Monstra

5 A neck hanging


Notas iniciais
ainda do ponto de vista de um narrador

30,março,2007

Monstra passou a noite toda planejando sua vingança, depois de algumas horas seu plano estava perfeito, levantou-se as 5 da manhã, vestiu o uniforme e vagarosamente foi até o quarto dos pais, abriu com cuidado a gaveta do criado mudo que ficava ao lado da cama deles e retirou um revolver de lá, seu pai tinha aquele revolver a alguns anos, deixava no criado mudo para caso algum bandido invadisse a casa. Ela escondeu o revolver na mochila e foi para a escola, não havia ninguém lá, somente o porteiro, que estranhou ela chegar tão cedo.

Chegando na escola ela correu para o banheiro, onde ela sentou-se em um cantinho e retirou um MP3 velho com o vidro da tela trincado da mochila, colocou os fones e ligou o aparelho, ficou entretida ouvindo musicas, esperando suas vitimas chegarem. Ficou se lembrando de um sonho estranho que teve, sua mãe entrava no quartinho debaixo da escada e lhe dava um beijo na testa pedindo desculpas.

Eram umas 6 e meia da manhã quando os alunos começaram a chegar, a primeira a entrar no banheiro foi Talita, uma de suas antigas "amigas", ela sabia que em alguns minutos o banheiro se encheria de garotas vaidosas que iam para lá somente para fofocar ou pentear os cabelos, então levantou-se silenciosamente e tirou o revolver da mochila, mesmo sem tirar os fones dos ouvidos, ela sabia que se ela ouvisse a menina gritar de desespero iria desistir de seu plano, então somente aumentou o volume.

Talita virou-se notando a presença de mais alguém naquele banheiro, se assustou quando viu monstra a encarando, com seus olhos vazio, apontando um revolver em sua direção, ela tentou gritar, mas monstra foi mais rápida e atirou em seu peito.

O barulho foi muito alto, em breve a descobririam, ela correu para fora do banheiro, e se camuflou na multidão, se escondeu na sala de aula, depois de alguns minutos o sinal tocou, e mesmo com uma aluna morta, a aula começou.

-Bom, estamos todos assustados com o ocorrido certo? Mas mesmo assim teremos aula né? Então, lembram-se da redação que pedi que vocês fizessem semana passada para entregar hoje? Alguém quer vir aqui ler sua redação? -dizia nervosamente o novato professor de literatura

Todos ficaram calados

-Alguém?

Monstra levantou a mão, sorrindo malignamente

-Ah sim querida pode vir aqui, como é seu nome?

-Monstra- disseram alguns da sala, em tom de chacota

Ela levantou-se, escondendo o revolver no casaco, Monstra não havia feito a redação, mas aquele era o momento perfeito para por o seu plano em prática. Ela caminhou devagar até ao frente da sala, abaixou um pouco a cabeça e ficou em silencio.

-Então...?- disse o professor

Ela começou a rir, no inicio foi uma risada baixa, em seguida ela foi aumentando o tom até se tornar um maligno riso psicopata.

-O que é tão engraçado?- perguntou cinicamente um dos alunos

-Engraçado?! Precisa ter algo engraçado para rir?!- disse ela em tom de deboche- Querem ver uma coisa realmente engraçada?!

Então Monstra puxou violentamente as bandagens de seu pulso, fazendo as feridas se abrir novamente e o sangue escorrer, todos olharam apavorados

-Achavam que era legal zombar dos outros né?! Legal destruir a vida de uma pessoa?! Vocês criaram um monstro seus idiotas! UM MONSTRO! Provem do próprio veneno!

Então, Monstra ataca. Ela saca o revolver e mira em um aluno qualquer, puxando o gatilho, sangue voa, um corpo cai no chão, haviam muitas testemunhas ali, ela não podia deixá-los escapar, então foi até a porta da sala e a trancou com chave, voltou-se para o resto da sala, que choravade medo e desespero, ela apontou o revolver para o professor, e atirou novamente, fez isso repetidamente até só restar uma única pessoa na sala, a sua “melhor amiga”, que tomou coragem e se ajoelhou na frente de Monstra pedindo piedade

-Por favor!Não me mate! E-eu estou grávida! Você é a única que sabe disso! Por favor, não me mate! Eu prometo te tratar bem! Eu prometo!- dizia ela em desespero

-Tarde de mais vadia, você devia ter se desculpado antes, agora o monstro já está criado, não há mais volta- disse ela encostando o cano do revolver na testa da garota

-N-não- suspirou a garota tremulamente sentindo o cano do revolver quente tocando-lhe a testa

Monstra puxou o gatilho, mais um corpo caiu no chão, o ultimo. Pessoas se amontoavam ao redor da porta da sala, tentando arrombá-la inutilmente, Monstra foi até a janela e pulou, a sala era no primeiro andar então não teve problema.

Ela correu para casa, se escondeu no quartinho, deixou o revolver em um canto e foi preparar a ultima parte de seu plano

-A melhor parte- cantarolou

Ela pegou uma corda de pular, que adorava brincar quando era criança, cortou fora as pontas de madeira e amarrou uma ponta no teto.

-utadareru kubi* — ela subiu em um banquinho

-kikoenai mimi*- ela enrolou a outra ponta da corda no pescoço

-sakebe nai nodo*-puxou a corda para ver se não se soltaria

-ugokenai ashi*- olhou bem envolta, aquele quartinho imundo seria a ultima coisa que veria

Sua mãe estava passando no corredor e parou para ver o que a filha estava fazendo

-kore ga genjitsu ka yume ka wakaranai*- Monstra olhou de relance para a mãe e se assustou ao ver a mãe triste

-demo kimi wa tashika ni boku wo miteita*- no mesmo instante em que ela saltou do banco sua mãe correu para tentar segurá-la.

-Wanda!- berrou sua mãe

Monstra sorriu, tudo estava ficando escuro, finalmente alguém a chamara pelo nome, mesmo tendo cometido varias atrocidades, ela morrera feliz

--

* esses trechos foram retirados da musica Paranoid Doll, do Kamui Gakupo, Tradução deles:

Um pescoço enforcando

Ouvidos que não podem ouvir

Uma garganta que não pode gritar

Pés imóveis

Isso é um sonho ou realidade? Eu não sei

Mas você definitivamente olhou para mim