Moon River
53 Capítulo Quarenta e Cinco
Notas iniciais
— Capítulo Quarenta e Cinco —
— Bella —
New York – Agosto de 2016
Renesmee e Alexander estavam no apartamento quando voltamos para casa, deitados no chão da sala, parecendo mortos depois de sua manhã como atletas, mas ignorando o suor estavam recostados um no outro, trocando beijos. E, nem mesmo a filha e o namorado se pegando bem ali, foi capaz de roubar a felicidade de Edward, eu duvidava que qualquer coisa pudesse tirar o sorriso de seu rosto.
— Ei, como foi no médico? — Nessie sentou no chão, ajudando Alec a sentar também, com ele resmungando algo sobre dor. — Alec caiu — ela explicou.
— Você me derrubou! — Alec rebateu.
— Você que foi fraco e não conseguiu me segurar, falou: Sim, você pode correr, eu te seguro como em Dirty Dancing.
— Vocês estavam tentando reproduzir o final de Dirty Dancing? — Edward perguntou, enquanto sentávamos no sofá.
— Yeah, mas claramente não deu certo, todos no Central Park nos viram, ridículo. — Nessie e Alec riram. — Mas como foi no médico? — ela voltou a questionar, empolgada.
— Foi maravilhoso. — Edward tocou em minha barriga ao responder. — Nunca pensei que um ultrassom me deixaria tão emocionado.
Renesmee sorriu gentilmente para o pai.
— Vocês já pensaram em um nome? — ela indagou. — Alec e eu meio que queremos reservar um — sussurrou, vi ela e o namorando corando.
— Reservar? — Edward arqueou uma sobrancelha, tentando soar calmo.
— Sim, você sabe, para no futuro quando tivermos um filho ou filha, ele ou ela terem seu próprio nome, não um roubado do tio. — Edward bufou com a fala dela.
— Cedo demais para vocês se importarem com bebês seus. Quer dizer, é cedo demais, né? O quão próximo é esse futuro? — Edward ficou meio verde e vi Alec ficar desesperado, Nessie apenas ria, ela amava ver os outros enrascados.
— Um bem distante, senhor Cullen! — Alec afirmou, meu marido respirou fundo parecendo mais calmo.
— Acalme-se Edward, Ness e Alec tem um plano — falei. — Conte ao seu pai o plano, Renesmee! — Não precisou de muito para ela jogar em cima dele o plano que tinha me contado no dia do casamento, Edward pareceu muito contente com aquilo, ele provavelmente pensava que era a garantia que a filha estaria longe de sexo até o casamento. Bom, eu deixaria que ele continuasse imaginando isso.
— Tudo bem, agora, me dê nomes! — Nessie implorou a mim.
— Nós meio que já temos o nome de menino decidido desde que estávamos juntos em 2000 — falei, segurando na mão de Edward. — Anthony como o segundo nome do seu pai. — Edward se inclinou para beijar minha bochecha.
— Escolhemos junto com o seu — ele comentou com Nessie, que revirou os olhos.
— Meu nome é terrível, pai, que bom que a mamãe tem juízo quanto ao nome de menino — Renesmee disse.
— Seu nome não é terrível, eu adoro — Alec falou para ela.
— Ah, você só está puxando o saco de papai — ela o acusou, Alec segurou uma risada. — Mas, antes que vocês cheguem ao nome que Alec e eu queremos, eu lhes digo: Charlotte — anunciou.
— Charlotte como a minha avó? — Edward perguntou surpreso.
— Sim — Nessie disse em um tom doce. — Alec e eu estávamos conversando sobre ela com Carlisle outro dia, ele estava dizendo o quanto Charlotte era maravilhosa. Ele perdeu a mãe muito cedo, mas lembra dela e, tem muito em memória do que o próprio pai falava da mãe para ele.
— Carlisle iria adorar a homenagem — comentei.
— Mas só daqui a trinta anos! — Edward pontuou, fazendo Ness e Alec riram.
— Não se preocupe, senhor Cullen, nossos planos para Charlotte são para um futuro distante.
— Se tivermos gêmeos, já que você tem casos em sua família e é um, podemos chamá-los de Charlotte e Carlisle! — Nessie pareceu em completa emoção ao dizer aquilo ao namorado, a ideia deve ter lhe atingido naquele momento.
— Okay, pare de falar em bebês seus, eu não tenho um coração forte — Edward pediu incomodado.
— Tudo bem, você ainda precisa de um nome de menina — Ness se voltou para mim. — Por favor, não deixe papai escolher, sabe o quanto foi chato me fazer aprender a soletrar meu nome.
Edward revirou os olhos, fazendo-me rir.
— Não tenho ideia de nome nenhum para menina, sabe, eu realmente acho que é um menino.
— Nah, então temos de pensar em um para menina, você não é muito boa em apostas — Edward falou, lancei um olhar mortal a ele. — Só estou falando a verdade, você não é uma boa com palpites.
— Vamos, pense em algo curto, delicado e que seja fácil de soletrar, mãe — Ness incentivou, Edward abriu a boca para falar, mas a filha o interrompeu. — Fique fora disso, pai.
— O bebê é meu — ele a lembrou. — Eu acho que Ruth seria um bom nome — completou. — Alec, Renesmee e eu fizemos caretas parecidas.
— Eu veto — declarei, ganhando um olhar de alguém traído de Edward. — Desculpe, mas Ruth Swan Cullen não combina mesmo, Edward.
— Tudo bem, senhorita criatividade, que nome tem em mente?
— Não tenho ideia — falei. — Mas ainda temos uma porção de meses pela frente, vamos escolher com o tempo.
— Eu posso escolher, sou boa com nomes — Renesmee declarou se gabando.
— Pense nos nomes dos seus próprios bebês — mandei sorrindo, levantando-me com Edward.
— Não, sem bebês para vocês! — Edward apontou de Renesmee para Alec, eles dois assentiram sérios, mas começaram a gargalhar no momento que deixamos a sala.
Pobre Edward, eu realmente esperava por um menino, ou ele iria ficar maluco sendo pai de mais uma garota.
***
Edward e eu seguimos para a casa dos pais dele aquela noite, apenas nós dois, Renesmee e Alec iriam ao cinema com Riley e Lucy, que tinha aceitado sair de casa só aquele dia depois da morte da mãe. Eu estava tão nervosa quanto meu marido, era um dia delicado para ele, Carlisle e Edward tinham achado melhor não confrontar Esme no momento seguinte a morte de Alice, mas uma semana tinha se passado e eles não podiam mais adiar aquela conversa.
— Eu não esperava vocês por aqui — Esme disse confusa ao entrarmos na sala, onde ela e o marido estavam.
— Nós precisamos conversar, Esme — Carlisle murmurou, enquanto Edward e eu nos sentávamos. Eu tinha perguntando um milhão de vezes a Edward se ele realmente queria que eu estivesse naquela conversa e todas suas respostas foram positivas, dessa forma eu não tinha para onde correr.
— O que está acontecendo? — Esme perguntou, notando a tensão em sua sala de estar. Não tinha sido uma semana fácil para ela, para ninguém, mas ela tinha acabado de perder a filha, era pior para ela.
Edward e Carlisle se entreolharam e, vi que se pudessem esconderiam suas perguntas por mais tempo, mas nem eles mais podiam prolongar aquilo.
— Esme, quando Edward nasceu eu recebi uma ameaça, cerca de dois dias depois...
— Sim, eu sei, nós recebemos essas malditas ameaças desde que nos casamos, então desde disso elas não pararam. Carlisle, por favor, eu não quero reviver cada uma delas hoje —Esme pediu cansada.
— Mas, eu não lhe contei tudo que estava na ameaça — Carlisle confessou. — A ameaça também dizia que Edward não era meu filho de verdade, mas que ele era um Cullen.
— O quê? — Esme perguntou confusa, eu também não entendi como Edward poderia não ser filho de Carlisle, mas ao mesmo tempo ser um Cullen, até que pensei em Caius. Olhei para Edward, vendo que ele também tinha entendido aquilo. — Carlisle, o que você está insinuando?
— Edward é filho de Caius, Esme?
Deus, Carlisle ia direto ao ponto mesmo.
Esme abriu a boca em choque, horrorizada, até que se afastou do marido com nojo.
— Você enlouqueceu Carlisle, enlouqueceu!
— Caius é seu irmão, você acha que Esme se envolveria com seu próprio irmão? — Edward indagou revoltado, eu temi que aquilo arruinasse o relacionamento que ele estava construindo com o pai.
— Esme e Caius já tinham se envolvido antes, eles namoraram, por alguns meses — Carlisle contou, para surpresa de Edward, que se voltou abismado para a mãe.
— Isso é verdade? — Edward questionou a ela.
— Sim. — Esme suspirou. — Por três meses, até que Carlisle, seu pai. — Ela lançou um olha furioso ao mesmo. — Voltou da Alemanha, onde estava estudando. Nós nos apaixonamos no mesmo momento, eu larguei Caius e um mês depois estava namorando Carlisle. Um ano depois nos casamos e tivemos você.
— Edward é meu filho mesmo, Esme? — Carlisle questionou, ganhando mais um olhar mortal da esposa.
— Claro que é, Carlisle. Eu realmente não acredito que você confiou nessa estúpida mensagem, eu sou sua esposa, eu te amo. Estive ao seu lado durante todos esses anos, mesmo quando você era um cretino. — Esme deu um tapa no rosto de Carlisle, que não reclamou ao recebê-lo. — É por isso que você quis tanto ter outro filho cedo? Por isso que assim que possível nós tivemos Alice, você queria garantir que teria um herdeiro real. Seu filho da puta! — Mais um tapa. — Eu nunca te trai com Caius, ou com qualquer outro homem. Eu chutei a bunda de Caius no momento que você olhou para mim naquele maldito jantar de boas vindas, eu não poderia namorar um irmão, enquanto estava apaixonada por outro.
— Você passou minha vida inteira acreditando que eu era filho de seu irmão? — Edward ainda deglutia tudo aquilo. — Você...Carlisle, sério? — Ele se levantou, indo até o bar na sala para pegar algo para beber. — Caius, merda! — Ele bateu com o copo sobre o vidro, por sorte não quebrando.
— Você é um imbecil, Carlisle, um imbecil! — Esme gritou aos prantos, fui até ela querendo consolá-la. — Edward é seu filho, seu babaca, foi por isso que você sempre teve medo de se aproximar dele? Foi por isso que você era cheio de receios em amá-lo? Bom, parabéns, você preferiu acreditar nessa maldita carta e, perdeu a vida inteira do seu filho por ser um tolo.
Carlisle colocou a cabeça entre as mãos, parecendo desesperado. Então, começou a chorar.
— Eu não acredito que desconfiou de mim por mais de trinta anos, Carlisle. — Esme sentou, chorando também. — Você sabe o quanto te amo, sabe que eu sou apaixonada por você desde o primeiro olhar. Nós estávamos tão felizes quando casamos, quando descobrimos sobre Edward. Eu tive apenas um namoro de poucos meses com Caius, ele logo estava envolvido com a mãe de James, também, ele era apaixonado por Athenodora, ele insistiu em ser nosso padrinho de casamento, disse que estava tudo bem.
— Eu sou um idiota — Carlisle suspirou, ainda chorando.
— Sim, você é, um grande idiota! — Edward exclamou, vindo até a gente. — Você preferiu acreditar nessas cartas, que sempre vieram para desequilibrar a família, podia ter perdido a mamãe por conta disso, podia ter me afastado para sempre.
— Edward... — comecei a falar, mas ele me interrompeu.
— Mas você não foi o único babaca que preferiu acreditar em ameaças falsas, Carlisle — Edward disse. — Eu também acreditei, não é mesmo? Quando preferi confiar na falsa informação que dizia que Bella era uma golpista barata. Nós dois não poderíamos ser mais parecidos, na verdade. — Edward sentou na mesinha de centro, diante o pai, tirando as mãos de Carlisle do rosto dele, fazendo com que ele o olhasse. — Eu sou seu filho, Carlisle e, você é meu pai. Passamos anos com essa duvida, mas agora temos a história real, agora nós sabemos de tudo. Eu amo você, eu quero poder construir um relacionamento pai e filho normal com você, sem mais cobranças, sem mais ódio e ressentimento.
— Você é meu filho! — Carlisle exclamou, tocando no rosto de Edward. — Você sempre foi, Esme está certa, eu tinha medo de te amar, porque eu pensava que a qualquer momento ela iria falar que você não era meu filho, que te perderia. Eu morria de medo de construir um laço forte com você, mas eu sempre te cobrei tanto, queria fazer você um homem a minha completa semelhança, queria ver algo de mim em você, nem que fosse o empresário que me tornei.
— Eu sei, eu sei — Edward murmurou. — Passei minha vida inteira querendo te agradar, querendo ser parecido com você, também. Eu até queria ter seus olhos. — Ele soluçou, era um momento absurdamente intimo entre os dois, mas Esme e eu não conseguíamos arredar o pé de lá.
— O quê? Não, eu amo que você tenha os olhos de Esme, foi o que me encantou nela ao primeiro olhar. — Carlisle sorriu para Edward, o rosto de ambos tomados por lágrimas. — Quando eu te tomei em meus braços pela primeira vez, quando você olhou para mim...Foi o melhor momento da minha vida, eu tinha acabado de perder meu pai, estava assumindo a empresa, tudo era novo e assustador, mas era só olhar para seus olhos que eu via esperança.
Edward levantou, fazendo Carlisle levantar e os dois trocaram um forte abraço.
— Eu quero matá-lo, mas ao mesmo tempo quero o cobrir de beijos — Esme, chorando baixinho, sussurrou ao meu lado. — Eu sei que odeia meu marido, ele é um idiota, eu entendendo, mas...
— Não odeio — afirmei. — Não mais.
Esme olhou para mim, segurando em minha mão.
— Somos uma família — ela disse.
— Somos uma família — concordei, então comecei a chorar, tudo culpa dos hormônios da gravidez.
Edward e Carlisle se voltaram para mim, meu marido soltou o pai vindo em minha direção, enquanto Esme lutava para ficar afastada do próprio marido. Ela estava chateada, ressentimento era normal naquele momento.
— Você está bem? — Edward me perguntou preocupado.
— Sim, são apenas os hormônios — garanti, Carlisle foi até Esme, ajoelhando-se diante dela.
— Me perdoe por ter duvidado de você, Esme, eu fui um cretino, eu mereço toda sua raiva. — Ele segurava nas mãos da esposa, que o olhava com um misto de raiva e tristeza. — Nunca deveria ter passado em minha cabeça que você me trairia, muito menos que esconderia a verdade sobre a paternidade de Edward.
— Eu estou tão aborrecida com você, Carlisle! — Esme exclamou.
— Eu sei.
— Eu quero enfiar minha mão na sua cara e te fazer sangrar, mas nós não estamos em condições alguma de mais brigas. — Esme respirou fundo, o celular de Edward tocou com uma mensagem e ele pegou para ler. — Vamos tentar esquecer isso, essas malditas ameaças e...
— Carmen — Edward sussurrou, fazendo com que a mãe parasse de falar.
— O que tem ela? — Esme inquiriu.
— Jasper acabou de me mandar uma mensagem. — Edward parecia surpreso. — Carmen, foi ela quem enviou a ameaça.
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