Quando ele descobriu que ele perdeu totalmente o seu Nen, Gon ficou sem reação, ele batalhou tanto, treinou tanto, para no fim perder aquilo que o tornava especial.

Depois da surpresa veio a raiva, e o pior ele não tinha ninguém além dele mesmo para culpar, ele havia feito aquilo consigo mesmo.

Depois veio a dúvida, Killua havia dito que sua irmã Alluka havia o trazido de volta, então por que não trouxe o seu Nen junto?

Ele procurou ajuda de seu pai e depois de Kite, ambos chegaram a conclusão que ele não perderá o Nen, e sim que este estava bloqueado em seu próprio corpo.

Ou seja, era possível recupera-lo.

Gon manteve o seu treino, mesmo sem Nen ele podia treinar para ficar mais forte, ao entrar de fato na adolescência o seu corpo deu um estirão, ele não cresceu tanto em termos de altura, mas seus músculos estavam ficando enormes — nada parecido com o seu pai.

Em meio ao seu treino ele tentou diversas formas de trazer o seu Nen de volta.

Sempre consultando Kite.

Foi então que chegaram a conclusão que quem devia estar bloqueando o seu Nen era ele mesmo, ou seja, ele provavelmente liberaria o seu Nen entrando em contato com as emoções que o bloquearam.

Em pouco tempo Gon sentiu o seu Nen novamente, mas ele não contou nada a Kite ou a qualquer um dos seus amigos.

Afinal a emoção que trouxe um pouco do seu Nen de volta era a raiva — e ele não precisava de ninguém para saber que isso não era bom.

Frustrado ele continuou a tentar outros métodos, a maioria sem sucesso.

Até o dia que Killua dizendo ter arranjando um lugar para ficar e que Ikalgo estava com ele.

Gon sabia que ficar bravo com Killua por causa de Ikalgo era besteira, mas ele simplesmente não conseguia se conter - Ikalgo é um polvo! sua mente dizia — porém o simples fato dele estar ao lado de Killua o fazia sentir algo estranho.

Gon não percebeu, mas ao disso, ao pensar em Killua com outro amigo, Killua o deixando, sumindo de sua vida, traindo sua amizade... fez com que parte de sua aura viesse a tona.

Ele estava preocupado com o telefone quebrado e com a possível bronca da Tia Mito que não notou a aura negra que surgiu em torno dele — ele desceu as escadas sem noção do perigo que estava trazendo para si e para outros.

"Wow, eu pensei que você queria algo simples!"

"Eu queria, quero, mas como posso ignorar isso, Ikalgo? Já vem com home theater, olha essa tv! Já consigo imaginar as horas que vou passar no Joystation!"

Killua sorria animado, girando de braços abertos enquanto admirava a enorme sala.

Ikalgo sorriu para a cena, Killua podia ter crescido, mas ainda mantinha uma qualidade infantil nele, aquilo o fazia feliz, saber que Killua era capaz de ser feliz apesar de tudo que ele passou.

Ele realmente era um rapaz muito forte.

"Mas, essa casa está dentro do orçamento?"

"Sim, todas estão... mas a preocupação é justa. Eu preciso dar um jeito de deixar Alluka confortável e segura para que eu possa pegar uns trabalhos."

Ikalgo olhou preocupado para Killua — de que trabalhos o rapaz estava falando?

"Não se preocupe, estou falando de trabalho como Hunter, eu não mato mais, sai dos negócios faz tempo."

Eles ainda viram mais duas casas, mas o home theater havia mesmo conquistado Killua, no fim eles pegaram os papeis e foram buscar Alluka.

"Irmão!"

Alluka disse correndo e abraçando Killua.

"Como foi a aula? Gostou? Se não quiser ir tudo bem, eu posso lhe ensinar tudo o que precisar!"

"Não, irmão! Eu gostei! Quero voltar aqui!"

Killua não sabia como se sentir, ele queria a felicidade de Alluka, mas deixa-la sozinha em um lugar cheio de estranhos não lhe parecia uma boa ideia.

Porém ver aquele rostinho sorridente, todo feliz e realizado fez Killua engolir suas preocupações.

"Ok. Por que você e o Ikalgo não vão à sorveteria tomar um sorvete? Eu encontro vocês em breve!"

Ele esperou os dois se afastarem para falar com a diretora, ciente de que ela estava a observa-lo desde o começo.

"O que você quer?"

"Não há necessidade de ser rude, rapazinho. Eu só quero falar sobre seu irmão."

"Irmã!"

"Ok, primeiro, entendemos que Alluka é especial e mesmo adoraríamos tê-la aqui conosco. Porém pretendo coloca-la em uma turma especial."

"Você vai isola-la dos outros? Por quê?"

"Para o bem dela e dos outros. Crianças nessa idade podem ser cruéis, sem contar que ela está muito defasada nas matérias. Não se preocupe, ela não ficará sozinha, nessa turma existem outros alunos especiais. Só queremos o melhor para ela e se ela ou você não gostarem nós podemos dar um jeito de rearranjar."

Killua não gostou do que ouviu, mas em termos de escola ele não tinha a menos noção de como funcionava, muito menos como crianças na idade de Alluka deviam agir — afinal nenhum deles teve uma infância normal para saber como o mundo funcionava nesse aspecto.

Ele já sentia um dor de cabeça chegando, mas não sentido nenhum malicia na aura da diretora e concordou com ela.

Não demorou muito para ele encontrar os dois na sorveteria, Ikalgo inclusive já havia pedido um sunday especial para ele, 'Explosão de Chocolate' era o nome.

Aquilo foi bom para ele tirar um pouco as preocupações mundanas de sua cabeça.

2 semanas depois

Com a casa arrumada e Alluka na escola, Killua finalmente decidiu mandar uma mensagem para Gon.

'Oie!

Finalmente os preparativos estão prontos!

Já pode vir me visitar!

Segue endereço em anexo:-D '

Gon ao receber a mensagem não conteve sua alegria, ele pulou, correu, abraçou sua avó e sua tia e contou a novidade.

No dia seguinte ele já estava de malas prontas.

2 dias depois

Gon achou a cidade bem graciosa, era pequena, bem rustica, pessoas simples que passavam a tarde nas praças.

Por alguma razão ele pensou que Killua escolheria a cidade grande para ficar, mas ele até que gostou do ambiente calmo daquele lugar.

As pessoas eram bem solicitas e em pouco tempo ele já sabia onde estava a casa de Killua.

"Ah, o rapazinho bonito que cuida da irmã? Ele é uma fofura, aposto que conquistou vários corações já. Ele mora três ruas acima."

Ele agradeceu a senhora com um sorriso e ignorou aquele comentário de conquistador, ele conhecia seu amigo e Killua provavelmente explodiria de vergonha antes de conquistar alguém.

Chegando na casa ele se deparou com uma casa pequena e graciosa, verdinha com detalhes em branco. Tinha vasinhos com flores e canhões de ferro para enfeitar o jardim.

Num canto ele notou duas bicicletas, uma azul e uma rosa, sem contar o skate amarelo.

Ele se aproximou do portão, abrindo-o e entrando.

Sem fazer barulho, querendo dar uma surpresa em Killua, ele entrou na casa que parecia muito maior por dentro do que por fora, ele aguçou seus ouvidos e ouviu sons vindos dos fundos.

Com passos que dariam inveja a qualquer assassino ele se aproximou do quintal e o que ele viu fez seu coração bater mais forte.

Killua estava tão belo.

Parecia um anjo.

Ele havia crescido, ficado mais alto, sua pele continuava branca como neve. Ele podia ver os músculos, firmes, fortes porém pequenos, a regata branca e shorts roxos deixando a mostra suas pernas, e seu quadril que daria inveja a muitas mulheres.

Killua estava perfeito, seu cabelo mais comprido, preso em rabo de cavalo, um lenço prendendo a parte da frente.

"Killua..."

Foi tudo o que Gon conseguiu dizer.

Killua ao notar a presença de alguém se virou um pouco surpreso.

Seu rosto rosado do sol, seus cílios enormes e seus olhos azuis brilhantes.

"G-Gon!"

Gon então correu e abraçou Killua com toda a sua força, o erguendo do chão.

"KILLUA! Eu senti sua falta!"

Notas finais
Aaaah... que reencontro belo! Bem vamos esperar as coisas acontecerem, espero que estejam gostando!