Moon River

14 Capítulo Onze


Notas iniciais
Oi meninas, tudo bem com vocês? Esse capítulo é dedicado para a Marcella que me deu uma recomendação aqui em Moon River, sério vocês são as melhores leitoras que existem. Tão legais e me dão comentários e recomendações que eu amo!!! Espero que gostem do capítulo, boa leitura!

— Capítulo Onze —

— Bella —

New York – Janeiro de 2016

Obviamente eu estava aflita, não era fácil ter Tanya em minha casa, junto de Renesmee, depois de tantos anos mantendo minha filha afastada do meu passado. Só que...não podia ser injusta com aquela mulher, mais do que ninguém sabia o quanto era errado ser alvo de injustiças e claramente Tanya nunca tinha me feito nada de mal e sabia que não faria nada contra Nessie.

— Quer beber algo, Tanya? — perguntei, logo que ela soltou Renesmee — esta ainda estava confusa com o abraço e choro da outra.

— Claro, eu aceitaria! — Tanya exclamou, limpando o rosto com cuidado para não borrar a maquiagem.

— Café ou chá?

— Chá, por favor — ela pediu, voltando a sorrir para Renesmee, ia dizer algo quando Rosalie se pronunciou.

— Deixa que eu faço, Bella — minha cunhada disse, levantando-se do sofá. — Olá, sou Rosalie Swan, cunhada da Isabella.

— Claro que é! — Tanya sorriu para Rosalie, apertando sua mão. — Bella sempre falou muito de você — comentou. — Deixe-me confessar algo, eu tinha um pouquinho de inveja por você ser a melhor amiga dela, não eu.

— Ah, pode ficar com Bella, ela me cansa — Rose brincou. — Chá com açúcar ou adoçante?

— Sem nada, por favor — Tanya disse.

— Viu Bella? — Rosalie se voltou para mim. — Aprenda com Tanya e evite entupir-se de açúcar.

— Como se ela fosse capaz — Renesmee falou, me lançando um olhar divertido, que fez com que nós duas ríssemos. Então, Tanya voltou sua atenção para ela e Rosalie aproveitou a deixa para sair da sala. — Você é realmente linda! — Renesmee exclamou para Tanya.

— Oh querida, eu? Olhe só para você! — Tanya tirou seu casaco, o peguei indo deixá-lo no armário, quando voltei as duas estavam sentadas juntas ao sofá.

— Como se conheceram? Eu nunca tinha ouvido falar em Tanya — Renesmee falou, sentei no sofá diante delas, sem saber por onde começar.

— Sua mãe, ela é tão reservada — Tanya disse em um tom bem humorado, claramente amenizando o clima. — Nós trabalhamos juntas em Seattle, por algum tempo, ai eu tive de me mudar por problemas pessoais e perdemos contato.

Renesmee assentiu e sabia que tinha voltado a pensar no pai, sendo assim antecipei minha resposta.

— Ela não conheceu seu pai, Ness. O conheci depois de Tanya se mudar. — Tanya não pareceu contente com aquilo, mas se manteve de boca fechada.

— Não sabe o quanto estou feliz em conhecê-la, Renesmee. — Tanya afagou o cabelo delas. — Você parece uma princesa, um verdadeiro presente, eu...— Então voltou a chorar.

— Está tudo bem, Tanya?

— Sim — ela murmurou, recompondo-se. — É que até pouco tempo não sabia como Bella estava, agora descubro que ela tem uma filha.

— Como se reencontraram? — Renesmee perguntou.

— Ontem, na festa que eu estava, não tivemos um bom reencontro na verdade. Mas nos entendemos agora. — Sorri para Tanya, que sorriu de volta.

— A verdade é que sua mãe deve ser a pessoa mais cabeça dura da face da Terra! — Tanya proclamou.

— Concordo, ela não queria nem me deixar arranjar um emprego, mas finalmente cedeu e...

— Mas você não deve arranjar um emprego! — Tanya a interrompeu, alarmada.

Rose reapareceu, com chá para Tanya, café para mim e para ela um pedaço de bolo. Sentou perto de mim, apreciando tudo como se estivesse em um teatro.

— Por que não? É só um trabalho.

— Você é nova demais e trabalhar pode ser arriscado — Tanya disse apreensiva.

— É uma confeitaria, ela não vai sofrer um atentado lá dentro — Rosalie se intrometeu na peça.

Tanya me olhou angustiada e logo percebi qual era a preocupação dela, Renesmee era uma Cullen, quando o mundo descobrisse isso ela seria alvo de pessoas que sempre tentaram os derrubar. Como os bandidos que sequestraram Carlisle certa vez, pensar em minha filha sofrendo algo só por conta de um sobrenome estúpido fez com que eu voltasse a não querer contar nada a ninguém, mas já era tarde demais.

— Ela vai ficar bem, Tanya — a tranquilizei, ainda que precisasse de alguém para tranquilizar a mim também.

Aquilo seria uma confusão, não precisaria ser vidente para saber daquilo. Não só por Renesmee estar prestes a conhecer o pai que não sabia que existia, como o fato de que ela se tornaria uma Cullen do dia para noite. Segundo Tanya, Edward faria questão de espalhar para o mundo inteiro que ele tinha uma filha e isso comprometeria a segurança dela, como era a segurança de todos daquela família.

Eu me lembrava de todos eles andando com seguranças, até mesmo Edward quando não conseguia escapar, a casa cercada por altos muros e equipamentos de alto nível de proteção. Isso sem falar que Carlisle andava armado por ai, o que sempre me deixou apavorada.

Os Cullen não eram simplesmente ricos, eles tinham inimigos que os odiavam verdadeiramente. Provavelmente toda realeza tem alguém querendo tirá-la do poder. Edward naquela época não sabia, mas suspeitava que o pai pudesse estar envolvido com questões ilícitas e se realmente estivesse? E se depois de todos aqueles anos Edward também? Renesmee seria a única filha dele, o que pessoas malucas que mandavam ameaças de morte para outros não poderiam fazer com minha garotinha?

— Mamãe, você está bem? — Renesmee me perguntou, reparei que eu tinha ficado fora do ar por um tempo. Rosalie contava alguma das peripécias da sobrinha quando criança para Tanya, que ria de tudo.

— Estou.

Não, eu não estava. Se alguém encostasse em um fio de cabelo dela, fosse Cullen ou qualquer bandido, eu mesma mataria.

— Tanya, podemos conversar a sós por um instante? — perguntei quando Rose acabou de contar quando Renesmee tinha cinco anos de idade e decidiu que iria se fantasiar de Barata no Halloween.

— Claro — a mulher concordou.

— Quer saber? — Rosalie levantou-se. — Eu ainda não fui a confeitaria que você pretende trabalhar Nessie, que tal irmos lá para vermos como funciona o lugar melhor? Ai você já pode tentar marcar uma entrevista.

— Excelente ideia! — Renesmee comemorou. — Vejo você outro dia, não é? — perguntou para Tanya.

— Com certeza. — Tanya a abraçou. — Cuide-se, tudo bem?

— Pode deixar, até daqui a pouco mamãe!

— Tchau meu amor. Leve seu casaco! — ordenei.

Quando as duas foram embora, passei para o sofá onde Tanya estava sentada, ainda com um sorriso bobo no rosto.

— A cada segundo que eu a via, mas vejo semelhanças com Edward — Tanya disse, bebericando seu chá. — Os olhos, é como se fosse ele olhando para mim.

— Que sorte que parece ser ele, não Esme — resmunguei. — Como acha que ela reagirá a isso? Ao fato de descobrir que tem uma neta?

— Bom, ela já tem uma neta e não é a melhor avó do mundo com ela — Tanya confessou.

— Ah sim, a filha da Alice! — exclamei me lembrando. — Como ela é?

— Lucy é maravilhosa, mas está sendo criada por Alice, o que me assusta.

— Acha que ela pode se tornar uma cópia fiel da mãe? — perguntei, eu odiaria que a prima de Renesmee fosse como Alice, seria horrível colocar minha filha no ninho de duas Alices.

— Não, não! — Tanya respondeu, fazendo um gesto de negação com a mão. — Não uma cópia fiel de Alice, Lucy pode ser mimada, mas não é uma má garota, ela é bem gentil e doce na verdade. Meu medo é que ela acabe como Edward. — Suspirou, o que me desarmou.

— Como Edward? — perguntei baixinho.

— Você sabe, Bella. Submissa as vontades da família Cullen, igualzinha ao Edward. Pelo que soube, Alice já quer colocar a garota envolvida nos negócios da empresa, percebe o quão terrível isso é? Ela tem a mesma idade da Renesmee, não devia estar sendo envolvida nesse mundo maluco.

Assenti, mas o que eu poderia fazer por Lucy? Ela não era minha filha, nem mesmo minha parente. Ela estava entregue as mãos do legado de sua família, a única coisa que eu podia desejar afastada de tudo aquilo era que a menina não se tornasse como a mãe, muito menos como o tio.

— E o outro? Alice e Jasper tiveram mais um filho, não é mesmo?

— Sim. — Tanya voltou a sorrir. — Lucas, mas nós o chamamos de Luke. — Ela parecia encantada ao falar dele. — Parece muito com o pai, sabe como Jasper é, não é mesmo? Quieto em seu próprio canto, mas sempre tão prestativo quanto necessário e muito inteligente.

Eu logo percebi, Tanya ainda gostava de Jasper. Quando nos tornamos amigas e passamos a contar tudo uma para a outra, ela contou sobre sua história com o marido de Alice. Eles ainda eram adolescentes quando se envolveram, estudavam junto de Edward em um internato, Tanya se apaixonou perdidamente pelo Whitlock, ficaram em um romance não oficial até a irmã dela morrer, o que a fez se afastar dele.

Então, Alice surgiu e o conquistou. E mesmo depois de ver Jasper se casar com ela, Tanya ainda o amava, pois essa era a palavra certa para o que sentia por ele, mas o homem estava casado e com uma filha a caminho.

— Ainda gosta de Jasper, Tanya?

Ela se engasgou com o chá, colocando a xícara sobre a mesa e tentando controlar a tosse. Dei leve batidinhas em suas costas, o rosto dela já estava vermelho, mas eu suspeitava que era por constrangimento, não por ter se engasgado.

— Que pergunta mais tola, Isabella!

— Não é uma pergunta tola, ainda gosta dele? Ou não? — A encarei nos olhos.

— Essa é uma conversa sem sentido — Tanya insistiu, respirando fundo e aos poucos voltando ao normal.

— Por favor, não me faça de boba, está estampado em sua cara que ainda sente algo por ele. O que me surpreende é que continue gostando dele, mesmo depois de tanto tempo. Vocês nem estavam mais juntos quando os conheci.

— Olha quem fala, você ainda gosta do Edward — Tanya revidou, dando um sorriso vitorioso quando eu me calei. — Eu sabia! — exclamou. — Você era apaixonada e o amava demais, impossível deixá-lo de amar. Principalmente tendo uma versão feminina e de quinze anos dele diante de seus olhos diariamente.

— Não sinto mais nada por Edward, Tanya — afirmei. — Na verdade, sinto sim. Ódio. A única coisa boa que ele me deu foi Renesmee, mas não é como se tenha sido planejado pelo mesmo.

Tanya balançou a cabeça, fazendo com que seus cabelos bagunçassem um pouco com o ato.

— Edward ainda te ama — deixou bem claro.

A encarei, sentido-me nauseada com aquilo. Estava prestes a pedir que parasse, quando ela continuou a falar.

— Eu sei disso, não é apenas uma suposição, Edward confessou isso para mim poucos dias atrás.

Abaixei o olhar, sem querer lidar com aquilo naquele momento.

— Edward e você ainda tem muito o que resolver, não só o que diz respeito a Renesmee, mas ao que tiveram e foi rudemente interrompido.

— Ele é casado — falei. — Com você!

— Edward e eu somos apenas amigos, Isabella — Tanya segurou em minha mão. — Somos casados, por motivos terríveis. Eu por precisar limpar minha reputação, Edward por estar destruido. Nunca foi um casamento por amor, nunca será, o único amor entre nós dois é o de amigos e...

— E você vai me dizer que depois de tanto tempo de casamento nunca dormiram juntos? — questionei, sentindo minhas bochechas arderem, provavelmente eu estava ficando corada.

— Fizemos, não viramos freira e padre, Bella. — Tanya revirou os olhos. — Mas sexo é superestimado e desculpe, mas eu já tive caras muito melhores que seu queridinho Edward.

— Tipo Jasper?

— Jasper foi um deles — Tanya sussurrou. — Mas o que estamos debatendo aqui é o fato do meu casamento com Edward ser desprovido de sentimentos românticos e se está tão a fim de saber mais sobre o sexo...

— Não quero. — Tanya não ligou e continuou a falar.

— Nós praticamente só transavamos para tentar ter um filho, nos últimos anos deixamos isso de lado por completo e tem bastante tempo que só usamos a cama para dormir — Tanya completou. — Ou para jogar Banco Imobiliário, ele sempre fica falido, é péssimo até nisso na cama para falar a verdade.

— Que bom que ao menos o peguei nos bons tempos. — Bufei, revoltada, nostálgica e tudo o mais com aquela conversa. — Então você não pode ter filhos? — perguntei, mudando de assunto.

Tanya confirmou com um aceno de cabeça.

— Foi horrível, descobrir que eu não poderia ter um bebê. Depois de tudo que passei com Louis, meu maior sonho era ter um filho, alguém que eu sabia que amaria para todo sempre e que me amaria também. Um amor de verdade, sabe? Isso dói até agora, mesmo após saber que nunca terei um.

— Por que não adotaram? Ou tentaram uma barriga de aluguel? É tão comum hoje em dia.

— Não consegui lidar com a ideia de outra mulher gerar meu filho, parecia que eu escolheria uma mercadoria em uma loja, então deixaria o bebê em um forno até ele assar. E sobre adoção, chegamos a dar inicio a todo processo, mas Edward não foi aprovado. Ele tem suas amarras, sabe disso tão bem quanto eu.

— E mesmo assim acha que ele amará perdidamente Renesmee? Uma garota que já tem quinze anos, que ele nunca viu e nem sonhava com a existência? Isso parece loucura para mim. — Apoiei minha cabeça na mão, sentindo a dor no local voltar.

— Você não entende, não é mesmo? Isabella, Renesmee é sua filha. Edward vai surtar quando descobrir, mas quando cair a ficha que você, justamente você teve uma filha dele, vai se tornar o homem mais feliz do mundo. E Renesmee, ela é encantadora, vai fazer Edward querer dar o mundo a ela quando se conhecerem.

— Ela é uma adolescente, Tanya, que cresceu pensando que o pai estava morto. Renesmee é sim uma garota fantástica, mas quando souber de tudo. Das acusações de roubo, de Edward acreditando que eu tinha sido culpada. Sei que ela vai me odiar também, não tiro a razão da minha filha, errei muito...Só que, Edward será um estranho na vida dela, um cara que vai chegar do nada dizendo ser seu pai.

— Sabe Bella — Tanya sussurrou. — Renesmee pode ser parecida com Edward, mas ela também é parecida com você. Em um ponto, especialmente.

— Qual? — perguntei curiosa.

— Ela é forte!

Sorri, sabia que Tanya estava certa quanto a isso. Para ser franca, eu considerava Renesmee mais forte do que eu.

***

Tanya passou mais algum tempo comigo, querendo ouvir mais sobre Renesmee. Contei coisas básicas, como o dia que ela nasceu. O quanto foi uma criança geniosa, ás vezes até difícil de controlar. Como me deixou maluca certa vez quando caiu na escola e quebrou um braço. O fato dela, mesmo sendo cheia de personalidade, sempre ajudar-me em tudo. Sendo uma excelente garota quando voltei para a faculdade, como todos os anos que vieram depois disso e nem sempre nossa situação era favorável.

No momento que Tanya anunciou que precisaria ir embora, para resolver assuntos do trabalho, senti-me triste, como se não fosse voltar a vê-la. Mas ela deixou claro que nunca mais nos afastaríamos e que entraria em contato comigo em breve, para que eu pudesse contar tudo a Edward, o que me deixou maluca novamente.

Tinham se passado cerca de quinze minutos da partida de Tanya, quando Renesmee voltou.

— Onde está Rosalie? — perguntei, deixando Renesmee sentar ao meu lado, a puxando para meus braços.

— Ela tinha de ir, esteve muito tempo longe do trabalho — Nessie respondeu, apoiando a cabeça em meu ombro. — Mamãe, se você e Tanya são amigas, por que reagiu daquela forma ao vê-la?

— Aconteceram algumas coisas quando Tanya e eu nos afastamos, mas estamos trabalhando em superar isso. — Afaguei o cabelo de Nessie, a vendo sorrir com o gesto. — Na verdade, o fato de ela ter gostado tanto de você já é o suficiente para mim.

— Por quê? — Nessie me olhou curiosa.

— Filha. — Toquei em seu rosto. — Só quero que saiba que não importa o que aconteça, quero que saiba que a pessoa mais importante da minha vida sempre será você, então se alguém não gostar da minha filha, eu odiarei essa pessoa até a morte.

— Isso é um pouco pesado, mamãe. — Renesmee fez uma careta. — Eu nunca vou poder agradar a todos, alguém vai acabar me detestando em algum momento da minha vida e você não pode sair por ai criando inimizades. Tipo, tinha uma menina na minha antiga escola em Seattle, a Harper, que claramente me detestava, mas você não tem motivos para odiar a garota até que ela morra.

Eu ri, voltando a puxá-la para perto de mim.

— Tudo bem, irei conter meu ódio.

— Ah meu Deus, quase esqueci! — Ela deu um pulo do sofá. — Ontem, quando você estava fora Jane me disse algo, ela conversou com a mãe e nos convidou para jantar lá hoje. O que acha? — Renesmee abriu um largo sorriso.

— E quem mais estará lá? — perguntei arqueando uma sobrancelha.

— O senhor Volturi parece que vai viajar, para algum congresso ou coisa assim, mas você deve saber já que trabalha no jornal dele. — Renesmee começou a falar apressadamente, enrolando-se nas próprias palavras.

— Não perguntei quem não vai estar, mas quem vai estar, mocinha. — Fiquei de pé também, cruzando os braços. — Como por exemplo, o filho da Sulpicia, como é o nome dele mesmo? Aaron? Ah sim, Alec!

— Alec é apelido na verdade. — Renesmee desviou o olhar do meu. — E sim ele estará lá, é a casa dele, mãe.

— Não banque a espertinha comigo, Renesmee. — A vi ficar bastante irritada com o que falei, mas ela se manteve calada, o que foi bem sensato. — Sente-se! — ordenei, logo sendo obedecida.

— Mamãe...

— Você lembra muito bem que brigamos por conta desse menino no começo da semana, não é? — questionei, mantendo-me de pé para mostrar que quem ainda mandava naquela casa era eu.

— Não brigamos por conta de Alec, brigamos por você agir de forma autoritária por um motivo bobo — ela disse, com aquela posse de quem já era uma adulta, não uma menina de quinze anos comol realmente era.

— Só quero deixar algo bem claro aqui — continuei falando, ignorando o comentário dela. — Se você envolver-se com Alec, ou qualquer outro garoto, eu vou querer saber. E nem faça caretas para mim — falei quando ela entortou a boca. — Sou sua mãe, vou cuidar de você para sempre e isso inclui saber as pessoas com quem está se relacionando, principalmente romanticamente. Não conheço Alec, não posso ser injusta e julgá-lo, mas quero que seja honesta comigo e que se tiver algo com ele, eu serei informada.

Renesmee pensou por um tempo, então assentiu.

— Tudo bem, você tem razão mamãe, sabe que eu nunca te deixaria sem saber as novidades da minha vida. — Sorri para ela, contente que a garota tivesse agido bem com aquilo.

— Acho que está na hora de termos uma conversa franca, Renesmee. — Sentei-me diante dela, sobre a mesinha de centro. — Você já tem quinze anos, mesmo que eu não goste de admitir isso, já não é mais uma criança e...

— Vamos falar sobre sexo? — Renesmee me interrompeu, parecendo enjoada.

— Não, por enquanto ainda não — murmurei, constrangida também. — É sobre algo que pode ser mais difícil de se lidar.

— O quê?

— Ness, quando você se apaixonar, de verdade, isso não vai ser só recheado de coisas boas, vai acabar sentido dor também. — Segurei nas mãos dela. — E eu acho que a dor que sentimos por conta de uma paixão é uma das piores.

— Está falando isso sobre meu pai? — ela perguntou baixinho.

— Não. — Fui honesta com ela, as mentiras teriam de cair com o tempo, estava na hora de começar a quebrá-las. — Não é uma conversa sobre seu pai, mas sobre outro cara que foi igualmente importante para mim.

— O que aconteceu?

— Ele me deixou quebrada. — Toquei no rosto dela. — Mesmo com toda a paixão e depois de ter me dado experiências maravilhosas, ele conseguiu me fazer sofrer no final. — Senti lágrimas em meus olhos.

— Quem era ele?

Meu celular tocou, o peguei do meu bolso e vi uma mensagem do número que tinha gravado de Tanya ali. As poucas palavras dela fizeram com que as lágrimas rolassem por meu rosto.

Tanya: Edward e eu teremos o dia livre amanhã, o convenci a ir comigo para um hotel...Ele não sabe de nada ainda, mas vai ter que saber. Está mais do que na hora Bella, amanhã você conta tudo a ele, okay? Lhe passo o endereço depois, preferi que isso acontecesse em um lugar neutro. Por favor, seja forte, você precisa dizer a verdade.

— Mamãe?

— Edward, o nome dele é Edward — disse para Nessie, deixando com que ela tirasse as lágrimas do meu rosto. — Eu amo você, Renesmee! — A abracei.

— Mãe, esse tal de Edward pode te ter feito sofrer, mas prometo que eu nunca farei isso. — Renesmee fez com que eu a olhasse.

Os olhos verdes de Edward estampados no rosto dela. No dia seguinte ele saberia a verdade e logo depois Renesmee, e eu não sabia se ela me perdoaria.

***

O jantar na casa de Sulpicia tinha sido muito bom, Jane era uma garota incrível e me vi obrigada a admitir que Alec também era um bom garoto. De qualquer forma, ver Renesmee bem e sorrindo com eles durante toda aquela noite acalmou meu coração para o que aconteceria no dia seguinte.

Eu sabia perfeitamente que ela precisaria de amigos quando descobrisse sobre o pai, que os Volturi fossem isso para ela então. A menina iria ter seu mundo virado de ponta a cabeça em pouco tempo, toda e qualquer demonstração de afeto e cuidado para ela seria necessário.

Tanya, ainda aquela noite tinha me enviado a mensagem com o endereço do hotel onde ela e Edward estariam. Eu deveria ir encontrá-los — encontrá-la na verdade, já que ele não sabia ideia de nada — logo pela manhã, o que me enrascaria com Renesmee, mas para minha sorte — que eu nem sabia possuir — Jane e Alec convidaram ela para irem ao clube que frequentavam — aparentemente Riley também iria — e minha filha adorou a ideia de passar o dia inteiro em um lugar como aqueles, só lamentando o fato do clima estar péssimo para um banho de piscina, mas teriam outras atividades para praticar.

— Obrigada mesmo por me deixar ir com os Volturi para o clube amanhã, mamãe! — Renesmee agradeceu mais uma vez aquela noite, indo até meu quarto para falar aquilo.

— Tudo bem, querida — concordei, continuando a ler o livro em minhas mãos, não que estivesse prestando muita atenção nele.

— Vai ficar bem sozinha o dia inteiro? Se quiser eu fico, sem problemas. — A olhei, sua expressão indicava que teria sim problemas, mas ela era gentil demais para não sugerir o contrário do que realmente queria.

— Pode ficar tranquila, eu vou ficar bem. — Pisquei para ela. — Não é todo dia que você tem a oportunidade de passar algum tempo em um clube como os que os Volturi irão te levar, conhecendo você sei eu vai querer jogar tênis o dia inteiro, não é?

Ela sorriu, acenando positivamente com a cabeça. Renesmee tinha aprendido a jogar tênis na antiga escola em Seattle, desde então se tornou o esporte preferido dela. Edward ficaria louco quando soubesse que tinha uma filha e que ela jogava melhor que ele o esporte que ele mais ia mal.

— Jane disse que como o clima está esquentando, é possível que liberem a piscina aquecida também, o que será maravilhoso. Não nado tem bastante tempo.

— Então decidido, você irá e eu ficarei bem. — Fechei o livro, sabendo que não avançaria na leitura aquela noite. — E bom, Tanya quer que eu saía com ela, então provavelmente não ficarei sozinha.

— Maravilha! — Renesmee comemorou, então correu até minha cama, jogando-se ao meu lado. — Posso dormir aqui hoje? — perguntou, já se colocando debaixo do edredom.

— Ora essa, você não adora se gabar que já tem quinze anos? Que história é essa de querer dormir com a mamãe?

— Acredite, eu terei cinquenta anos e ainda irei querer estar perto da senhora. — Renesmee se deitou, deitei também a abraçando. — Mãe? — ela chamou depois de um tempo.

— Sim? — perguntei, passando meus dedos levemente pelos cabelos dela.

— Eu queria tanto ter conhecido papai.

Não falei nada, eu não sabia o que dizer. Renesmee pegou no sono e acabei passando boa parte da madruga a admirando, até que dormi também, com a cabeça cheia demais.

Na manhã seguinte Sulpicia apareceu com os filhos para buscar Renesmee, de lá eles ainda iriam buscar Riley, então estavam com pressa. Assim que eles se foram, me vi livre para vestir outra roupa e sair de casa.

O hotel que Tanya tinha escolhido não era nada neutro, se ela queria um lugar onde todos nós nos sentíssemos o mínimo confortáveis, deveria saber que um cinco estrelas não me agradaria de forma alguma. Mas, eu não devia ligar para aquilo, tinha um assunto sério demais em minhas mãos que devia ser resolvido.

— Olá, vim me encontrar com Tanya Cullen — falei para a recepcionista, sentindo uma expressão nada agradável tomar conta do meu rosto ao dizer aquele sobrenome.

— Seu nome? — ela perguntou.

— Isabella Swan.

A mulher digitou algumas coisas em seu computador, então sorriu amigavelmente para mim.

— A sua entrada está liberada senhorita Swan, a senhora Cullen disse que era para você subir assim que chegasse — falou. — O quarto é o 302 A, fica no terceiro andar, você pode pegar o elevador com indicador azul, chegará mais rápido.

— Obrigada — agradeci, seguindo suas instruções.

Assim que o elevador parou no andar certo, sai dele, sentindo minhas pernas tremerem, agradeci por não ter inventado de usar um salto alto. Estar de sapatilhas, calça jeans e uma camiseta era o suficiente para que me sentisse no mínimo bem naquele momento.

Parei diante do quarto 302 A, percebendo minha respiração alterada. Não iria só rever Edward, como também contar que eu tinha tido uma filha dele. Seria uma longa conversa e eu sabia que nada agradável.

Levantei a mão para bater na porta, mas não tive coragem. Afastei-me da mesma, desistindo daquilo, estava perto do elevador quando pensei em Nessie, era importante que eu parasse de esconder a verdade dela, que eu contasse a verdade. Dei meia volta e enchendo-me de coragem dei rápidas batidas na porta.

Foi ele quem abriu a porta, segurava um celular perto da orelha e parou de falar quando me viu a sua frente. Vi Tanya aparecer atrás dele, ofegante como se tivesse corrido para tentar chegar a mim antes do marido.

Edward desligou o celular, sem se despedir da pessoa que falava com ele, colocando o aparelho dentro do bolso da calça.

— O que está fazendo aqui? — Seu tom de voz era baixo, mas sentia suas palavras doerem em mim.

Olhei nervosa para Tanya, sem saber o que dizer.

— Eu a convidei. — Tanya contornou Edward, segurando em minha mão e me colocando para dentro.

O quarto era imenso, fomos parar em uma espécie de salinha que certamente era maior que a do meu apartamento.

— Você enlouqueceu? — Edward foi atrás de nós, gritando. — Por que diabos chamou essa mulher para cá, Tanya? Como a encontrou? — Seu rosto estava vermelho, Edward estava bastante irritado, como ele ficaria ao saber de Renesmee?

— Edward você e Bella tem um assunto muito sério para tratar — Tanya disse calma, mas sabia que ela estava se esforçando para não ficar irritada também.

— Não há nada que eu tenha que conversar com ela! — Edward gritou, então se virou para mim. — Saía daqui Isabella, eu não quero mais ver você.

Não me mexi, eu bem que queria sair, mas sabia que não podia.

— Saía! — Edward gritou mais uma vez.

— Eu tive uma filha sua! — gritei, o que o calou na mesma hora. — Eu tive uma filha sua — repeti mais baixo, o vendo empalidecer.

— O quê? — Edward perguntou tão baixo que quase não escutei.

— Eu engravidei de você, Edward. Tive uma filha sua, ela se chama Renesmee.

Notas finais
E agora a verdade foi revelada! Logo mais chega a hora da Nessie descobrir também gente, falando nela, é possível que em breve saía um capítulo bônus do ponto de vista dela, fiquem de olho. Comentem, por favor, preciso saber o que estão achando. Beijos! Lola Royal. 26.03.16