remédio que pudesse piorar sua situação. A levamos até o quarto, nem minha filha ou a dela estavam mais ali, a deitamos na cama.
Alice continuava resmungando e nos mandando embora, mas estava cada vez mais fraca e, não demorou muito para pegar no sono. Edward ficou em silêncio sentado ao lado dela na cama, chamei por ele, mas o Cullen apenas balançou a cabeça, claramente pedindo que eu não falasse mais nada por enquanto.
Afaguei o rosto dele, que estava preso em uma expressão de preocupação e medo. Então, deixei o quarto, indo procurar pelas meninas. Encontrei Nessie na sala destruída, desligando o celular.
— Consegui falar com Carlisle — ela falou, voltando seus olhos verdes para mim. — Ele está vindo cuidar disso.
— Alice dormiu. — Sentei nos últimos degraus da escada, Nessie assentiu, indo até mim e sentando-se ao meu lado. — O que aconteceu? Minha cabeça está rodando com tudo isso.
— Nós estávamos no shopping, Lucy e eu, quando Alice ligou para ela. Começou a falar que iria se matar, que não estava suportando, que aquilo era a única saída. — Renesmee respirou fundo, suas mãos tremiam e as apertei. Eu entendia, mesmo Alice sendo o que era, ouvir de alguém uma ameaça de suicídio não era algo fácil de se lidar. — Nós corremos para cá. Ela estava tão bêbada, quebrando tudo, gritando sozinha. Lucy e eu ligamos desesperadamente para Carlisle, mas ele não atendia, então liguei para papai e nada também, ai liguei para você e Alice tirou o celular de mim. O resto você sabe.
— Onde está Lucy? — perguntei.
— Tomando banho, ela não quis falar nada quando saiu do banheiro de Alice, mas obviamente está péssima. — Nessie segurou em minhas mãos com força. — Vou checar como ela está. — Renesmee levantou-se.
— Filha? — a chamei, levantando também.
— Sim?
— Precisamos de um código de segurança.
— O quê? — Arqueou uma sobrancelha.
— Mais cedo, quando estávamos no telefone, eu não fazia ideia de o que estava acontecendo. Nós precisamos de uma palavra, algo que possamos falar uma para a outra caso estejamos em risco e não conseguirmos nos comunicar de forma eficiente. — Toquei no rosto nervoso dela. — Você sabe que eu te amo, eu amo seu pai, quero vocês dois seguros, mas nós sabemos que isso nem sempre vai ser possível.
Nessie assentiu, entendendo o que eu falava, pensando nos inimigos que os Cullen tinham, aqueles declarados, aqueles que não fazíamos ideia de quem era e todos que ainda podiam surgir.
— Se algo acontecer com você, Renesmee. — Precisei parar um pouco para não chorar ao pensar naquilo. Minha mão foi até seu pulso onde estava a pulseira que ela tinha ganhado de Alec. — Quero que diga apenas estátua para mim. — Toquei no pingente, Nessie chorou um pouco pensando naquela possibilidade, mas em silêncio. — Quero que grite, que mande uma mensagem, eu só preciso que diga apenas essa palavra para mim, entendeu? Quando falar isso eu juro que vou te resgatar das mãos de quem ousou tentar machucá-la.
— E papai?
— Ele saberá do código também — prometi, forçando um sorriso para ela. — Você foi muito boa hoje, filha, vindo até aqui com Lucy. A ajudando com a mãe, mas, por favor, não me mate de susto mais uma vez, tudo bem?
Renesmee me deu um forte abraço, sem que precisássemos falar nada para entender o significado dele. Então, ela voltou ao andar de cima, indo ver como a prima estava. Fui logo depois, mas para o quarto de Alice, onde Edward continuava.
A mão da irmã entre as suas, enquanto ele olhava diretamente para o rosto fino e pálido de Alice. Ela parecia estar definhado, com o peso de sua mentira revelada, por conta da bebida, não parecia mais tão amedrontadora, ou pomposa como antes.
— Edward?
— Sei que odeia Alice, Bella — começou a falar em voz baixa. — Eu não tiro seu direito de odiá-la, eu também sinto muita raiva dela, mas é minha irmã, você entende? — Olhou para mim por um instante. — Vê-la desse jeito, vê-la bêbada, vomitando sobre si mesma. — Parou para respirar. — Alice é minha irmã caçula, eu lembro quando ela era apenas uma garotinha de três anos que me chamava de Ed. Isso tudo machuca tanto, tanto. — Ele afagou o rosto da irmã. — Eu pensei que quando ela e Jazz cassassem, tudo entre nós melhoria, pensei que podíamos ser unidos como fomos quando crianças, antes dela assumir para si a responsabilidade de manter o nome da família limpo. Todos os Cullen acabam tendo a transição, o momento que percebemos que nossa felicidade realmente não importa, que é o que os outros querem ver que deve ser levado em consideração.
Sentei no outro extremo da cama, ouvindo atentamente o que ele dizia.
— Alice percebeu isso muito antes de mim, ela não era mais uma adolescente, já era uma mulher querendo honrar o nome da família. Bons modos, relações sociais de prestigio, um bom casamento. — Edward engoliu em seco. — Ela queria que eu visse isso também, queria que eu fosse um Cullen, alguém dessa realeza que somos considerados. Alice não conseguiu, não até eu ferrar tudo entre nós dois e pelo menos fingir por anos que era o Cullen perfeito. Por isso entendo que você a odeie, mas eu não posso, não totalmente. — Edward beijou a mão de Alice. — Eu só queria que ela tivesse continuado a ser a menininha que me chamava de Ed, que ela nunca tivesse arruinado a própria vida como fez.
Olhei para Alice, compreendendo Edward. Não seria falsa e dizer que não a odiava, eu realmente odiava. Mas eu me sentiria da mesma forma se meu irmão, ou até mesmo Rosalie, tivessem virado pessoas tão arrogantes, mesquinhas e fúteis como Alice.
— Vamos torcer para que isso faça com que ela perceba que precisa mudar — falei para Edward, que repousou a mão da irmã com delicadeza sobre a cama, então se virou para mim.
— Ela não vai, Bella. — Deu um sorriso triste. — Você conhece nossa família, nós morreremos podres.
Levantei da cama, indo até Edward, o puxando para longe de Alice.
— Você não é podre, Edward — deixei bem claro. — Nem nossa filha, nem mesmo seus sobrinhos, entendeu? Você cometeu erros, mas está mudado. E Renesmee e os primos são apenas crianças. Vocês não são podres, são a salvação para essa família. Não sei quanto ao seu pai, quanto a sua mãe e, não sei se Alice poderá sair dessa um dia realmente, mas não repita que é podre, por favor. — Segurei em seu rosto. — Eu confio em você agora mais do que nunca, Edward, quero que confie em si mesmo.
Edward se inclinou, apoiando sua testa na minha. Mantive minhas mãos em seu rosto, tentando mantê-lo mais calmo. Até que fomos despertados pela campainha, nós dois descemos juntos.
Quando Edward abriu a porta que tínhamos trancado ao entrar ali mais cedo, Carlisle surgiu em nosso campo de vista, com a mesma expressão fria que sempre carregava consigo. Eu duvidava muito que algum dia alguém conseguisse derrubar aquela barreira de gelo que o patriarca Cullen tinha sobre sentimentos.
— Onde ela está? — perguntou.
— Lá em cima dormindo — Edward respondeu, segurando em minha mão, Carlisle notou nossa aproximação, mas não disse nada.
— Tudo bem. — Carlisle digitou algo em seu celular. — Vocês podem ir agora, eu assumo essa bagunça.
— O que vai fazer, vovô? — Ouvimos Lucy perguntar do topo da escada, tinha trocado de roupa, o rosto estava inchado e vermelho. Ao seu lado estava Nessie.
— Há uma equipe, de uma clinica de reabilitação, vindo buscá-la, sua mãe passou de todos os limites, Lucy, ela vai ser internada e sair de circulação por algum tempo — Carlisle anunciou.
— Bella, leve as meninas com você, eu fico com Carlisle. — Edward me passou as chaves de seu carro.
— Não, Edward! — Carlisle exclamou, demonstrando irritação, sentimentos negativos, pelo menos algum sentimento ele demonstrava. — Vá logo, antes que cheguem aqui com ambulância, isso vai chamar atenção, até o fim do dia todo mundo já vai saber da merda que Alice fez aqui. — Gesticulou para o apartamento bagunçado. — Você, Renesmee e Lucy não podem ter seus nomes envolvidos nisso, não por enquanto.
— Ela é minha irmã, quero ajudá-la — Edward falou para o pai.
— Edward, Carlisle está certo — me pronunciei, fazendo Carlisle parecer surpreso com minha fala. — Você e as meninas tem de sair daqui, essa exposição não será boa para nenhum de vocês.
— Já que não quer me escutar, ao menos escute Isabella, Edward! — Carlisle lançou um último olhar para minha mão entrelaçada a de seu filho, então dirigiu-se a escada, ao passar pelas netas depositou um beijo na testa de Lucy e afagou o rosto de Nessie.
— Vamos — as chamei, ainda surpresa com o gesto de Carlisle.
— Bella — Edward murmurou.
— Edward, por favor — pedi a ele. — Seu pai resolverá a situação de Alice, sua mãe está viajando, Jasper em Seattle, Lucy precisa de você mais do que sua irmã agora — sussurrei para ele, enquanto as meninas desciam. — Você não quer buscar alguma roupa em seu quarto, querida? — perguntei gentilmente a Lucy, ela olhou para as escadas, certamente pensando na mãe lá em cima.
— Acho que você pode pegar algumas roupas minhas, sou um pouco mais alta, mas não tanto — Nessie sugeriu para a prima. Lucy concordou com um aceno de cabeça, então nós quatro saímos do apartamento.
Eu dirigi o carro de Edward, mesmo com o trânsito louco de New York, sabia que estava mais calma do que ele. Ainda assim, ninguém disse uma palavra até chegarmos ao apartamento dele.
— Posso ir dormir um pouco? — Lucy perguntou ao tio assim que chegamos lá.
— Claro — Edward concordou. — Nessie?
— Vem Lucy, vou te dar algumas roupas e te colocar em um dos quartos de hospedes. — As duas foram para o segundo andar.
— Vou fazer alguma coisa para comermos. — Toquei no ombro de Edward, então segui para a cozinha.
Estava ali algum tempo, quando ele apareceu.
— Falei com Esme, ela achou melhor ficar em Long Island com Luke até segunda-feira, deixar ele longe disso por um tempo — falou.
— É realmente uma ideia melhor — concordei, parando um pouco de cozinhar para olhá-lo. — E Jasper?
— Ele finalmente me atendeu, disse que estará em New York até amanhã de manhã. — Edward apertou a nuca, cheio de tensão. — Mas não falou muito.
— Vem cá. — Segurei em sua mão, o puxando para perto de mim. — Vou te ensinar a cozinhar.
— Quer que eu coloque fogo no apartamento?
Eu ri, lhe beijando rapidamente.
— Vamos tentar não incendiar o lugar, mas cozinhar é divertido, você irá se distrair um pouco.
— Tudo que eu quero. — Edward repousou as mãos em minha cintura, puxando-me para um beijo mais longo.
***
Lucy passou o resto da manhã e boa parte da tarde dormindo, quando acordou Edward lhe levou algo para comer, mas ela não queria conversar, então ele a deixou sozinha. Renesmee tentou falar com ela também, mas disse que a prima só ficava quieta ouvindo, sem dizer nada. Eu não conseguia imaginar a confusão que a cabeça daquela garota estava.
No meio da tarde a imprensa já começava a circular a noticia da internação de Alice em uma clínica de reabilitação, mas nenhum deles sabia realmente o que tinha acontecido no apartamento dela e que a filha, Edward e Renesmee estiveram lá. Mas, sabiam que ela tinha sido internada por conta da bebida e que seu estado era de alguém muito afetada pelo álcool quando chegou ali.
Tinham fotos de Carlisle entrando e saindo da clínica, mas ele não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. E, por sorte, nada relativo a James ou Jasper tinha sido noticiado.
— James continua em Boston com o pai — Edward respondeu quando perguntei no inicio daquela noite. — Ele não voltará tão cedo para New York, principalmente depois de ser enxotado da empresa por Carlisle.
— Quem sabe as coisas se acalmem um pouco. — Afaguei o braço de Edward sentado ao meu lado em sua cama. Renesmee tinha dormido logo depois do jantar, exausta depois do longo dia e Lucy continuava no quarto de hospedes que ocupava, ainda muda.
— Desculpe por isso, Bella — ele pediu.
— Edward, você não precisa pedir desculpas. — Virei seu rosto para mim. — Não tem culpa alguma sobre o que aconteceu hoje.
— Quando você falava com Renesmee, eu pensei que algo de muito ruim tinha acontecido. — Suspirou, fechando os olhos. — Que eu a perderia. E, sabe-se lá o que Alice não teria feito caso não estivesse tão bêbada.
— Não vamos perder Nessie, Edward. — Afaguei seu rosto, fazendo com que ele me olhasse. — Eu mato alguém com as minhas próprias mãos antes de encostarem em um único fio de cabelo ruivo dela.
Edward sorriu, puxando-me para seu colo.
— Eu amo sua agressividade.
— Que bom, não vamos ter problema quanto a isso, então. — Sentei em seu colo, passando meus braços por seu pescoço. Edward me beijou, cheio de desejo, deixando suas mãos tocarem em meus seios sobre a camiseta que eu usava para dormir. — Eu te amo, mas podemos fazer isso outra hora? — Me afastei lentamente dele.
— Sim — concordou, beijando meus lábios mais uma vez antes de se afastar. — Preciso dormir mesmo, foi um longo dia. Nós ainda teremos nosso encontro, tudo bem? — Comigo ainda em seu colo, ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Prometo.
— Estarei aguardando ansiosamente. — Voltei para meu lado na cama, na mesma hora que meu celular tocou, era Rosalie. — Vaca!
— O quê? — Edward perguntou.
— Rosalie, minha cunhada, quem arrumou o encontro com Jacob ontem — falei pegando o celular e o atendendo. — Oi Rose, só um momento — pedi a ela. — Já volto, pra cama — disse para Edward deixando o quarto dele.
— Oh meu Deus, você está fazendo sexo loucamente desde ontem? — Rosalie perguntou quase gritando em meu ouvido.
— Basicamente — respondi a provocando. — Foi uma noite intensa, se quer saber. — Cheguei a sala, sentando-me no sofá.
— Conta tudo, ele é bom de cama?
— Maravilhoso.
— Com aquele corpo, claro que é! — Rosalie exclamou. — E ai, ele está no seu apartamento desde ontem? Ou vocês foram pro dele?
— No dele. — Sorri, ela realmente achava que eu estava com Jacob. — É um apartamento realmente lindo — comentei olhando ao redor da sala.
— Sério? Eu fui uma vez com Emm, achei pequeno e apertado.
— Ah não, é muito bonito. Bem de frente para o Central Park, mas o que importa é que passei a noite na cama dele, não é?
— Para o Park? — Rose indagou confusa. — Jacob não mora no Park...Ah meu Deus! — ela mesma se interrompeu. — Isabella, você está com Edward?
— Estou. — Meu sorriso aumentou. — Seu plano deu errado, Rose, tente melhorar quando quiser me enrolar, ouviu?
— Calma, não estou entendendo nada.
— Eu fui ao encontro que você armou com Jacob, mas no meio fui embora, atrás de Edward.
Rosalie proferiu uma série de palavrões, então empolgada implorou que eu contasse tudo. Como já estava tarde e, eu queria realmente dormir, fiz um resumo, prometendo contar tudo melhor quando nos encontrássemos pessoalmente.
Eu estava saindo da sala, quando Lucy apareceu ali, surpresa a me ver.
— Ei, oi Bella — murmurou, com os braços cruzados sobre o peito.
— Oi Lucy, como está? — perguntei preocupada, ela ainda tinha o rosto indicando que tinha chorado.
— Bem — mentiu. — Só ia até a cozinha beber algo.
— Você quer que eu faça algo para você comer? — indaguei, sabendo que ela mal tinha se alimentado aquele dia.
— Não, está tarde, você deve estar cansada, só vou beber água.
— Vem, não é um incomodo. — Segurei em seu braço, a guiando para a cozinha.
— Sério Bella, não precisa — Lucy disse envergonhada.
— Panquecas? — sugeri, começando a pegar os ingredientes.
— É, pode ser. — Lucy cedeu, sentando-se ao balcão. — Você come panquecas de noite?
— Nessie e eu gostamos de nos empanturrar de comida gordurosa de vez em quando — contei, Lucy deu um sorriso triste, algumas lágrimas deslizaram por seu rosto, mas rapidamente as limpou. — Você pode chorar, Lucy. — Afaguei sua mão que estava sobre o balcão. — Não há mal nenhum em demonstrar sentimentos.
— Ela é um monstro, Bella? — Lucy me perguntou. — É, não é? Você a conheceu em duas épocas diferentes e sempre foi assim, não é mesmo?
— Lucy, sua mãe só está passando por um momento difícil.
Lucy negou com um aceno de cabeça.
— Não, não é apenas uma fase, mas obrigada por tentar ser gentil mesmo diante disso. — Comecei a fazer as panquecas, deixando a garota desabafar. — Ela sempre foi assim, desde que eu me entendo por gente. Tão fria e controladora quanto Carlisle. Ela queria que eu fosse a substituta de tio Edward na empresa, já começava a falar que eu devia procurar por um marido tão rico quanto somos, mas nunca se preocupou com meus sentimentos. — Lucy abaixou o olhar para o mármore do balcão. — Eu vinha para cá, algumas vezes, pra fugir dela. Tio Edward e tia Tanya sempre foram muito bons para mim, era mais fácil estar com eles do que com meus próprios pais. Não que papai seja mau, sei que ele enfrentou todo esse tempo ao lado de Alice por minha causa e de Luke, para nos dar uma família o mais normal possível.
Coloquei a primeira panqueca no prato, olhando atentamente para Lucy.
— Eu entendendo porque ele simplesmente foi embora para Seattle, ele pode amar a mim e a Luke, mas e senão formos filhos dele? — Os olhos dela, exatamente como os da mãe, se voltaram para mim. — Ele teria simplesmente perdido toda sua vida ao lado de mamãe, tentando ter uma família, quando seus filhos não eram realmente dele.
— Coma um pouco. — Entreguei um garfo a ela, que aceitou prontamente.
— Não quero ser filha de James, Bella. Ele é apenas um riquinho mimado que gosta de se exibir, o acho insuportável, ele é ridículo. — Lucy começou a comer.
— Jasper é seu pai, Lucy — falei. — Se James for o cara que engravidou sua mãe, isso não é realmente importante, foi Jasper quem te criou.
— E se ele não quiser mais a mim? Ou ao meu irmão? Se nós dois não formos filhos dele? Jasper pode simplesmente ir embora de uma vez para Seattle e pouco se importar com a gente. Nós ficaremos aqui, com mamãe presa naquela clínica, morando com Carlisle e Esme. Eu os amo, Bella, mas nós nunca fomos uma família de verdade. — Lucy parou de comer, dando um longo suspiro. — Duvido que um dia seremos.
— Você tem a Edward, Lucy — disse. — E agora tem Renesmee, ela é sua prima e estará ao seu lado. E, mesmo que eu não seja da família, você pode contar comigo também.
— Você é da família, Bella — falou. — Pode não ter nosso sangue, nem nosso nome, mas é uma de nós agora. — Sorriu, eu assenti, sabendo que de certa forma eu era mesmo. — Obrigada por isso, sinceramente. Acho que precisava desabafar.
— E comer — insisti apontando para a panqueca.
— Não estou com fome.
— Ah Lucy. — Desliguei o fogo, colocando mais uma panqueca no prato para ela. — Você ainda não me viu sendo chata, então coma, entendido? — falei exatamente como falava com Renesmee.
Ela concordou, dando mais um sorriso. A campainha tocou e, pelo fato do interfone não ter tocado eu sabia que deveria ser alguém conhecido, uma vez que o porteiro na noite anterior nem fez questão de me anunciar dizendo que Edward tinha liberado minha entrada a qualquer momento no prédio.
Lucy e eu nos olhamos confusa, afinal já era tarde, mas fui abrir a porta. Deparei-me com Tanya, então com Jasper atrás dela. Respirei aliviada por ele já ter voltado de Seattle, a filha precisava mesmo dele.
— Nós te acordamos? — Tanya perguntou entrando, tirando o casaco, então se dando conta que eu estava no meio da noite na casa de Edward, com roupas de dormir. — Isabella? — arregalou os olhos.
— Jacob me levou para um encontro terrível e, eu vim até Edward. — Resumi a história. Tanya sorriu, então abraçou-me.
— Isso é maravilhoso! — exclamou.
— Carlisle disse que Lucy veio para cá — Jasper se pronunciou, tirando seu casaco ao entrar também.
— Sim, ela está lá na cozinha — respondi.
— Fui buscar Jasper no aeroporto, queria ter vindo mais cedo ver Lucy, mas estava enrolada com aquela modelo que te falei ontem — Tanya comentou enquanto íamos para a sala, Edward surgiu na escada, descendo.
— Finalmente você chegou — falou para Jasper, parecia irritado.
— Eu sei que errei — Jasper disse. — Não devia ter abandonado Lucy e Luke em New York e ido para Seattle no meio do olho do furacão, mas não os deixarei mais.
— Pai? — Lucy apareceu ali.
— Ah Lucy! — Jasper exclamou, indo até ela, a abraçando, a menina começou a chorar no colo dele.
— Por que você foi buscar Jasper? Não é como se ele precisasse de uma carona com tantos táxis nessa cidade — falei aos sussurros para Tanya ao meu lado. Ela conteve um sorriso, mas piscou para mim, indo abraçar Lucy também.
Fui até a escada, onde Edward ainda estava. Ele me abraçou, vendo os três conversando ali perto.
— Lucy disse que eu sou parte da família — falei para que só ele ouvisse, Edward desviou os olhos para mim.
— E você se sente bem quanto a isso?
— Sim — respondi. — Acho que já sabia disso quando bati em sua porta noite passada. — Segurei em suas mãos. — Nós vamos suportar tudo isso, Edward, eu prometo.
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