Monomania
6 It's so fucking beautiful when the boy smiles
Notas iniciais
2 AM and she calls me 'cause I'm still awake,
"Can you help me unravel my latest mistake?",
I don't love him. Winter just wasn't my season
– For God’s sake, isso é muito bom – Megan murmurou, a pequena colher azul-clara ainda presa entre os lábios. – Eu já tinha esquecido do gosto de sorvete de milho verde.
Ela se sentou e observou a praia de Ipanema, jogando a bolsa Longchamp de lado e enfiando os pés descalços sob a areia, deliciada. O Rio de Janeiro não havia sido muito receptivo em sua primeira estadia, mas parecia que, naquele momento, a cidade finalmente decidira sorrir e lhe desejar as boas-vindas.
– Fica quieta por pelo menos um minuto, agora é minha vez de perguntar – Davi aparentemente resolvera imitar a ação da loira, sentando-se na areia da praia e tirando os tênis.
Megan percebeu, satisfeita, que ele estava mais a vontade a cada momento.
O início do jantar entre eles, mais cedo naquela noite, tinha sido difícil, pra dizer o mínimo. E envolto em muita tensão. Era quase impossível tirar informações relevantes de Davi, que se limitava a emitir respostas monossilábicas e sorrir devido à alguma história que Megan contava.
Então ela resolvera que, se o que Golias queria era um monólogo, ele teria de lidar com um bem longo. E desatou a falar. Literalmente. Contou sobre Prudence, a nova amiga que lhe atazanava a vida, mas sem a qual ela não mais vivia; sobre Alice, a criança-quase-adolescente que parecia ser um reflexo distorcido dela mesma há alguns anos atrás; sobre o piano que tinha encomendado para poder voltar a praticar diariamente, o qual iria chegar à sua casa na próxima semana.
Megan falou e falou e falou. E Davi continuava calado, somente observando.
Quando já estavam indo embora, depois de uma pequena discussão pela posse da conta (obviamente, Megan venceu e conseguiu pagar pelo jantar), ele finalmente resolveu dizer algo, embora, como era de praxe, não sobre si mesmo.
– Eu tô realmente impressionado com o tanto de informações que você conseguiu compartilhar em menos de uma hora.
– I know, é uma habilidade que eu levei anos pra aperfeiçoar. Resultado de muitas e muitas entrevistas – ela sorriu debochadamente. – Mas, se você estiver disposto, eu também sou uma ótima ouvinte.
Davi pareceu relutante. Eles andavam lentamente pela orla da praia, em frente ao restaurante que haviam deixado.
– Eu não tenho tanta desenvoltura pra me expressar, Megan.
– Na verdade, é bem simples, Davi – ela balançava a bolsa amarela no espaço entre eles, num suave vai-e-vem. – Se você quiser, imagina tudo isso como um little game. Eu faço uma pergunta, você responde. E vice-versa. Quem fizer as melhores questões e responder com maior precisão de detalhes vai ser considerado o vencedor.
Ele riu.
– Mas eu realmente tenho que voltar pra casa. A Gambiarra é...
– Eu te proíbo – ela enganchou o braço em volta do cotovelo dele e lhe arrastou para perto de uma barraca de sorvetes. – Eu paguei pelo nosso jantar e agora você me deve algumas respostas. E um sorvete.
– Eu sabia que você ia usar esse jantar contra mim!
E assim, cinco rodadas de perguntas e dois sorvetes depois, ali estavam eles, sentados lado a lado acompanhando o encontro contínuo das ondas inquietas com o branco da areia de Ipanema.
– Tá bom, pode fazer sua próxima pergunta, com certeza vai ser interessantíssima – Megan disse.
– Por que você fuma?
Epa. A loira que tinha sempre uma resposta elaborada para tudo finalmente fora pega de surpresa.
– Bem – ela parou para pensar por alguns segundos. – No começo, foi mais por uma questão de... aparência, eu acho. Eu gostava de assistir filmes antigos e séries like Mad Men, e achava fumar uma coisa fodidamente elegante. Quando dei meu primeiro trago, eu tinha quase dezessete anos. Achei que eu ia conseguir parar quando quisesse, porque eu já havia usado maconha antes e não tinha me viciado. Mas com o cigarro foi... diferente.
O silêncio reinou por alguns instantes.
– Agora, eu diria que é um hábito, mais do que tudo. Uma parte de mim – ela suspirou após colocar tudo pra fora. – Você se lembra dos seus pais?
Já que Davi havia decidido adentrar o âmbito das perguntas delicadas, ela iria continuar pelo mesmo caminho. De qualquer forma, ele parecia estar disposto a baixar em alguns metros as paredes que tinha erguido a sua volta.
– Eu sinto falta deles, mesmo não lembrando de muita coisa. Mas eu ainda lembro da maneira como eu me sentia com eles por perto. Eu tive uma família maravilhosa com os meus tios, não me entenda errado, mas... – ele olhou diretamente nos olhos de Megan. – Minha mãe era... a pessoa mais especial que já passou por esse mundo.
Não, não é possível, ninguém é tão perfeito assim.
Megan teve de respirar fundo e se controlar por um momento, porque ela tinha, afinal, certas necessidades (muitas necessidades), e já estava considerando seriamente pular em cima dele e exigir que ele mandasse a Mongoela pra bem longe da vida deles. E quando Megan conseguisse prendê-lo debaixo dela, ela tinha certeza que ele não seria capaz de resistir por muito tempo.
– Você tem que parar de falar esse tipo de coisa.
– Sobre os meus pais? – Davi parecia confuso.
– Não – ela decidiu encarar as próprias mãos ao invés de olhá-lo diretamente. – É só que... Surpreendentemente, você tá sendo bem legal comigo hoje. Parece até que não me odeia tanto. Eu só queria pedir que você tentasse ser... consistente daqui pra frente, okay?
Davi pensou durante alguns instantes e sorriu pra ela.
– Okay – ele pegou a bolsa de Megan da areia e se levantou. Aparentemente ele havia determinado que era chegada a hora de eles irem para suas respectivas residências. – E, só pra você saber, eu não te odeio.
– Oh. Tudo bem, então – Megan se assustava com sua capacidade de articulação em momentos críticos. – Você pode me passar seu número de celular? Só pra ter guardado, you know.
Naquela noite de sábado da primeira semana de agosto, Megan e Davi aprenderam diversos fatos sobre alguém que antes era um completo desconhecido.
Megan Lily tinha começado a fumar para parecer elegante. O seu autor preferido era Dostoiévski, “porque ninguém escreve tragédias tão bem como os russos”. Ela não se dava bem com Jonas Marra. Sua comida favorita era sanduíche de pasta de amendoim. Ela tocava piano desde os sete anos de idade e poderia ter jogado tênis profissionalmente se quisesse.
Davi Reis tinha dado seu primeiro beijo aos treze anos de idade. Ele não se considerava um maníaco por música e, embora amasse (demais) sua família, sentia falta dos falecidos pais. Não havia jantado com Manuela naquela noite porque ela havia saído com alguns novos amigos da Marra e Davi estava cansado de ouvir qualquer coisa relacionada àquela empresa. Ele também não se dava nada bem com Jonas.
Naquela noite de sábado da primeira semana de agosto, muitos diriam que começou uma bela (embora trágica) história de amor. Mas Megan e Davi afirmariam mais tarde que, naquele momento, sentados na praia de Ipanema, eles se tornaram verdadeiros amigos.
****
(Um casal diferente)
Prudence McKinnon tinha algumas certezas em relação ao seu relacionamento. Ela e Gabriel já namoravam há mais de dois anos e, então, ela podia afirmar que conhecia todos os defeitos e qualidades que o namorado possuía.
Portanto, Prudence sabia que ele podia ser um pouco egoísta por vezes. Arrogante até, sempre achando que poderia mudar o mundo sozinho. Mas ela não esperava que, naquela manhã de agosto, o namorado fosse reagir daquela maneira. Não mesmo.
Gabriel tentava dirigir a nova informação e, depois de algum tempo, observou Prudence com olhos enigmáticos.
– Eu não tô entendendo. Achei que você tinha concordado comigo no primeiro ano quando nós decidimos que você não iria concorrer na eleição do Centro Acadêmico do seu curso.
– Mas isso foi no primeiro ano de faculdade – ela replicou. – Agora é diferente. Nós somos um casal diferente. Eu realmente não entendo qual seria o problema, já que você também faz parte de um CA...
Ela não iria deixar que ele tomasse todas as decisões daquela relação. Não mesmo.
– Então você sabe o tanto de esforço que participar na vida política da faculdade demanda, Prud. Você não iria ter tempo pra outras coisas, como nosso relacionamento, seu trabalho voluntário ou até mesmo aquela sua amiga...
– Não fale como se você se importasse com a Megan, Gabriel.
– Bom, eu já te disse minha opinião sobre essa garota.
Prudence se negava a ter essa discussão de novo.
– Gabriel, eu realmente quero participar disso. Eu acho que seria muito interessante...
– Não, não seria – ele a puxou para que se sentassem em um dos bancos de concreto espalhados pelo campus, longe do olhar curioso dos colegas. Afinal, o casal perfeição nunca brigava em público. – Você nem mesmo tem estrutura pra lidar com a competição e sujeira que rola nesse tipo de ambiente.
– Eu sei disso, mas quero tentar de qualquer forma.
Ela parou de falar diante da expressão que tomou conta do rosto do namorado.
– Prud, você está sendo totalmente insensível. Parece até que você não se importa com o quanto vai prejudicar nosso relacionamento.
– Esse é o ponto principal de toda essa discussão. Essa minha decisão não tem nada a ver com a gente, Gabriel.
– Bom, nosso namoro é sim prejudicado a partir do momento que você toma uma decisão sem me consultar. Sem levar em conta minha opinião – ele se levantou para ir embora, a olhando de cima. – Mas se essa eleição é mais importante pra você do que nós dois, então pode fazer o que bem entender.
Prudence não queria que aquilo se resumisse à uma escolha entre sua vida acadêmica e seu namorado. Será que ele não percebia que ela o amava? Que não queria que ele ficasse magoado?
Mas, no final das contas, como a ruiva imaginava que a plena capacidade de amar incluía tomar decisões altruístas, ela correu atrás de Gabriel.
– Espera um pouco, por favor – ela segurou no braço dele e mirou seus olhos verdes, ainda mais claros naquela manhã. – Você não quer que eu faça isso, mesmo sabendo o quanto é importante pra mim? De jeito nenhum?
– Eu não quero que você participe disso de jeito nenhum – ele replicou em um tom que, de alguma forma, ainda parecia carinhoso.
– Então eu posso desistir – Prudence suspirou em derrota.
– Você é tão maravilhosa – ele a abraçou e lhe deu um longo beijo. – Agora vamos tomar café da manhã juntos, tá? Você passou o final de semana todo com aquela Megan e me deixou totalmente de lado...
No final das contas, Prudence o amava. Segundo sua limitada compreensão desse sentimento, amor era necessidade. E Gabriel precisava que ela permanecesse em sua vida. Eles deveriam continuar juntos por muito, muito tempo.
****
(Whatsapp, essa benção tecnológica)
M: Você tá muito ocupado?
D: Megan, o que você quer? Já é de madrugada.
M: Eu quis dizer se você vai estar muito ocupado durante o dia. Queria te apresentar pra Prudence.
D: Sua amiga ruiva que tá presa num relacionamento doentio?
M: Essa mesmo. Você tava mesmo prestando atenção durante o jantar *-*
D: Eu tô livre no horário do almoço.
M: Te ligo então. Boa noite.
D: Okay.
–--
D: Que reunião interminável, socorro.
M: Eu tô lidando com a criança-demônio o dia todo, não reclama.
D: Você adora a Alice, para de ser ridícula.
M: Você que é ABSOLUTAMENTE RIDÍCULO.
D: Você tem que me levar pra conhecer essa menina algum dia, qualquer ser capaz de despertar sua raiva desse jeito merece meu respeito.
M: Fuck you.
–--
M: Já assistiu os episódios de Hannibal que eu guardei no seu HD? Fantástico, não é mesmo?
D: Você não me avisou que o cara LITERALMENTE COMIA partes do corpo das pessoas que ele mata.
M: É só um mero detalhe.
D: A Manu detestou.
–--
D: A Prudence não para de me mandar fotos de esquilos só porque eu disse que nunca tinha visto um.
M: É uma atitude fofa, vai.
D: É o meu feed do Facebook que está sendo floodado. Já te agradeci hoje por me apresentar essa maníaca?
M: You’re welcome, baby boy.
–--
M: Finalmente consegui achar um professor de piano bem recomendado nessa cidade.
D: Quem deu a indicação milagrosa?
M: Uma amiga da Prudence. Eu vou me encontrar com ele próxima semana.
D: Você podia ter dado essas aulas de piano. Seu pai disse que você toca muito bem.
M: As pobres crianças merecem coisa melhor (menos a Alice). E até nome de bom pianista ele tem: Tomás Casagrande.
****
You can't jump the track
We're like cars on a cable and life's
Like an hourglass glued to the table
No one can find the rewind button, girl
So cradle your head in your hands
Megan Lily não acreditava no conceito de felicidade da mesma forma que os demais. Felicidade não poderia ser encarada como um estado contínuo e permanente. Então, se lhe perguntassem, naquele momento, se ela era feliz, a loira provavelmente daria de ombros. Estava feliz, na verdade, vivendo uma onda de bons momentos, mas aqueles poderiam acabar tão rapidamente quanto tinham começado. A alegria temporária que havia, de alguma forma, se encaixado em sua vida podia ser atribuída a três nomes: Prudence, Alice e Davi.
De alguma maneira, a loira que sempre detestou constantes parecia ter desenvolvido uma estranha rotina em seus dias. Ela e Prudence estavam bastante ocupadas em reuniões a respeito do novo projeto que seria desenvolvido no Morro do Saci. Megan não queria se envolver em muitos detalhes, mas a amiga lhe convencera de que, já que a ideia havia sido dada por ela, Megan tinha pelo menos a obrigação de se certificar de que tudo estava saindo como imaginado. Pamela ficou eufórica com a novidade, obviamente.
A maioria das crianças tinha ficado bastante animada com a ideia de aprender a tocar um instrumento musical. Várias diziam que sempre desejaram tocar violão, algumas até mesmo haviam aprendido a dedilhar alguns acordes durante a infância, mas nunca tinham sido propriamente introduzidas ao ensino de música. Megan descobriu, enfim, que eram poucas as que, como Alice, queriam se dedicar ao aprendizado do piano. Tinha muito a ser resolvido, com o galpão em que a ONG seria instalada tendo sido recentemente comprado. Ainda havia a questão dos professores a serem contratados, da mini-vã que seria responsável por pegar as crianças e deixá-las em suas casas, além das questões logísticas envolvendo os chamados “chefões” da comunidade. Tudo devidamente financiado por umas das organizações de que Prudence fazia parte, com uma pequena ajuda do patrimônio dos Parker-Marra.
Megan estava descobrindo que tudo aquilo dava muito mais trabalho do que ela imaginava.
E havia, ainda, a outra constante em sua recente realidade. Davi. A amizade entre eles havia se desenvolvido de maneira bem tímida (apenas da parte dele, é verdade), com poucas mensagens sendo trocadas durante a semana inicialmente. Ela se surpreendeu com o fato de que, apesar do interesse romântico (e carnal também, ela tinha de admitir) continuar bem vivo em algum lugar dentro dela, poderia realmente considerá-lo um confidente, de certa forma. Davi era alguém com que ela gostava de conversar e que queria manter por perto, independentemente da difícil trajetória que tinham percorrido até ali.
No final de três semanas, eles acabaram desenvolvendo um curioso hábito: ele ligava no celular dela quando precisava conversar e Megan lhe esperava nas escadas de mármore em frente à mansão Marra, normalmente fumando um de seus cigarros.
Aquela noite era um desses dias. Eles estavam ali sentados há horas, conversando sobre a semana que havia passado e falando mal da vida, de personagens ruins de seriados e de Jonas Marra. Como sempre.
– Eu não sei porque você ainda aguenta esses shows do meu pai – Megan dizia, logo depois dando mais um longo trago no seu segundo cigarro daquela noite. – Você é o novo presidente da porra daquela empresa. Coloca ele pra fora, caralho.
– Você pode apagar essa coisa? – Diante da negativa por parte da loira, ele tirou o cigarro dos dedos dela com facilidade e apagou o restante das chamas no degrau abaixo. – O funcionamento da Marra não é tão simples assim. E eu não acho que alguém que vai conviver diariamente com crianças e adolescentes deveria usar tantos palavrões, Megan.
Megan podia perceber que ele estava evitando o tema “empresa Marra”, sempre delicado entre eles. Ela não entendia como alguém como ele, alguém como Golias poderia simplesmente deixar que as decisões importantes fossem tiradas de suas mãos de modo tão... passivo. E com pleno apoio da biscate da namorada dele, ainda por cima.
– Você tá mais chato a cada dia, sabia? – ela penteou suas mechas loiras com delicadeza. – Ele deve estar nervoso por causa da minha mãe. Eu acho que eles vão se divorciar.
Davi ficou calado por alguns instantes.
– Isso te incomoda?
– Not anymore – ela estralou cada um dos dedos da mão esquerda. – Me incomodaria se ele ainda a fizesse feliz. Mas não. Esse casamento e Jonas Marra só tão fazendo minha mãe sofrer, e eu odeio isso.
Megan se perguntou se ele estava alarmado com a proximidade entre eles. Não só no sentido físico (estavam sentados com seus corpos bem próximos, afinal de contas), mas também emocional. Ela normalmente não confiava cegamente em muitas pessoas, e Davi também parecia o tipo de pessoa que construía um muro muito bem fechado em torno de si mesmo.
O que tudo aquilo significava para ele, afinal?
– Ele tem uma amante, eu tenho certeza.
Davi pareceu um pouco alarmado.
– Por que você acha isso?
– Eu conheço bem a expressão de um traidor, Davi – Megan se recostou nos degraus atrás de si, cansada e, no fundo, um pouco desapontada com o rumo das coisas. A parceria entre seus pais era o exemplo mais concreto em sua vida de como seria estar em um relacionamento saudável. – Mas eu já devia ter esperado, sabe. Essa dedicação entre eles sempre foi tão... surreal. Nenhum amor dura por tanto tempo.
Ele balançou a cabeça, rindo um pouco debochado.
– Você não acredita em felizes-para-sempre, né, Megan? – Davi não parecia nem um pouco surpreso. – Você é jovem demais pra ver a vida de uma forma tão cínica. Primeiro divindades, agora o amor. Será que você acredita em alguma coisa?
– Eu ainda tenho que descobrir, okay? – Megan estava desconfortável. – E para de me olhar desse jeito, Davi Reis.
– Desse jeito como? – ele soava surpreendentemente inocente. Até parece.
– Como se você... soubesse alguma coisa que eu ainda não sei sobre mim mesma. O que não é nenhum pouco verdade.
Os dois ficaram em silêncio depois da pequena discussão acerca da falta de crenças na vida de Megan Lily. A herdeira dos Parker-Marra permaneceria uma grande cínica durante boa parte de sua existência, talvez até mesmo o resto dos seus dias. É difícil mudar algo que sempre nos foi ensinado.
– Mas, mudando de assunto... Você tá tentando esconder algo de mim essa semana toda – Megan se lembrou de um dos motivos pelo quais ficou feliz que Davi decidira ir até sua casa naquela noite. Ela tinha informações para caçar. – Desembucha, vamos.
O tempo pareceu se estender ainda mais diante da falta de resposta de Davi.
– Davi, hello, tem alguém aí?
– Okay. Eu tenho que te confessar uma coisa – Ele se virou para encará-la de frente, os joelhos dos dois se encostando. Ela sentia o estômago, seu já fiel companheiro em todos os encontros com o novo “amigo”, se apertar novamente. Será que era o que ela imaginava? – Eu vou me mudar da Gambiarra. No próximo mês, eu acho. A Manu e eu decidimos dividir um apartamento, algo que seja mais perto da Marra, sabe.
E ainda perguntavam à Megan porque ela continuava sendo cínica e amarga. A vida não era mesmo justa.
Fale com o autor