Monotonia
2 Capítulo Um – Número de sorte é monótono.
Notas iniciais
Elena esperava sentada em sua poltrona até o avião parar completamente e liberarem os passageiros. Depois de liberada, ela retirou sua bagagem de mão – bolsa com balas de menta, livro, caça-palavras e história em quadrinhos –, e desceu do avião. Seguiu o fluxo de pessoas e as indicações pelos corredores do aeroporto.
A primeira coisa que avistou, foi uma multidão de pessoas esperando seus familiares, mas uma garota lhe chamou atenção. Essa garota era loira, cabelos ondulados, brilhantes e volumosos. Ela possuía olhos azuis cintilantes, dentes branquinhos e alinhados em um sorriso contagiante. Sem falar no corpo bem dotado. Ao lado dela havia uma garota morena de olhos chocolate e cabelos negros cortados na altura do pescoço e também tinha um corpo invejável. Assim que a loirinha do seu lado começou a pular freneticamente, a morena tapou o rosto com as duas mãos para evitar passar vergonha.
— Me dá um E, me dá um L, me dá um E, N, A. ELENA! — Caroline pulava freneticamente no local em que esperava a amiga e agitava as mãos como se fossem pompons de líderes de torcida.
Elena, com cuidado, se aproximou das duas enquanto olhava Caroline estava se abanando com as mãos e Bonnie rindo como uma condenada de toda aquela situação.
— Oi, menin-
Antes que Elena pudesse completar aquela frase, Caroline pulou em cima dela em um abraço de urso. A loira apertou a amiga contra seu corpo e não queria mais soltar.
— Ah, eu estava com tantas saudades! Sabia que você viria. Elena Gilbert sempre cumpre sua palavra! Bem-vinda à Flórida, baby! — Caroline tagarelava. Ela foi desfazendo o abraço aos poucos.
— Mas eu nem havia dito que viria! Você nem me deixou terminar de falar no telefone, Forbes.
— Caroline! — Ela corrigiu automaticamente, ríspida. — Não acredito que essa é a primeira coisa que você vai me dizer depois de quase um ano separadas! Mas, tudo bem! Eu vou fingir que você disse: "nossa, Caroline! Você está tão linda, tão magnífica. Estava com tantas saudades!".
— Nossa, Caroline! — Elena riu. — Você está tão, mais tão, tão convencida! — Elena gargalhou depois de ver o sorriso de Caroline se desfazer.
— Na verdade, você sempre foi, Care. — Bonnie afirmava rindo. Ela, cuidadosamente, abraçou Elena. — Eu senti sua falta, Elena. — A voz de Bonnie adquiriu um tom melancólico fora do normal.
— Eu também! — A voz de Elena murmurou, saindo mais afetada do que ela mesma esperava.
— Estou me sentindo tão excluída que vou amarrar uma pedra no meu pescoço e pular de um edifício. Vocês se sentirão culpadas para o resto da vida! — Caroline reclamava emburrada.
— Ou poderemos festejar pelo resto da vida... — Bonnie sugeriu e Elena fez sinal de positivo com as mãos, fazendo Caroline revirar os olhos.
— Gilbert, você trouxe meu presente? — Caroline resmungou batendo o pé fortemente contra chão do aeroporto.
— Claro! Pensei muito em você quando o comprei! — Elena pareceu procurar algo em sua bolsa de utensílios. Bonnie observa tudo em silêncio e olhava para a tela de seu celular. — Aqui! — Elena jogou uma revista dobrada na direção de Caroline que em um reflexo pegou-a.
— Você pensou muito em mim quando comprou um mísero caça-palavras?! — Caroline reclamou. Bonnie se permitiu rir da cara da loira.
— Não é só um mísero caça-palavras! É um caça-palavras com fofocas sobre o mundo dos famosos, a sua cara! — Elena argumentou.
— Aliás, vocês sabia que a Lady Gaga iniciou uma série de shows de encerramento da Roseland Ballroom?! Ai, que tudo! — Foi preciso só ela terminar de contar a notícia para as garotas ao seu lado rirem alto.
Ouvindo as risadas, Caroline dobrou em um rolo a pequena revista ilustrada e bateu esse rolo de papéis contra a testa de Elena que soltou um grunhido rápido de dor.
— Está me chamando de fofoqueira, mulher?! — Caroline resmungou.
— Claro que não! — Elena se corrigiu rápido. — Podemos ir agora? — Ela perguntou demonstrando seu cansaço da viajem.
— Vocês podem ir! Vou ficar aqui esperando o Jeremy, o voo dele atrasou e eu só saio daqui com ele. Podem ir sem mim, sem problemas.
As meninas assentiram prontamente. Elena andava pelo aeroporto com uma Caroline frenética ao seu lado. O primeiro local que elas precisavam ir é na área para retirar a bagagem de Elena. Chegando lá, esperaram próxima a esteira que estivesse indicando o número do vôo dela. Enquanto isso, pegaram um carrinho para colocar todas as malas juntas e facilitar o transporte.
[...]
A casa de férias de Caroline fica situada num jardim gigantesco, num terraço com piscina. Fica apenas a 650 metros da praia Hollywood Beach. Uma das mais famosas praias de Miami. Elena observava o jardim íntimo, luxuriante, que proporcionava um local agradável para aproveitar o sol ou para um retiro com um livro. Os hóspedes poderiam refrescar-se na piscina rodeada por palmeiras e flores silvestres. (casa)
— Sério, é muito impressionante como você não mudou nada, Elena. Continua a mesma mulher com roupas de menino e um óculos gigante na cara. — Caroline exclamava enquanto ela destrancada a porta da casa.
— Minhas roupas não são de menino! — Reclamou ela, olhando para suas roupas. Usava uma calça jeans folgada, uma blusa de lã vermelha e um tênis bastante usado preto sem detalhe algum.
— Ah, são sim. — Caroline afirmou enquanto passava a vista pelas roupas da menina à sua frente. Antes que Elena reclamasse, Caroline abriu a porta dando espaço para a morena entrar.
Gilbert estava admirada olhando a casa que havia acabado de entrar. Na ampla sala de estar, de TV e de jantar, havia um painel de madeira que sobe do chão à parede. O cinza dos móveis ganha pitadas de energia com tons de vermelho em estampas das almofadas e no do tapete no centro. O conjunto de móveis era formado por sofás, poltronas, abajures, tapete, mesas laterais e de centro. Além dos eletrodomésticos, é claro.
— Bonito, não é? — Caroline observava. As duas se encontravam de pé sobre o tapete no centro da sala. — Meus pais alugaram com a condição de que eu viesse para estudar. Mas, poxa! Isso aqui é Miami, babe! Quero aproveitar. — Caroline se exaltou, fazendo Elena rir.
— Vou pôr minhas malas no quarto... — A morena lançou um olhar apreensivo para as malas.
— Os quartos são no segundo andar. Escolha o que você quiser, exceto o último do corredor que já é meu e o maior da casa, aliás.
— Sem problemas! — Elena afirmou rindo da forma desesperada que Caroline afirmou que o último quarto era dela e de mais ninguém.
Ao subir para o segundo andar, Elena procurou a porta de número três do corredor porque seu número de sorte era três. Ela gostava de três. Todos os quartos casa apresentam janelas com painéis de madeira e piso em mosaico, proporcionando uma decoração rústica. Incluído um terraço em cada quarto, alguns ofereciam vista para o mar, como era o caso do quarto de número três. Colocou suas malas em cima da cama e saiu do quarto para procurar Caroline. Elena parou no corredor para pensar que o número sete também era seu número da sorte. Então, ela virou e procurou a porta número sete. Ela sabia o quão estúpida estava sendo. Afinal, quem escolhia quarto por número de sorte? Apenas ela, é claro.
Ao chegar ao quarto do respectivo número, a porta estava fechada e ela logo tratou de abrir. O quarto era quase idêntico ao dela, possuía as mesmas janelas com painéis de madeira e um terraço que oferecia vista para o mar. Só não era idêntico ao da menina porque esse quarto estava uma bagunça. Roupas jogadas, malas entreabertas e móveis arrastados. Pensando em ajudar Caroline, Elena sentou-se no chão gélido à frente do enorme guarda-roupa e começou a arrumar as roupas em um esquema de organização que consiste da esquerda para a direita seguindo padrões de cores, tipo de tecido e tamanho da peça.
Concentrada em sua pequena tarefa, Elena não percebeu quando uma figura máscula ficou atrás dela e, achando aquela cena engraçada, o rapaz sentou no chão também, fazendo o mínimo de barulho possível e sussurrou no ouvido da garota:
— O que está fazendo, doce? — Elena sentiu seu coração bombear o sangue mais rápido no organismo. Com o susto que tomou, a garota quase pulou onde estava sentada e ao olhar a figura máscula atrás de si, ela colocou as mãos no chão e começou a afastar-se dele.
— M-me deculp-pe! E-Eu só estou criando um sistema imaculado de organização onde você abre o armário e são da direita à esquerda, roupas de cores quentes, cores frias, roupas de algodão, linho, jeans e no tamanho P, M e G, respectivamente. — Ela falou tudo tão rápido que nem percebia quando as palavras escapavam de sua boca. O rapaz sentado ao chão comprimiu os lábios em um sorriso de canto irônico.
— O quê? — Questionou. Sua expressão era de total dúvida e Elena suspirou pesadamente, tentando controlar sua própria respiração e seus batimentos cardíacos.
Damon continuava o mesmo. Usava a mesma calça preta justa, camisa de uma banda britânica preta, jaqueta de couro e coturno xadrez. O mesmo cabelo repicado e bagunçado. Os olhos azuis continuavam ali, piscando para ela. E, principalmente, o mesmo sorriso de proteção. Ele olhava para ela com curiosidade e ela engoliu a seco pesando que o número sete não seria mais seu número de sorte.
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