Monitoria Infernal

1 Monitoria Infernal - Maldita Matemática!


Notas iniciais
Sinopse: Graças a um projeto de monitoria criado pelos professores do terceiro ano Isis terá de aguentar a matéria que menos gosta ensinada por seu ex-namorado. Será que isso irá ensinar algo?
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Primeira Oneshot, o couple principal é KyuHyunXIsis(Aishi)
Acho essa fic engraçada e bonitinha, espero que apreciem a leitura. Não esqueçam as músicas okay?

N/A: Coloque “James Blunt — Same Mistake” e

Best I Can — Decyfer Down” para carregar.

Se existe algo que eu odeie até a morte é quando não entendo explicações de matemática, acredite ou não, até o começo deste ano eu me dava muito bem com a matéria em questão. Porém de algum tempo para cá não sei o que vem acontecendo para eu não entender nada e nutrir um ódio gigantesco pela matéria, bem, talvez eu saiba. Atualmente só existem duas coisas em relação à matemática que eu odeie mais do que a falta de compressão, e, uma delas é a entrega das provas, que por sinal era o que acontecia naquele momento.

– Isis Marra. – Ouvi a Sra. Liu chamar meu nome e caminhei a passos de lesma manca até sua mesa.

Meus olhos bateram na folha e tentaram absorver o “F” enorme no canto superior direito da página. Crispei os lábios já imaginando o discurso dos meus pais quando chegasse a minha casa. Pelo menos essa era a única matéria em que eu tinha notas abaixo de B+, e antes que venha tirar conclusões, não sou nerd, apenas me esforço. Voltei ainda mais lentamente para minha carteira, guardei a prova numa pasta, não voltaria a olhar para a mesma enquanto não fosse necessário. Cruzei os braços e deitei sobre eles fechando os olhos, não queria pensar em outra decepção em relação à matemática. Sim, eu estava chateada, pois quando entreguei a prova, meu pensamento mais pessimista era um “B”.

– Hey, não fique assim. – senti as mãos de Jennifer afagar meu braço. Levantei a cabeça e fiz cara de brava, sua nota não havia sido uma das melhores que costumava tirar, mas também não havia sido tão ruim quanto a minha. Entendendo o olhar em forma de mísseis nucleares ela deu de ombros e virou-se para frente.

– Atenção turma, como podem ver pelas notas que vocês e seus colegas de classe tiraram a média dessa sala caiu em vista do bimestre anterior. Não só na minha matéria.

– Ótimo lá vem um daqueles longos sermões sobre ter de estudar todo dia e coisa do tipo. – ouvir um dos garotos da fileira da direita reclamar. Ri baixinho, concordando e pensando que pelo menos para mim isso não adiantaria muito, já que eu havia estudado para a prova e olha no que deu. Eu simplesmente não compreendi parte da matéria e a outra parte eu me atrapalhei com o que sabia.

– Coincidentemente os professores do último ano criaram um trabalho interdisciplinar, que também servirá para que eles revisem a matérias para os simulados dos vestibulares, que como já devem, ou deveriam saber, engloba toda a matéria do colegial. Com isso eles vão dar monitorias aos alunos mais novos, o que inclui a sala de vocês e uma das salas do segundo ano.

– Então vamos passar parte das nossas aulas com ele? – Liam deu voz a duvida que rondava minha mente naquele momento.

– Na verdade vocês não terão as aulas do período da tarde.

– Mas elas são as melhores! – não vi de onde surgiu a reclamação, mas eu também concordava, durante esse horário tínhamos disciplinas optativas, em geral atividades em que gostávamos e nos dávamos bem, música, danças, natação, teatro, artes marciais e coisas do tipo. Porque nos tirar a única parte do dia que valeria a pena!?

– Além disso, as salas de aula normais são ocupadas por outros alunos nesse período, e as salas que usamos a tarde não são adequadas para estudos convencionais. E acho que a biblioteca não vai acomodar todo mundo junto.

O comentário de uma das CDFs da sala foi o suficiente para que um burburinho se instalasse.

– Se vocês deixarem eu termino de explicar! – Sra. Liu falou um pouco mais alto que seu tom de voz – Vocês não precisaram ficar na escola durante as monitorias, porém, não se animem tanto, os locais de estudos serão escolhidos pelos seus monitores, e eles também terão de entregar relatórios semanais com exercícios feitos por vocês e avaliação de desempenho. Esses relatórios afetaram diretamente na nota de vocês, então acho bom levarem a sério.

Revirei os olhos, assim como boa parte da turma não estava muito satisfeita com isso, ninguém ali estava a fim de ter um formando pegando no seu pé para estudar. A frase “Terceiranistas se acham os Deuses por estarem saindo da escola” já dava pra se ter uma noção de como eu e meus colegas de sala estávamos nos sentindo. Claro, nem todos os terceiranistas são assim, mas os que ainda possuem um pingo de bom senso são poucos. Pensando nas poucas pessoas com quem tinha uma boa convivência percebi o óbvio, eu ainda tinha uma chance de ter uma monitora de quem gostasse. Priscila, minha unnie maluca, estava no último ano. Era isso, ela seria minha monitora!

O sinal tocou informando nosso intervalo de uma hora para o almoço. Caminhei ao lado de Jennifer pelos corredores tumultuados, pelas conversas que ouvimos entre alunos do primeiro e segundo anos as opiniões eram diversas sobre, alguns estavam felizes por conhecerem pessoas do ultimo ano, outros irritados, e ainda haviam alunos intimidados. Enquanto pegávamos nossas bandejas Jennifer, que agora ria de forma maliciosa estava pensando em seus planos para a monitoria, felizmente ela não esperava que Pryh a escolhesse, tinha um alvo diferente em mente. E pelos olhares que ela trocou com um certo rapaz enquanto passávamos por uma das mesas do refeitório, eu já tinha idéia de quem seria o ser em questão. LeeTeuk.

– Oi monitora! – falei assim que me sentei à mesa perto da janela que dava acesso aos jardins.

Priscila riu levantando os olhos de um de seus livros, colocando-o de lado e puxando sua própria bandeja para si.

– Então já contaram a novidade? – perguntou ela bebericando sua coca-cola.

Fizemos que si e começamos a contar para ela sobre o discurso da Sra. Liu, depois ela nos colocou a par de como o tal projeto surgiu. Sinceramente quanto mais ouvia mais estranho eu achava o professor de filosofia dela. O cara tinha tido a idéia no meio de uma aula sobre Sócrates.

– Agora vamos ter que encarnar o próprio filósofo e fazer vocês “darem a luz ao conhecimento que já possuem e não sabem” – ela imitou a voz do professor e nos começamos a rir em seguida.

– Mas já escolheram quem vai monitorar quem? – perguntei ansiosa.

Priscila me olhou de um jeito estranho e eu engoli em seco, aquilo não parecia ser um bom sinal. Jennifer a encarou com os olhos estreitos também querendo saber. Nossa unnie ficou vermelha, aí estava um claro sinal de que algo estava muito errado.

– Diz logo o que você sabe! – dessa vez não fui eu, o estresse fica por conta da Jennifer.

– Bem, já escolhemos só que... – ela olhou para a uma das mesas do outro lado do refeitório. Jennifer e eu acompanhamos seu olhar, e então cada uma teve uma reação completamente diferente uma da outra.

Já entendendo o recado subliminar a louca mais nova só faltou sair por ai dançando, se alguém daquela mesa havia escolhido-a só podia ter sido LeeTeuk. Ignorei a comemoração quase nem um pouco chamativa dela e comecei a tentar adivinhar meu parceiro: "Se LeeTeuk já era monitor de alguém restavam três garotos: Henry, não poderia ser pois ele estava no segundo ano, DongHae provavelmente o escolheria só para a Priscila não fazer par com o mesmo, já que embora fosse idiota, ele tinha ciúmes do pobre garoto, com isso, além de Pryh, restava a pior e mais horrível das opções. Cho KyuHyun." Só de pensar na possibilidade de ter o meu ex-namorado como monitor fiquei enjoada, isso não ia acontecer, não tinha como, ele não me escolheria.

– Quem... Quem... Vão ser nossos monitores? – perguntei deixando um pouco de aflição transparecer na voz.

– O da Jenny é o LeeTeuk, e o seu... O... Kyu – a ultima palavra saiu em um tom baixo, mas para mim foi como receber uma bomba atômica na cabeça.

– QUE!? NÃO PODE SER! – Eu gritei, e com isso ganhei a atenção de várias pessoas, inclusive dele. Como se isso não fosse o suficiente quando olhei na direção da mesa deles o idiota mantinha um sorriso sarcástico, o que atualmente parecia o único disponível. Por essa mera atitude eu já soube que minha vida se tornaria um inferno. – Porque você deixou isso acontecer? Porque não me escolheu? Podia ser qualquer um, mas ele não! – meu tom de voz alterava entre acusador e choroso.

– Primeiro porque uma das regras era escolher parceiros do sexo oposto.

– Mesmo assim, você podia ter falado para o DongHae me escolher, até você sairia ganhando, podia ter convencido ele. – choraminguei. Nesse momento eu já estava com a cabeça apoiada na mesa, amaldiçoando Deus e o mundo.

– E até ia, mas infelizmente, o sobrenome dele é o primeiro de todos nós na chamada. E, escute direito o que vou dizer, ele quis te escolher mesmo sabendo que era minha primeira opção para manter algumas piranhas longe do meu homem.

Pelo menos eu não era a única que queria matá-lo. Iria perguntar o porquê de ela não ter feito DongHae escolher Jennifer como segunda opção, mas essa era uma pergunta idiota já que nem ela nem o namorado deixariam LeeTeuk sem sua querida Jenny.

– Seus professores não perceberam que isso podia ser bem pior não? Tem uma galera que tem histórias sobre vários pegas que não é segredo pra ninguém.

– Isso foi uma indireta? – meu humor não estava dos melhores.

– Não tava pensando em vocês especificamente ok? Até eu me encaixo nessa então não estressa. – retrucou Jennifer, voltando os olhos para a mesa dos garotos, cumprimentou um deles, que eu sabia quem sem nem ao menos olhar. – E você unnie, com quem ficou?

– Henry. – falou ela e riu, Jennifer havia se afogado com o suco de laranja.

– E deixaram? – perguntei surpresa.

Minha fossa estava me consumindo, mas eu precisava ouvir essa história. Nossa unnie apenas riu enquanto voltava seus olhos para DongHae, mandou um beijo para ele que também piscou e sibilou algo que eu não entendi, mas pelo sorriso de Pryh ela captou a mensagem. Aqueles dois me davam diabetes.

– Quer fazer o favor de parar de namorar a distância e responder? – agora o estresse havia sido meu.

– Na verdade ele e o Henry meio que fizeram um acordo. O DongHae acha mais fácil bater em um conhecido, e ameaçá-lo de contar seus podres do que fazer o mesmo com um estranho.

De um jeito muito estranho aquilo tinha sim algum sentido, pena que eu não poderia ameaçar ninguém para me trocar de monitor.

– E você escolheu quem para o DongHae monitorar? – quis saber Jennifer.

– Amber.

– Troca de casais é? – provoquei e começamos a rir. Aquela escolha era tão pretensiosa quanto a de DongHae, já que ela sabia que os dois, apesar de negarem, pareciam bem mais que amigos.

Conversamos pelo resto do almoço, tentando entender porque Kyu me escolheu, já que desde que terminamos o máximo de contato que tivemos era resumido a ignorar e quando isso não era possível éramos muito formais um com o outro. Pelo visto esse “trabalho” estava mais pra juntar casais, mesmo os que se odiavam, do que pra melhorar nota. E com a sorte que tenho fui a única a ficar com alguém indesejável. Parabéns pra você Isis.

~~~~*~~~~

O tempo é mesmo uma droga, quando queremos que os dias passem, eles se arrastam de uma forma irritante. Já quando queremos que ele congele, parecesse que os ponteiros do relógio viram o papa-léguas correndo na velocidade da luz. Minha ultima semana de liberdade se encaixou na segunda opção. O fim de semana também não durou tanto quanto eu queria, e por incrível que pareça eu estava preferindo as aulas da manhã a ter que lidar com KyuHyun.

Para piorar a situação o idiota havia deixado um bilhete no meu armário informando os horários das monitorias e o local, a casa dele. Preciso dizer que fiquei morrendo de raiva por ele nem se dar ao trabalho de saber se eu podia ir até lá? Que bom que não. Mas a parte estranha foi que também fiquei com raiva por ele não fazer como os outros monitores, até alguns dos que eu julgava prepotentes estavam sendo legais com os alunos mais novos e conversavam, marcando os horários e locais de estudo conforme a disponibilidade das duas partes. Mas, não estamos falando de todos, e sim de Cho KyuHyun.

Almocei com as garotas e depois fui para casa trocar meu uniforme por calça jeans e camiseta. Após estar devidamente vestida peguei a mochila com os materiais necessários e fui caminhando para o bairro de Kyu, ele não morava muito longe então pegar ônibus me parecia uma perda de tempo. Virei a esquina da rua dele, ao longe avistei a casa que eu conhecia bem, fazia quase um ano que eu não ia até lá, mas nada estava diferente. Suspirei enquanto andava pelo caminho de pedras brancas, aquilo iria ser no mínimo estranho. Levantei a mão para apertar a campainha, mas antes de fazer isso a voz dele me sobressaltou.

– Você está atrasada, eu tenho mais o que fazer sabia? – Kyu estava sentado num sofá de palha que havia no canto mais afastado do alpendre.

– Pelo que eu saiba você estaria no colégio se não estivesse me monitorando, então quer fazer o favor de não resmungar? – respondi ríspida, quem ele pensa que é pra me tratar assim?

– Quanto estresse. – as duas palavras carregavam um desdém típico de quando ele não queria se dar por vencido. Mas, ao contrario do que pensei, ele apenas se levantou e entrou em casa sem me dizer mais nada. – Vai ficar parada do lado de fora por quanto tempo?

Revirei os olhos. Ele realmente não havia mudado nada, e aparentemente a casa também não. Alguns detalhes na decoração estavam diferentes, mas o conceito em si era a marca registrada da Sra. Cho. Foi só pensar nela que lembrei que naquele momento os pais de Kyu estavam trabalhando, ou seja, a casa inteira só pra nós dois. No passado eu teria amado isso, mas agora, essa situação apenas me deixava desconfortável. Engoli em seco e caminhei rumo ao sofá, ele subiu as escadas para pegar alguns materiais. Agradeci mentalmente por não precisarmos ir lá pra cima para estudar. Meus olhos prenderam-se nas fotografias da estante, havia algumas do Sr e Sra. Cho ainda jovem, fotos do nascimento dos dois filhos e uma foto do aniversário de dois anos atrás dele, essa eu não esperava ver, pois eu estava sentada em seu colo fazendo um careta enquanto seus braços envolviam minha cintura.

– Viu algum fantasma? – maldito sarcasmo! Olhei para a escadaria e lá estava ele parado no alto com sua pose de “sou o maior”.

– Tirando você, nenhum. – minhas respostas seriam totalmente secas enquanto ele se mantiver nessa postura ridícula. – Será que podemos começar logo ou vai ficar ai parado me olhando?

– Vamos acabar com isso logo.

E assim o fizemos, ou pelo menos tentamos, já que mesmo durante as explicações um sempre dava um jeito de alfinetar o outro. Já deve imaginar que metade do tempo foi perdida, e graças a isso, acho que aprendi menos do que se estivesse estudando sozinha ou com a Jennifer. O mais contraditório, foi que, apesar dos insultos trocados, ainda assim me diverti um pouco, e não vi o tempo passar. Talvez seja bipolaridade, não sei.

– Mesmo horário na próxima, e vê se termina esses exercícios. – disse ele me entregando uma folha com diversos problemas pra resolver. Bufei olhando pra quantidade absurda, mas não falei nada, já que querendo ou não, duvido que alguém consiga aprender matemática se não for resolvendo exercícios. Virei as costas e sai caminhando. – Pelo menos diz tchau!

– Tchau! – falei sem olhar pra trás, porém contrario a esta postura inabalável, um sorriso idiota se formou em meus lábios, como já deu pra notar, parte de mim havia gostado daquela tarde.

Na manhã seguinte os alunos da escola pareciam mais agitados que o normal. Nas aulas os professores tiveram um pouco de trabalho para controlar a euforia dos meus colegas de sala. Boatos de monitorias que terminaram em amasso não demoraram a surgir, alguns claramente não passavam de fofoca, mas outros pareciam sim ter chance de ter acontecido. Pude ouvir garotas se gabando do quanto seu monitor era gostoso, e entre os rapazes também não era diferente, ouvi os mais variados tipos de comentário sobre o corpo de algumas das garotas do terceiro ano que monitoravam garotos mais novos. A parte mais bizarra é que aparentemente o numero de “papa-anjos” do colégio havia crescido.

A única coisa que me incomodou um pouco foram os olhares tortos que recebi de grupinhos de garotas. Alguém me fizera o favor de espalhar que eu e Kyu também havíamos aproveitado muito bem a tarde anterior. Ótimo tudo que eu precisava era ser alvo de disparates como esse. E pior, durante o intervalo aquele idiota ficava me olhando de um jeito que dava mais brechas para comentários mesquinhos das garotas. Priscila e Jennifer depois de me fazerem um interrogatório básico e saberem se as fofocas eram verdade ou não, me disseram para relaxar e ignorar. Falar é fácil!

Assim que o sinal da ultima aula tocou fui uma das primeiras a deixar o prédio da escola. Peguei meu Ipod e liguei no máximo, isso evitaria ouvir conversas desnecessárias. Segui caminhando para o ponto de ônibus. Quando já estava bem próxima ao local levei um susto enorme, algum idiota resolvera buzinar bem do meu lado.

– Filho de uma... Kyu! Vai assustar outra pessoa seu idiota! – gralhei e voltei a andar apressada.

Desistir não era algo que se podia ver tão facilmente na postura de KyuHyun então não me surpreendei quando ele começou a me acompanhar letamente com o carro.

– Vai me seguir agora é?

– Eu venho te oferecer uma carona e é assim que você me trata? – falou ele desviando a atenção da rua.

– Porque você não desiste de me importunar?

– Primeiro porque é divertido, segundo porque eu quero te dar uma carona, terceiro porque sua mãe não vai estar em casa então pode ir almoçar comigo.

Maldita hora que minha mãe e minha ex-sogra são como melhores amigas. É claro que ela tinha que mencionar para a Sra. Cho que iria ir viajar com o papai para ver uma tia que estava doente. Isso sem contar o fato de que as duas eram totalmente contra o nosso término. Vê se eu mereço ter mãe e sogra como cupido? Definitivamente não. Mas, aparentemente, o imbecil do Kyu não se tocou desse detalhe.

Olhei pra ele que ainda mantinha aquela cara sínica de sempre. Idiota. Ponderei um pouco, se eu fosse pra casa teria que preparar ao almoço, e sinceramente eu não estava com a mínima vontade de cozinhar e depois ir andando até a casa da família Cho. Embora fosse perto, o calor estava realmente insuportável.

Bufei e entrei no carro tomando o cuidado de ficar olhando para a janela durante todo o percurso. Vez ou outra sentia o olhar de KyuHyun sobre mim, mas não daria o braço a torcer, havia decidido naquela noite que não deixaria que essas nossas monitorias me abalassem. Ele estacionou o SUV na garagem da casa e entramos, mais uma vez a residência parecia vazia. Cogitei a possibilidade da Sra. Cho estar fazendo isso de propósito, o que ficou pareceu ainda mais concreto quando a empregada da família nos serviu o almoço e depois inventou que teria de sair para fazer compras. Ótimo, sozinhos outra vez.

– Odeio quando a única coisa que escuto durante o almoço é o barulho do jokarak batendo na tigela. – reclamou ele mal humorado.

– Sinto muito, mas acho que não tenho nenhum assunto de seu interesse. – rebati voltando minha atenção para minha porção de budae jjigae.

Ele me olhou por alguns segundos e então sorriu sem humor e voltou a comer sem me dirigir a palavra novamente. Alguma coisa naquela atitude me deixou um pouco melancólica, me fez lembrar quando passávamos horas conversando sobre coisas triviais, ou quando passávamos uma tarde toda na frente da TV jogando vídeo-game. Suspirei cansada. Que droga era aquela que estava acontecendo comigo?

Depois de terminarmos de almoçar resolvi lavar a louça, era uma maneira fácil de evitar Kyu enquanto dávamos um tempo do almoço e pra descansar. Enquanto fiquei na cozinha ele subiu e tomou um banho, nesse momento desejei poder fazer o mesmo, graças a ele teria de ficar com o uniforme da escola, e, a maldita saia curta que era péssima pra ficar sentada no chão como fizemos ontem. Assim que terminei me dirigi pra sala e comecei a separar algumas coisas que iria usar, estava tão entretida nesse processo que nem notei quando Kyu se aproximou.

– Prefiro quando você está assim, mais calma. – sua voz me assustou.

– Garoto quer parar de brotar do nada? Isso já está me assustando. E se você não ficar me enchendo posso pensar no seu caso e ser uma pessoa mais calma, só depende de você. – respondi um tanto sínica.

Ele inclinou a cabeça e estreitou os olhos pensando no assunto e depois deu de ombros.

– Melhor começarmos logo com isso. Onde estão os exercícios de ontem?

Para evitar falar muita coisa repetida tanto aquela tarde quando as outras que se seguiram na semana foram iguais, eu acertava um exercício e ele era sarcástico, eu errava e ele se expressava, até que eu mesma ficava irritada e me levantava pra ir embora falando que a explicações dele não ajudavam, ai ele explicava um pouco melhor e eu concentrava toda a minha raiva em fazer os exercícios, e conseguia acertar alguns. Na segunda semana brigamos um pouco menos, talvez porque eu estava tendo uma maior facilidade para fazer os exercícios ou porque os dois já estavam cansados desse joguinho.

Os olhares atravessados sobre mim se intensificaram ainda mais no meio da terceira semana quando finalmente aceitei que Kyu me desse carona diariamente. Antes eu só estava aceitando quando estava muito cansada ou quando minha mãe avisava que não estaria em casa. Boatos sobre nos dois termos reatado o namoro começaram a ser objeto das más línguas do colégio, no entanto por conveniência decidimos que apenas ignoraríamos, pelo menos nisso nós concordávamos, se estressar só agravaria mais.

– E então? – perguntei olhando para a terceira folha de exercícios daquela sexta.

– Finalmente parece que você acertou todos. – um mínimo sorriso de satisfação despontou em seus lábios, mas logo desapareceu sendo substituído pela postura prepotente – Me diz cadê sua cola? De que livro você copiou?

– Copiei? Você quem criou esses exercícios e acha que eu colei? – Levantei e fiquei de pé em frente à poltrona que ele estava sentado – Não pode simplesmente aceitar que eu consegui aprender essas malditas funções de X?

Naquele momento fiquei tão estressada com a implicância dele que podia socá-lo. Pode parecer exagero, mas a única vez que consegui acertar tudo ele me tratar assim foi demais. E, aquele havia sido o único dia em que não havíamos brigado, e eu estava me sentindo bem daquela forma, como não me sentia desde quando namorávamos. Essa percepção foi o suficiente para que eu ficasse ainda mais assustada. Mesmo sem dar permissão minha mente e meu coração criaram a esperança de que poderíamos voltar a ser como antes, e aquela acusação só provava pra mim que esperar isso era perder tempo.

– Quer saber? To farta das suas brincadeiras idiotas. Vou embora, e se quiser me entregar por ser uma “monitorada” rebelde vai em frente não ligo. Eu não sou obrigada a ficar ouvindo você dizer que eu colei. Você é um imbecil!

Catei minha mochila e as coisas em cima da mesa e sai batendo a porta com força. Acho que minha explosão inesperada – provavelmente parte dela impulsionada por sensibilidade em excesso por causa da TPM – deixou Kyu em choque já que ele não veio atrás de mim. Ou então porque ele é mesmo um idiota de marca maior. Tanto faz, não ia fazer diferença mesmo, minha paciência tinha limite, e três semanas de sarcasmo, brincadeiras idiotas do tipo que ele tem certeza que eu odeio e uma acusação injusta era mais que suficiente pra me fazer perdê-la.

~~~~*~~~~

N/A: Dê play em Same Mistake.

Só quando Isis saiu pela porta percebi o maldito erro que havia cometido, não era a primeira vez que minhas brincadeiras causavam uma briga entre nós. Não levava isso tão a sério, pois gostava de vê-la irritada, mas talvez agora tenha sido mais do que ela podia suportar. Cheguei à conclusão de que dessa vez ela nunca mais iria querer me ver, certamente estava com mais raiva de mim do que quando terminamos o namoro. A parte ruim disso é que bastaram essas três semanas para eu me acostumar com sua presença novamente.

Seu jeito de ter respostas na ponta da língua para meu sarcasmo era único, desde sempre ela era assim, quando eu fazia brincadeiras ela me respondia à altura. Bem, quando isso não era grave como a última. Quando não estávamos discutindo eu podia me aproveitar de sua áurea contagiante e daquele sorriso, o mesmo que eu pude ver algumas vezes durante esse pouco tempo que voltamos a passar juntos.

Não vai se apaixonar por ela outra vez” – A frase que havia ouvido de um de meus amigos durante a semana me pegou de surpresa. Culpa, raiva de mim mesmo e até tristeza substituíram-se por um estado catatônico. Tentei me lembrar do motivo de ter escolhido-a para monitoria, quando LeeTeuk me questionou sobre isso havia dito-lhe que era porque seria divertido implicar com ela, isso não o convenceu, e foi daí que a frase saiu.

– Não posso me apaixonar por alguém que nunca esqueci. – as palavras saíram da minha própria boca, no entanto pareciam distantes, não adiantaria de nada eu concluir isso agora. Aishi não me perdoaria jamais por tantos atos imbecis.

“Você precisa tentar reconquistá-la” – uma voz gritou do fundo da minha mente e conseguiu despertar um pouco da garra que ainda me restava.

~~~~*~~~~

Na segunda feira cheguei atrasada a escola, havia dormindo demais, e como dispensara a carona de Pryh, por não querer que ela e Jenny me enchessem de perguntas, perdi o primeiro horário de aula. Tanto faz era apenas uma aula de literatura. Não iria fazer tanta diferença assim. Como não poderia entrar na sala peguei meus livros e segui para a biblioteca. Sentei em uma das cabines de estudos e tentei adiantar um dos resumos que teria que entregar naquela semana.

Minhas anotações estavam um pouco desconexas então resolvi que precisaria de uma enciclopédia pra me ajudar. Levantei-me da minha cadeira, só então notando quem estava sentado numa mesa mais afastada, Kyu já não olhava seu caderno e sim para mim. Alguma coisa parecia diferente nele, sua postura não parecia tão egocêntrica. Provavelmente era mais uma de suas brincadeiras, resolvi ignorar e seguir meu caminho. Voltei cerca de dez minutos depois e ele não estava no lugar de antes. Ótimo.

Numa façanha incrível eu consegui não só terminar o resumo de história como deixar os deveres de outras matérias bem adiantados. Há muito tempo não fazia minhas tarefas tão rapidamente, principalmente contando com os exercícios de matemática. È pelo menos aquela monitoria infernal me rendera um avanço. Juntei os livros que eram meus em uma pilha e devolvi os outros a bibliotecária. Coloquei minha mochila nas costas e já estava saindo quando um bilhete caiu do meio do meu caderno. Voltei a apoiar minhas coisas na cadeira e o abri.

“Sei que fui um idiota, não queria ter dito aquilo.

Você sabe que não penso para fazer minhas brincadeiras,

simplesmente falo sem pensar e ai acontecem coisas desse tipo.

Ainda quero que continuemos com as monitorias,

prometo me esforça.

Desculpe-me.

Kyu.”

– Olha que bonitinho ele ta arrependido. – a frase sarcástica escapou de minha boca antes mesmo que pudesse me conter. Coloquei o papel de volta no lugar e segui pra aula. Aquilo não era suficiente.

Minhas aulas foram monótonas ao extremo. A escola devia estar fazendo parte do complô contra minha pessoa, só podia. Agradeci quando o sinal do intervalo tocou e segui para meu armário, guardei os livros e encontrei um novo bilhete de desculpas de KyuHyun, parece que ele agora também agregara persistência as suas qualidades. Não dei bola para aquilo e segui para o refeitório. Comprei dois cupcakes e sai de lá antes que alguém me visse, não iria me trancar e ficar escondida, só queria ficar sozinha no jardim onde o tempo estava até agradável. Pelo menos era essa a desculpa que eu me dava.

Coloquei os fones no ouvido e me sentei na grama colocando os braços pra trás para apoiar meu corpo. Fechei os olhos e tentei relaxar. Alguns minutos depois alguém parou na minha frente e me cutucou. Abri os olhos e vi um menino mais novo que eu. Provavelmente devia estar na sexta série. Ele disse alguma coisa mais não entendi por causa dos fones.

– Desculpa pode repetir?

– Perguntei se você é a Isis. – eu assenti. – Me pediram pra te entregar isso. – Ele me passou uma caixinha pequena e saiu correndo.

Olhei em sua direção estranhando. O garoto tinha problemas? Dei de ombros e voltei minha atenção para a caixa. Dentro dela havia quatro trufas, procurei por um bilhete ou alguma coisa que identificasse seu “remetente”. Mas não achei nada. Parti uma das trufas ao meio e experimentei um pedaço. O gosto estava normal. E eu realmente não podia resistir a chocolate, era até maldade me mandarem isso. Depois de terminar a segunda trufa minha fixa caiu.

– Droga são do Kyu! – resmunguei.

Não devia aceitar isso já que não o desculpei. Mas agora que havia comido duas não podia devolver. Ignorei minha consciência e acabei comendo as que restavam. Quando terminei percebi que embaixo delas havia um bilhete, não o havia percebido antes porque seu papel era exatamente da mesma tonalidade do interior da caixa.

“Sei que esses chocolates não são desculpas o suficiente.

Mas também sei que chocolate te deixa um pouco mais alegre.

Kyu.”

Kyu podia ser um idiota, mas eu tinha que admitir eu ficara mesmo mais contente com os chocolates. Isso que dar seu ex-namorado saber de seus gostos. Porém, ainda assim foi jogo baixo. Enfiei o bilhete no bolso e voltei pra sala.

~~~~*~~~~

O restante da semana correu até bem, na medida do possível claro. Expliquei o que aconteceu para Pryh e Jenny, e elas me surpreenderam não fazendo nenhuma pergunta. Os olhares tortos diminuíram, talvez porque eu não estava voltando de carro com Kyu. A parte estranha foi que os professores não vieram me perguntar por que eu deixei de ir às monitorias. Resolvi que não iria reclamar disso. Se eles ignoravam eu também iria. Alem disso, Pryh estava me passando alguns exercícios extras que Henry não usaria, assim mantive a rotina de estudos normalmente e até me dei bem numa prova surpresa que tivemos na quinta feira. Os bilhetes de desculpa não pararam, todos os dias havia um diferente no meu armário, ou no meio dos meus cadernos. Queria saber como Kyu conseguia entrar na minha sala sem eu vê-lo já que me mantinha sempre próximo a elas.

– Isis Marra! – levantei a cabeça tentando entender o porquê de a professora estar me chamando. Havia dormindo na aula. Mas não pense que foi por ser uma má aluna. Pelo contrario eu já havia terminado todas as tarefas e os outros ainda estavam ocupados, então cruzei meus braços sobre a carteira e encostei o rosto nos mesmos para descansar um pouco. Mas parece que apaguei.

– Sim professora? – respondi ainda sonolenta. Ela fez um sinal para que eu fosse até sua mesa, me levantei e fui até lá onde ela me entregou algumas folhas, voltei para a mesa, pois o próximo nome da lista já estava sendo chamado. – O que é isso? – perguntei para Jennifer.

– Uma copia dos relatórios dos monitores, parece que você também teve um bom resultado. – Ela comparava sua folha com a minha.

– Isso eu percebi, mas olha, aqui tem exercícios referentes a ultima semana e um relatório do Kyu com meu desempenho sobre eles. – falei espalhando as folha sobre a mesa. Olhei para aquelas contas com mais atenção e fiquei surpresa. – Espera! Esses são os últimos exercícios que a Pryh me passou. Ela disse que o Henry não ia usar.

– Não ia mesmo porque a monitoria dele é de química e esses são exercícios de matemática. – Jennifer falou e então tapou a boca, parecia que tinha dito algo que não devia.

– O quê você... – minha fala foi interrompida pelo sinal.

Jennifer não me esperou terminar e saiu correndo pela porta.

– Pryh o que é isso? – mal cheguei à mesa e já fui colocando as folhas em frente a ela.

– Seus exercícios?

– Eu sei, mais porque estão com a correção feita pelo Kyu e constando como parte da monitoria?

– Porque ele me pediu o favor de te passar sem dizer que era dele e depois entregasse pra ele corrigir, assim você não se prejudicaria por não querer mais ir às monitorias – explicou ela como se fosse à coisa mais simples do mundo.

Fiquei estática. Ele realmente estava se esforçando para que eu o desculpasse. Mas, ao mesmo tempo não falava diretamente comigo, tudo bem que eu deixei claro que eu não queria vê-lo nem pintado, mas não entendi o porquê de tanta preocupação. Afinal nosso histórico de brigas era bem diversificado.

Virei de costas e fui até a mesa onde KyuHyun costumava almoçar, queria tirar essa história a limpo. Além disso, eu ele estava me devendo à resposta do porque me escolher nessas monitorias. Na mesa do refeitório onde os garotos costumavam ficar só se encontravam três dos quatro rapazes. Perguntei-lhes onde estava Kyu só pra eles me responderem que a peste havia faltado.

“Maravilha só porque hoje eu queria falar com ele. Muito bem Kyu!” – pensei enquanto voltava pra sala.

Resolvi que não iria assistir às aulas do ultimo tempo. Peguei minha mochila e dei um jeito de sair de fininho da escola. Tive sorte de não esperar muito tempo por um ônibus. Estava tão presa em meus pensamentos que acabei perdendo o ponto onde deveria descer, no entanto ao invés de esperar pelo próximo, decidi seguir até a parada mais próxima da casa de Kyu. Seria melhor ter uma explicação rápida. Desci do ônibus e caminhei mais duas quadras.

Olhando de fora não notei movimento nem sinal de nenhum dos carros da família Cho. Toquei a campainha, mas ninguém atendeu. Já estava indo embora quando por algum impulso resolvi conferir se porta estava trancada. Não me pergunte por que fiz isso, já que até eu mesma me assustei quando a maçaneta girou e a porta se abriu. Entrei na sala e chamei por Kyu, ele não respondeu, no entanto pude ouvir um barulho no andar de cima. Subi as escadas e segui o som, pareciam os acordes de um violão.

N/A: Dê play em Best I Can.

Segui até o quarto de KyuHyun e abri a porta, ele estava sentando na cama com um violão nas mãos, porém não tocava. Os olhos estavam fechados e ele parecia tentar absorver a melodia da canção que ouvia, seus headphones estavam tão altos que graças ao silencio do restante da casa eu podia ouvir o instrumental da música mesmo sem me aproximar. Pelo menos o motivo de ninguém atender a campainha já estava explicado. Iria chamá-lo, mas seus dedos vagaram pelas cordas do violão e ele começou a cantar uma canção que até então eu desconhecia.

I've been thinking about
Eu tenho pensado sobre

All of those lyes that you heard me say…
Todas as mentiras que você me ouviu dizer…

I can make them go away
Todas as mentiras que você me ouviu dizer.

I've been thinking about
Eu tenho pensado sobre

All the mistake you've seen me make

Todos os erros que você me viu fazer.

Não sei por que, mais não consegui interrompê-lo, há muito tempo não ouvia sua voz carregada de tanto sentimento. Deixei-me encartar pela cena, e pela letra da canção.

When I can barely hold on

Quando eu mal posso manter-me firme,
You promise to won't let me go

Você promete não me deixar ir.
And I want you know…

E eu quero que você saiba...

Assim de olhos fechados e deixando a música guiá-lo Kyu ficava totalmente livre de sua postura sarcástica. Desse jeito ele me lembrava muito o “meu Kyu”.

I don't live a perfect life
Eu não vivo uma vida perfeita,

But God knows I'm trying the best I can

Mas Deus sabe que eu estou tentando o melhor que eu posso.
And I have wasted so much time pretending
E, eu tenho perdido tanto tempo fingindo,

I'm not lying about who I am
Eu não estou mentindo sobre quem eu sou,

Now I'm living the best I can

Agora eu estou vivendo no melhor que eu posso.

Um sorriso triste se formou em seus lábios nos dois últimos versos, isso me fez querer abraçá-lo, mas, ao mesmo tempo eu não conseguia sair do lugar.

I've been thinking about
Eu tenho pensado sobre…

It's so hard to see what You see in me
É tão difícil ver o que você vê em mim.

Would You lay down for me?
Você abandonaria isso por mim?

I've been thinking about

Eu tenho pensado sobre…
This isn't the way I thought I would be

Esta não é a maneira que eu pensei que seria.

When I can barely hold on

Quando eu mal posso manter-me firme,
You promise to won't let me go

Você promete não me deixar ir.
And I want you know…

E eu quero que você saiba...

Senti-me metralhas pelos versos da canção, costumávamos dizer que nunca deixaríamos o outro cair, mesmo se estivéssemos longe. Pensei sobre como ele manteve os relatórios da monitoria. Será que era sobre isso que ele estava pensando nesse momento?

I'm breaking down

Eu estou fracassando

And now I've found

E agora eu encontrei
A reason to make it
Uma razão para fazer

This time around

Este tempo voltar

No matter where I go

Não importa aonde eu vá,
I want you to know

Eu quero que você saiba
I know that I'm never alone

Eu sei que eu nunca estou sozinho

Encontrar uma forma de fazer o tempo voltar era tudo o que eu queria. Mas, voltar para a época em que não brigávamos. Sentia falta disso. Só Deus sabe como sentia.


No matter where I go

Não importa onde eu vá…
I want You know

Você sabe que eu quero.
I'm living the best I can

Estou vivendo o melhor que posso.

Ele parou de tocar de repente e suspirou cansado, deixando o violão de lado. caindo de costas na cama e tirando os headphones.

– Posso estar vivendo meu melhor, mas não é o suficiente pra te trazer de volta. Talvez eu seja mesmo um imbecil que só sabe fazer brincadeiras de mau gosto.

Sua voz estava aborrecida, vendo aquela cena, sabendo exatamente sobre o que ele se referia eu não me contive e fui até ele.

– Você é um pouco idiota, mas se conseguir ser menos sarcástico talvez eu possa agüentar. – falei me sentando na cama.

Kyu abriu os olhos assustando, sentando-se também. Ficamos muito próximos, podia sentir sua respiração bater no meu rosto.

– Aishi? Como você entrou aqui? – perguntou estranhando minha presença. – Quer saber não importa só me ouça, por favor!

Assenti, me perdendo um pouco em seus olhos.

– Me desculpe, eu fui mesmo um idiota, sei que não tem motivo pra acreditar em mim... – ele parou como se tivesse ponderando se devia me contar ou não alguma coisa. – No inicio achei que seria divertido implicar com você nas monitorias, mas... Não é por isso, eu... Não sei o que você vai achar disso, mas... Eu ainda te amo.

Arregalei os olhos, KyuHyun estava mesmo me confessando que não havia me esquecido? Eu devia estar sonhando só podia. A quem eu quero enganar, não o esqueci. Enquanto ficava me dizendo que ele era um idiota que não merecia que eu me estressasse com nossas brigas eu não conseguia parar de pensar nele, e de lembrar de tudo que vivemos.

– Okay pode começar a me xing... – colei meus lábios nos dele antes que a frase fosse terminada. Sentia falta do toque dos lábios dele, de seu cheiro tão próximo a mim.

KyuHyun me puxou para seus colo, eliminando a pouca distancia que ainda nos separava, entrelacei meus dedos aos seu cabelo em sinal de aprovação e ele mordiscou meu lábio inferior e depois prende-o entre os dentes e puxou para si. Suas mãos passeavam pela minha cintura às vezes seguindo para minhas costas. Deixei que as minhas fossem de encontro ao seu tórax, vez ou outra deslizando para as costas subindo até seus ombros, enquanto eu me perdia entre seus lábios.

Cedo demais ele desgrudou nossas bocas, me encarou de uma forma que eu não posso descrever, a saudade que sentíamos um do outro era refletida naquele olhar. O abracei afundando meu rosto na curva de seu pescoço e sentindo aquele cheiro de colônia que eu tanto amava, era ainda melhor do que eu lembrava. Ele me apertou mais forte contra si. Talvez temendo que eu mudasse de idéia. Apenas dei um beijo no seu pescoço como uma forma de lhe assegurar que eu não fugiria.

– Sis... – fazia muito tempo que eu não era chamada daquela forma, apesar de tudo ainda era meu apelido favorito. – Eu-quero-que-você-volte-a-ser-minha-namorada.

As palavras saíram num jorro e eu não entendi nada.

– O que?

Kyu suspirou e segurou minhas mãos, mas o que realmente me prendia a ele eram seus olhos.

– Prometo fazer o melhor que posso, vou tentar não ser sarcástico, e não vou fazer brincadeiras idiotas. Aceita a voltar a ser minha namorada?

Sua resposta foi um beijo ainda mais caloroso que o primeiro.

FIM


Notas finais
Bem como disse cada "capítulo" seria um conto diferente. Espero que tenham gostado dessa primeira estória, e aproveitado as musicas, deixem um comentário me dizendo do que gostou e o que faltou melhorar (=^.^=)