Sasuke inclinou a cabeça de lado, como sempre fazia, sua forma confusa e enigmática. Meus pés já não tocavam o chão, sua mão pressionava meu pescoço e ele não demonstrava qualquer tipo de esforço para me levantar. Meu tentava sem sucesso tirar sua mão de meu pescoço, pois quase não conseguia mais respirar.

- Acho que terei que lhe mostra que eu nunca brinco com o que eu digo – disse sério, sem mostra qualquer mudança no rosto. Eu tremi e temi por Toya.

- Na-não – tentei dizer, mas saiu quase inaudível

- Você é como uma criança mal criada, precisa de um castigo para obedecer a seus superiores – meus olhos reviraram, pois já conseguia respirar, mas senti meu corpo indo ao chão. Tossi em busca de ar e massageei a garganta dolorida. Olhei para o lado e Sasuke andava tranquilamente, dando-me as costas mais uma vez, só temia o que estaria por vir agora, e pedia a Deus que ele estivesse blefando, mesmo que no fundo eu soubesse que ele realmente não era do tipo que voltava atrás do que dizia.

Peguei minhas coisas no chão e rumei para a sala. Sasuke se encontrava no seu lugar de sempre e não me demorei o olhando, como sempre fazia, algo me dizia que havia posto Toya em uma encrenca. Com muito custo tentei me concentra na aula, mas hora ou outra me pegava pensando na ameaça de Sasuke e meu coração estava angustiado. O sinal para o intervalo soou e todos foram para o refeitório, segui com meus amigos e sentamos no lugar de sempre, preferi manter as aparências e não chamar muita atenção pra mim, com algo que havia mudado drasticamente em minha vida nos últimos dias.

- Como andam as coisas em casa, Sakura? – perguntou Hinata tomando um gole de seu suco logo em seguida. Achei bom ela tocar em um assunto bem comum, assim talvez tomasse minha mente por alguns minutos.

- Estão indo. – dei de ombros – fico mais tempo sozinha do que o comum ultimamente. Meu pai ainda está viajando, mas logo estará de volta.

- Há.

- Sakura se quiser pode ficar em minha casa, o tempo que seu pai está fora – ofereceu Ino. Sorri pra ela, mas neguei.

- Não se preocupe, obrigada, mas até que eu gosto de ter a casa só pra mim, mesmo com Ai lá um dia sim um dia não.

- Há gente podia sair um dia desses não? – perguntou Sai – há muito tempo não saímos em grupo como antes.

- Verdade – incentivou Naruto – podemos ir ao boliche um dia desses. Abriu também uma lanchonete nova perto do parque.

- Lá está bombando – disse Gaara – poderíamos ir lá esse sábado, o que vocês acham?

- Eu topo – disse Sai animado, juntamente com Naruto.

- Eu também. – Hinata sorriu animada

- Então vamos todos, não é Sakura? – olhou-me Ino. Senti meio incerta se deveria ir ou não, mas me arrisquei. Não deixaria meus amigos de lado, a final, não havia nada demais em uma social amigável.

Não olhei pra trás, pra sentir a áurea negra que agora eu tinha certeza que existia ao redor de Sasuke. Mesmo sério e aparentemente calmo, eu podia sentir que o monstro crescia dentro dele e ansiava por sair.

- Claro – sorri, sem muita animação.

Eu sentia falta das minhas amigas, das nossas conversas e eu me sentia mal por está escondendo delas algo tal marcante em minha vida, mas eu também sabia que eu não podia contar nada a elas, não sabia até onde a loucura de Sasuke iria e até onde ele era capaz de ir.

O resto das aulas ocorreu naturalmente, meu medo de acontecer algo com Toya havia diminuído um pouco e pensei que por um segundo que Sasuke pudesse ter reconsiderado. Fomos pro estacionamento, Sai me ofereceu carona em sua moto, mas recusei delicadamente, eu preferia ir caminhando, assim eu poderia pensar um pouco nos acontecimentos e nas minhas atitudes de agora em diante. Ele não pareceu gosta muito de minha recusa e saiu cantando pneu na rua.

- Coitado Sakura – disse Ino

- Da uma chance pra ele Sakura – disse Hinata manhosa – ele gosta de você de verdade – suspirei

- Eu sei meninas, mas eu não quero iludir ninguém.

- Não quer iludir, mas está sendo iluda – Ino disse triste – amiga, esquece esse Uchiha, ele é um lunático. — Eu ri sem humor.

- Talvez você tenha razão – disse

- Um milagre – gritou Ino. Eu arregalei os olhos e dei um tapa em seu ombro.

- Está louca, para de grita.

- Pela primeira vez você concorda com algo que dizemos dele, isso é motivo pra comemorar. – revirei os olhos

- Talvez ela esteja caindo em si e esquecendo ele – disse Hinata de forma esperançosa.

Tive pena de minhas amigas por pensarem assim, mal sabiam elas que agora mais do que nunca Sasuke estava ligado a mim e eu a ele. Despedi-me das meninas e fui pra casa, caminho fiquei olhando meus passos e apenas olhava para atravessar as ruas, ouvi meu nome ser chamado e olhei pra trás, pro meu azar total, era Toya que me gritava e corria em minha direção. Quando ele chegou a meu alcance colocou as mãos sobre os joelhos, cansado ofegante.

- Nossa você anda rápido – sorriu. Eu estava tensa, olhei para os lados procurando por algo suspeito, mas nada incomum.

- Hn. Por que veio correndo atrás de mim? – perguntei de forma um pouco fria. Sei que não devia agir assim, mas era a melhor maneira de afastar Toya. Ele arqueou as sobrancelhas devido ao meu tom de voz e sorriu um pouco sem graça agora dessa vez, se recompondo e ficando em sua postura normal.

- Eu só queria saber se você queria companhia pra ir até sua casa ou tomar um sorvete no meio do caminho...

- Toya acho que... – antes que eu pudesse responder meu braço foi puxado bruscamente pra trás, me afastando de Toya.

- Mas o que...

- Cala boca – antes que Toya pudesse termina Sasuke o interrompeu. Meu coração estava tão acelerado que eu pensava que ele pularia de meu peito a qualquer momento. Era a primeira vez que ele se dirigia a outra pessoa sem ser a mim e isso tornava as coisas ainda mais assustadoras, sabendo que pra ele ter chego a esses extremos eu realmente estava em uma encrenca. Sasuke estava em minha frente, entre mim e Toya, que nos olhava confuso, mas quem não ficaria.

- Sasuke... – minha voz saia tremula devido ao meu nervosismo

- Cala a boca — eu podia sentir todo ódio em sua voz, mas eu somente via sua nuca e suas mãos fechadas em punho. — eu te avisei.

- O que está acontecendo? – perguntou por fim Toya sem entender nada. Eu não podia lhe responder. Sasuke inclinou sua cabeça de lado e eu pude ouvir sua risada debochada – está rindo do que seu retardado, o que quer com Sakura? – engoli em seco e tentei segurar o braço de Sasuke, o impedindo que desse algum passo, mas esse me empurrou bruscamente pra trás e me fez cair sentada no chão. – Sakura. – Toya gritou meu nome preocupado – ora seu...

- Sabe...eu nunca fui do tipo que tem muita paciência. – a voz de Sasuke era rouca e fria.

- Sasuke não – consegui dizer

- Calma, só vou me diverti um pouco. – olhou pra mim brevemente e depois voltou a olhar na direção de Toya — Toya Imura, eu sou bem egoísta...