Mono

1 A Garota das Flores


“Todo dia uma garota vai para a floresta pegar flores, ela sempre faz a mesma coisa na mesma hora, ela sai de entre as montanhas e vai em direção à floresta até chegar “nessa” clareira onde corre água cristalina e onde florescem lindas flores todo o dia”.

Certo dia ela esta de joelhos catando as flores mais bonitas que consegue para levar consigo, o dia está lindo, mais do que o de costume, pássaros cantam e os peixes pulam na água fazendo um suave som, ela fica atenta ao seu redor e fica encantada por ver e ouvir o som da natureza, o dia nunca esteve tão lindo quanto este naquela hora, então ela deixa as flores que estão em seu colo no chão, e se deita dentre outras flores suavemente colocando seu braço acima dos olhos para protegê-los do brilho do sol.

Ele não deveria ir tão longe para dentro da floresta, ele nunca havia saído da cidade, ele pensava em voltar mas já havia se perdido das trilas feitas pela passagem de pessoas, ele estava completamente perdido, correndo, ofegante, sujo e com lagrimas secas em seu rosto como um caminho limpo em meio a lama e a poeira, ele corria e corria enquanto tropeçava em raízes e pedras mas sem cair ele continuava, até que por um descuido acabou batendo sua cabeça em um galho e caiu, e rolando de uma zona alta para outra mais baixa da floresta, apesar da queda ele não se machucou, mas ficou lá no solo verde de braços abertos, ouvindo o som dos animas e do vento que soprava levemente os galhos das arvores, a luz do sol passava dentre as folhas o iluminando, ele ficou lá, parado, sem ação, como se quisesse morrer ali, suavemente naquele belo cenário natural, mas ele respirou fundo fechando os olhos e depois os abrindo, se levantou e começou seguir em frente, ele estava morrendo de sede, deveria estar correndo a horas, mas ao ouvir um som de água batendo ele mudou sua direção, e depois de andar um longo caminho ele chegou a uma clareira, ela era bonita, e exalava vida.

Enquanto seu braço cobria seus olhos, lagrimas escorreram por seu rosto até chegarem ao solo, aquele pequeno momento de alivio a deixou muito feliz. Ela levantou, pegou as flores que colhera, e saiu em rumo à floresta densa, provavelmente de volta as montanhas.

Lá estava ele, escondido atrás de uma arvore, olhando uma linda moça de cabelos lisos que chegavam até a metade de suas costas, eles eram negros e brilhantes. Ela era pálida como a lã de uma ovelha branca, estava usando vestidos brancos longos que chegavam até os pés, mas não se encostavam ao chão. ele só ficava lá, parado, sem ação, hipnotizado, ele pensou em ir até a garota, mas por algum motivo ele não o fez, ele apenas a observou ir embora para dentre as arvores.

Novamente ele estava sozinho, mas não conseguia tirar aquela garota da mente, após ele se certificar de que a garota não voltaria ele procurou algo para comer, havia uma arvore grande que curiosamente dava dois tipos de frutos, um branco e um de cor azulada, ele experimentou ambos, mas preferiu o de cor azulada, comeu alguns e perto de lá ele passou a noite, se aconchegou dentre as mesmas flores cuja garota se levantara mais cedo, era um lugar macio e cheiroso.

Já era manhã quando o garoto se levantou do nada como se tivesse tido um pesadelo, ele pareceu ter tido um sonho estranho, estava muito confuso, mas foi até a margem da corredeira de aproximadamente 1m de profundidade e se banhou, enquanto isso tentou pegar algum peixe, mas ele não tinha pratica nenhuma e assim não pegou nada, voltou pegou suas roupas e saiu da clareira, ele iria tentar voltar para a cidade.

Horas se passaram e lá foi a garota novamente ao local catar flores, ela parecia estar mais feliz, e estava com uma feição sorridente, lá ela pegou mais flores e viu uma arvore com frutos que ela ainda não havia notado, deixou as flores delicadamente no solo verde e lançou pedras por um bom tempo até acertar um de cor branca, a levou ate a água e a lavou, então ela a comeu, pareceu maio assustada ao provar, ela tinha adorado, nunca havia comido algo tão bom quanto aquilo, ela passou mais um longo tempo tentando pegar mais dessa fruta branca, depois de alguns minutos ela pegou duas e guardou consigo, pegou as flores e voltou a floresta.

Lá estava ele novamente olhando a garota, ele estava em uma arvore onde provavelmente passou a maior parte do dia, ele não sabia o porquê daquilo, mas ficou olhando a garota novamente como se estivesse a vigiando, ele deveria ter tentado voltar a cidade, mas ele quis a ver mais uma vez, então ele decidiu voltar mas acabou passando novamente a noite lá pois já estava escurecendo. Novamente ele teve um sonho estranho e acordou de manhã assustado. Seria um milagre se ele encontrasse o caminho, mas deveria haver alguma vila próxima, então decidiu esperar a garota e perguntar a ela onde ele estava e como voltar à cidade.

Já era à tarde, e novamente a garota foi pegar flores. O garoto estava em uma arvore, tentando se preparar para ir até a linda garota. Horas se passaram e ele apenas ficou a observando, até decidiu ir, afinal ela poderia ir embora, mas ele estava com medo de assusta-la, o garoto ficou pensando no por que de ela parecer triste esse dia, então ele desceu da arvore que ficava próxima, e lentamente ele andou sem tentar fazer barulho, mas ainda se escondendo, a garota se preparou para ir embora, e tomou rumo a floresta. Enquanto isso finalmente ele decidiu falar “oi” então saiu de seu “esconderijo” e a procurou, mas ela já não estava mais lá, o garoto ficou perplexo, ela saiu de lá muito rápido, ele pensou em entrar na floresta e tentar encontra-la, mas aquela parte era muito densa, portanto fácil de ficar perdido, ele decidiu passar a noite lá novamente, e ai se deu conta que não estava cansado ou com fome, ele estava bem para alguém que só comia frutas, ele achou isso estranho.

Outro dia, hoje ele iria falar com ele, ele estava convicto disso. Lá vem ela novamente, aparentava estar normal nesse dia. Então ele saiu de trás da arvore olhando para o solo cheio de flores amarelas e grama verde claro.

— oi... – disse o garoto com pele clara porem não tanto quanto a da garota, ele tinha os cabelos castanhos quase ruivos que chegavam até sua nuca, ele estava usando uma blusa e um short que mais pareciam trapos sujos.

— oi – ela respondeu sem abrir muito a boca, ela estava surpresa.

— Tudo bem? – o garoto perguntou depois de ficar uns 10 segundos olhando pera o solo florido, ele estava suando e com o rosto avermelhado.

— sim... – ela respondeu de forma confusa, estava mais atenta à reação do garoto, ela não entendia por que ele estava tão nervoso.

— Que bom! – ele respondeu alto e claro, como se tivesse planejado dizer isso há séculos.

— é... – ela não soube o que falar, estava surpresa por ver aquele garoto.

— VOCÊ MORA NA SELVA? – ele perguntou quase gritando, seu nervosismo era tanto que parecia que ele iria desmaiar.

— eu moro em uma vila próxima... Fica nas montanhas do... Leste. — ela respondeu como se estivesse dizendo algo que não deveria.

— ah sim, então é por isso que nunca a vi na cidade. – o garoto estava mais confortável por conseguir formular uma palavra grande.

— eu nunca fui à cidade. – Ela disse olhando para as flores.

— não? — Ele perguntou intrigado. – não. — ela respondeu calmamente, como se não se importasse com aquilo.

— por quê? – ele perguntou com uma cara de surpreso.

— Eu moro nas montanhas... Eu nem deveria estar falando com você por que... Eu, eu não posso... Desculpe. – então ela saiu correndo deixando as flores que colhera caírem conforme ela se movia.

— Ei... Espera! Pelo menos me diga seu nome. – seu nervosismo havia sumido, ele estava intrigado por ela sair correndo sem motivo aparente. Então ela parou antes de entrar novamente entre as arvores por aonde sempre ia embora e ainda de costas disse

— M-Mono! – então ela voltou a correr e entrou floresta adentro. Ele ainda não havia entendido o porquê de ela sair correndo, mas estava feliz por saber o nome dela. Ele ficou no mesmo lugar olhando o lugar por onde ela havia ido embora.

— ela não perguntou meu nome... – ele disse a si mesmo e ficou meio para baixo por causa disso, mas logo depois pensou – nah, eu aposto que ela esqueceu comida no fogo ou algo assim... Será que ela vai voltar amanhã? – ele se questionou com medo de que ele não há visse mais.

continua...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.