Moon River
31 Capítulo Vinte e Quatro
Notas iniciais
— Capítulo Vinte e Quatro —
— Bella —
New York – Janeiro de 2016
Eu mataria Edward Cullen, eu iria até Forks, conseguiria uma arma com meu pai, então voltaria e acabaria com a raça de Edward. Onde ele estava com a cabeça em planejar um jantar com o resto da sua — desprezível — família sem me avisar, pior ainda, fazendo com que Renesmee fosse a sua mensageira. Sim, eu o mataria e não me arrependeria de ir presa por isso.
Onde ele estava com a cabeça? Era maluco, maluco!
— Mãe, tudo bem? A senhora meio que está ficando vermelha demais — Renesmee comentou com a voz inocente, voltei a encará-la, o que fez a menina se encolher. — Escute, é só um jantar, nada vai dar errado. — Soltei uma risada debochada. — Ai droga, Edward estava certo, ainda não está na hora para isso, não é?
— Não mesmo! — Não me importei em gritar.
— Okay, calma — ela pediu. — Vou falar com ele e pedir que cancele, foi uma ideia ridícula minha, desculpe. Marcamos outro dia.
Levantei do sofá em um rompante, ainda com os olhos cravados no rosto aflito de Renesmee. O jantar tinha sido ideia dela? Renesmee tinha pensado no jantar? Mais que merda era aquela? Menos de uma semana na companhia de Edward e a garota já estava maluca?
— O quê? — gritei mais uma vez, Renesmee voltou a se encolher, arregalando os olhos esverdeados. Eu não sabia se naquele momento estava com mais raiva do jantar, ou pelo fato da garota ser uma cópia do pai e, não apenas na aparência. — Você ficou maluca, Renesmee? Que história patética é essa de marcar um jantar com os Cullen? New York mexeu com sua cabeça? Por Deus não me diga que está usando drogas!
— Não mãe, eu não estou usando drogas. — Ela revirou os olhos, passando de assustada para irritada. — E nem estou ficando maluca, pode ficar tranquila quanto a isso, minha sanidade mental está em perfeito estado.
— Não é o que parece, não é mesmo! — Tentei me acalmar, mas era impossível.
— Mamãe, me escute, será apenas um jantar.
— Não, será você entrando no covil de lobos. Realmente pensa que conhece tudo sobre os Cullen? Não, você não conhece, não sabe como podem ser desprezíveis, inescrupulosos...
— Eu sei sobre a sua prisão, sei que eles te detestavam, sei até mesmo alguém colocou seu nome em uma dessas ameaças que os Cullen recebem.
Meu coração desacelerou perceptivelmente ali, Edward contou aquilo?
— Edward não deveria ter te contado isso...
— É, você deveria — Renesmee cruzou os braços ficando na defensiva. — Não me esconda mais nada, mãe, nunca mais. Já passou quinze anos mentindo sobre meu pai, não quero mais desconfiar que você esconde qualquer coisa de mim.
— Isso não te diz respeito.
— Claro que diz — foi a vez dela de gritar. — Tudo que aconteceu naquele dia, desde a ameaça até o roubo das joias fez com que você e Edward se separassem, você ser presa e eu crescer achando que meu pai tinha morrido. Então, não me diga que isso não tem a ver comigo, porque toda aquela merda está influenciando diretamente na minha vida agora.
— Cuidado com a língua, garota! — chamei a atenção dela.
— Eu não sou mais uma criança, você me criou para ser alguém que saberia viver muito bem sozinha caso algo te acontecesse, porque no fim éramos apenas nós duas, se algo te acontecesse eu teria de ser madura o suficiente para continuar de pé. Então, não espere que eu aja como uma adolescente afetada, nem como uma criança burra. Você já distorceu muito minha vida fazendo com que eu crescesse pensando ser órfã, eu estou tentando te perdoar por isso, tentando perdoar os erros de Edward, tentando colocar toda essa confusão no lugar para que eu possa ter uma vida normal daqui para frente.
— Você não terá uma vida normal com a família de Edward, esse jantar só será a porta de entrada para isso. — Minha voz exalava sarcasmo.
— Bom, acho que você se esqueceu de que os Cullen não são apenas a família de Edward, é minha família também. — Aquilo me desarmou. — Eu amo você, mãe, mas eu conhecerei o resto dos Cullen, mesmo tento plena consciência de quão desprezíveis cada um deles é. Poderia muito bem remarcar o jantar, mas nossa conversa só me deu mais vontade de mantê-lo de pé para amanhã, mas não se preocupe, eu te queria ao meu lado, como você prometeu que estaria, mas posso fazer isso só.
Renesmee seguiu para seu quarto sem falar mais nada e, eu também estava chocada demais com toda a determinação dela para ir atrás e retomar a discussão. Apenas a deixei ir, voltei para o sushi e amaldiçoei Edward por ter tido uma filha tão esperta, ainda que naquele dia, bem lá no fundo, eu estivesse cheia de orgulho por ela ser tão forte.
***
Nós duas não trocamos uma palavra na manhã seguinte, Renesmee estava na sala realizando alguns trabalhos da escola, então fiquei fora de seu caminho. Eu queria pedir que ela esperasse mais por aquele jantar, quem sabe um ou dois meses, mas sabia que no fundo seria uma conversa em vão.
Eu não iria, lógico, ficaria o mais distante de toda aquela família. Ter encontrado Alice naquela semana já era o suficiente, eu não precisava sentar em uma mesa junto dela e de seus pais, fingindo que aquilo tudo não estava me dando vontade de vomitar, ou de pegar uma arma com meu pai.
— Edward vai mandar o motorista dele me buscar, não preciso de dinheiro para o táxi — Renesmee resmungou quando fui a sala pegar meu notebook e deixei dinheiro sobre um dos cadernos dela. — Ele faria isso, mas o jantar será na casa dele e precisará estar lá para manter tudo em ordem. Mas não importa, pelo menos não para você.
Sempre soube que Renesmee tinha um gênio forte, mas ultimamente estava bem pior.
— Não me importa mesmo, mas leve o dinheiro caso precise fugir no meio do jantar e o motorista dele não esteja disponível.
— Por que acha que eu fugiria? — Ela levantou o olhar do caderno para mim, seus olhos estavam lacrimejados. — Fiz isso uma vez, mas não conclui. Até onde sei de nós duas quem foge pra valer é você, não é? Fugindo durante quinze anos da verdade.
— Você não tem o direito de falar assim comigo, Renesmee! — exclamei brava, nunca tínhamos estado em um clima tão tenso, brigar com Renesmee me fazia sentir terrível, uma péssima mãe.
— E você não tinha o direito de me negar a verdade, negar que eu tinha um pai vivo, não um personagem que você criou e no segundo seguinte morreu. — Ela voltou a encarar o caderno, mas não escrevia mais nada ali. — Eu poderia ter odiado Edward, eu poderia ser distante dele, mas eu merecia conhecê-lo. Você me tirou isso, você me tirou um pai. Sei que ele errou com a senhora, mas eu era filha dele e merecia isso. Eu! — Renesmee começou a chorar. — Não devia ter feito nada disso por Edward, mas por mim. Sabe como estou me sentindo? Agora que tenho um pai, mas que ele é um completo desconhecido para mim? Não, você não sabe, mas ainda assim achou que essa fosse ser a melhor solução para o problema.
— Renesmee. — Sentei no chão ao lado dela.
— Dói. — Renesmee limpou os olhos com a maga do moletom. — Dói ver Edward e imaginar o quanto perdemos, lembrar que em todos os dias dos pais eu chorava porque o meu estava morto. Sim, eu chorei todos os dias dos pais, até mesmo quando você pensava que eu não ligava, mas eu ligava, eu sempre liguei. E, quando você arrumava um namorado eu internamente torcia para que desse certo, que se cassassem e que eu ganhasse um pai. Não seria um pai de verdade, mas taparia o buraco, seria um consolo.
— Sinto muito, sei que fui egoísta, eu me arrependo, de verdade. — Toquei em seu ombro, fazendo com que ela me olhasse. Não precisou de muito para Nessie me abraçar, afundando o rosto nos meus cabelos como se pudesse desaparecer entre eles.
— Mamãe, eu quero que Edward faça parte da minha vida, mas acabarei com tudo isso se você quiser. Peço que ele não me procure mais, nunca encontro nenhum Cullen, esqueço essa história toda, faço o que for preciso para que não seja você saindo da minha vida.
A fala dela me quebrou, senti então o meu próprio choro surgir e agarrei Nessie, tentando consolar a nós duas ao mesmo tempo.
— Não, eu nunca deixarei você, nunca — prometi.
***
Então, eu iria ao jantar. O que não me animava, mas me fazia perceber o quanto minha filha conseguia ser persuasiva até mesmo quando não queria.
Renesmee estava tranquilamente sentada na minha cama enquanto eu experimentava a quarta roupa da noite. Ela já tinha sua roupa para a noite no corpo e todo o resto arrumado, um vestido preto com mangas três quartos e a saia rodada, cabelo bem penteado e uma maquiagem leve. O motorista de Edward estava para chegar e, eu ainda não fazia ideia de que roupa vestir para aquele jantar.
— Mãe, você sabe que é apenas um jantar, não sabe? Você não está indo para a coroação da rainha da Inglaterra.
— Fique quieta — ordenei vestindo uma calça jeans com uma blusa social que definitivamente não combinavam.
— Mãe, você está linda, não precisa trocar mais de roupa não — falou quando cacei por um vestido.
— Preciso da sua ajuda. — Me entreguei, quando fui me arrumar deixei claro para Nessie que saberia muito bem que roupa usar, mas a verdade é que eu não sabia mesmo.
— Ah, que bom vê-la admitindo. — Renesmee deu um sorrisinho cínico para mim, enquanto ia mexer no meu armário. — Jane morreria se visse suas roupas.
— Falando em Jane, como tem ido o Alec? — perguntei curiosa.
Renesmee me olhou pelo canto do olho, mas não disse nada.
— Sabe, eu também gostaria muito que fosse sincera comigo — a lembrei de nossa conversa da noite passada.
— Eu meio que estou com ele — ela respondeu, escondendo o rosto atrás das roupas, quando fingia procurar por uma.
— Defina isso melhor — pedi calmamente antes de surtar.
Ela emergiu do armário, com uma expressão cautelosa no rosto.
— Não é um namoro, bom, pelo menos não houve um pedido ou uma confirmação disso. Mas a gente se beija e, ele tem sido um cara muito bacana conversando comigo sobre os últimos acontecimentos da minha vida. Pra falar a verdade ele acha que eu exagerei ontem e, eu tenho de concordar com ele, fui muito idiota falando com a senhora daquele jeito.
— Vamos superar isso. — Ajeitei seu cabelo que estava preso em um rabo de cavalo. — Renesmee, Alexander é dois anos mais velho do que você, tem certeza de que esse relacionamento é seguro? Você nunca namorou, talvez... — Parei de falar ao me deparar com o olhar ansioso dela, eu sabia que se mandasse ela se afastar dele, a garota faria isso imediatamente, mas sabia que ela não queria isso.
Além do mais, seria como se eu estivesse fazendo a mesma coisa que os Cullen fizeram com Edward quando estávamos juntos. Eu não podia influenciar a vida de Renesmee nesse ponto. Ela tinha quinze anos, mas como eu bem sabia era uma menina madura.
— Tudo bem, que tal outro jantar? — Ela me olhou confusa quando falei aquilo.
— Outro jantar?
— Sim, mas dessa vez com você, Alec e eu.
— Para fazermos exatamente o que?
— Ah querida, você pode continuar com ele, sei que o Volturi é um garoto bom e eu conheço a mãe dele, mas ainda assim preciso conhecê-lo melhor. Então o convide para um jantar aqui em casa na semana que vem, entendido?
— Tá. — Renesmee deu um sorriso amarelo, nem um pouco convencida daquilo. — Edward pode vir também? — perguntou parecendo mais animada.
— Você já contou sobre Alec para ele?
— Não — Renesmee respondeu alarmada, o que me fez sorrir diante seu receio. — Talvez com você por perto isso fosse mais...Seguro.
— Ah sim e divertido — falei imaginando a cara de Edward ao descobrir que sua filha já tinha um namorado, ou seja lá o que ela e Alec tinham. — Tudo bem, prometo não contar para ele, mas organize o jantar, será mil vezes melhor do que o de hoje.
— Tá bom. — Renesmee suspirou, certamente com a cabeça voltada para o jantar da semana seguinte. — Aqui.
Passou para mim um vestido azul escuro, eu nem lembrava mais da existência dele, mas era perfeito para aquela noite — se é que algo podia ser perfeito —, ia até meus joelhos. Tinha mangas e nada de decotes, querendo ou não me daria uma sensação de segurança junto de tantos Cullen.
Arrumei-me rapidamente, colocando o salto preto mais baixo que eu tinha ali. Meus cabelos estavam comportados e macios, então não vi necessidade em prendê-los. Renesmee apenas me convenceu a passar um batom e rímel, então deixamos o apartamento, pois certamente o motorista já estaria esperando pela gente.
Mas, bom, não era ele, sim Edward.
— O que está fazendo aqui? — Renesmee perguntou surpresa ao vê-lo ali, dando um rápido abraço no pai. Edward usava calça jeans e camisa social, provavelmente a roupa mais informal que eu já o tinha visto usando desde que nos reencontramos.
— Achei que seria melhor do que o motorista, além do mais Tanya garantiu que cuidará de tudo até que cheguemos — ele disse calmamente, então olhou para mim. — Oi Bella, Renesmee disse essa manhã que você não viria, que bom que mudou de ideia.
— É, mais ou menos. — Dei de ombros, seguindo até seu carro. — Podemos ir, quanto antes isso acabar melhor.
— Claro, vamos! — Renesmee fez menção de entrar no banco do carona, mas a impedi.
— Banco de trás mocinha e use o cinto, entendido? — Ela revirou os olhos, entrando no carro como oriente.
— Ela também não gosta de usar o cinto com você? — Edward perguntou antes de seguir para o lado do motorista.
— Não, é irritante, ela não entende a gravidade de um acidente sem cinto. — Revirei os olhos, vendo Edward sorrir para mim. — O que foi?
— Você só fica muito mais bonita irritada. — Ele abriu a porta do carona para mim antes que eu pudesse falar qualquer coisa. — Vamos?
— Sim — sussurrei.
***
Não foi uma surpresa o fato do apartamento de Edward ser um duplex, em um prédio caro em uma dos bairros mais bem valorizados monetariamente da cidade e, com vista para o Central Park. Renesmee provavelmente já sabia onde ele morava, mas ainda não tinha ido lá e o fato de estar finalmente ali, diante ao parque a animou completamente.
— Eu não acredito que tem um elevador panorâmico! — Renesmee exclamou apreciando o parque, tinham muitas pessoas por ali, principalmente na pista de patinação. — Que prédio residencial tem um elevador assim? — indagou chocada para mim.
— Esse. — Lancei um olhar feio para Edward, eu não queria admitir, mas tudo aquilo estava me deixando com receio de Nessie colocar em sua cabeça que queria ir morar com o pai.
— Bem vindas! — Edward abriu a porta do apartamento para a gente, um cheiro suave de flores invadiu meu nariz, fazendo com que eu o coçasse discretamente, assim como Renesmee, algo que tínhamos em comum era rinite. Claro que tudo de bom, ou agradável ela tinha puxado do pai, como aqueles olhos verdes.
— Finalmente chegaram! — Tanya apareceu, usando um vestido preto, mas que diferente do de Renesmee, era frente única e ia até depois de seus joelhos, só que como a enteada ela usava saltos altos.
— Oi Tanya! — Sorri para ela, a abraçando.
— Oi Bella! — Tanya beijou minha bochecha, então foi até Nessie. — Vamos, me deixe ver você, querida! — exclamou animada para Renesmee, que sorriu para ela discretamente. — Finalmente podemos nos encontrar novamente. — Beijou a bochecha de Renesmee também depois de abraçá-la. — Me deem os casacos, quero levá-las para ver alguém.
Eu estava fazendo menção de tirar o meu, quando senti as mãos de Edward em meus ombros, o deslizando para fora do meu corpo. Prendi a respiração com o toque dele, principalmente com o perfume, mas não foi por alergia, sim por aquilo lembrar-me imediatamente de quando estávamos juntos, o perfume continuava o mesmo, assim como o ritmo que meu coração insistia em bater descontroladamente perto dele.
— Obrigada — agradeci quando recuperei o controle do meu corpo, depois que ele se afastou guardando o meu casaco e o de Nessie no armário.
— Não por isso. — Sorriu.
— Vamos, vocês tem que ver alguém! — Tanya chamou minha atenção, Renesmee já estava ao lado dela pronta para adentrar de fato ao apartamento.
Apenas a segui, com Edward em meus calcanhares, tentando adivinhar qual dos Cullen já estava ali. Mas, para minha surpresa, não tinha ninguém na sala e, Tanya passou direto por essa, sem me dar tempo de observar o local direito.
Entramos na cozinha, onde uma mulher colocava algo no forno, quando ela se levantou imediatamente reconheci Nelly. Soltei um grito, contornando o balcão de mármore para ir abraçá-la. Conheci Nelly quando Edward decidiu ficar em Seattle anos atrás, ela tinha ido ficar na mansão dos Cullen por algum tempo para justamente colocá-la em ordem para o herdeiro poder morar ali, ela uma mulher adorável e mesmo que pouco tempo juntas, eu gostei bastante dela.
— Ah menina, como você cresceu! — Nelly exclamou emocionada segurando em minhas mãos depois do abraço. — Se tornou uma mulher, mas ainda tem o mesmo sorriso daquela garota de dezoito anos.
Sorri mais ainda ao ouvir aquilo, dando mais um abraço em Nelly antes de chamar por Nessie.
— Filha, vem cá!
Renesmee foi até a gente, também sorrindo.
— Nelly, não é? — Renesmee perguntou a ela. — Edward me contou sobre você, disse que é a melhor cozinheira do mundo. — As duas se abraçaram e Nelly parecia admirada com Nessie.
— Edward, ela é sua cara, garoto! — Nelly disse olhando de Renesmee para Edward que estava curvado sobre o balcão, com um sorriso bobo no rosto.
— Mas o temperamento é todinho da Bella — ele comentou, fazendo com que Nelly e Tanya rissem, enquanto eu revirava os olhos e Nessie bufasse.
— Oh, uma bela mistura dos dois então. — Nelly afagou o rosto de Nessie. — Fiquei tão feliz quando Edward me contou que tinha uma filha, era o sonho da vida dele e pelo que vejo o sonho saiu muito melhor do que o esperado. Você ainda vai fazer seu pai muito feliz, querida — disse para Nessie, que sorriu olhando para os próprios pés.
— Ai é tão bom te rever, Nelly! — exclamei. — O que está cozinhando? — indaguei curiosa ao sentir o cheiro de tudo ali na cozinha.
— Ora, o que você acha? Massa, Edward é um fanático incontrolável por carboidrato. — Sorri para Edward que sorriu de volta, nós dois certamente sincronizando nossos pensamentos para todas as vezes que implorávamos por massa para Nelly durante seu tempo em Seattle.
— Espero que não tenha problemas com massa, Nessie — Tanya comentou, segurando no braço dela. — Vem, quero te mostrar o resto da casa, Edward disse que você pode escolher um dos quartos de hospedes para fazer seu quarto.
Aquilo tirou o sorriso do meu rosto.
— Ela não vem morar aqui! — exclamei, todos me encararam.
— Mas ela pode vir aqui quando quiser, quando você permitir, isso inclui dormir — Edward disse, colocando as costas em postura adequada. — E, para que ela se sinta mais em casa nada melhor do que ter um próprio quarto. Alías, a casa é sua Nessie — disse diretamente para ela. — Escolha o quarto que quiser, mas se quiser mudar outra coisa, só falar. Vamos entrar em um consenso de apartamento ideal.
— Okay, vamos Nessie! — Tanya exclamou ainda empolgada, levando Nessie para o segundo andar pela escada que tinha na cozinha.
— Eu não quero Renesmee... — Comecei a falar quando elas desapareceram, mas Edward me interrompeu.
— Bella, acho que um quarto é o de menos nessa noite, você não acha? Eu tenho toda minha família vindo para cá, vamos discutir isso depois, eu juro que escuto todas suas reclamações sobre o quarto depois, mas agora só peço que foque em ficar com raiva apenas da comitiva Cullen que logo estará aqui.
Suspirei, concordando com um aceno de cabeça.
— Aqui! — Nelly enfiou em minha mão uma garrafa de champanhe. — Tanya mandou servir todo o estoque de champanhe da casa para fazê-los ficarem mais relaxados, ainda que eu ache que isso pode é trazer mais problemas. Edward, você não deve beber, por favor — pediu a ele, que pegou duas taças, mostrando que não ia levar o pedido a sério.
— Você pode me brigar depois também, Nelly — ele disse, apontando que eu o seguisse para fora da cozinha.
— Bella? — Nelly me chamou antes que eu saísse, Edward já tinha saído. — Pegue leve com Edward, okay? Sei o que aconteceu em Seattle, ele me contou quando voltou para New York, mas tente ao menos conviver civilizadamente por conta da Nessie. Essa menina merece um pouco de paz no meio dessa família, faça que assim como você deve ser, que Edward também seja um refúgio para ela.
— Eu vou — prometi, sorrindo novamente para Nelly. — Apesar de tudo, de ter os escondido um do outro, tudo que mais quero é que os dois se entendam, tenham um relacionamento de pai e filha o mais normal possível. Mas eu talvez esteja enciumada demais por ele estar a roubando de mim.
— Eles estão apenas o conhecendo, mas é muito bom que você entenda que eles precisam se aproximar. Agora vá lá e, tome conta para Edward não beber tanto, isso pode não ser bom com o resto do clã Cullen vindo.
A abracei outra vez, então refiz o caminho até a sala. Edward mexia no som e, por um momento pensei que ele colocaria Moon River para tocar, mas ele apenas colocou um cd dos anos oitenta. Um sorriso incontrolável brincou em meus lábios, Edward não tinha mudado nada, pelo menos não em relação ao seu gosto musical.
— Sabe, você precisa se atualizar — comentei sentando no sofá, só aquela sala parecia muito maior do que meu apartamento, mas era obvio que todos os detalhes tinham sido pensados por Tanya, não tinha nada de Edward ali.
— Não critique meu gosto musical que eu não critico o seu, Swan.
Com uma piscadela Edward roubou a garrafa de champanhe da minha mão, a abrindo com maestria. Peguei as taças que ele tinha deixado sobre a mesinha de centro, deixando com que ele nos servisse.
— Mas, já que você não gosta dos anos oitenta, vamos avançar para os anos noventa — Edward disse voltando para o som, trocando os CDs. Foi impossível não gargalhar quando Ice Ice Baby do Vanilla Ice começou a tocar, principalmente depois de Edward remexer a cabeça acompanhando o ritmo.
— Não, seu gosto musical continua sendo ridículo — afirmei, mas ainda rindo.
Edward também ainda ria, enquanto Ice Ice Baby continuava tocando ao fundo. Ele sentou-se ao meu lado, mas a uma distância considerável.
— Você é uma mulher difícil, Bella Swan.
— Como se você já não soubesse disso. — Cruzei as pernas, tomando um pouco do champanhe, ouvi Edward pigarrear e percebi que minhas coxas tinham ficado bem mais amostra com o ato. Foi quando lembrei o motivo de nunca mais ter usado aquele vestido, ele simplesmente não ficava parado no lugar.
— Como tem ido o trabalho? — ele perguntou, desviando o olhar de mim, encarando algum ponto atrás da minha cabeça.
— Normal, eu acho. Pelo menos pararam de ligar a cada minuto para mim que eu desse entrevistas, o que vinha me atrapalhando.
— Ah que bom — Edward disse aliviado. — Nessie disse que também pararam de ligar para ela.
— Você fez algo quanto a isso também, não é? — perguntei, fazendo com que ele voltasse a me olhar.
— Fiz — admitiu. — Mas nada fora da lei.
— Não vou nem perguntar o que precisou fazer. — Resolvi deixar aquele assunto de lado. — Ai, eu posso trocar de música? Estou realmente com dor de cabeça ouvindo isso.
— Não seria porque você bebeu uma taça de champanhe em menos de cinco minutos?
— Isso precisa ser reparado também, encha! — Coloquei minha taça na mão dele, então me levantei e fui até o som, ali na estante do lado tinha uma coleção de CDs e comecei a procurar por um bom, ou pegaria meu celular e colocaria qualquer outra coisa para tirar Ice Ice Baby da cabeça.
Estava percorrendo os títulos com os olhos, quando senti a presença de Edward atrás de mim. Ele não passava despercebido, não com aquele perfume que me era tão familiar, ou até mesmo com o barulho de sua respiração.
— Aqui — sussurrou praticamente em meu ouvido, entregando-me a nova taça de champanhe cheia. Sua mão esbarrou na minha naquele momento que trocamos a taça de dono e, Edward demorou ainda mais a afastar a sua da minha, mas continuava atrás de mim, mesmo que a uma distância segura.
Precisei manter-me focada nos CDs a minha frente para não pensar nele ali, tão perto.
— Esse. — Edward apontou para um cd na parte debaixo da estante, agachando-se para pegá-lo e voltando a ficar de pé, só que daquela vez ficando ao meu lado, até que nos viramos e ficamos frente a frente.
— Beatles, boa escolha — comentei baixinho ao ver uma edição de Abbey Road em sua mão.
— Lembro que sua música preferida deles é Something, tem nesse álbum. — Continuava de frente para mim, seus olhos focados nos meus.
— Tem Oh! Darling também, sua preferida não é? — Por mais que eu quisesse desviar meus olhos daquela prisão que eram seus olhos, eu não conseguia. E, eu via apenas Edward ali. O Edward que conheci em 2000, o que curou o machucado em minha mão, o cara que tinha um bigode desenhado de canetinha em nosso primeiro encontro.
— Sim — Edward sussurrou, sorrindo o que me fez sorrir também e, não me senti errada por sorrir para ele. Na verdade me senti bem, até a campainha tocar, nos trazendo de volta a realidade, aquela que tudo tinha dado errado para a gente, entre a gente. — Eu preciso te dizer algo antes de abrir aquela porta, Bella. — Edward não fez menção alguma de se afastar de mim.
— Diga.
— Eu ainda não posso ouvir Moon River sem lembrar-me de você.
Arregalei os olhos, chocada por ele ainda se lembrar da música que tocava quando nos conhecemos. Fiquei muda sem conseguir dizer uma palavra que fosse.
— Como também nunca deixei de te amar, Bella — Edward disse, tocando em meu rosto por um momento. A campainha tocou mais uma vez, então ele se afastou, não podíamos mais protelar o encontro com os Cullen.
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