Moon River

17 Capítulo Treze


Notas iniciais
Preciso esclarecer alguns pontos: 1. A história se divide entre os acontecimentos de 2000 e os de 2016, então um capítulo é ambientado em um ano, outro no outro. Sendo assim, não tem como eu ficar mudando a ordem de postagem, gente. Sei que os de 2000 não são tão legais assim, mas eles são precisos. Além do mais, senão tivesse os de 2000 ia demorar um pouco para ver o casal junto de fato e isso poderia ser chato. 2. Os capítulos oficiais, aqueles narrados exclusivamente pela Bella, são postados aos sábados. Quando tenho tempo posto um ou outro no meio da semana, mas não é algo que dá para fazer sempre. 3. Os capítulos bônus são legais e adoro os escrever, mas a partir de agora não posso prometer que tenhamos eles com muita frequência. Não pelo enredo, mas por mim que estou com pouco tempo para escrever tanto. Boa leitura!

— Capítulo Treze —

— Bella —

New York – Janeiro de 2016

Ao mesmo tempo em que parecia que uma tonelada tinha caído sobre mim, eu sentia que outra tinha sido retirada de cima de meus ombros. Contar para Edward tirou uma mentira de mais de uma década em minhas costas, mas colocou o peso da verdade sobre a mesma.

Edward encarava-me ainda em choque, com a respiração descontrolada e o rosto vermelho. Senti vontade de chorar, por mim, por ele e...Por Renesmee, que naquele momento deveria tanto estar se divertindo com os Volturi e nem sabia o quanto sua vida iria mudar. Eu só queria manter minha filha protegida.

— Que brincadeira sem graça é essa? — Edward indagou, apoiando-se em uma mesinha que tinha na sala do quarto de hotel para não cair. — Tanya, o que está acontecendo aqui? — perguntou para a esposa.

Por fim voltei a reparar em Tanya, notando que ela também estava angustiada, claramente meu modo de expor a verdade não tinha sido um dos melhores.

— Edward, você precisa se acalmar, tem muito o que conversar com a Bella — Tanya falou, aproximando-se de Edward, que se afastou bruscamente dela.

— Isso não é verdade, não é? Tanya me responda! — ele gritou quando não teve resultado com sua pergunta.

— É verdade, Edward — fui eu quem respondeu, só conseguindo que ele voltasse a me encarar enfurecido.

— Que tipo de joguinho sujo está fazendo comigo, Isabella? — questionou. — Tanya, por que está caindo na fala dela?

— Não é joguinho algum — afirmei. — Nós temos uma filha. — Engoli em seco ao dizer aquilo.

Edward caminhou até o mini bar que tinha ali, com as mãos tremulas se serviu de uma dose de uísque pura, a tomando rapidamente. Tanya e eu estávamos lado a lado e nossa tensão era compartilhada, eu estava morrendo de medo.

— O que quer ganhar inventando uma mentira dessas, Isabella? — Edward perguntou, ainda de costas para a gente.

— Edward eu não quero ganhar nada, é a verdade.

— Edward, eu conheci a menina, ela é sua filha — Tanya disse, Edward gargalhou, um riso sem humor algum.

— Sério, Tanya? — Ele voltou-se para nós. — Diga-me mais, vamos você parece tão esperta agora caindo no golpe de Isabella. Sabemos muito bem que eu não tive filha alguma, nem com ela. — Apontou para mim. — Nem com mais ninguém. Isso não passa de um golpe. O quão desonesto é estar usando a filha de outra pessoa nessa armação, Isabella? — questionou a mim.

Aquilo me deixou puta, pra valer. Até ali estava tentando manter a calma, sendo pacifica para não fazer Edward cair desmaiado na minha frente depois do meu grito de que ele tinha uma filha. Mas, ele jogar aquela bela direta de que eu estava usando minha própria filha em um golpe era insustentável.

— Seu canalha! — gritei mais uma vez aquele dia, eu gostava de gritar e depois que me tornei mãe isso se tornou muito mais presente em minha vida. — Como ousar dizer que estou aplicando um golpe em você?

— Não seja idiota, Edward! — Tanya exclamou, cruzando os braços. — Por que diabos Bella aplicaria um golpe...

— Ele foi acusada de roubo, não é? — Edward interrompeu Tanya. — Era a única na cena do crime e até hoje o verdadeiro ladrão não foi preso.

— Eu odeio você, Edward! — exclamei, sentindo lágrimas tomarem conta dos meus olhos, tirei a bolsa de meu ombro, então passei a vasculhar a mesma até achar meu celular. — Aqui! — Estendi o aparelho para ele. — Veja a foto de Renesmee, veja se tem alguma duvida de que ela é sua filha.

— Não quero ver nada — Edward disse hesitante, com a mão esticada em direção ao celular, mas obrigando-se a não pegá-lo.

— Olhe Edward! — ordenei, jogando o aparelho contra seu peito, sem pena nenhuma de machucá-lo. De fato parecia uma dor pequena para ele.

Edward abaixou-se para o pegar no chão, tocou na tela que acendeu e viu a foto de Renesmee estampada na tela de bloqueio. Era uma das fotos mais recentes dela, tirada no último ano novo, enquanto comemorávamos sozinhas em casa, ainda em Seattle. Ela estava absurdamente feliz, pois tinha um dos seus desejos de ano novo realizados, a nossa mudança para New York aconteceria.

Voltei a observar Edward, o rosto do Cullen saiu do vermelho para o esbranquiçado em segundo. Ele tocou na tela repetidas vezes, abrindo e fechando a boca. Então, por fim, acabou sentando-se no sofá, aparentemente tonto.

— Ela...Ela...É — gaguejou.

— Sua filha — Tanya falou, sem conter um sorriso ao dizer aquilo.

— Ou apenas um golpe que estou aplicando em você! — Arranquei o celular de sua mão. — Acredite, eu encontrei um homem exatamente parecido com você, transei com ele, engravidei e esperei todo esse tempo para vir até você e mentir sobre tudo isso.

E pegando até a mim de surpresa, Edward começou a chorar, o que me deixou sem reação. Tanya apenas suspirou, mas manteve-se longe dele.

— Eu tenho uma filha — ele disse entre o choro, colocando o rosto entre as mãos, enquanto batia o pé no chão sem parar. — Isso é impossível.

— Não, é o que acontece quando se transa sem camisinha. — Bufei, caminhando até o bar e servindo uísque puro para mim também. Não era nada bacana de se admitir, mas eu precisava de álcool para suportar aquela situação. Tomei a dose de uma única vez, sentindo o álcool rasgar minha garganta no processo.

— Há quanto tempo você sabe? — Ouvi Edward perguntar para Tanya.

— Desde ontem, fui procurar por Bella e dei de cara com a menina. Admita o quanto vocês dois são parecidos — Tanya disse. — Edward, você vai adorá-la! — exclamou empolgada.

— Claro, Edward vai adorar o instrumento do golpe que estou aplicando nele. — Peguei o copo que estava usando para beber uísque, então o joguei no chão, próximos aos pés de Edward. Tanya ficou assustada, ele apenas se retraiu com o barulho. — Seu covarde!

— Por favor, acalmem os ânimos — Tanya pediu. — Não vamos querer chamar a atenção dos outros hospedes e trazer os seguranças até aqui.

— Devia ter pensado nisso antes — falei. — Eu vou quebrar todos os copos desse maldito hotel! — Peguei mais um copo, o atirando contra o chão, o que foi suficiente para começar a chorar.

— Vá embora, Tanya — foi a vez de Edward pedir. — Isabella e eu temos realmente muito o que conversar, não é um assunto que você deva ser envolvida, não agora.

— Mas... — Tanya começou a falar, então calou-se. — Que seja, vou encher a cara no bar, vai ser um dia longo! — Ela pegou sua bolsa de cima de uma mesinha, então saiu do quarto.

Eu continuava chorando silenciosamente, sentindo minha cabeça doer pela mistura de álcool aquele horário da manhã misturado ao choro. Edward ainda estava sentado, encarando a parede a sua frente, perdido em seus próprios pensamentos.

— Sinto muito por ter dito que era um golpe — ele murmurou.

— Nunca a usaria dessa forma! — gritei, pegando a garrafa de uísque e bebendo o liquido direto do gargalo. — O quão idiota você é? Nunca vai aprender que eu pouco me importo com o dinheiro da sua família? — Deixei a garrafa de lado, aproximando-me de onde Edward estava, desviando dos cacos de vidro.

— Você está certa. — Ele deu de ombros. — Sou um covarde.

— É, é sim.

— Sempre fui — voltou a falar. — Mas como esperava que eu reagisse a isso? — indagou, deixando mais lágrimas deslizarem por seu rostinho perfeito.

Ah droga, eu não devia ter bebido.

Sentei no sofá diante dele, encaixando meus dedos no couro cabeludo e puxando de leve o cabelo, tentando pensar mais claramente. E não só pelo álcool, mas eu estava totalmente confusa.

— É uma filha, Isabella — Edward sussurrou. — Você não está me dando uma noticia qualquer, é uma noticia importante a mais importante que já ouvi em toda minha vida.

Os olhos dele se encontraram com os meus e eu suspirei.

— Nunca contaria — admiti. — Tanya me convenceu, eu não quero você perto dela.

— Porque você me odeia. — Não foi uma pergunta.

— Sim, porque você é a pessoa que mais odeio em todo mundo. — Solucei. — E por que tenho medo que a tire de mim. — Abracei meu próprio corpo.

Edward fechou os olhos, se concentrando em algum tempo em normalizar sua respiração.

— Onde ela está?

— Com amigos, se divertindo, eu espero — respondi.

— Você não podia ter feito isso, Isabella! — Edward exclamou, voltando a chorar com mais força. — Nem mesmo justificando seu ato pelos meus, eu tinha o direito de saber, você me privou de ver minha filha crescer.

— Eu estava desesperada. — Funguei.

— E eu? Como acha que estou agora? Tem uma garota na cidade que é minha filha! — Levantou do sofá, andando de um lado para o outro. — Até ontem eu não tinha filhos, agora sei que tem uma menina por ai que é minha cara e é minha filha. Acha que só você tem seus motivos de estar desesperada? Olha como estou agora.

— Você me acusou de roubo, como podia esperar que contasse que teria a filha de alguém que pensava que eu era uma criminosa? — Limpei as lágrimas do meu rosto. — Não é inocente, Edward.

— Eu pedi desculpas — Edward falou. — Fui até seu dormitório e você me expulsou de lá.

— Acha que conseguiria aceitar suas desculpas tão facilmente? Tinha se passado um mês, você desapareceu depois que fui presa e me acusou de ter roubado aquelas joias.

— Mas você devia ter me contado! — Edward parou de andar, fixando novamente o olhar em mim. Eu tive de manter a cabeça erguida para encará-lo de volta. — Já sabia da gravidez naquele dia, não é?

— Já — confirmei, apertando uma almofada contra meu corpo.

Edward voltou a sentar, parecendo completamente desnorteado.

— Eu não faço ideia do que fazer agora — falou. — Estou furioso, triste, confuso.

— Não a tire de mim, Edward, por favor — implorei, chorando de modo perturbador. — Você tem dinheiro e vai poder usar isso contra mim em um tribunal, tem o fato de ter tido sua paternidade escondida e as pessoas vão se sensibilizar, mas não a tire de mim, eu imploro. Renesmee é tudo que tenho, a pessoa que mais amo no mundo, não posso viver sem ela.

— Eu nunca a tiraria de você — Edward sussurrou. — Não faria isso com nenhuma das duas.

Respirei aliviada por um instante.

— Eu conheço você Bella, ou pelo menos conheci no passado, se manteve sua alma tão pura e boa, sei que deve ser a melhor mãe do mundo. E que ela deve amá-la demais. Mas não se considere uma santa, pode não ter cometido tantos erros quanto eu, mas seu erro foi enorme.

Assenti, eu sabia que aquilo era verdade. Edward tinha me acusado de roubou, me deixado sozinha e tudo o mais. Porém, eu tinha escondido o pai de uma filha, uma filha de um pai.

— O que você disse a ela? — ele perguntou, apertando uma mão contra a outra, olhando fixamente para o chão. — Sobre o pai dela.

— Disse que foi um cara que trabalhou comigo em Seattle — comecei a contar. — Que ele morreu antes mesmo de eu saber que estava grávida.

Edward levantou o olhar para mim e podia saber perfeitamente que ele estava enojado.

— Você disse a sua filha que o pai dela estava morto?

— Sim, era a forma dela nunca ter como conhecê-lo.

— Morto! — Edward gritou. — Eu estava morando no mesmo maldito país que minha filha, Isabella!

Edward tornou a se levantar, mas não falou nada, apenas caminhou até uma das portas e desapareceu por ela. Passou um bom tempo lá, mas eu não seria capaz de dar o tempo certo, estava ocupada demais chorando meu próprio conflito.

Quando ele retornou para a sala, eu já tinha me livrado de minhas sapatilhas e estava encolhida no sofá, abraçando minhas pernas. Ele tinha um telefone em mãos e disse simplesmente:

— Pedi comida, estou faminto.

— Pediu mais álcool? Acabamos com o uísque. — Apontei para a garrafa vazia jogada sobre o balcão do bar.

— Pedi. — Edward sentou no mesmo sofá que eu. — E café para você, ainda está tentando se matar tomando com quilos de açúcar?

— Sempre. — Não consegui não sorrir para o fato dele se lembrar daquilo.

— Como foi...Como foi a gravidez?

— Tranquila — murmurei. — Quer dizer, nos últimos meses, no começo foi uma bagunça. Eu estava voltando para Forks, para morar com meus pais, tinha minha mãe me culpando por ter sido estúpida e engravidado. E eu vomitava toda hora. — Fiz uma careta, Edward sorriu.

— Ela nasceu no tempo certo?

— Nasceu, dia sete de novembro, ela não teve pena em querer nascer às cinco da manhã e me acordar tão cedo.

— Todos os dedos dos pés e das mãos? — Edward olhou para mim torturado.

— Vinte dedos. — Assenti. — Contei todos.

Alguém bateu na porta, anunciando ser do serviço de quarto. Edward apenas gritou um entre, então um rapaz de vinte anos entrou trazendo um carrinho cheio de comida e uma atrativa garrafa de uísque. O Cullen deu a gorjeta, mas antes de sair o rapaz olhou assustado para o vidro quebrado no chão.

Edward comeu, enquanto fiquei responsável por focar em beber. Não estava mesmo em meu melhor dia. Ficamos em silêncio por um novo longo tempo.

— Eu quero conhecê-la — Edward disse por fim.

— Sei que quer. — Gemi, tirando o uísque de perto de mim.

— Hoje mesmo! — Edward exclamou. — Nem um dia a mais, Isabella.

— Não, sem chance! — pontuei. — Ela já vai enlouquecer com a noticia, não posso apresentá-los no mesmo dia.

— Então você conta hoje e amanhã a conheço — Edward disse, abri a boca para protestar, mas não tive tempo para isso. — Aceite logo, ou eu contrario sua vontade e vou atrás dela agora mesmo. Não está com direito de escolher muito, Swan.

— Tudo bem — cedi, fiz menção de levantar, mas ele segurou em meu braço, mantendo-me ali.

— Ela vai me odiar? — perguntou apavorado.

— Vai odiar a nós dois. — Respirei fundo.

— Por que você deu a ela o nome que escolhi? — Edward perguntou, sua mão contra meu braço me dava sensação de formigamento.

— Queria que ela tivesse algo seu. — Choraminguei. — Eu preciso ir embora. — Peguei um bloquinho de notas em uma das mesinhas da sala, escrevendo meu número ali. — Ligue-me amanhã, você vai conhecer sua filha.

— Algo que eu deveria ter feito no dia que ela nasceu — Edward parecia novamente enjoado ao dizer aquilo. — Você foi suja, Isabella.

— Não finja que não está acostumado a lidar com isso — falei. — Você vive cercado de pessoas sujas, sua família.

— Sua filha é uma Cullen, também! — exclamou, levantando-se e ficando perto demais de mim. — Quer você aceite isso, ou não. Eu não irei tirá-la de você, como devia fazer por você ter a negligenciado, mas irei dar a ela meu sobrenome e serei seu pai a partir de agora.

— Minha filha não é como vocês, não a coloque nesse meio.

— Ela é desse meio, seria desde sempre se você não tivesse sido tão irresponsável. — Edward ficou mais uma vez vermelho de raiva.

Balancei a cabeça, afastando-me dele e recolhendo minhas coisas.

— Renesmee tem um bom coração, Edward — murmurei, já a porta do quarto. — Você vai fazê-la perdê-lo ao torná-la uma Cullen.

Sai, sem esperar por uma resposta dele.

Não me importei em me calçar, estava sob efeito do álcool e minha vida estava complicada demais para ligar para os olhares julgadores dos hospedes e funcionários que passavam por mim. Eu devia ir para casa, mas Renesmee não estaria lá ainda e só ficaria mais nervosa e apreensiva esperando ela chegar, então fui atrás de Tanya no bar.

— Ei! — Joguei-me no banco do balcão ao lado do dela. — Vodca, ela paga — pedi para o garçom, apontando para Tanya.

— Então? — ela me perguntou. — Já resolveram algo?

— Irei contar a Renesmee mais tarde, amanhã os apresento, mas agora quero terminar de ficar bêbada — anunciei. — Minha vida está arruinada, Tanya.

— Não Bella, você só está tirando mentiras dela.

Bufei, pegando a vodca que foi servida para mim.

— Como você consegue? — perguntei para Tanya.

— O quê?

— Não transar mais com Edward! — exclamei. — Por Deus, ele parece um maldito vinho que só melhora com a idade, tão sexy! Isso! — gritei a última palavra, atraindo olhares para nós. — Troque a vodca por vinho — falei para o garçom. — Se eu não posso ter o figurativo, vou ter o literal.

— Bella acho que já bebeu demais.

— Não se preocupe, Tanya, eu ainda não estou nem no começo.

***

Após umas três taças de vinho, Tanya venceu e me convenceu que era hora de ir embora. Deixei com que ela me levasse para casa, andar de metro ou de táxi bêbada não era algo que eu estava disposta a fazer aquele dia.

Tanya foi embora depois de me obrigar a tomar um remédio para dor de cabeça e me deitar em minha cama, logo que ela saiu apaguei. E tive diversos pesadelos, todos eles terminando com Renesmee sendo levada de mim.

— Mamãe? Mãe! — Ouvia a voz de Renesmee de longe, mas estava cansada demais para me mover. — Mãe, são quase oito da noite, você estava dormindo quando cheguei duas horas atrás e até agora não acordou.

— Ai Deus — resmuguei, levando a mão a cabeça.

— Você está bem? — Renesmee questionou preocupada, uni toda minha coragem para sentar, abrindo os olhos aos poucos, por sorte a luz do quarto estava apagada. — Está um caco! — exclamou. — É gripe? Ou dor de estômago?

— Ressaca — sussurrei, tomando outro remédio para dor de cabeça que Tanya tinha deixado sobre minha mesinha ao lado da cama.

— Mamãe, você teve um dia divertido? — Renesmee sorriu maliciosamente para mim. — Algum cara? Outro argentino? Ou você está saindo com um Francês dessa vez?

— Antes fosse, só bebi com Tanya — falei, então lembrei que eu tinha de dizer toda a verdade para ela naquela noite. — Escute querida, por que não pede alguma comida para nós? Vou me curar dessa ressaca e podemos conversar sobre nosso dia, tenho muito que te contar.

— Tudo bem! — concordou na hora. — Eu também tenho muito que contar. — Ela parecia radiante. — Pizza ou sushi?

— Qualquer coisa. — Sai da cama. — Vou vomitar de qualquer jeito.

Tomei um banho gelado, me obrigando a aguentar aquilo no frio para me ver livre da ressaca. Eu não bebia assim tinha muito tempo e prometi nunca mais chegar perto de uísque, vodca e muito menos de vinho. Literalmente ou figurativamente.

Estava me trocando quando o celular indicou que tinha recebido uma mensagem.

Desconhecido: Já contou a ela? É Edward!

Desliguei o celular, sem querer Edward perturbando minha cabeça naquele momento.

Terminei de me vestir e fui para sala, Renesmee assistia um filme na televisão, enquanto já atacava um pedaço de pizza.

— Melhor? — perguntou, entregando-me um copo de coca-cola, que foi muito bem vindo.

— Sim. — Sentei perto a ela, sentindo-me desconfortável. — Como foi seu dia com os Volturi?

Renesmee sorriu, corando também.

— Foi incrível, mãe. — Suspirou. — E como me pediu para contar tudo que envolvesse garotos, ai vai: Alec e eu nos beijamos.

Por um momento deixei o assunto paternidade de lado, Renesmee tinha beijado Alec e aquilo se tornou mais importante.

— Sério?

— Sim — ela afirmou empolgada. — Estávamos jogando tênis, em dupla, ele e eu contra Jane e Riley. Nós dois ganhamos e no meio da comemoração nos abraçamos, Alec beijou o canto da minha boca e eu o beijei. Foi o melhor beijo da minha vida.

— O melhor? Você só não beijou outros dois garotos além dele?

Renesmee fez uma careta.

— É, um naquele jogo idiota de verdade e desafio. Outro tinha um aparelho terrível e tinha cheiro de atum, mas não importa. — Voltou a sorrir. — Alec e eu nos beijamos.

— E o resto do dia? Estão namorando?

— Mamãe foi só um beijo, isso não quer dizer que estamos noivos e que iremos nos casar. Nós tivemos um dia agradável no clube, Alec me ensinou a jogar golfe...

— Golfe? Isso aplica muito contato físico, ele fez a clássica cena de ficar perto demais do seu quadril? — provoquei.

— Mãe! — Renesmee corou novamente. — Não foi assim, mesmo mais velho Alec me respeitou, entendeu? Ele foi super gentil comigo o dia inteiro. Enfim, jogamos um pouco de golfe, depois assistimos a um show acústico que estava acontecendo por lá. Foi bem bacana.

— E beijos?

— Alguns beijos. — Sorriu vitoriosa. — Mas não sei onde isso vai parar, então não me enlouqueça.

— Tudo bem. — Tirei a pizza da mão dela. — Temos algo sério a conversar, Ness.

— Mãe, de novo esse papo sobre garotos? — Ficou com uma expressão entediada.

— Não, é sobre seu pai — falei, tirando coragem do fundo do meu ser para conseguir dizer aquilo.

— Meu pai? — Nessie ficou surpresa. — O que tem ele?

Respirei fundo, então soltei a bomba.

— Seu pai não se chama Tyler, Renesmee, o nome dele é Edward. — Renesmee arregalou os olhos. — E Edward está vivo.

Notas finais
Não sei se gostaram ou odiaram, então deixem as opiniões nos comentários. Mas, por favor, críticas construtivas. Se for só para falar mal sem acrescentar nada prefiro que nem comentem, já tive uma cena complicada, não preciso do fim de semana difícil também. Beijos e até mais! Lola Royal. 02.04.16