Moon River

55 Capítulo Quarenta e Sete


Notas iniciais
Boa leitura ♥

— Capítulo Quarenta e Sete —

— Bella —

New York – Setembro de 2016

Cansada, como se um trator tivesse passado por cima de mim. Tentei abrir meus olhos, mas até isso exigia demais de mim, eu parecia ter sido massacrada.

Reuni as últimas reservas de força, conseguindo abrir os olhos, mas os fechando no momento que um clarão me atingiu. Ouvi o barulho de uma cadeira, então uma mão quente tocar na minha.

Não era a mão de Edward, muito menos a de Nessie, o que me desesperou e fez com que todos os últimos acontecimentos viessem a minha mente. Abri os olhos, ignorando a luz clara demais e qualquer outro desconforto.

— Ah Bella! — Era Rosalie, que suspirou e se inclinou para beijar minha bochecha. — Você nos deu um susto, Charlie e Renee estão chegando, eles estão loucos com tudo isso, volte a dormir e descanse.

— Não, eu não quero dormir — afirmei, olhando ao redor. Eu estava em uma cama de hospital, o que não era nada surpreendente. Estava tomando soro na mão esquerda e, alguns fios estavam ligados ao meu peito, monitorando meus batimentos cardíacos, que estavam bem agitados naquele momento.

Senti as lágrimas em meus olhos, absorvendo todos os últimos momentos do dia anterior. Eu queria tanto que fosse um pesadelo, tanto.

— Bella, não chore, não chore — Rose pediu. — Está tudo bem — declarou. — Eu prometo, estão todos bem.

A encarei, vendo seu rosto sério, mas ainda calmo. Ela não estaria calma se algo tivesse acontecido a sobrinha, não era? Rosalie amava Renesmee, foi a primeira pessoa que soube dela, ela estaria surtando e chorando, não é?

— Renesmee está bem? — Minha voz falhou, enquanto minha mente recordava de Caius apontando uma arma para Nessie, decidindo que ela era seu alvo. Eu só lembrava de ouvir o barulho de um disparo e desmaiar, nada mais, mas ainda assim. — Por favor, diga que a minha filha está viva — implorei, deixando o choro surgir.

Nessie encarava Caius quando ele colocou a arma entre os olhos dela, os homens que seguravam Edward tiveram que o afastar, enquanto ele gritava em desespero por nossa menina.

— Ela está bem, ela está bem — Rose afagou meu cabelo, limpando minhas lágrimas. — Está em casa com o pai, foram tomar um banho, trocar as roupas e descansar um pouco.

Eu ainda chorava, ouvindo o monitor avisar que meus batimentos cardíacos estavam a loucura. Nessie estava bem, ela estava viva e com Edward, de algum jeito louco e surreal ela tinha sobrevivido. Todos nós tínhamos sobrevivido.

— Como? — consegui perguntar.

— Bella você deveria estar descansando! — Rosalie brigou comigo.

— Como? — insisti, ela bufou.

— A policia chegou, eles atiraram em Caius antes dele conseguir puxar o gatilho. Renesmee está bem, Caius está morto e o filho dele preso, você pode descansar agora. Teve aumento de pressão, você estava molhada de chuva também, podia ter gripado, eles estão te mantendo aqui para controlar você e, impedir que algo aconteça ao bebê. Então, descanse Isabella, Renesmee e Edward estarão aqui quando você acordar novamente — prometeu.

***

Quando despertei de novo, mas sem abrir os olhos, pensei que tudo que eu tinha conversado com Rosalie era parte de um sonho. Que eu acordaria e Caius tinha completado seu plano maluco, talvez um ou dois de nós tivesse conseguido escapar do incêndio que ele estava planejando, mas todo o resto tinha se perdido.

Eu comecei a chorar baixinho, pensando que minha filha estava morta. Pensando nos olhos de Nessie, no seu sorriso, em como eu conseguiria ficar viva se ela não estivesse mais ali.

— Mamãe? — Abri os olhos imediatamente ao ouvir o chamado, virando para o lado e vendo Renesmee sentada próxima a mim. Além do rosto cansado, com olheiras e ligeiramente pálida, ela parecia bem. Levei minha mão até sua face, então ela começou a chorar baixinho, o que logo me fez chorar também.

— Filha!

Renesmee se levantou da cadeira, deitando ao meu lado na cama hospitalar grande o suficiente para abrigar nós duas. Eu a apertei em meus braços, mesmo que eu estivesse com o acesso para o soro, só queria ter certeza de que aquilo era real, que ela estava ali, segura e viva.

— Eu fiquei com tanto medo de te perder — murmurei.

— Não, eu tenho um plano, mãe, eu não podia morrer antes do meu grande plano — ela brincou, tentando suavizar a situação. Renesmee sentou, segurando em minha mão direita, enquanto limpava meu rosto sujo de lágrimas. — Você está bem?

— Eu? Renesmee você teve uma arma apontada para sua cabeça, eu que devo perguntar como você está.

— Mamãe, não se preocupe com isso — Nessie falou. — Lembra? Eu sou durona, não me abalo fácil. — Os lábios dela tremiam, o que provava o contrário. Sentei na cama com a ajuda dela. — Eu fiquei com tanto medo também — ela confessou. — Não conseguia acreditar que a gente ia morrer lá, na mão daquele filho da puta.

— Olha a língua!

Ela riu, limpando suas próprias lágrimas.

— Como escapamos daquilo? — perguntei confusa.

— Quando eu entrei no banheiro ouvi vozes desconhecidas vindas da cozinha, eu tinha total certeza de que não era você, meu pai, ou qualquer um da família. Então liguei para a policia, dando o endereço e dizendo que a casa estava sendo invadida, guardei o celular no sutiã e deixei a ligação continuar, para que a central de policia tivesse acesso a tudo que fosse ser dito ali. Ai James abriu a porta, me puxando do banheiro, foi quando eu gritei.

Apertei minhas mãos em meu rosto, sem acreditar naquilo tudo.

— Sabe, eu nunca quis ser uma jornalista, mas Sulpicia falou muito sobre jornalismo investigativo comigo em algumas conversas e vovô Carlisle sempre disse que eu devia gravar conversas comprometedoras.

— Você se colocou em risco! — acusei, voltando a olhá-la. — Se tivessem pego seu celular, se tivessem descoberto que você estava conectada a policia...

— Iriam me matar? — Arqueou uma sobrancelha. — Mãe, eles iam matar todos nós ontem, Caius não ia ser bonzinho ou piedoso com qualquer um de nós.

Suspirei, ela estava certa.

— Por isso você estava tão calma.

— Por fora. — Nessie suspirou também. — Eu não queria me desesperar, não tendo uma remota chance da policia chegar ali e poder nos salvar. Além do mais não queria te deixar mais tensa, papai já estava descontrolado querendo se soltar a todo custo.

— Você salvou nossas vidas, Renesmee. — Apertei sua mão.

— Eu fiz o que qualquer um de vocês faria, somos uma família mãe, se tivesse a chance de um se voluntariar para levar o tiro no meu lugar ontem, eu sabia que isso aconteceria. Você, meu pai, meus avós, todos vocês iriam pedir por aquela arma caso não fosse Caius ditando as regras. Eu fico feliz que a policia tenha chegado a tempo, quando ele colocou a arma em mim, pensei que tudo estaria acabado.

Ela fechou os olhos, deixando mais lágrimas correrem por seus olhos.

— É um lado bom de ser Cullen, eles mandaram os melhores policiais para o resgate, uma equipe especializada nisso. Conseguiram mirar em Caius pelas janelas de vidro da fachada...

— Por isso eu não os vi, estava de costas.

— É — ela concordou. — Mas foi tudo muito rápido, quando todos foram rendidos eu e papai já estávamos correndo até você que desmaiou. Eu acho que esse foi o momento mais assustador para mim. — Renesmee abriu os olhos. — Pensei que algo tinha te acontecido, papai chamava seu nome em desespero... — Renesmee soluçou.

— Eu estou bem, meu amor. — A abracei, adorando a sensação de poder tê-la comigo.

Ouvimos a porta abrir, nos viramos em direção a ela, vendo Edward entrar. O estado dele parecia pior do que o de Renesmee, ele segurava um copo de café nas mãos e parou na porta a me ver acordada.

— Edward?

— Papai, calma, nós estamos bem — Nessie disse suavemente, pulando da cama até ele. — Nós prometemos esquecer a noite passada, lembra? — Ela afagou o rosto dele, que estava sendo tomado por lágrimas também. Ele se curvou para abraçá-la, em um abraço apertado, depositando um beijo na testa dela.

Renesmee o trouxe até mim, pegando o copo de café da mão dele. Edward sentou-se ao meu lado, enquanto ela ficava na cadeira que estava antes de eu acordar.

— Você me deu um tremendo susto, Isabella — Edward falou, segurando em meu rosto com as duas mãos.

— Eu sei, desculpe.

— O bebê está bem, você não precisa se preocupar. — Edward deslizou uma mão até minha barriga. — Aparentemente ele, ou ela, é tão forte quanto a irmã. — Olhou para Nessie, que sorriu para o pai. — Ela já lhe contou que salvou o dia?

Nessie bufou.

— Eu só chamei a policia, uma criança de cinco anos de idade sabe chamar a policia.

— Não desmereça seu heroísmo — Edward disse me fazendo rir, então ele me olhou, parecendo maravilhado. — Eu pensei que nunca mais ouviria esse som — murmurou.

— Ah não, você vai ouvir, por longos e longos anos — afirmei o abraçando. — Eu estou tão feliz que estejamos juntos de novo — falei para Edward e Nessie, observando os olhos verdes dela que eram exatamente como os do pai.

***

Eu recebi alta no meio do dia seguinte, depois de ficar presa naquele hospital apenas na companhia de Nessie e Edward. Sabia que todos queriam me ver, até meus pais estavam na cidade, mas os médicos acharam que seria melhor eu ficar longe de grandes tumultos por um tempo, eu concordava totalmente com isso.

— Ah Bella! — mamãe exclamou quando entrei na sala do meu apartamento, ela pulou do sofá, vindo ate mim, o rosto manchado de lágrimas. A apertei com força em meus braços, chorando mais um pouco, eu não podia imaginar como meus pais ficariam se eu tivesse morrido no plano de Caius. — Como você está se sentindo? — ela indagou, afagando meus braços.

— Estou bem — garanti sorrindo para ela. — Ainda perdida com tudo isso, mas bem. Pai! — Fui até ele, que me deu um abraço apertado, sem falar nada, mas sua respiração desregular indicava que estava cotendo um choro.

Rose e Emmett estavam ali, então recebi abraços dos dois também.

— Riley queria estar aqui, mas eu pedi que ele ficasse um pouco com Lucy — Rose informou.

— Como ela está? Como todos estão? — perguntei a Edward, ele e Renesmee tinham me mantido privada de informações durante meu tempo no hospital.

— Bella, estão todos bem — mamãe afirmou, me fazendo sentar ao seu lado no sofá. — Você precisa relaxar, eu fiz biscoitos, quer uns?

— Sim, depois. Agora quero saber como todos estão.

— Estão todos bem, mãe — Nessie deixou claro. — Não estamos mentindo para a senhora, eu juro. Nenhum de nós se machucou aquela noite, não fisicamente. — Ela engoliu em seco.

— Bella, você estava lá — Edward murmurou. — Sabe que por mais que tentemos não pensar naquilo tudo, é complicado, ainda está recente demais. — Mas todos estamos inteiros, temos uns aos outros e sairemos dessa.

Assenti, entendendo o que ele queria dizer.

— Então, Caius morreu?

— Um tiro na cabeça — Renesmee falou. — É horrível eu dizer que eu me senti muito bem vendo ele morto?

— Você não foi a única — Edward afagou as costas dela. — Foi horrível tudo que aconteceu, mas ele estava com uma arma apontada para sua cabeça e causaria um vazamento de gás para matar todos nós... — Edward engoliu em seco também, Renesmee segurou a mão dele.

— James e os outros homens? — perguntei baixinho.

— Eles se renderam, sabiam que acabariam mortos se atirassem na gente, como Caius. Vão ser julgados nas próximas semanas, James deve pegar prisão perpétua por ter planejado tudo com o pai.

Mamãe tomou minha mão na sua, me dando um pouco de conforto.

— Carmen se entregou! — Nessie anunciou, fazendo com que eu a olhasse. — Ela também já está presa.

Acenei com a cabeça, absorvendo tudo aquilo.

— Vovó? — Renee pareceu surpresa com o chamado da neta. — Nós podemos comer aqueles biscoitos agora.

— Oh sim! — Edward abriu um imenso sorriso. — Você estava certa Bella, sua mãe faz biscoitos deliciosos.

Eu sorri, nós superaríamos aquele dia na casa de praia, nós éramos fortes e estávamos unidos.

New York – Dezembro de 2016

Tanya passou o grande embrulho, que era o presente de Luke a ele, eu vi o seu grandioso anel de noivado brilhar contra a luz, o que só me fez pensar em como em um mês eu caberia em um vestido de festa. Eu iria acabar parecendo alguém fantasiada de bolo.

— Hey, eu adorei, tia Tanya! — Luke exclamou empolgado ao ver seu vídeo-game novo, dando um abraço na madrasta.

— Era o que você queria, não é? — ela perguntou hesitante.

Tanya ainda tinha duvidas se Lucy e Luke estavam mesmo a aceitando como noiva de Jasper, vivia me enchendo de temores. Eu, grávida e sem muita paciência, mandava ela ficar quieta e aproveitar o bom momento que finalmente todos estávamos tendo.

— Cadê o meu? — Lucy perguntou, soltando-se dos braços de Riley por um segundo.

— Você tem um namorado, peça um presente a ele — Jasper debochou, o pobrezinho também não estava acostumado a ter uma filha adolescente namorando.

— Jasper, não seja um idiota! — Tanya deu um tapa atrás da cabeça dele, esticando o presente de Lucy, que o recebeu muito contente. Era uma joia, ela pareceu adorar, mas não mais do que Tanya quando recebeu o abraço da enteada.

— Cadê a Renesmee? — Edward me questionou, enquanto os outros continuavam a troca de presentes espalhados pela sala.

— Com Alec em um dos quartos — o provoquei, vendo meu marido ficar sério, eu tive de rir de sua expressão.

— Não é engraçado, Bella — falou. Renesmee voltou a sala com Alec, os dois rindo, enquanto comiam pedaços de bolo.

— Viu bobo, só foram atrás de comida, você acha mesmo que ela transaria no natal? Na casa dos seus pais?

— Você não precisa ser tão direta — Edward resmungou.

— Por que o papai está branco como papel? — Renesmee perguntou ao sentar ao meu lado, Alec assumiu seu lugar no chão, próximo as pernas dela.

— Ele pensava que você estava ganhando um presente de natal muito especial. — Pisquei para ela, Alec riu e Renesmee chutou as costas dele.

O sorriso em meu rosto morreu ao ver a expressão dela, por sorte Edward estava distraído com Emm ao seu lado, que estava o ensinando a usar o Instagram. Ele continuava sendo antiquado.

— Renesmee?!

— Mamãe. — Ela me deu um sorriso amarelo.

— Para a cozinha, agora — ordenei me levantando, fazendo com que ela levantasse também. Deixamos os outros continuando a troca de presentes e fomos para a cozinha, nós tínhamos acabado o almoço de natal, então as sobras estavam por ali, o que fez meu estomago revirar de fome. — Por favor, não me diga que você e Alec estavam transando.

— O que? Durante os dois minutos que estivemos fora da sua vista? Mamãe, menos, nós não estávamos transando. — Ela deixou seu bolo de lado. — Mas nós vamos — sussurrou.

Arregalei os olhos, eu não estava pronta para aquilo, mas aparente minha filha com dezesseis anos já.

— Quando?

— Depois da festa de ano novo que Jane vai dar na Califórnia — continuou sussurrando, olhando nervosa para a porta. — Você não vai impedir a viagem agora, né?

Ela, Riley e Lucy iriam com Alec passar o fim de ano com a irmã dele na Califórnia. Foi preciso muito convencimento para que Edward deixasse com que ela fosse.

— Não vou. — Neguei com um aceno de cabeça. — Mas...

— Eu sei, camisinha — ela disse constrangida. — Na verdade, você acha que podemos conseguir ir ao médico antes da viagem? Quero o máximo de proteção e, bom não quero um desses tão cedo. — Tocou em minha barriga de seis meses, eu gargalhei, roubando seu bolo.

— Pode deixar, eu cuido disso, seu pai ia ficar louco se você tivesse um desses mesmo.

— Obrigada por ser tão maravilhosa, mamãe! — ela me abraçou, o máximo que pode graças a minha barriga proeminente, senti Anthony chutar e Nessie se afastou. — Olá irmão, divertindo-se ai dentro? — falou com minha barriga, a afagando. — Você não vai contar nada do que ouviu ao nosso pai, não é?

— Ele vai ficar quietinho — respondi por Anthony, fazendo com que ela sorrisse, mas lágrimas surgiram em seus olhos. — Filha? Tudo bem?

— Sim. — Ela voltou a sorrir. — É natal, só estou emocionada. — Deu de ombros. — Ano passado foi tão diferente, não é?

— Completamente.

— Obrigada por tudo, mãe.

— Ness, você não tem que agradecer nada.

— Tenho sim! — exclamou. — Você foi maravilhosa em milhões de níveis diferentes para mim, sei que esse ano foi difícil, que passamos por muita coisa e tudo mais, mas se você não tivesse ficado ao meu lado como sempre ficou, eu não estaria aqui tão feliz.

— Obrigada por ser tão maravilhosa, Ness, mesmo depois de tudo. — Lágrimas também surgiram em meus olhos. — Você é a melhor filha do mundo, eu te amo muito, querida.

— Nós não deveríamos estar chorando. — Ela fungou. — É natal!

— Eu sei que você quer ir para a Inglaterra — murmurei, fazendo com que ela me encarasse em choque.

— Como? Papai disse que não te contaria, ele...

— Eu ouvi vocês dois conversando no dia do seu aniversário, então você que ir fazer faculdade lá? — questionei.

— A ideia tem passado em minha mente — confessou. — Mas é tão longe, eu ficaria a maior parte do ano fora, e mal os veria.

— Nessie, vá! — a incentivei, a pegando de surpresa. — Se é o que você quer, vá. Nós ficaremos bem, iremos te visitar sempre, você também pode vir nos ver. Não deixe um sonho para trás.

— Eu não sei se vou conseguir ficar longe de você, mamãe. — Nessie se agarrou em mim. — Eu amo meu pai, toda nossa família, mas você sempre esteve lá.

— E sempre estarei — fiz com que ela me olhasse, encarando os olhos verdes que eu tanto amava. — Você sempre pode correr para mim, Nessie. Se vai ser casada, divorciada, mãe de cinco filhos, tenha sessenta anos de idade, eu sempre serei sua mãe e sempre terá um lugar para você em meus braços.

— Eu te amo, muito mesmo!

— Agora chega disso — mandei. — Você não irá para a faculdade ainda, vamos guardar as lágrimas para o momento certo.

— Claro — ela concordou, recuperando seu bolo. — Vamos? — apontou para a saída da cozinha.

— Na verdade não. Vou comer mais, já engordei mesmo, engordar mais um pouco não será algo tão ruim.

— Okay, não demore. — Nessie saiu da cozinha, me deixando atacar o que sobrou do almoço.

Anthony era exigente, ou eu apenas colocava a culpa no pequeno dentro de mim para poder comer mais.

— Você gosta de morangos? — perguntei a Anthony, enquanto me deliciava com uma torta que eu tinha feito com Lucy, ela tinha adorado o fato de aprender a cozinhar algo.

Não tinha sido um final de ano fácil para nenhum de nós, não depois da morte de Alice e de todo o caos que passamos com Caius e James, mas aos poucos nós estávamos nos restabelecendo. Alice era lembrada por memórias boas, como a menina que era antes de James a enfiar em um plano de inveja e busca por poder, ou pelos filhos que tiveram momentos realmente bons com a mãe, ainda que poucos. Caius estava devidamente longe de todos nós, enquanto James sentenciado a permanecer na prisão até o fim de seus dias, enquanto Carmen recebe uma sentença tão alta que não teria como ela sair da prisão com vida devido sua idade.

— E de chocolate? — perguntei a Anthony, provando o bolo que Nelly tinha feito antes de ir passar as festas com a irmã. — Seu pai ama chocolate, você também ama?

— É algo de família. — Vi Carlisle entrar na cozinha, com um sorriso nos lábios.

— Você também gosta de chocolate?

— Amargo.

— Combina com você. — Brinquei, o fazendo bufar, mas não se abalar. — A troca de presentes acabou? — perguntei.

— Já, Tanya recebeu um livro de como administrar empresas de Jasper, ela não ficou muito contente com a indireta. — Carlisle sentou do outro lado do balcão, pegando um pedaço do bolo de chocolate também.

— E como está na empresa? — perguntei. Edward tinha saído definitivamente de lá depois do ocorrido no feriado do dia do trabalho, ele estava estudando e no ano que vem já poderia dar aulas no ensino médio, estava empolgado com isso.

— Bem, eu não preciso de um livro para aprender administrar. — Sorri para sua resposta. — Mas Nessie e eu discutimos a cada segundo, ela é muito teimosa e irritante quando quer.

Com a saída do pai da empresa, Nessie foi trabalhar diretamente com o avô, o que era bom, considerando que ela iria assumir tudo quando Carlisle escolhesse se aposentar.

Alguém na sala colocou uma música para tocar, eu olhei para Carlisle, distraído com sua fatia de bolo, então lembrei do meu casamento. Fui até ele, o fazendo olhar desconfiado para mim.

— Você me deve uma dança, querido sogro. — Dei um sorriso debochado para ele. — E Nessie puxou sua teimosia de mim, então ou você dança comigo agora, ou passarei o resto das nossas vidas te cobrando uma dança.

— Vamos logo com isso! — Carlisle se levantou, me conduzindo em uma dança na cozinha, enquanto da sala vinha o som de uma das músicas do Elvis, não sabia qual era, mas não era necessário. — Você e Renesmee mudaram essa família, Isabella — ele falou, enquanto ainda nos movimentávamos sem jeito pela cozinha graças a minha barriga.

— Mudamos?

— Sim, vocês mudaram meu filho...Na verdade, vocês mostraram a Edward a ele mesmo, o verdadeiro Edward. Aquele garoto que eu tentei moldar, que eu tentei mudar, vocês o tiraram da forma torta que ele estava, o colocaram na certa.

Paramos de dançar.

— Obrigado por isso, Isabella, por ter mostrado a Edward que ele podia ser feliz. Por ter trazido a Nessie para nós, mesmo que não fosse sua intenção. Nossa família estava rachada, com peças faltando, era você e ela que faltavam. Nós finalmente somos uma família e, a união de vocês duas nos mostrou o que é uma família de verdade, eu nunca irei conseguir pedir desculpas por tudo que fiz a você e, te agradecer por tudo que fez por nós. Eu estava errado, no dia do seu casamento, você é uma Cullen perfeita.

Carlisle depositou um beijo paternal em minha cabeça, fazendo com que eu voltasse a chorar.

— Não chore, isso é constrangedor. — Ele fez uma careta, fazendo com que eu gargalhasse. — E não conte isso a ninguém, não quero que saibam que eu posso ser tão piegas — pediu.

— Será nosso segredo — prometi.

***

Quando eu voltei a sala, depois de Carlisle, porque eu ainda não tinha terminado de alimentar a mim e a Anthony, não vi Edward em lugar algum. Esme e o marido estavam envolvidos em uma conversa com Luke, Tanya e Jasper conversavam com meu irmão e Rose. Riley e Lucy estavam aos beijos no sofá, enquanto Nessie e Alec conversavam com meus pais, Nessie até tinha a cabeça repousada no ombro de mamãe, que afagava a mão dela, elas aos poucos se entendiam também.

— Seu pai? — perguntei a Nessie baixinho, sem querer interromper a conversa deles.

— Acho que ele subiu — ela respondeu, rindo em seguida de uma piada de Charlie.

Fui atrás de Edward, o encontrando na sala onde seu piano ficava. Ele estava concentrado ali, dedilhando algo, com um vinco entre as sobrancelhas. A melodia era familiar, então não precisei de muito mais para reconhecer.

— Moon River? — Ele me olhou.

— Você conseguiu reconhecer? — perguntou pasmo. — Não é muito fácil de tocar e, eu estou bem enferrujado no piano.

— Eu sempre reconhecerei nossa música. — Fui sentar ao seu lado, com ele voltando a tocar.

— Alice não foi a pessoa quem escolheu aquela música para o casamento. — Edward parou de tocar, virando-se para me olhar, seus olhos verdes brilhando. — Ela não tinha ideia de que música escolher para a primeira dança e, Jasper sempre teve um péssimo gosto musical, então eles pediram minha ajuda.

— Por que você escolheu essa música? — perguntei, nossas mãos se entrelaçando.

— Era a minha preferida, sempre foi — declarou com um sorriso tímido. — Eu nunca tinha conhecido alguém que eu amasse, que eu me visse casando e tendo uma primeira dança com aquela música de fundo, pensei que nunca aconteceria, que eu nunca encontraria o amor real. Então, queria que minha irmã e meu melhor amigo pudessem viver o momento por mim, mas ai você apareceu.

— Caindo. — Edward afagou a mão que eu tinha cortado aquele dia.

— E eu soube no mesmo momento que eu tinha cometido um erro dando a música a Jasper e Alice, porque eu só conseguia pensar em dançá-la com você. — Edward tocou em meu rosto, deixando meus olhos fixos nos seus. — Agora eu tenho você ao meu lado.

— E nós poderemos dançar Moon River todos os dias.

Edward sorriu, iluminando meu dia, iluminando minha vida.

Notas finais
Talvez eu esteja aos prantos, então vejo vocês no epílogo que deve sair amanhã. Beijos! Lola Royal. 22.07.16