Monster High School
6 Sangue...
Notas iniciais
Naruto
Depois da nossa hiper-mega cansativa aula de Ed. Física (Eu admiro o Gai-Sensei, mas... Pelo lobo sagrado! Quem em sã consciência coloca seus alunos pra correrem 47 km numa só aula? Eu posso afirmar com 99,99% de certeza que se ele fosse vivo e pudesse se cansar, pediria mil desculpas para nós, seus alunos que ele tenta constantemente e indiretamente matar de cansaço!), tivemos aula de geometria! Eu não vou contar como foi, porque na verdade eu dormi na aula inteira... Simplesmente porque o Kakashi-Sensei, que além de matemática também dá tal aula, não liga muito para o fato de algum aluno não estar prestando atenção; geometria é uma matéria muito chata, não consigo me concentrar. E além disso a Hinata não estava do meu lado pra poder me acordar gentilmente como ela fez ontem na aula de matemática – números não são meu forte. Hinata... Ela está demorando muito! Será que aconteceu algo grave com a coordenadora Serenity? Ou pior, será que aconteceu alguma coisa com a Hinata? Por que o tempo não passa mais rápido pra eu poder procurar por ela?! Por que eu estou me preocupando tanto assim?!
Depois de duas aulas de 50 minutos – que pareceu ser uma eternidade pra mim –, as aulas acabaram e eu finalmente pude sair da sala, agora podendo ir a enfermaria procurar por Hinata e talvez acabar de vez com a preocupação com minha amiga (Posso chamar ela de amiga?... Nós praticamente nos conhecemos ontem!).
— Ei, Naruto! Onde vai com tanta pressa?! – Ouvi alguém berrar, me alcançando.
— Ah, Sakura... Eu vou procurar a Hinata! Tô preocupado com ela!
— Hmm, verdade, ela não apareceu desde que saiu com o professor Shisui e a coordenadora Serenity... Mas, Naruto, por que toda essa preocupação? Você começou a conversar com ela ontem... – Disse, com um olhar e sorriso maliciosos. Senti minhas bochechas esquentarem; como a Sakura podia insinuar uma coisa dessas? Não sou tão idiota assim a ponto de me apaixonar pela primeira garota que eu vejo! E mesmo que fosse, a Hinata não gosta de mim desse jeito... Somos só amigos (certo?!).
— S-Sakura! A Hinata e eu somos só amigos! Eu não tenho nenhum sentimento romântico por ela, e nem ela por mim! – Revidei, convicto.
— Ah, você não faz ideia, Naruto... – Sussurrou Sakura, mas não dá ora sussurrar e ainda querer que isso seja segredo, se o monstro que está na sua frente é justamente um lobisomem com super-audição.
— O que quer dizer com isso, Sakura?
— Eh...? Ah! — Assustou-se, mas aparentemente se lembrou da audição típica dos lobisomens. – Não é nada, Naruto! Algum dia você vai entender! Se encontrar a Hinata, diz a ela que se não me encontrar no dormitório, eu vou estar andando pela escola! Ou seja, posso estar em qualquer lugar, só pra ela não se preocupar! – Terminou, e correu para o lado oposto ao que eu ia.
“Não é nada, Naruto! Algum dia você vai entender!” – Eu não entendi palavra alguma! Anos sendo amigo da Sakura, e ainda não entendo um monte de coisa que ela fala! Por que ela tem que ser tão misteriosa? Ela é misteriosa né? Hunf, que pergunta, claro que é!... Certo?
De qualquer jeito, deixando minhas perguntas sobre não entender bulhufas do que a Sakura falou de lado, minha principal “missão” era encontrar a Hinata e ver se ela está bem! Com essa finalidade, eu corri o mais rápido que eu pude para a enfermaria. Confesso que demorei um pouco – era muito longe... Quem em sã consciência faz uma enfermaria tão longe dos alunos?! A essa altura, o aluno poderia já ter morrido, isso sim! –, mas finalmente havia chegado. Bati na porta (Não era um hábito meu, mas a coordenadora Serenity ou a Hinata poderiam estar dormindo!), e ninguém respondeu. Aflito, abri a porta devagar e me deparei com a cena que eu não queria ver: Hinata deitada numa das camas de hospital, inconsciente.
Shisui
— Vamos, Hinata, apresse-se! – Exclamei, preocupado com o estado da Serenity. Algum tempo depois de sair da sala, eu e Hinata estávamos quase chegando na enfermaria, com uma Serenity desacordada apoiada em nós.
— Calma, professor! Nós já estamos chegando na enfermaria...
Mesmo que soubéssemos que já estava perto, nós apressamos o passo. Ao chegarmos, nem mesmo me lembrei de bater na porta. Escancaramos a porta – mesmo que sem querer – e por fim entramos. Rin, a enfermeira, nos olhou incrédula, mas logo desviou seu olhar para a coordenadora, mudando sua expressão para seriedade e assentindo, como se entendesse tudo.
[...]
— Serenity! Você está bem, não é? Está machucada?! Posso chamar uma ambulância... – Preocupei-me, enquanto ela se levantava. Não sei exatamente quanto tempo eu e Hinata havíamos passado naquela enfermaria, mas posso chutar... Meia hora, mais ou menos?
— S-Shisui! Não precisa se preocupar tanto assim... – Ela desviou o olhar, com suas bochechas ficando mais vermelhas a cada segundo. Ah, ela fica tão fofa quando fica vermelha! Mas claro, ela fica linda de qualquer jeito... Foco, Shisui!
— Coordenadora Serenity, está melhor? – Perguntou Hinata. Serenity logo suavizou sua expressão e olhou para minha aluna, ao mesmo tempo que ouvíamos alguém bater na porta; Rin saiu do nosso lado, provavelmente para ver quem era.
— Sim, Hinata, estou melhor. Muito obrigada. – Por que ela nunca usa esse tom de voz tão doce comigo?! – Mas quantas vezes eu pedi pra você “cortar” esse “coordenadora” quando falar comigo? Somos amigas, Hinata! Você sabe muito bem que não precisa dessa formalidade toda.
— D-Desculpe! Serenity-chan...
— Assim está melhor. Obrigada, Hinata! – É, a Serenity esqueceu que eu também estou aqui. Ouvi alguém se aproximar; dois monstros, aliás. Alguém deve ter uma consulta. O(a) monstro(a) sentou na cama ao lado da que a Serenity estava, mais especificamente à direita, atrás de Hinata. A única coisa que pude ouvir foi um “está pronta?” vindo de Rin; se falaram outra coisa, não ouvi, estava concentrado demais na conversa entre Hinata e Serenity.
— Ah! Já estou muito atrasada! O almoço já deve estar acabando... – Exclamou minha aluna, olhando diretamente para o relógio em seu pulso.
— Pode ir, Hinata. Não pode perder aula! E Shisui, você também, sei muito bem que ainda tem uma aula essa tarde! – Me encarou com um olhar repreendedor.
— C-Calma, Serenity... – O que eu posso fazer? A conheço suficientemente bem para saber que ela fica assustadora quando está com raiva (Raras vezes...)
— Então está bem... Coordena... Serenity-chan, tente não desmaiar mais esta bem – Advertiu, enquanto Serenity a olhava com um olhar de “Olha só quem fala” – E professor, obrigada por me deixar vir! – Agradeceu. Ela fica extremamente parecida com a Serenity enquanto este sorriso doce está explícito em seu rosto.
— Eu que agradeço, Hinata.
Ela virou-se para ir embora, mas... Hinata paralisou de repente, tremendo. Não dava pra ver do lugar onde eu estava, mas provavelmente ela estava olhando para a garota de cabelos loiros – presos num rabo de cavalo – e olhos azuis-céu, que estava retirando sangue.
— Rin-san! Escon...! – Advertiu Serenity, de olhos arregalados.
Quando a seringa saiu do braço da garota – que eu nunca vi na minha vida, ou não me lembro do rosto dela –, Hinata de repente gritou. Ainda tremendo, minha aluna gritou como nunca havia escutado ela gritar, na verdade nem mesmo sabia que ela conseguia gritar desse jeito! O susto foi tanto, que acidentalmente Rin derrubou a seringa, se quebrando e espalhando sangue pelo chão.
Hinata estava desesperada. Ela continuou a gritar, desta vez com várias lágrimas saindo de seus olhos perolados. Começou a dar vários passos pra trás, até chegar na parede e se encolher na mesma, tentando fugir de o que quer que fosse. Estava tremendo como nunca, lágrimas jorravam de seus olhos, seus gritos poderiam ser ouvidos até mesmo de fora da enfermaria, e suas duas mãos seguravam sua cabeça dos dois lados com força. O que está acontecendo? É o que me perguntava.
Nem Rin, a garota – que parecia nem estar se importando muito – e mesmo eu não tivemos reação alguma. A única que teve alguma reação... Foi a Serenity. Rapidamente, a coordenadora saiu da cama em que estava e se ajoelhou ao lado de Hinata. A abraçou com força, mas ela ainda continuava na mesma.
— Calma, Hina, esta tudo bem... Rin-san! Limpe isso, por favor! – Implorou Serenity.
Rin arregalou os olhos, e rapidamente fez o que ela mandou. Com algumas palavras de significado desconhecido por mim, ela fez com que a seringa, juntamente com o sangue desaparecessem – eu já contei...? A Rin veio de um clã de feiticeiros especializados em medicina!
De imediato, Hinata se acalmou. Parou de gritar e tremer, lágrimas pararam de escorrer, e relaxou nos braços de Serenity.
— Des... Desmaiou. – Murmurou Serenity, apoiando Hinata em seus ombros e a colocando na cama de hospital onde instantes antes estava.
— S-Serenity... O que...
— Afe, que chato! O que vocês, plebeus, pensam que estão fazendo deixando minha ilustre presença real sendo ignorada?! Ah, quer saber? Deixa pra lá! Eu volto amanhã, enfermeira Rin! – Exclamou a garota, que em seguida saiu em passos largos.
— Desculpem pela Ino... Ela é assim mesmo. – Desculpou-se a enfermeira, sentando-se envergonhada. – Então... Como a Hinata-chan está? E o que aconteceu? Eu não fui informada de...
— Eu... Eu explicarei tudo a vocês dois. Mas tem que prometer que vão guardar segredo! Jurem pelo Drácula, pelo Frankenstein, por quem vocês quiserem!
Eu e Rin nos assustamos um pouco com a seriedade com que Serenity tratava de seja-lá-qual-for-o-assunto. Mas logo em seguida assentimos.
— Bem... Serei direta. Hyuuga Hinata tem fobia de sangue.
— F-Fobia de Sangue???!!! – Exclamamos eu e Rin, simultaneamente.
— Sim...
— M-Mas... Ela é... Ela é uma vampira! – Disse o óbvio.
— Eu sei. É o único caso já registrado em um vampiro de fobia de sangue. Não sei ao certo o porquê dela ter esse medo, mas muito provavelmente foi por algum trauma que ela teve na infância. Sempre que alguém pergunta a ela sobre isso, ela fica muito nervosa... – Explicou.
— Mas, Serenity-san, por que eu nunca soube disso? Eu sou a enfermeira desta escola! É minha obrigação saber de qualquer fobia ou alergia que os alunos tenham! Se eu soubesse, eu nunca teria... – Protestou Rin.
— Concordo plenamente com você. – Respondeu, cabisbaixa.
— Então por que...?
— Hyuuga Hiashi. Ele não quer que saibam que uma filha dele tem fobia do que deveria ser seu próprio alimento. Algo sobre “Honra do clã Hyuuga”. Vou ser sincera: Eu acho isso um absurdo.
Eu fiquei pasmo, e provavelmente Rin também. Como um pai poderia ocultar uma coisa que poderia fazer mal pra sua própria filha, apenas por “honra”?
— Shisui – Continuou. – acho melhor você ir dar sua aula. Acho que já passou alguns minutos da hora do almoço...
— Serenity, vou ficar aqui com você e com minha aluna! Agora que eu sei de tudo, farei o que estiver ao meu alcance pra ajudar. – Revidei.
— E eu idem. – Concordou Rin.
— Eu não posso deixar...
— Serenity, acho que eu e a Rin sabemos muito bem como nos cuidar. Só um dia não vai fazer mal algum!
Depois de alguns protestos de Serenity, ela finalmente cedeu – ela é igual a irmã nesse ponto, muito teimosa – e me deixou ficar aqui até Hinata acordar.
[...]
Perdi a noção do tempo, até que meu relógio apitou a hora do fim de um dia de aula. E Hinata não acordava. De acordo com Serenity, ela nunca havia desmaiado por tanto tempo assim, pelo menos não quando ela estava por perto; começamos a ficar preocupados. Minha aluna ainda respirava, mas não tinha reação desde que desmaiou depois de sua crise.
Ouvimos alguém bater na porta. Rin não estava, a enfermeira havia ido a um tipo de “despensa de remédios” procurar por alguma coisa que possa ajudar Hinata. A porta foi aberta, e quem entrou foi ninguém mais, ninguém menos que Naruto. Aí entrar e olhar pra Hinata, ele assumiu um olhar de preocupação, aflição... E culpa.
Sakura
“Já que estou passeando pela escola, por que não ir ao mirante?” – essa foi minha brilhante ideia. E sim, a escola tem um mirante, somos chiques! Bom, não quero ficar me gabando, então voltando... Eu fui ao mirante. E adivinha quem estava lá? O amor da minha vida! O Sasuke-kun! Ele estava apoiado na parede de cimento que separava o monstro da morte certa ou de muitos ferimentos graves – dependendo do monstro –, olhando para o horizonte.
— Sasuke-kun?
— Hum? Ah, é você.
— Sim... Por que está aqui? – Perguntei, curiosa.
— Por que? Você quer que eu saia?
— Q-Q-Que???!!! Não! Claro que não quero q-que saia! Eu me expressão mal... É só por curiosidade.
— Hum. Só estou aqui porque tô sem nada pra fazer... E talvez, lembrar o que é não viver numa prisão.
— Prisão?... Como assim?
— Não interessa. – Ele disse, com frieza. Tão frio como na casa do abominável homem das neves. Nunca... Nunca havia visto o Sasuke-kun tão frio assim.
— D-Desculpe. – Desculpei-me, cabisbaixa.
— Hum. – Resmungou.
— Desculpe... Mas posso perguntar uma coisa? Por que você... Fica tão frio de uma hora pra outra? Você parece tão... Inalcançável.
— Não sei, Sakura. Acho que o passado me persegue. Me lembro desse mesmo céu estrelado quando... – Ele de repente parou. Deve ter lembrado de algo doloroso.
— Não precisa dizer se isso te afeta tanto... Mas se quiser se abrir comigo, estarei aqui! – Eu percebi que ele deu um pequeno sorriso de canto. O Sasuke-kun fica tão lindo assim. – Tudo tem solução não é? Seja lá qual for seu problema, não deve ser tão grave, e também não deve ser tão dificil achar uma solução!
De repente, a expressão dele endureceu.
— Eu não tenho nenhum problema, Sakura. Não tenho nada que eu queira contar, isso é apenas mais uma coisa sem importância na minha vida, não fale do que não sabe. – Ele levantou-se. – Ah, e mais uma coisa: Você é irritante.
— O-O que...? Mas eu... – Não adiantou. Ele já havia ido embora. O que eu disse... Que o afetou tanto? Bem, não importa muito agora. O que está feito está feito. Eu vou me redimir com ele! Vou me redimir por seja lá o que eu tenha feito! Mas...
Sempre fui praticamente um livro aberto... Por que o Sasuke-kun insiste em ser um diário trancado a sete chaves?
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