Notas iniciais
Mais uma atualização, YAY! Postei dois capítulos de vez nesse fds porque acho que agora só vou conseguir atualizar depois de quarta (mtas provas, SOCORRO). Gnt, eu sou meio maníaca por música (acho que quase todo mundo é, na verdade rs). Então grande parte das preferências da Megan nesse sentido vão acabar sendo inspiradas, bom, pelo meu próprio gosto musical. E esqueci de mencionar antes, mas o título de todo capítulo vai ser baseado numa música que combine com a fanfic. No prólogo tínhamos mais uma da Clarice, e agora uma das minhas preferidas do Oswaldo Montenegro, “Cigana”. A letra é Megan total. E inspirou um pouco minha personagem original que aparece nesse capítulo (e vai se tornar regular).

(Tudo começou)

Ela fumava cigarros demais (sempre escondida). Ele se preocupava em cultivar uma vida saudável e preservar o meio ambiente.

Ela já tinha perdido a conta de quantas pessoas havia beijado durante sua agitada existência. Ele só tinha ficado seriamente com uma menina até conhecer Manuela.

Ela era impulsiva e ia sempre direto ao ponto. Ele era (quase sempre) cauteloso e tinha dificuldade em expressar suas emoções diante de desconhecidos.

Ela tamborilava as teclas de um piano. Ele tamborilava as teclas de um computador.

Ela tinha deixado de acreditar em forças ocultas há muito tempo. Ele fingia ser cético, mas no fundo acreditava fielmente em Deus e todos os santos.

Ela ficou encantada assim que colocou os olhos nele dentro da Marra Brasil. Ele tinha certeza que tinha encontrado a mulher da sua vida também naquele prédio, logo no primeiro dia do reality.

Ela não sabia o que lhe aguardava no futuro. Ele tinha traçado com suas próprias mãos seu destino, mas às vezes a vida nos reserva algumas surpresas.

Qualquer outra coisa que essa narrativa possa vir a se tornar, lembre-se que ela é antes e primeiramente uma história sobre o amor. É a história de como um garoto cabeça-dura e uma quase-mulher inconsequente se apaixonaram um pelo outro – e da trajetória que eles teriam que percorrer antes de se darem conta disso. Ela era Megan, ele, Davi (conhecido também como Golias), e algum dia eles iriam trocar muitos beijos e abraços, mas antes teriam que compartilhar muitas discussões e desencontros, porque ele achava que estava sempre certo e ela não era de dar o braço a torcer. Às vezes histórias de amor requerem tempo.

Tudo começou – ela iria argumentar mais tarde – com uma festa em uma boate de San Francisco, uma bebida colorida e um esbarrão.

Tudo começou – diria ele em resposta, implicante como sempre – nos estúdios da Parker TV no Rio de Janeiro, na noite em que ele ganhou o programa Geração Brasil.

Na realidade, não importa qual deles estava correto, já que os dois eventos ocorreram no mesmo dia. Naquela noite de lua crescente, eles estavam separados por milhares de quilômetros de distância, mas já iniciavam o caminho que levaria um aos braços do outro.

***

(Destino ou coincidência)

Tudo a sua volta girava lentamente. Ela ainda não estava completamente embriagada, mas sabia que, se quisesse se manter em pé, tinha que maneirar no álcool.

Foda-se, pensou Megan antes de se encaminhar para o bar equilibrando precariamente seu Tiki Martini em uma das mãos, tentando abrir espaço pela multidão de corpos se balançando ao som de Kanye West.

O destino funciona de maneira peculiar.

Megan tinha decidido de última hora ir dançar com uma antiga amiga do clube de tênis, Marlene Archibald. Não queria ficar em casa assistindo à final do Jonas Marra show, estrelado pelo apaixonado casal Maya e Golias. Tinha um pouco de asco de tudo aquilo, para dizer a verdade.

Megan e Marlene só acabaram indo para aquele night club porque avistaram o ex-namorado de Marlene na fila da boate que tinha sido sua primeira escolha. Ele era um cretino.

O destino realmente funciona de maneira peculiar. Afinal, se o último capítulo do reality não fosse naquela noite, Megan iria ter preferido ficar em casa jogando conversa fora com Dorothy ou reaprendendo algumas de suas canções preferidas no piano. Se o ex de Marlene não estivesse no início da fila daquela primeira boate, Megan e a amiga não teriam voltado para o carro e saído em busca de uma nova balada. Se Megan não detestasse tanto aquela música do Kanye West, ela não teria decidido ir para o bar e esbarrado em Prudence McKinnon. Se Megan não derrubasse todo o seu drink laranja no vestido Prada de Prudence, elas não teriam se tornado amigas inseparáveis, e então Megan nunca teria descoberto o que a fazia realmente feliz e conhecido mais tarde Tomás Casagrande. Aquele que despertaria sentimentos de ódio que Davi nunca imaginara que iria sentir. Mas isso é assunto para um futuro relativamente distante.

Ao encarar a menina a sua frente, com aquele lindo vestido longo agora decorado por diversas manchas levemente laranja, Megan imediatamente se lembrou de uma cigana. A ruiva parecia ter emergido diretamente dos anos 70, com seus longos cabelos cacheados cheios de tranças e seus braços longos e esguios.

– Caralho, sorry – exclamou o palavrão em português mesmo, meio que por instinto. Ela misturava ainda mais as suas duas línguas nativas quando estava bêbada. Especialmente quando se tratava de palavrões. – Seu vestido era tão bonito.

– Ah, eu gostei de como ele ficou agora. Ficou bem mais autêntico – respondeu a menina também em português. Megan deve ter demonstrado sua surpresa. – Sim, eu sou brasileira. Meu pai é americano, mas eu não tenho culpa disso.

As duas riram levemente.

– Prudence McKinnon, muito prazer – a ruiva lhe deu um beijo estalado na bochecha. – Você é a Megan Lily, né? Eu adorei as fotos do seu último editorial pra Teen Vogue. Que sorte a sua de trabalhar com um fotógrafo tão talentoso.

– Ei, a sortuda aqui é você. Você tem uma música dos Beatles só pro seu nome. Dear Prudence, won't you come out to play – cantou Megan com a voz meio enrolada pela bebida. – Eu sempre quis uma música só pra mim.

– Na verdade, eu sempre pensei em Here Comes the Sun como sendo minha música dos Beatles. Combina bem mais comigo. E com a minha modéstia.

Prudence finalmente reparou na ligeira falta de equilíbrio por parte de Megan.

– Você quer ir lá fora respirar um pouco de ar puro? – perguntou enquanto segurava o cotovelo de Megan. – Você tá parecendo que vai vomitar.

Megan pensou em Jonas entregando a Marra nas mãos de Davi, ou pior, da sonsa da Manuela. Lembrou-se da voz chorosa da mãe no telefone mais cedo naquele dia, das saudades que sentia por não vê-la há mais de uma semana. A saúde fragilizada do avô. Sentiu que tudo girava ainda mais.

– Vamos lá então. Você tem um cigarro?

– Você precisa de uma desintoxicação, my dear – reprovou Prudence. – Eu tenho uma receita de suco verde maravilhosa. Eu posso te passar.

– ECA! – gritou Megan, sendo quase carregada pela nova conhecida para os fundos da boate. Mal conhecia aquela ruiva, mas com seus braços cuidadosos envolvendo seus ombros, ela sentia que tudo ia ficar bem.

***

(Lua crescente)

– Segundo o feed do meu Facebook, a empresa do seu pai acaba de ganhar um novo presidente – informou Prudence alguns minutos mais tarde, depois que as duas, um pouco afetadas pela bebida, já tinham trocado confidências. – Davi Reis. Seu Golias.

– Não diz esse nome, please – Megan suspirou. – Minha cabeça tá estourando. E aquele café que você me deu só piorou minha ânsia de vômito.

Prudence escorregou do banco de madeira para o chão, arruinando ainda mais seu vestido branco. Marlene Archibald escolheu aquele momento para sair tropeçando pela porta dos fundos da boate, os olhos um pouco sonolentos.

– Ei, Megan, finalmente te achei – gritou a morena em inglês, sentando-se do lado da amiga no banco e logo depois deitando a cabeça no seu colo. – E quem é você, hein?

– Prudence, muito prazer – a ruiva respondeu na mesma língua, encarando as duas com um olhar divertido. – Vocês são bem diferentes do que eu imaginava, sabia? A líder do campeonato estadual de tênis e a herdeira do império Parker-Marra no fim de uma balada são tão decadentes quanto qualquer outra mortal.

– É porque você só conheceu uma versão da nossa encantadora personalidade, querida – Megan encarou a lua crescente. Um jornalista supersticioso (o que ela não era nem um pouco, aliás) lhe dissera certa vez que essa fase da lua atraía mudanças. Será que naquele momento alguma coisa se alterava no seu destino?

– Mas não se preocupe, dear Prudence – cantarolou Marlene. – Todo mundo ama todas as versões da Megan, até as mais cretinas.

***

(Outros amores virão)

Hey, sweety – Pamela não se aguentava de saudades ao conversar com a filha pela tela do MarraBook. – Megan Lily, você não acha que está na hora de voltar para o Rio de Janeiro? Já faz mais de um mês, filha. Jonas não assume, mas eu sei que ele sente sua falta. Very much.

Megan olhou para o rosto da mãe na tela do computador. Não se sentia nem um pouco preparada para voltar para o Brasil. Ela queria descobrir sua verdadeira identidade aqui em São Francisco e provar para o pai e para “aquele-que-não-deve-ser-nomeado” que não era só uma menina mimada. Que era muito mais do que isso.

Não que tivesse feito grandes avanços na sua mais nova missão de descobrir o que fazer com seu futuro. Aliás, nos últimos dias, parecia somente regredir nesse aspecto. Seus dias se resumiam a conversas com Dorothy e Brian, compras e tardes na piscina com Prudence, jogos de xadrez e passeios pelos estúdios da Parker com seu avô, além de horas e mais horas debruçada sobre o seu piano. Ela estava se tornando cada dia mais familiarizada com seu antigo conhecido.

Estava satisfeita com essa realidade na Califórnia. De verdade. Mas, mesmo não sabendo exatamente o quê, alguma coisa parecia chamá-la de volta para aquele país tropical.

Tudo começou com um convite de Prudence. Elas haviam se tornado inseparáveis nessas últimas três semanas. A nova amiga era extremamente diferente dela em tantos aspectos, mas Megan sentia que ela lhe completava de alguma forma.

Dorothy dizia que algumas pessoas estão simplesmente destinadas a fazer parte de nossa vida, e se existia alguma verdade nessa afirmação, Prudence havia acabado de se tornar o mais novo membro do clã dos Parker-Marra. Até mesmo Brian estava impressionado com as dicas de meditação que ela tinha aprendido em sua temporada na Índia.

Porém, como tudo o que é bom acaba algum dia, Prudence tinha de voltar para o Brasil. Ela passava temporadas em San Francisco com seu pai, um magnata da indústria do petróleo que estava agora se aventurando na área da tecnologia de ponta, mas vivia a maior parte do tempo com sua mãe no Rio. Era lá que ela se dedicava à faculdade de Engenharia Ambiental e aos seus diversos projetos sociais, que envolviam todas as causas que alguém pudesse imaginar.

Prudence dizia que queria salvar o maior número de ecossistemas ambientais que conseguisse, e que a natureza era sua verdadeira paixão, mas a ruiva buscava apoiar qualquer projeto que considerasse válido. Megan achava tudo aquilo um tédio, mas tentava parecer interessada para não decepcionar mais uma pessoa na sua vida.

A amiga tentava há alguns dias convencê-la a voltar para o Brasil junto com ela. Megan sentia saudades da família (especialmente da mãe), e Jack Parker já estava quase voltando à antiga forma, mas ainda tinha medo. Medo de não controlar seus impulsos. De procurá-lo assim que colocasse os pés na Marra para esfregar algumas verdades na cara dele.

Sentia raiva mesmo que Davi não tivesse nenhuma culpa de como os acontecimentos se sucederam. Era a mais velha história do mundo, a quadrilha de sentimentos sobre a qual Drummond escrevera há quase um século. Ele era culpado apenas de não ter se interessado por ela.

Megan se corroía de ódio toda vez que via uma nova capa de revista ou programa de TV estrelados pelo casal do momento. A mesma ladainha era contada por diversas matérias: o modo como Manu e Davi se conheceram jogando games na internet, o desafio de competirem pelo mesmo emprego dos sonhos e a vitoriosa reviravolta concedida por Jonas Marra ao final de seu programa. Sim, seu pai resolvera ser bondoso e complacente justamente naquela situação. Ele havia oferecido à Manuela Yanes um emprego de programadora na Marra, de modo que ela e o grande amor de sua vida, o mais novo presidente da empresa, pudessem finalmente viver sua história de amor.

Que asco. Nem mesmo os mantras de Brian ou as meditações com Prudence melhoravam seu humor nesses momentos.

– Eu realmente não sei, mom – disse Megan. – Prudence queria que eu fosse para o Rio com ela na próxima semana, mas eu ainda estou pensando. It’s so nice here.

I understand, Megan Lily, mas sua vida é mais do que baladas e tardes na piscina. Seu lugar é aqui junto da sua família – Pamela sorriu carinhosamente. – Eu estou cheia de ideias para um novo programa, você pode me ajudar. E eu tenho certeza que muitos amores virão, darling. Talvez até mesmo outro brasileiro.

Será que voltaria a sentir alguma coisa por alguém naquela mesma cidade? Ainda restava alguma tristeza dentro de si, mas já se sentia bem melhor. Com vontade de viver plenamente e descobrir novos caminhos. Talvez Prudence pudesse ajudá-la a descobrir sua missão, já que a ruiva tinha tantas em sua vida. Megan precisava apenas de uma. Urgentemente.

Notas finais
Obrigada pelos comentários, gnt, e eu espero que venham mais. Deixem reviews com sugestões, dúvidas, etc. Elas são mto importantes pra eu continuar animada e inspirada com essa história. Bjocas. PS. Reviews são tão gostosas quanto um passeio de bicicleta pela orla da praia.