Moon River
44 Capítulo Trinta e Sete
Notas iniciais
— Capítulo Trinta e Sete —
— Bella —
New York – Junho de 2016
Carmen Denali estava na festa, rindo e bebendo, enquanto comemorava o aniversário de Edward, seu ex genro. Lembrava perfeitamente quando a vi aquela noite, ela não falou nada comigo, eu estava com Nessie quando Edward foi a cumprimentar, mas não parecia estar culpada por estar perto a pessoa que colocou em uma prisão como uma ladra qualquer.
Mas, eu não conseguia desacreditar nas palavras de Carlisle. Fazia sentido, até demais. Eu me senti estúpida por não ter pensado nisso na época, mas estava tão revoltada com os Cullen que qualquer outro pareceu inocente diante meus olhos, principalmente Carmen que até encontrar as joias em minha bolsa sempre tinha sido simpática comigo.
— Eu vou matar essa vagabunda! — gritei quando assimilei tudo, tentando chegar até a porta, mas Edward me deteve.
— Espera, você pode matar quem quiser depois, eu só preciso que eles esclareçam tudo isso melhor antes — falou voltando a olhar para os pais. — Como podemos ter certeza de que vocês não estão apenas jogando a culpa em outra pessoa e as tirando de seus ombros?
— Ah vamos, Edward, deixe Isabella ir socar a cara de Carmen, isso irá animar tanto a festa! — Carlisle debochou e eu quis poder socar a cara dele também.
— Como vocês descobriram isso? — Edward indagou.
— Na noite do seu casamento com Tanya — Esme respondeu suspirando. — Carmen veio até nós e contou tudo.
— Tudo o que? — foi minha vez de questionar.
— Carmen sempre quis que Tanya e Edward se casassem, ela queria desde que os dois eram crianças e se conheceram, por isso mandou Tanya para o mesmo internato que Edward estudou na adolescência. Mas, os dois apenas se tornaram amigos, naquela época nunca pensaram em namorar, muito menos em casar. — Esme se virou para o filho. — Você se lembra que lhe perguntei isso uma vez não foi, Edward? Quando você tinha dezesseis anos e veio passar o verão conosco, você riu e me disse que Tanya e você eram apenas amigos, que ela estava apaixonada por Jasper.
Esme sentou-se, mexendo sem parar na bainha de seu vestido branco.
— Carmen ficou maluca quando a filha mais velha, Irina, morreu. — Lembrei na hora da irmã mais velha de Tanya. — Ela estava preocupada que Tanya seguisse o exemplo da irmã, se perdendo e morrendo logo em seguida. Irina nem tinha um namorado quando morreu, era vista a cada semana com um homem diferente e isso enlouquecia os Denali, eles não tinham um filho homem para seguir o legado da família, precisavam de um genro. O marido de Kate, a mais nova das meninas tem um nome na França, eles não voltariam para cuidar dos negócios da família dela. Então, eles tinham Tanya, que queria ser modelo, que sofreu mais do que todos a morte de Irina e que precisava de um bom casamento.
— E Edward era a melhor opção — entoei.
— Nós não queríamos que Edward casasse com Tanya — Esme falou, olhando para o filho. — Você sabia disso não é? Nós a víamos como uma garotinha problema, que realmente poderia se tornar como a irmã mais velha.
— Carmen armou pra Bella quando viu que isso poderia ser um empecilho para Tanya e eu — Edward concluiu, tirando sua mão de meu braço para segurar em minha mão.
— Sim — foi a vez de Carlisle falar. — Ela nos contou em seu casamento, que tinha armado a história das joias porque Bella estava sendo um grande empecilho no plano dela de querer ver Tanya casada com você. Carmen estava quase conseguindo a filha que queria com Tanya, a colocando para comandar a loja em Seattle, a botando como uma mulher de negócios não uma modelo qualquer. Ela só precisava que a filha tivesse um bom casamento, quem não quer afinal?
— Mas depois...Depois — Esme gaguejou. — Que você e Isabella se separaram, Tanya foi embora do país, conheceu o namorado que quis a matar e você estava em New York sofrendo pelo que aconteceu em Seattle. Só foram casar muito depois do plano de Carmen, mas mesmo que tenha demorado, ela acabou conseguindo o que queria.
— Ela pode ser a pessoa atrás das ameaças? — perguntei em um tom baixo.
— Não me parece algo que ela teria motivação — Carlisle disse. — Ela não ameaçaria nossa família desde o nascimento de Edward e Alice, nós não tínhamos ligação alguma com os Denali naquela época.
— Edward, Isabella, nós sentimos muito — Carlisle bufou ao ouvir a fala de Esme. — Por não termos contado isso antes, mas Edward finalmente estava melhorando quando Carmen nos contou, não queríamos que ele...
— Viesse atrás de mim — a interrompi. — Vocês podem não ter colocado aquelas malditas joias em minha bolsa, mas compactuaram por anos com essa mentira, esconderam a verdade de mim e Edward.
— Da mesma forma que escondeu nossa neta da gente. — Carlisle levantou-se.
— Sabe muito bem porque a escondi de vocês!
— Não vou agradecê-los pelo péssimo presente que me deram no que deveria ter sido o melhor aniversário da minha vida — Edward disse aos pais.
— Ora Edward, pensei que gostaria disso como um presente agora que você e Isabella estão juntos outra vez — Carlisle falou, indo se servir com um pouco de bebida do bar localizado no canto do escritório.
— Vocês esconderam isso por anos — Edward ignorou o pai. — Mas pelo menos agora Isabella pode cuidar disso como achar melhor.
— Eu não posso processá-la Edward, a queixa de roubo foi retirada, já se passou uma década, o crime de injuria já prescreveu. E, mesmo não tivesse, Carmen nem seria presa por ter grana para milhões em fiança. O que mais eu posso fazer além de socar a cara de Carmen sem acabar presa novamente?
— Você é uma jornalista, Isabella, faça o que jornalistas fazem de melhor. — Carlisle abriu uma gaveta em sua mesinha, tirando algo de lá e jogando para mim, por sorte consegui aparar antes de ir ao chão, era um gravador. — Exponha a verdade.
Não precisei de muito mais para entender o que ele queria dizer com aquilo.
— Carlisle, isso é arriscado, nosso nome...
— Pouco importa nosso nome agora — Edward cortou a mãe. — Isabella vai fazer isso, vai fazer com que todos saibam a filha da puta que Carmen é.
— Vou mandar Carmen até vocês — Carlisle disse ao passar por mim, colocando o copo de sua bebida em minhas mãos.
Ele e Esme deixaram a sala, enfiei o gravador em meu decote, pronto para gravar o que Carmen falasse. Por fim olhei para Edward, que parecia tão imerso nos seus pensamentos quanto eu.
Apenas o abracei, querendo um pouco de seu conforto, poderíamos conversar melhor sobre aquilo mais tarde. Não muito depois, ouvimos a porta do escritório de Carlisle abrir, ele falar algo, então Carmen surgiu.
— Oh Isabella! — ela arregalou os olhos a me ver ali. — Fiquei sabendo que você estava na festa, é bom revê-la.
Queria beber o resto do uísque de Carlisle, mas eu não estava bebendo aquela noite.
— Claro, você vai querer remexer minha bolsa agora, ou devemos esperar até Edward cortar o bolo? — questionei.
— Do que está falando? — Carmen forçou um sorriso.
— Sabemos que foi você, Carmen — Edward falou. — Por que não sentamos e falamos mais sobre aquela maravilhosa noite anos atrás?
— Não estou entendendo nada. — Carmen tentou ir até a porta, mas agarrei seu braço, sem me importar em fazer aquilo com força suficiente para que as marcas de meus dedos ficassem impregnadas em sua pele. — Garota, me solte! — exclamou.
Larguei o braço dela com brutalidade, fazendo Carmen mudar a expressão de falsa inocente para brava. Ela levantou a mão para bater em mim, mas Edward a deteu no meio do gesto.
— Não ouse a levantar a mão para Isabella, Carmen! — Edward a largou. — Você já contribuiu o suficiente para destruir a vida dela, eu não vou permitir que toque nela, que faça qualquer coisa que possa fazer Bella chorar. Fui um tolo acreditando em suas palavras no passado quando a acusou, mas agora sei de toda a verdade.
Carmen riu, afastando-se alguns passos de nós.
— Foi mesmo Edward, tão estúpido acreditando que sua namoradinha tinha roubado aquelas joias. Tudo que precisei fazer foi fazer a segurança desligar as câmeras e ir até o quarto depois do desfile e colocar as joias na bolsa dela, sinto muito Isabella, mas você estava atrapalhando meus planos. Eu precisava de Edward livre para ver se ele corria para os braços da Tanya e casava com ela, demorou, mas funcionou.
— Você foi baixa com sua própria filha!
— Sim, eu fui — Carmen disse para Edward. — Mas ela queria ser a babaca de uma modelo que fica por ai vendendo o corpo para tirar fotos de biquíni, isso é tão errado, minha família não precisava de outra Denali por ai expondo o corpo, muito menos morrendo em uma vala como foi com Irina. Kate já tinha um bom casamento, Tanya também precisava de um.
— Você arruinou nossas vidas! — Edward gritou.
— E eu arruinaria de novo se fosse preciso, colocaria quantas vezes fosse necessário aquelas joias na bolsa de Isabella para afastar ela de você. Mas claro que você e, a idiota da minha filha não agiram como eu queria. Você se tornou um grande poço de depressão e Tanya correu para a França para foder de vez com a vida patética dela. Agora você resolveu voltar com aquela menina nojenta, tirando o marido da minha filha, ficando mais uma vez em meu caminho. — Carmen se voltou para mim. — Cuidado Isabella, eu já ferrei com você uma vez, fazer isso de novo seria absurdamente fácil.
— Isso é uma ameaça, Carmen? — Edward perguntou, voltando a segurar minha mão, puxando-me para mais perto de si.
— Entenda como quiser, Edward. Você pode ter se separado de Tanya, minha filha pode ter ficado muito contente com isso, mas eu não estou. Nunca se sabe o que uma mulher raivosa pode fazer.
Ela olhou mais uma vez para mim, então deixou o escritório. Percebi que ainda tremia quando ela saiu, tirei o gravador do decote, checando que ele tinha gravado tudo.
— Bella...
— Por favor, tire essa mulher da casa e traga Renesmee para perto de mim — foi a única coisa que consegui pedir.
***
Tanya apertou o botão de reproduzir do gravador mais uma vez, Renesmee se encolheu nos braços de Edward ao ouvir a ameaça de Carmen. Carlisle estava focado ouvindo cada palavra na gravação, enquanto Esme andava de um lado para o outro, aflita. Jasper e Lucy também estavam ali no escritório, ouvindo tudo, Nelly estava mantendo Luke na festa, de olho nele.
— Você ainda acha que não é ela? — Edward perguntou ao pai quando a gravação terminou mais uma vez.
— Ela não seria tão idiota de falar uma ameaça assim, não se fosse a responsável por todas as outras — Carlisle respondeu.
— Ela é um monstro — Tanya sussurrou, segurei na mão dela, querendo a reconfortar um pouco.
— Não me importo se ela é ou não a mandante das ameaças das cartas, iremos denunciá-la por meio dessa gravação, conseguir uma liminar para que fique longe de todos nós — Edward afirmou, soltou Renesmee, indo pegar o gravador sobre a mesinha e indo até o computador de Carlisle. — Enviei uma cópia para cada um nessa sala, Carmen ameaçou Bella, mas ela pode querer machucá-la atingindo Renesmee, eu, ou qualquer um outro se estiver descontrolada.
— Eu sinto muito — Tanya pediu, com lágrimas escorrendo por seu rosto.
— Não é sua culpa — Edward e eu falamos juntos. — Você me tirou da prisão, Tanya, conseguiu fazer com que seus pais tirassem a queixa, se não fosse por você eu teria ido para um presídio — completei.
Ela me abraçou, passando a chorar pra valer em meus braços. O clima tenso ainda tomava conta da sala, mas com Carlisle ali sempre haveria a barreira de gelo.
— Ah Tanya, pare de choro, por favor — ele pediu entediado, levemente bêbado também. — Sua mãe é uma puta vaca, pelo menos você sabe disso agora.
— Carlisle! — Esme chamou a atenção dele, mas vi Nessie, que tinha acabado indo parar ao lado do avô, rir baixinho pela fala dele.
— Eu vou para a casa. — Tanya apertou nosso abraço mais uma vez. — Amanhã eu vou atrás de meus pais...
— Tanya, não faça isso — Edward pediu. — Você mesma já falou que Carmen está totalmente irritada com você desde nosso divorcio, não dê a ela motivos para ficar mais brava ainda.
— Ela ferrou você Edward, ferrou Isabella, mas ela também me envolveu nessa história ao fazer tudo isso para que eu casasse com você. Só consigo me sentir um pedaço de lixo. — Tanya levantou-se. — Vocês podem processá-la, pedir na justiça que ela se mantenha longe de todos vocês, mas eu sempre continuarei tendo o sangue nojento dela. Eu preciso discutir com ela, nem que seja para chorar ainda mais e tentar me sentir melhor, ainda que não vá resolver nada. Só quero me desculpar por tudo que ela fez a vocês.
— Tanya, você não precisa disso, é melhor que sua mãe — Renesmee falou pela primeira vez desde que entrou naquele escritório. — Todos nessa sala tem problemas com seus parentes, sabe bem disso. Meu pai, minha mãe, Lucy, eu com meus pais. Você não precisa ir até lá e brigar, apenas se afaste dela, não se contamine mais. E, nada disso é sua culpa.
Renesmee cruzou a sala, até onde Tanya e eu estávamos.
— Eu não era muito sua fã no começo, pra falar a verdade, mas eu sei agora que não tem nada a ver com o plano idiota da sua mãe. Você se divorciou de papai, não é mais minha madrasta, mas ainda é parte dessa família. Tem ajudado com Luke e Lucy, tem sido uma grande amiga para todos nós, não vá até sua mãe apenas para se machucar.
Renesmee olhou para o pai, em um olhar que nem mesmo eu entendi.
— Renesmee está certa — ele proferiu. — Alice está em uma clinica — murmurou. — Tem pessoas que nos ameaçam, nós nunca nos livraremos disso tudo se continuarmos criando conflito entre nós mesmos. Esme, Carlisle, vocês foram ridículos escondendo o que sabiam de mim por anos, só para eu não pensar em Isabella. Mas não adiantou de nada, estamos juntos de novo, Renesmee está aqui. Só que, eu sei que vocês nem contariam a verdade para a gente se não estivessem querendo se redimir um pouquinho que fosse. Se vocês querem uma família perfeita, respeitem todos nós aqui, deixe com que tomemos nossas próprias decisões, só assim o nome Cullen irá ser imaculado como querem. Nós precisamos nos unir agora, não o contrário.
Para minha surpresa Carlisle não debochou do discurso de Edward, apenas assentiu, sério.
— Jasper, você pode levar Tanya para casa? — perguntei ao loiro. — Ela está nervosa demais para ir só.
— Claro — ele concordou prontamente. — Lucy...
— Ela e Luke vem para nossa casa — Edward falou. — Não podemos todos ir embora da festa agora.
Tanya e Jasper despediram-se de todos rapidamente, então foram embora. Lucy e Esme saíram logo em seguida, para checar como Luke estava. Permanecendo na sala apenas Edward, Nessie, Carlisle e eu.
— Como você está? — Edward perguntou a mim, ajoelhando-se a minha rente, segurando minhas mãos nas suas.
— Como se um peso tivesse deixado minhas costas — confessei. — Esperei por anos o verdadeiro culpado por aquele roubo, finalmente sei quem foi.
— Eu ainda acho que você deveria quebrar a cara dela, mãe — Nessie falou, fazendo com que Edward e eu olhássemos para ela. Foi a vez de Carlisle rir.
— Não há duvida que a menina tem seu temperamento, Isabella — ele disse, servindo mais um copo de bebida e trazendo para mim. — Tome, você acabou de ser ameaçada, sei como se sente.
— Você tem sentimentos? — indaguei, Carlisle apenas revirou os olhos.
— Renesmee, venha para a festa comigo, estamos a tempo demais ausentes. — Estendeu a mão para a neta, que foi com ele sem reclamar.
Abracei Edward quando eles saíram, sentindo seu perfume me acalmar. Então, ele me puxou para um beijo calmo. Ficamos ali juntos, apenas deixando todo o lado do resto de fora.
***
Saímos do escritório de Carlisle um tempo depois, Edward não podia ficar tanto tempo longe da própria festa de aniversário. Mas, levamos conosco o gravador, tínhamos outro destino a ela além de usar sua gravação para fins judiciais.
Encontramos Sulpicia junto de Esme, elas conversavam sobre Nessie e Alec que dançavam juntos. Minha filha parecia tão feliz, que eu consegui voltar a sorrir, mesmo depois dos últimos acontecimentos.
— Você estava sumida! — Sulpicia exclamou a me ver.
— Estávamos resolvendo alguns problemas — falei.
— Sulpicia — Edward tirou o gravador de seu bolso, estendendo a ela que o pegou curiosa. — Tem algo muito valioso ai, será que consegue soltar essa informação em seu jornal depois de Isabella lhe dar a carta branca?
— Isso incriminará quem? — ela guardou em sua bolsa. — Não que eu tenha medo, já fiz reportagens falando mal de presidentes.
— A rainha dos diamantes — Edward falou e sabia que aquele era o apelido de Carmen.
— Sério? — Sulpicia riu, bebericando seu champanhe. — Eu mal vejo a hora de vê-la desmoralizada, podem deixar que cuidarei disso para vocês. — Ela piscou para mim, sorri para ela, eu também estava louca para ver Carmen desmoralizada na frente de toda New York.
***
Abri a porta do apartamento para que todos entrassem, Edward foi o primeiro, com Luke adormecido em seu colo, seguido de Nelly que se queixando de muito sono ocasionado por champanhe, foi direto para seu quarto. Lucy e Nessie entraram logo depois, já retirando os saltos que usavam.
— As duas para o quarto — ordenei quando elas fizeram menção de ir para o sofá da sala, Renesmee já com o controle da TV em mãos.
— Mas...
— Sem mas, Renesmee, quarto. — Apontei para o corredor. — Está tarde, quero as duas dormindo, não vendo televisão.
Renesmee assentiu, disse para Lucy que ela poderia dormir no quarto dela e foram até lá.
— Me ajuda a botar Luke no quarto de hospedes? — Edward me perguntou, ainda sustentando o sobrinho em seus braços.
— Claro — concordei, indo com ele até lá.
Arrumei a cama para Luke, deixando Edward o deitar lá. Então tiramos as roupas pesadas da festa que ele usava, deixando o garotinho mais confortável possível. Edward afagou os cabelos dele e o cobriu, antes de deixarmos o quarto.
— Vamos amanhã cedo para a delegacia com Jasper, quanto antes resolvermos isso melhor. Quero uma medida cautelar para que Carmen não se aproxime de você, ou de Renesmee — ele começou a falar quando entramos no nosso quarto, retirando a gravata e o paletó.
— Edward, podemos parar de falar nisso por um segundo? — perguntei, tirando a gravata para ele, olhando em seus olhos.
— Desculpe, só quero que isso se resolva logo.
— Tenho um presente para você — anunciei, afastando-me dele, entrando no nosso closeth e saindo de lá com uma pequena caixa em mãos.
— Pensei que o presente era o álbum de fotos. — Ele olhou confuso para a caixa.
— Aquele era o meu e de Nessie, esse é apenas meu. — Entreguei a ele.
Edward me olhou nos olhos mais uma vez, antes de abrir a caixa, revelando minha cartela intacta do anticoncepcional.
— Eu... — Levantou o olhar para mim. — Bella?
— Eu não vou mais precisar dela, então decidi te dar, para você ter o prazer de jogá-la fora. — Um sorriso rompeu por meu rosto.
— Isso quer dizer...
— Que eu quero ter mais um filho seu, Edward — proclamei. — O quanto antes.
Ele arfou, então sorriu também.
— Foi por isso que esteve no médico no sábado?
— Sim — confirmei. — Eu precisava checar qual seria a melhor forma de interromper o remédio, como ver se estava tudo bem para que eu engravidasse.
— Está?
— Sim. — Assenti. — Eu já comecei a tomar ácido fólico para prevenir que algo aconteça com o bebê, todos meus exames estão bons, minha saúde está igual a de um cavalo, só preciso maneirar no açúcar...
— Eu amo você, Bella. — Edward me interrompeu, jogando a caixa com seu último presente da noite sobre nossa cama, então puxando-me para um beijo. — Amo muito, muito mesmo. Obrigado por isso.
— Não precisa agradecer, quero isso tanto quanto você — afaguei seu rosto. — Sei que falei antes que queria esperar, que esse não deve ser o momento mais propício, mas não estamos ficando mais novos, Edward. Eu logo terei trinta e cinco anos, quero aproveitar o novo bebê ao máximo, quero que ele ou ela ainda passem alguns anos em casa com Nessie, antes dela ir para a faculdade em breve.
— Vamos ter esse bebê, Bella. — Edward me rodopiou, fazendo com que eu sorrisse ainda mais. — Eu tenho uma surpresa para você também — falou ao me recolocar no chão.
— Tem? Mas é seu aniversário, não meu! Você não precisa fazer surpresas em seu próprio aniversário — protestei.
— Eu queria fazer isso na festa, mas tudo aquilo aconteceu, achei melhor adiar para uma data melhor e sem tanta tensão — ele disse segurando em meu rosto. — Mas eu não consigo adiar por mais um minuto.
Edward me soltou, ajoelhando-se diante de mim. Prendi a respiração, sem conseguir acreditar naquilo. Ele mexeu no bolso de sua calça, tirando um anel de ouro branco, com diamantes por cima.
— Edward...
— Eu amo você, Isabella Swan. Não lhe deixei de amar por um minuto desde que te conheci, sei que nós erramos um com o outro, mas agora quero que nossa vida tenha acertos e, que se errarmos novamente, que isso só nos faça crescer cada vez mais, juntos. Porque eu quero passar o resto da minha vida ao seu lado. Quero ter você comigo daqui para frente, por todo o sempre que nos resta. Nós temos uma filha maravilhosa e, em breve teremos mais um bebê que iremos amar na mesma proporção. Então, aceita se casar comigo?
— Sim — respondi, sentindo minhas pernas fraquejarem ao mesmo tempo em que lágrimas molhavam meu rosto. Ajoelhei junto de Edward, que também tinha seus olhos marejados, deixei com que ele colocasse o anel em meu dedo. Vi o futuro que nós dois teríamos a partir daquele momento, com um ciclo de nosso passado encerrado, e ele era maravilhoso.
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