Monster - EM REVISÃO
1 Decifrar

Eu sempre o achei um enigma e sempre estive curiosa ao seu respeito, ainda mais depois que os pais dele morreram. Ele ficou mais afastado que o normal, ninguém falava com ele, alguns professores se mantinham afastados, sem questionarem qualquer coisa e eu podia jurar que tinham medo dele, como alguns alunos e tenho que admitir que até eu mesma tenho calafrios quando acho que ele sabe que eu o observo.
– Sakura? – o professor chamou meu nome, me despertando e eu o olhei desorientada.
– Desculpe, pode fazer a pergunta novamente? – disse sem jeito, ele me lançou um olhar fulminante.
– O que ocorre no tipo C da gripe H1N1? – olhei para o lado tentando lembrar aquela resposta e consegui.
– Causa uma gripe muito leve e não causa epidemias. – o professor olhou pra mim indiferente e prosseguiu a aula, olhei para as minhas amigas e elas davam risinhos.
Eu nunca fui CDF, mas biologia era uma matéria que me chamava atenção. Não voltei a olhar pra trás, nem poderia, depois de ser “praticamente” chamada a atenção, logo o sinal do fim da aula soou e eu sorri animada, poderia finalmente sair daquela sala.
Eu e minhas amigas éramos bem populares na escola, mas eu nunca liguei pra esse tipo de coisa, porem parece que eu sempre me meto em algo que chama atenção das pessoas. Eu e as meninas nos sentamos na nossa mesa de sempre, perto da janela no refeitório, que já se encontrava abarrotado devido ao intervalo.
– E ai? Olhando pro Uchiha de novo? – perguntou Sai debochado. Os outros riram e eu revirei os olhos.
– Não – menti, não queria conversar sobre aquilo.
– Então pra quem você estava olhando no fim da sala?
– Só estava distraída.
– Há Sakura, eu não sei o que você vê nesse esquisito – Ino se aconchegou mais nos braços de Gaara. Sempre fomos melhores amigas desde pequenas e agora no ensino médio ela começou a namorar Gaara, um dos caras mais ricos da escola e se tornou mais metida do que nunca, mas mesmo assim, eu a amo do jeito que é, mesmo quando tenho vontade de esganá-la.
– Ele não é esquisito. Acho que é muito...sozinho. – dei de ombros.
– O Uchiha é um retardado – disse Gaara dando risadas e logo em seguida batendo na mão de Sai, mostrando sua camaradagem.
– Vocês que são, pois ficam julgando as pessoas sem conhecê-las – me alterei
– Não precisa ficar irritada Sakura – disse Naruto roubando um salgadinho de Hinata.
Naruto e Hinata são os mais populares da escola, namoram a dois anos e formam um casal lindo, são meus melhores amigos, assim como Ino. Gaara era aquele verdadeiro playboyzinho, sempre teve o que quer. Sai é igual à Gaara, com exceção de que ele não mede esforços para conseguir o que quer. Ele sempre tenta investir em mim, mas eu nunca o dei confiança, não que ele não fosse atraente, só que eu espero algo mais pra mim.
– Falando do Diabo – Sai sussurrou, todos nós olhamos para a direção que ele apontará com a cabeça e vimos Sasuke adentrar o salão.
Sempre com sua calça jeans, seu AllStar surrado e uma camisa preta de mangas cumpridas, com exceção de hoje, pois as mangas eram brancas. Seus cabelos bagunçados, sua pele branca, seus olhos eram tão negros quanto carvão e levemente vermelhos, onde deveria ser branco, como se ele tivesse algum problema de vista, ou não dormisse direito.
Seus lábios finos era algo que me fascinava, não por eu sentir desejo por eles, mas eu jamais os vi fazer qualquer movimento, nenhum professor ousava perguntar algo a ele e ele nunca falava, mantinha-os sempre em uma linha reta e nunca deixava de ouvir seu Ipod.
Os pais de Sasuke morreram acho que há dois anos, ele faltou escola por uma semana e na sua volta ninguém ousou lhe cumprimentar, exceto eu, que fui ignorada completamente. Sempre sozinho, sem amigos, parente ou qualquer coisa, ele se tornou um enigma pra mim e a cada dia eu ficava mais obcecada por ele. Eu tinha ânsia de saber como ele suportava aquilo tudo, a escola, as pessoas o ignorarem, ele as ignorar, viver sozinho, sem mãe, nem pai ou irmãos. Sozinho.
Como sempre não pegou nada para comer, se sentou no fundo do refeitório, como fazia na sala de aula e ficou ali, parado olhando pro nada.
– Eu não sei por que você perde tempo olhando pra esse idiota, quando poderia perder tempo comigo – eu odiava as cantadas de Sai e às vezes eu tinha vontade de matá-lo.
– Sakura de certa forma o Sai está certo. O Uchiha é um caso perdido mesmo – ninguém é um caso perdido. Como Ino podia falar uma coisa tão cruel como aquela?
– Ele não vale à pena. – Gaara jogou um salgadinho do ar e o deixou cair diretamente em sua boca.
– Se vocês pensam assim – peguei minha bandeja de forma rude e me levantei da cadeira decidida. Eu iria mostrar a eles que ninguém é um caso perdido.
Caminhei em passos firmes até o fundo do refeitório, sem olhar pra trás e ver as caras abismadas de meus “amigos” e sem pedir permissão me sentei à mesa, diante de Sasuke Uchiha. Ele tinha a cabeça descansada na parede e mantinha os olhos fechados, pude ouvir os ridos de um rock pesado saindo de seus fones de ouvido e engoli em seco, sabia que meu rosto estava corado pelo nervosismo.
Sem mesmo notar meu ato, minha boca se entreabriu, soltei o ar por ela e fiquei alguns segundos admirando de certa forma a beleza que ele tinha, queixo forte, lábios perfeitos, pescoço grosso, podia ver algumas veias mais alteradas ali, meus olhos voltaram para seu rosto perfeito e meu coração acelerou percebendo os olhos negros me encararem de forma penetrante e com...raiva.
– B-bom...eu queria saber s-se eu po-poderia me sentar a-aqui com vo-você? – me amaldiçoei por ter gaguejado e corei violentamente. Seus olhos ainda me olhavam com raiva e repulsa algo que não entendia, pois eu jamais fiz algo de ruim pra ele ou algo que ele pudesse julgar errado.
Ele simplesmente levantou da sua cadeira e como na primeira vez, me ignorou. Deu uns cinco passos e o sinal para o termino do intervalo soou. Eu quis me isolar pela vergonha, mas eu não iria desistir assim tão fácil, não mesmo.
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