Moon River
51 Capítulo Quarenta e Três
Notas iniciais
— Capítulo Quarenta e Três —
— Bella —
New York – Agosto de 2016
Eu vi toda a alegria desmoronar, eu vi Edward tremer e prender a respiração, eu vi o amor da minha vida desabar dentro de si mesmo com o choque da noticia. Mas, eu não sabia como agir, o que pensar, muito menos absorver aquela informação tanto quanto ele.
Edward continuava de pé, parado, olhando para Nessie, mas sem enxergá-la de fato. Ela reabriu os olhos algum tempo depois, buscando por mim na sala. Renesmee não amava Alice, eu sabia disso, mas ela amava o pai, amava os avós e os primos, estava puxando a dor que eles deviam estar sentindo para si também.
Então, eu soube que era a única pessoa ali que podia aguentar aquilo sem ceder. Eu tinha de ser forte por Edward, por meus filhos e por toda a família que ganhei quando a aliança da falecida mãe de Carlisle ocupou seu lugar em meu dedo.
— Edward, venha sente-se — pedi, o puxando até o sofá, ele continuava perdido. Não chorava, só parecia fora de si. — Renesmee? — ela veio até mim, sentando junto do pai. — Vocês ficam aqui, okay? Eu vou buscar por Nelly. — Apenas Nessie assentiu, tocando na mão de Edward, que apenas se inclinou na direção dela, deixando com que a filha o abraçasse, os dois permaneceram em silêncio.
Fui até o quarto de Nelly, que estava terminando de se arrumar. Minhas mãos não saiam da minha barriga, eu precisava ficar sã, eu precisava ficar inteira pelo bebê dentro de mim.
— Bella, o que aconteceu? — Nelly deve ter notado o desespero em meus olhos.
— Alice morreu — falei, a vendo abrir a boca em choque. — Não sei de mais nenhum detalhe, Nessie não falou. Vou ligar para os outros, Edward e Renesmee estão na sala, você pode fazer companhia para eles?
— Claro, claro que posso — Nelly concordou, indo diretamente para lá, ainda surpresa com a noticia que abalou nossa manhã.
Fui até a cozinha, pegando o telefone que ficava ali. Meu dedo errou as teclas uma dezena de vezes, eu não podia tremer, eu não podia ficar nervosa, eu tinha uma vida dependendo de mim e mais duas pessoas feridas precisando do meu amparo.
Consegui discar o número de Tanya depois de concentrar-me por um minuto, apoiando minhas mãos no balcão, encarando o mármore. Eu queria que ela atendesse e dissesse que aquilo não passava de um erro, que Nessie tinha se enganado, queria que me confortasse e dissesse que estava tudo bem, um susto como da última vez.
Mas, não era um engano, eu sabia disso, por mais que tentasse me convencer do contrário.
— Ah Bella. — Tanya atendeu em um suspiro sofrido, ela também não parecia chorar, ela também tinha problemas com Alice, mas Tanya era extremamente apegada aos filhos dessa.
— O que aconteceu? — indaguei, percorrendo minha mão pelo cabelo solto, tentando fazer do movimento repetitivo algo para me deixar lúcida. Eu queria tanto poder tomar um copo de café cheio de açúcar para me despertar.
— Ela se matou — Tanya sussurrou. — Durante a madrugada, no banheiro — falava tão baixo que eu tinha de me esforçar para ouvir. — Enforcada. — Arfou. — Eu...Bella — lamentou.
— Eu sei. — Respirei fundo. — Também não queria que acabasse assim para ela. — Minha mão parou na testa, eu parecia ferver, mas sabia que não estava com febre, era apenas nervoso. — Jasper e as crianças? — perguntei por eles, ouvi portas sendo fechadas, então Tanya voltou a falar.
— Jasper está cuidando da remoção do corpo e de tudo isso, Lucy e Luke estão aqui comigo, Esme chegou há dez minutos, estão no quarto. Não sei o que pensar, ou que fazer.
— Eu lhe entendo — desabafei. — Espere, onde está Carlisle? — indaguei.
— Na mansão, eu acho. Esme não falou dele, ela só correu até os netos. Bella, eles não param de chorar. — Meu coração apertou ao ouvir aquilo, Tanya não era a única ligada aqueles meninos, eu também era. Mais a Lucy do que a Luke, na verdade, mas eu só queria poder reconfortá-los também.
— O que vamos fazer? Acha que Jasper precisa de ajuda? — Eu não queria sair de perto de Edward, mas se Jasper precisasse de auxilio talvez eu fosse a única naquelas condições.
— Não, eu posso ir até ele se precisar de algo, mesmo que não queira sair de perto dos meninos. Acho que Edward precisa mais de você, Bella.
Sim, ele precisava, Edward esteve os últimos meses sofrendo praticamente sozinho pelo fato da irmã estar sucumbindo, aquilo tudo era demais para ele.
— Vamos para a mansão, okay? — sugeri. — Preciso checar Carlisle também. — O fato dele não estar com os netos, nem com Jasper cuidando do corpo da filha me assustava, eu precisava ter certeza de que Carlisle não estava indo para o mesmo caminho de Alice. — Não adianta nada ficarmos afastados, leve Esme, Lucy e Luke.
— Tudo bem — Tanya concordou. — Bella?
— Sim?
— Alice, você acha que...Acha que ela vai ter alguma paz?
Eu não era a pessoa mais religiosa do mundo, mas esperava que Alice pudesse ter um conforto em morte. Que pudesse descansar.
— Sim, eu acho, espero por isso. — Suspirei. — Te vejo na mansão, Tanya. — Nós desligamos juntas, então deixei o telefone de lado, indo até a sala.
Edward estava nos braços de Nelly, que sempre como uma mãe para ele, o reconfortava, ainda que ele não chorasse. Renesmee sussurrava com alguém ao celular no canto da sala e, pela forma como ela mexia sem parar na pulseira em seu pulso, sabia que era Alec. Agradeci a existência dele, ela precisava de alguém além de mim para mantê-la bem e, eu sabia que aquele garoto sempre a sustentaria.
— Nós vamos para a mansão, se você quiser Alec pode ir nos encontrar lá — sussurrei para ela, Nessie concordou, repassando a informação ao namorado. Caminhei até Edward, falando sobre o que Tanya tinha me contado, ele me ouviu com atenção, mas nenhuma lágrima escapou de seus olhos, eu queria que ele chorasse, sabia que o faria se sentir melhor.
Fomos até nosso quarto, para trocar de roupa para podermos sair. Eu estava esperando por ele do lado de fora do closeth, quando ouvi o barulho de socos. Edward batia em uma das prateleiras, xingando nada e tudo ao mesmo tempo.
— Ei, ei, não! — Segurei sua mão, a apertando na minha. — Edward, não!
Ele me encarou, parecendo mais perdido do que antes.
— Eu não vou perder você, Edward — foi tudo que falei, ele assentiu balançando a cabeça, me puxando para fora do closeth, então do quarto.
Nós dois, Renesmee e Nelly partimos para a mansão. Com seguranças nos escoltando, porque para piorar ainda tinha algum maníaco perturbado querendo matar todos daquela família.
Eu fui a primeira a ouvir os gritos quando entramos no hall da mansão, seguido por sons de objetos sendo quebrados. Soltei da mão de Edward, indo até a sala, vendo Carlisle atirando um vaso contra a parede.
Eu o chamei, Nessie o chamou, até mesmo Nelly tentou contê-lo, mas ele não parava.
— Eu perdi tudo! — Carlisle quebrou mais um vaso, o cabelo loiro despenteado, o rosto vermelho. — Eu estraguei minha família porque só pensava na merda daquela empresa, eu me trancava no escritório querendo ser o homem mais bem sucedido, mas não era, eu não me tornei nada disso. Sou apenas um velho idiota que afasta todos. — Mais um vaso, Nessie tentou chegar até ele, mas a puxei para perto de mim, ela chorava muito. — Eu não estava no país quando Alice nasceu, nunca vi Edward dando seus primeiros passos. Nunca vi nenhum dos meus netos enrolados em mantas em berçários, eu só tinha olhos para a empresa, eu só conseguia pensar em sucesso.
Carlisle gritou, virando-se para onde Renesmee e eu estávamos.
— Minha menina morreu. — Ele começou a chorar. — Eu a perdi. Assim como já tinha perdido Edward, eu perdi todos eles, perdi tudo. Só sobrou a merda do dinheiro. — Carlisle caiu de joelhos no chão.
Antes que Renesmee tentasse chegar mais uma vez perto do avô, Edward chegou, colocando o pai em seus braços, o erguendo.
— Pai, não! — Edward clamou. — Não, você não me perdeu. — Virou o rosto de Carlisle em sua direção, o mais velho dos Cullen não parava de chorar. — Eu estou aqui, eu sempre vou estar, eu prometo. Nunca vou abandoná-lo, eu amo você, pai! — Edward começou a chorar também. — Precisamos de você, seu filho, sua esposa, seus netos, sua nora, todos nós precisamos que fique conosco. Você não nos perdeu, nós estamos aqui!
Carlisle se agarrou ao filho, enquanto eu soltava Renesmee, mas ela não foi até eles, os deixou ter seu momento. Ainda que, eu pudesse ver o desespero em seu rosto para querer reconfortar os dois.
— Me desculpa, filho, por favor — Carlisle falou. — Eu errei tanto com você e com Alice, por favor, me perdoa.
Edward o abraçou mais forte.
— Nós vamos superar isso — Edward disse baixo, mas consegui ouvir. Empurrei Nessie na direção deles, fazendo com que ela entendesse que era hora de ir até o avô. Ela foi, Edward em um tempo preciso soltou o pai, deixando Nessie ir para os braços de Carlisle.
Os dois se abraçaram em silêncio, enquanto Edward veio até mim, chorando em meus braços. Eu chorei junto com ele, odiando tudo aquilo, detestando ver o pai dos meus filhos, meu marido, sofrendo. Queria poder arrancar a dor dele, lhe dar um pouco de calmaria, mas ele precisava sofrer a morte da irmã no tempo certo, seria mais fácil depois.
Uma porção de minutos depois, Edward se afastou, afirmando precisar falar com Jasper, ele tinha parado de chorar por um tempo, mas sabia que a dor ainda estava lá. Renesmee, Carlisle e eu seguimos para o escritório dele no segundo andar, enquanto Nelly ia pedir as empregadas que dessem um jeito na bagunça da sala.
— Eles me ligaram no começo da manhã — Carlisle começou a falar, sentado a sua mesa, a cadeira voltada para a janela de vidro atrás de si. — Tentaram soar confiantes, me convencer de que estava tudo bem, mas eu sabia assim que o número apareceu na tela de que Alice tinha...Ela quis isso, alguns meses atrás, quando cortou-se. Os médicos diziam que ela estava em um quadro grave de depressão, que precisavam de muito esforço para alimentá-la, fazer que ela saísse um pouco do quarto para pegar Sol.
Renesmee me abraçou e, soube que o relato não era fácil de ser ouvido para ela. Minha filha era só uma adolescente. A envolvi em meus braços, a mantendo segura ali.
— Ela não falava comigo quando ia a visitar, ela conversava um pouco com a mãe, sobre roupas, sapatos. Esme acreditava que ela poderia melhorar, que ela pudesse recuperar-se de tudo, eu tentava acreditar também. — Carlisle suspirou. — Mas eu sabia no fundo que ela estava estragada, que eu tinha errado com minha filha, a destruido.
— Você não destruiu Alice. — Ouvimos a voz de Edward na porta, então nós três nos viramos para ele. — Pai, você não tem culpa do que aconteceu com Alice, ninguém tem. — Edward continuou no mesmo lugar, olhando diretamente para o pai, ele provavelmente tinha ouvido boa parte do discurso de Carlisle. — Ela estava deprimida, ela estava doente. Os médicos tentaram consertar isso, nós demos suporte a ela, mas minha irmã não resistiu. Não sei o quanto de tormento tinha na mente dela, mas foi demais, Alice só se entregou.
— Eu fiz ela seguir uma vida cheia de futilidades, eu, Edward — Carlisle teimou.
— Não, você a influenciou, como influenciou a mim. Mas Alice gostava daquilo, ela quis aquilo, eu só me fechei e desprezei tudo em silêncio. Carlisle, Alice fez suas próprias escolhas, eu fiz as minhas quando simplesmente mantive a porra da cabeça baixa para você, ela podia ter fugido disso tudo tanto quanto eu.
— James — murmurei, atraindo os olhos claros de Carlisle para mim. — Ele estava mexendo com a cabeça dela por mais de quinze anos, Carlisle. Era um primo, um amante, ela guardou muito para si por muito tempo. Ela sequer tinha certeza de que os filhos eram mesmo de Jasper?
— Não — Carlisle negou. — Ela pareceu aliviada e surpresa, quando Esme e eu contamos sobre os resultados a ela.
— Então, até engravidar de Luke ela ainda se envolvia com James — Ness concluiu. — Isso tem menos de dez anos, vovô, não se culpe pelo o que aconteceu.
Afaguei as costas de Nessie. Nelly apareceu, anunciando que Alec estava ali, então ela desceu até ele. O garoto seria uma boa distração, eu precisava de Nessie menos triste, odiava vê-la mal.
Edward sentou ao meu lado, Carlisle continuava distraído com os objetos e papeis sobre sua mesa.
— Eu vou sentir tanto a falta dela — Carlisle murmurou. — Tento trazer o rosto dela a minha mente, mas é como se estivesse a esquecendo aos poucos. — Ele olhou para Edward, como se pudesse decorar o rosto dele. — Jasper? — perguntou por fim.
— Cuidando de tudo — meu marido respondeu, segurando em minha mão. — O enterro acontecerá amanhã de manhã, nós vamos dispensar o velório, foi um pedido de mamãe a ele, ela não quer que ninguém veja Alice morta.
— Isso será melhor — falei. — Principalmente para Lucy e Luke, eles não devem lembrar-se da mãe nesse estado. — Apoiei meu queixo no ombro de Edward, inspirando seu perfume, tranquilizando-me o máximo que podia. Nós três permanecemos em silêncio por um tempo, até que ouvimos barulhos vindo do primeiro andar, eu sabia que não era Alec e Nessie sendo escandalosos, então queria dizer que os outros tinham chegado.
Carlisle permaneceu ali, enquanto Edward e eu descemos. Esme chorava junto de Renesmee, Alec perto delas mantinha-se quieto, mas em posição de que seguraria ferro quente se alguém lhe pedisse por aquilo.
Luke estava nos braços de Tanya, chorando baixinho. Mas foi Lucy quem roubou minha atenção, eu tentei abraçá-la, mas a menina apenas se soltou de mim, subindo apressadamente.
Edward pegou o sobrinho dos braços de Tanya, falando palavras de conforto para ele. Tanya me abraçou e, eu nos senti mais próximas do que nunca. Não falamos nada, apenas a deixei ficar junto de Edward e Luke, enquanto subia atrás de Lucy.
A encontrei no escritório com o avô, sentados juntos no sofá que tinha ali, conversando e chorando juntos. Eles precisavam daquilo, tinham perdido uma mãe e uma filha, então os deixei a sós, voltando para o primeiro andar.
— Você pode parar? — Nessie me puxou para uma poltrona, Esme estava fora de vista, assim como Tanya. — Você está grávida, mãe, pare de subir essas malditas escadas como se fosse uma maratonista. Tudo que não precisamos agora é de você passando mal, entendeu?
Vi Edward dar um pequeno sorriso, perante as ordens de Nessie, enquanto continuava acalentando o sobrinho.
— Alec, Tanya e Esme foram até a cozinha comer algo, você pode pegar algo para sua sogra teimosa?
— Claro — ele concordou com o pedido da namorada, indo até lá.
— Como sua avó está? — perguntei a Nessie, que sentou no braço da minha poltrona, Luke parecia prestes a dormir nos braços de Edward.
— Arrasada. — Nessie beijou o topo da minha cabeça. — Mas ela está tentando ser forte por Luke e Lucy, acho que é algo das mulheres dessa família, não? Quererem ser incrivelmente imbatíveis quando precisam parar um pouco. Estou falando sério, mãe, eu vou trancá-la em um quarto com água e comida se você não sossegar.
Sorri para Nessie, repousando minha cabeça em seu colo. Ainda olhando para Edward, não precisei de muito mais para pegar no sono, sonhando com olhos verdes.
***
Acordei no meio da tarde, no antigo quarto de Edward, com Rose ao meu lado. Primeiro fiquei confusa, tentando encaixar os últimos fatos em minha cabeça, me convencendo de que nada tinha sido um terrível pesadelo.
— O que está fazendo aqui? — perguntei para minha cunhada.
— Ajudando. — Rose deu de ombros. — Renesmee ligou toda cheia de si dando ordens, ela é muito parecida com você nisso, sabe? Ela disse que precisava de alguém para ficar de olho em você e, de qualquer forma, Lucy e meu filho estão namorando, ou perto disso, então ele veio para vê-la também. Infelizmente Emmett está mantendo o salão de pé, mas ele está aqui em pensamento.
— Obrigada — agradeci. — Mas Renesmee está só sendo teimosa, eu estou bem.
— Sim, sabemos que você está bem, Bella. Acredite, de todas as pessoas do mundo Renesmee e eu devemos ser a que mais sabemos o quanto você é forte e pode aguentar muito peso em seus ombros, mas você não precisa fazer tudo sozinha, não mais. Eu estou aqui para ajudá-la, ficar de olho em você e tentar manter todos em condições favoráveis o máximo possível.
Ela me entregou um copo grande de água, que prontamente bebi.
— Edward e Renesmee estão com Carlisle. Lucy, Riley e Alec lá fora perto da piscina desde a última vez que chequei, eles estão tentando mantê-la distraída. Jasper já voltou e ele está com Luke e Tanya em um dos quartos.
— Esme? — perguntei.
— Dormindo também, estava muito nervosa, então tomou algo para apagar um pouco. Agora, você vai tomar um banho e vestir-se mais confortável do que em calças jeans. — Apontou para um conjunto de roupas nos pés da cama. — Enquanto isso vou te preparar algo para comer.
Concordei, deixando um pouco de dar as ordens para recebê-las. Quando sai do banho, quase meia hora depois, sentindo-me mais relaxada, Edward esperava por mim no quarto, com uma bandeja com comida de acompanhamento.
— Como você está? — perguntamos ao mesmo tempo, ele tinha chorado novamente, era claro por seus olhos vermelhos.
— Estou aguentando — Edward respondeu, fazendo-me sentar a mesinha que tinha ali.
— E seu pai? — Comecei a comer, morrendo de fome.
Edward sentou ao meu lado, passando a mão pelos cabelos.
— Ainda se achando o causador disso tudo.
— Você está realmente ao lado dele? — indaguei. — Está disposto a construir uma relação sólida com ele agora, quero dizer.
— Sim. — Edward acenou positivamente com a cabeça. — Eu lhe disse, hoje mais cedo, que iria conversar com ele, estou desde então disposto a tentar me entender com Carlisle. Sei que não vai ser a coisa mais fácil, que eu ainda tenho tanto ressentimento por ele, mas quando o vi...Eu não quero que Carlisle se sinta sozinho, pelo menos não mais, eu já me senti assim. — Edward abaixou os olhos para a mesa. — Alice certamente se sentia assim também. É péssimo, ninguém merece passar por algo tão ruim.
— Faça isso. — Lancei um sorriso a Edward, mesmo sabendo que era um triste. — Faça as pazes com seu pai, nós sabemos porque Carlisle é assim, Edward. Ele é orgulhoso, obcecado pelo sucesso e quer controlar tudo. Ninguém vai poder mudar o que ele fez no passado, para você, pra mim, pra ninguém, mas ainda há sentimentos bons dentro dele. Eu vejo isso e, se eu que passei anos o odiando vejo, você também vai conseguir ver.
Edward voltou a me olhar.
— Você é o garoto que apareceu em nosso primeiro encontro com um bigode de canetinha, Edward Cullen. O menino sonhador e apaixonante, eu sei que você é cheio de bondade e amor dentro de si. Seu coração é enorme, sua capacidade de conseguir perdoar e amar também, você me perdoou, perdoe seu pai. Ele ainda é o pai dessa família, mas ele precisa de um filho. Mostre a Carlisle que ele pode amar acima de qualquer outra coisa.
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