Monster - Interativa
2 Monster - 02
Notas iniciais
◤ M O N S T E R ◥
A sala de couro escuro e rústico estava uma verdadeira bagunça. Alguns corpos estavam jogados pelo chão e sofás, além do sangue que pingava em praticamente todo o lugar. Tirou um lenço do bolso do paletó e limpou a mão que havia manchado de sangue quando abrira a porta. Não precisava ser um especialista para saber que havia tido uma festa ali. Uma festa de vampiro mais especificamente.
— Você já foi mais discreto. – Sua voz preencheu o ar silencioso. Rouca e alta, autoritária o suficiente para fazer qualquer criatura sair do esconderijo e vim ao seu encontro. Vampiros sentiam o perigo, mas raramente fugiam dele. Sua audição o possibilitou de ouvir os passos quase silenciosos.
— Você já foi menos intrometido. – A voz saiu de um homem um pouco menos baixo que ele. Vestia uma camisa que poderia ter sido branca, mas naquele momento estava vermelha pelo sangue que tivera contato horas atrás. Seu rosto era pálido, magro e assustador. Seus olhos que antes eram verdes, ainda estavam vermelhos. Seus lábios da mesma cor que olhos e seu rosto sujo de sangue. Era assustador e qualquer pessoa poderia sair correndo dali, mas não Arthur.
— Controle suas palavras, Noah. Eu ainda sou um Alpha e você um ninguém. – Que mentira, pensou Arthur. Suas palavras eram totalmente opostas a sua mente, ele sabia muito bem quem Noah era: um guerreiro cruel e sádico. Um dos melhores que Arthur vira lutar, o mais corajoso e aterrorizante. Um aliado muito útil.
— Então porque esta aqui atrás de um ninguém? Posso não ler mentes, mas sei que veio até aqui com uma proposta para eu me tornar um aliado seu nessa guerra. – Era assustador como Noah tinha conhecimento do que estava acontecendo, mesmo com Arthur e todos os Alphas tentando esconder.
— O que eu posso fazer? A guerra esta declarada, depois de séculos de paz pensei que nunca mais teria que enfrentar um ato desses, mas veja como eu estava enganado.
— Pensou que nunca mais precisaria de uma pessoa como eu para lutar ao seu lado, não é?
Arthur riu sinicamente.
— Não aprecio suas qualidades, mas é algo que preciso no momento. Sei que você não vai recusar meu convite, afinal nasceu para guerra, nasceu para matar tanto quanto eu nasci para governar.
— Poupe-me de sua soberba. Ouvi boatos sobre essa guerra, o que aconteceu?
— Ataques contra um pequeno grupo de vampiros, lobisomens foram os responsáveis. Houve uma morte. Samuel enviou a proposta de que o assassino deveria se entregar, assim nós teríamos nossa vingança. No entanto os lobos parecem não terem engolido a derrota de séculos atrás, eles querem nos enfrentar, uma revanche.
— Isso soa interessante.
Arthur sorriu, havia conseguido seu primeiro aliado.
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— Qual a necessidade dessas festas de fim de ano? – Questionou um rapaz de olhos claros. Vestia uma camisa social verde e calças escuras, seu cabelo dourado estava penteado para trás com ajuda de gel. Aparentava ter no máximo vinte e sete anos. Seu perfume preenchia todo o ambiente, enquanto sentava no sofá vermelho e observava as chamas. Seu nome era Aidan.
— Precisamos manter nossas aparências, é essencial oferecer diversão para nossos caros amigos humanos. – A voz da loira soou pela enorme sala. Ela andou até o balcão pegando um copo de whisky. Era incrível como era bonita e elegante. Seus cabelos loiros chegavam até um palmo acima da bunda, seu corpo era perfeitamente delineado, com curvas atraentes e seus olhos eram encantadores: azul cinzento. Sua boca carnuda sempre estava pintada por um batom vermelho chamativo, seu rosto era fino e pálido como a maioria de sua raça. Naquele momento vestia um vestido vermelho cumprido com uma abertura lateral na coxa esquerda.
O rapaz bufou. Era tão jovem, pensou Dália. Um verdadeiro beta, mas a loira havia se afeiçoado a ele e fizera com que Pedro permitisse a permanência dele naquele ambiente cheio de Alpha. No entanto ela não estava muito focada no que aquele rapaz estava resmungando, havia sido ela mesma quem convidara as pessoas daquela cidade, conhecia cada um e havia se interessado por um jovem rapaz. Era sempre assim, as festas sempre a interessavam de alguma maneira. Ser vampira tinha suas inúmeras vantagens e disso ela nunca reclamou. Mas ela estava precisando de sangue e sexo, o desejo pelos prazeres que a vida oferecia eram o dobro maior quando se era uma criatura da noite. Ter sexo era essencial e ela não negava isso.
— Você parece dispersa. – Ela observou Pedro se aproximar, a loira não pode deixar de sorrir de lado. Pedro era o mais velho dos Alpha, ele mandava e desmandava. Possuiu cabelos escuros, curtos e cacheados. Seus olhos eram azuis e assim como todos os vampiros, era pálido. Talvez mais do que o normal. Vestia naquela ocasião uma camisa branca, terno escuro e calças combinando. Dália era controladora quando o assunto era vestimentas, por isso era essencial que cada morador daquela casa estivesse sempre impecável.
— Tenho meus motivos. – Ela lhe enviou um sorriso inocente. Mas não era fácil enganar Pedro e tão pouco ela queria fazer isso.
— Estou sempre disposto a atender seus desejos, caso fracasse com sua vitima, é só vim me procurar. – Ele lhe sorriu galantemente. Pedro era um sedutor nato. Em resposta ela apenas lhe serviu um copo de whisky, que foi muito bem aceito.
— Onde esta Isis? Os convidados estão para chegar. – A loira questionou aos dois homens presentes na sala. Pedro deu de ombros, como se não soubesse a resposta, enquanto Aidan se virou para encará-la.
— Lá em baixo. Ela não parece disposta para participar de sua amada festa, mas quem pode culpá-la? – O loiro respondeu com um sorriso irônico.
Dália bufou.
Isis era totalmente o seu oposto, enquanto a loira amava aquelas festas, amava ser o centro das atenções a outra preferia ficar na dela. Pedro quem havia a transformado, anos atrás. Era mais velha que Aidan e mais jovem que Dália. A loira caminhou até o relógio antigo que decorava toda a parede, era um relógio de chão, quando o empurrava abria uma pequena porta para o porão da mansão. Ali era o local favorito de todos da casa: havia conforto, privacidade e sangue.
— Você não esta pronta. – Dália disse para Isis. A jovem estava deitada no sofá lendo algum livro. Era bem magra quase dava para ver seus ossos, seu cabelo cumprido e esbranquiçado estava esparramado e vestia um longo vestido cinza.
— Não gosto de festas. – Respondeu a outra arrancando um suspiro de Dália que se aproximou sentando-se no sofá à frente.
— E eu não gosto das roupas estranhas que Samuel usa ou desses lobisomens nojentos que andam pela cidade, mas não posso evitar nada disso.
— Que pena, pois eu posso evitar essa festa.
— Não aja como uma criança Isis, essas festas são para nos ajudar a manter a aparência. Vá para o seu quarto e coloque alguma roupa apresentável, depois dessa e cumprimente alguns convidados. Se quiser pode fazer alguma vitima, se não quiser pode voltar para o seu canto. – Dália sugeriu. — As pessoas precisam apenas te ver, nada além disso.
Isis assentiu enquanto resmungava. A campainha tocou e Dália sorriu: os convidados haviam chegado.
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Quando Calyssa Karnos chegou à mansão dos Bradbury percebeu que o local já estava consideravelmente lotado. Ela vestia seu melhor vestido, sabia como aquela festa era importante, assim como sabia que era perigosa. Por isso havia deixado Megan com seu irmão mais novo, Colton. E claro que havia vindo muito bem preparada, seu vestido preto e cumprido era o suficiente para esconder uma pequena faca feita de estaca. Havia dado trabalho para ela conseguir um objeto simples e pequeno para levar naquela festa.
— Karnos que bom que chegou querida. – Ela reconheceu a voz de Charlie Haardy, assim como ela ele era um caçador. Os dois eram responsáveis por toda a segurança daquela cidade e apesar de ter outros caçadores, por serem os mais antigos, eles tinham todo o poder de tomar as decisões primeiro. — Não se preocupe, é uma festa pacifica.
— Não devemos baixar a guarda quando o assunto é vampiros, Charlie. – Ela disse enquanto observava sua loira menos querida se aproximar.
— Bem vinda, Calyssa. Charlie querido, não tinha visto que já estava aqui. É uma honra para mim e minha família receber-los em paz em nossa casa. – A voz baixa e suave, praticamente inocente, enganava quase todas as pessoas. Quase, não a ela e nem a Charlie.
— Vamos torcer para que você e sua família não nos de trabalho, Dália. – Charlie quem se pronunciou.
— Não temos essa intenção, Sr. Haardy. – Veio uma voz masculina em resposta. Calyssa sentiu os olhos azuis de Samuel a observar por completo. Sam era de longe o mais gentil vampiro que ela conhecera, atencioso e menos violento que todos os outros. Quase parecia um humano e Calyssa apreciava a companhia daquele homem. — Nossa família esta aqui a tempo suficiente para vocês saberem que não temos intenção nenhuma de dar trabalho a vocês. A propósito, esta encantadora Calyssa. Gostaria de uma dança?
A morena deixou um pequeno sorriso aparecer nos seus lábios, aceitando o convite logo em seguida. Observou pelo canto dos olhos Charlie entrar numa conversa simpática com Dália, mas sabia que aquela loira logo iria sair dali.
— Qual seu verdadeiro interesse nessa dança, Sam? – Questionou assim que os dois já estavam na pista de dança aproveitando uma calma valsa.
— Você saberá de algumas coisas nos próximos dias que pode deixar os caçadores de guarda alta. Mas quero que saiba que em momento algum temos o interesse de atacar ou machucar humanos, nossa raiva sempre foi dirigida a uma única espécie.
— Lobisomens.
— Exatamente. Algumas coisas saírem do controle ultimamente, não por nossa culpa. Há anos atrás, séculos para ser mais exato, houve uma guerra entre vampiros e lobisomens. Foi sangrenta, foi terrível. Perdemos tantos de nós e matamos muito deles, a guerra foi vencida pelos vampiros e apesar de todos estarem tão exaustos de matança, os lobisomens juraram vingança.
— Eles estão vindo atrás de vingança?
— Mais ou menos isso. Temo que não era essa a intenção deles no momento, mas como eu disse: as coisas saíram do controle. – Ele então esticou a cabeça para o lado, como se percebesse a movimentação de alguém que lhe interessasse. Sorriu para ela gentilmente e curvou-se num comprimento educado. — Tenho assuntos para tratar, Calyssa, mas sempre é uma honra ter sua presença na festa de minha família.
Após se despedir, ele saiu em direção ao barzinho que só não estava mais lotado que a pista de dança. Calyssa suspirou e foi atrás de Charlie, não ficaria sozinha naquela festa cheia de vampiros.
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Ele estralou o pescoço, chamando atenção da mulher que estava na poltrona ao lado. Deu um sorriso gentil e voltou a sua atenção para a janela. Pietro Sawyer poderia se dizer que era um covarde, mas ele tinha um instinto de sobrevivência. Ele precisava viver e depois de atacar o vampiro, sabia que seria uma tarefa difícil manter-se respirando. Os lobos já estavam atrás dele e os vampiros, provavelmente já estariam furiosos. Assim que o avião embarcou, pegou rapidamente sua mochila e desceu. Não havia tido tempo para arrumar malas, felizmente tivera para pegar dinheiro, evitaria ao máximo cartão de crédito.
— Passaporte, por favor. – Pediu a mulher em português. Ele agradeceu mentalmente por ter aprendido essa língua a tempo. Entregou o passaporte e ficou observando o lugar, enquanto a mulher avaliava. — Bem vindo ao Rio de Janeiro.
— Obrigado. – Ele disse sorrindo educadamente. Ser covarde é uma coisa, isso não define que a pessoa seja educada ou não. No caso de Pietro digamos que ele é educado. Ele pegou a mochila e colocou no ombro, observou a movimentação nas ruas e cheiro da praia.
— Perdão, senhora. – Disse ele ao sem querer trombar numa garota loira, ela o olhou e sorriu um pouco. Um pouco tímida, mas visivelmente achando engraçado ser tratada como uma “senhora”. Ele havia acostumado a chamar todos assim “senhora”; “senhor”; quando se vive num mundo sobrenatural, nunca se sabe ao certo a idade da pessoa que esta conversando.
— Não tem problema. É novo na cidade? – Perguntou gentilmente. Pietro avaliou a garota: humana, loira de cabelos lisos e olhos da cor do mel, vestia um short jeans claro e uma blusa branca apertada. Não havia nenhuma aliança, portanto solteira. Ele conseguia sentir o aroma humano dela de longe. Uma perfeita distração para o seu cheiro, seja quem for que fosse atrás dele, a garota com certeza iria o acobertar com o cheiro.
— Sim, sou novo. É fácil de perceber? – Ele perguntou rindo um pouco educadamente e colocando um sorriso um pouco sedutor nos lábios.
— Seu sotaque e suas roupas lhe entregam. Mas se quiser posso lhe apresentar a cidade, aposto que irá gostar. Rio de Janeiro é encantador. – Ela disse ainda mais simpática, o charme do rapaz estava funcionando.
— É claro, seria um prazer enorme. A propósito: Pietro Sawyer e você? – Ele disse se apresentando e estendendo a mão, ela apertou e se apresentou.
— Nathalia Mayer. Mas pode me chamar apenas de Natt.
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