Monster - EM REVISÃO
16 Implorando
Um bolo se formou em minha garganta, parecia que a dor havia cortado minhas cordas vocais, me impedindo de gritar. Meus olhos se fecharam com força, as lagrimas escorriam pelo meu rosto, eu sentia a respiração de Sasuke forte em minha nuca, e seu nariz deslizar na curva entre meu pescoço e ombro. Senti algo quente, deslizar entre meus seios, passando pela barriga, o cheiro de sangue me deixou enjoada e fez com que minha cabeça girasse. Abri os olhos e com toda coragem do mundo, olhei para onde a dor era alucinante, as unhas pontiagudas de Sasuke, perfuravam minha pele, ali escorriam vagarosamente algumas gotas de sangue. Sasuke tirou as unhas cravadas em meus seios e acariciou-os, espalhando e esfregando o sangue em meu corpo.
Minhas pernas falharam e meu corpo deslizou indo de encontro ao chão, apoiei as mãos no chão, para que eu não batesse a cabeça, ouvi um grunhido e ousei olhar para Sasuke. Seu rosto, se é que pode se descrever assim, porque para mim aquilo não era um rosto, mas sim uma mascara, do mais terrível monstro. Estavam transbordando ódio em seus olhos brilhantes acinzentados, seus cabelos mais bagunçados que o normal e maiores, suas presas reluzentes que estavam expostas pela respiração descompassada que saia pela boca, ele olhou-me de forma sedenta, levou as mãos e lambeu lentamente o sangue que havia ali, sujando os lábios, queixo e bochechas, os olhos se dilatando em prazer.
Encolhi-me quando suas mãos foram de encontro a mim, e seguraram meu cabelo, fazendo-me levantar. Eu agarrei suas mãos na tentativa de fazê-lo soltar, mas em troca, ganhei uma bela “bofetada”, ele jogou-me na cama, e ficou a me fitar, analisando meu corpo, inclinando sempre a cabeça de lado, um verdadeiro animal, analisando por onde atacaria primeiro.
– Sabe, há algum tempo adquiri certas habilidades e seria maravilhoso testá-las em você – o som da sua voz fazia com que eu me arrepiasse e tremesse por completa. Senti meu corpo ser forçado a se deitar, mas não havia ninguém me segurando, ele era prensado contra a cama Ada vez mais, deixando-me sufocada. Meus braços e pernas foram puxados, ficando totalmente exposta e vulneral. As lagrimas caiam silenciosas, meu corpo foi erguido, na mesma posição, mas jogado violentamente a parede sobre a cabeceira da cama – Telecinese, tem alguma diversão afinal. – O vi olhar para lareira e logo as chamas dançavam ali, iluminando parcialmente o cômodo. Mesmo meu corpo ter sofrido com outras agressões bem piores impostas pelo monstro, aquela de alguma forma devastou completamente a energia e vida de meu corpo, ele na verdade estava sendo um boneco, manipulado, eu me senti um zumbi, sem qualquer força, nem mesmo esperança. Já não aguentava mais, aquela pressão sufocando-me, senti um frio descomunal o atravessar e fechei os olhos, abraçando a escuridão, simplesmente me entregando a morte...doce.
Abri os olhos lentamente, minha visão estava um pouco embaçava, ouvi o estalar da madeira sendo queimada na lareira e foquei nas chamas dançantes, meu corpo estava sobre a cama macia e aquecida, muito confortável, e meu corpo coberto pelo grosso e fino edredom. Olhei ao redor, nenhuma claridade ultrapassava as cortinas, e não havia mais ninguém naquele quarto. Fiz menção de levantar e amaldiçoei-me por isso, minhas costas gritaram em protesto de dor e meus seios estavam completamente machucados, e doloridos, voltei a me deitar, afundando minha cabeça, urrando também de dor no macio travesseiro. Eu duvidava que fosse me recuperar de tudo isso algum dia. Olhei para o belíssimo lustre e as pedras, pareciam cristal cintilavam em contraste com o iluminar das chamas, dando singelos filetes de luz. Minha atenção foi cortada e meu corpo encolheu-se na cama, quando a porta foi aberta sem qualquer cerimônia e por ela passava o monstro, “meu monstro”.
A cada passo que ele dava meu coração falhava uma batida, mas ele pareceu ignorar-me completamente, foi até seu armário, pegou algo em uma das gavetas e saiu sem emitir um som sequer, parecia que eu não estava ali, nua na cama dele e que nada havia acontecido há algumas horas atrás.
Flexionei os dedos, os abrindo e fechando, fazia um teste com cada membro de meu corpo, fazendo movimentos dos dedos do pé até a cabeça. Constatei que os únicos mais afetados e doloridos eram meus seios, costas e cabeça. Meus braços estavam com uma consistência de gelatina, totalmente sem forças, mais ignorando os protestos de dor, juntei o pingo de energia e sentei-me na cama. Varri novamente o local com os meus olhos e encontrei minhas roupas emboladas no chão, perto de uma porta, que deveria ser de um banheiro, se fosse o caso, agradeceria aos céus por isso.
Na verdade o que eu mais queria era minha casa, tomar um belo banho quente, colocar um moletom aconchegante, e dormir em minha própria cama, longe daquele lugar sombrio e longe de Sasuke. Esse pensamento fez com que eu sentisse uma pontada em meu coração, e eu quis arrancá-lo de meu peito. Como ele poderia reagir assim a alguém que me machucou tanto, fisicamente, emocionalmente e psicologicamente!?
Fechei os olhos e respirei fundo, colocando as pernas para fora da cama primeiro, novamente fiz o teste com meus pés para saber se estavam firmes e me apoiei a todo tempo na cama, enquanto dava passou pequenos em direção as minhas roupas, passando da cama ao criado mudo, armário e finalmente chegando onde elas estavam. Agarrei-as e fui em direção da porta que deveria ser o banheiro e para minha felicidade interna, era de fato. Entrei e fechei a porta atrás de mim, trancando-a logo em seguida, respirei aliviada.
O banheiro era grande, parecia o banheiro daqueles hotéis cinco estrelas, totalmente elegante, sem tirar o ar de luxuoso e antigo, combinando completamente com o ambiente do quarto, ainda nas cores douradas e com tons de vinho, mogno e preto. Havia uma banheira redonda, um grande espaço para poder circular, a pia, pequenos armários e bancadas, um boxe com uma bela ducha, o que foi totalmente convidativo. Entrei no mesmo e liguei a ducha, regulando a temperatura, deixando-a morna. Enfiei-me embaixo dela, deixando a água cair em meu rosto, molhando meus cabelos que escorriam nas costas, levei a mão ao rosto esfregando os olhos e aos poucos delicadamente passava as mãos em meus seios, tirando, esfregando o sangue seco ali. Meus dedos contornaram os furos feitos pelas garras de Sasuke e ao lembrar daquilo senti meus olhos arderem e as lágrimas transbordarem, se misturando a água.
– Você é muito fraca – ouvi a voz fria de Sasuke encher o cômodo e dei um pulo, pelo susto. Meu corpo não agüentaria outro castigo e eu duvidava que ele havia se satisfeito com aquilo, ele não parecia nem ter mesmo começado, mas eu não agüentei – como posso me diverti quando você é tão fraca? Assim eu terei que matá-la, não terá utilidade nenhuma. – finalmente meu coração transmitia uma reação natural a respeito aquela situação, acelerado de medo e adrenalina.
– Sa-suke, por favor. – pedi, mas saiu como uma suplica – por favor. – tentei falar, as lágrimas ainda caiam. Ele olhava-me encostado a pia, com os braços e as pernas cruzadas, seu sorriso de canto era completamente divertido e sádico diante a minha suplica. – e-eu prometo não desapontar você novamente, fazer tu-tudo que você quiser, mas, por favor, não me machuque. – Ele lentamente veio de encontro a mim, e a cada passo que ele dava eu me encolhia no boxe, abracei-me e me abaixei no canto, esperando o pior que estava por vir.
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